Posts com a tag "sao paulo"

laerte kessimos cirurgia Ator toma soco e quebra maxilar em São Paulo

Laerte Késsimos, no hospital, antes de fazer a cirurgia no maxilar - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Laerte Késsimos deve passar por uma cirurgia nas próximas horas, no Hospital Igesp, na Bela Vista, em São Paulo, onde está internado por conta de uma lesão no maxilar que sofreu durante uma confusão na rua Augusta, região central de São Paulo.

Mineiro radicado em São Paulo, Késsimos já realizou peças em importantes grupos da cena teatral paulistana, como Os Satyros e Núcleo Experimental. Sua obra mais recente foi Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, dirigida por Eric Lenate.

Segundo o próprio ator publicou em uma rede social, "rolou uma situação de assalto quando chegava em casa".

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

De acordo com o relato do artista, "uma travesti roubou o celular" do bolso do ator, que reagiu. Ao ver os dois discutindo, um homem que passava na rua pensou que seria Késsimos quem estaria tentando agredir a travesti e lhe desferiu um "murro na cara".

"Ele acertou em cheio e quebrou meu maxilar. O celular foi recuperado", escreveu o ator revelado na peça Transex, do grupo Os Satyros, em 2004.

A notícia logo reverberou na classe artística. A atriz Lulu Pavarin se manifestou.

— Tomara tenha alguma câmera possa depois identificar quem são essas pessoas horríveis. Desejo que se recupere o mais rápido possível.

O Atores & Bastidores do R7 conseguiu falar com Késsimos neste domingo (6). Ele afirmou que, na confusão, o homem que lhe golpeou fugiu. E que não chegou a chamar a polícia.

Ele está no hospital acompanhado de familiares e amigos. Apesar do maxilar quebrado, Késsimos consegue falar pausadamente. Ele agradeceu a preocupação de todos.

laerte kessimos 3 ator foto eduardo enomoto r71 Ator toma soco e quebra maxilar em São Paulo

Laerte Késsimos é ator e já trabalhou em peças dos Satyros e do Núcleo Experimental - Foto: Eduardo Enomoto

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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golpe militar foto arquivo 31 3 1964 estadao conteudo Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Tanque militar circula no bairro das Laranjeiras, no Rio, em 31 de março de 1964 - Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Começou nesta segunda (24) e vai até o próximo domingo (30), a 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de São Paulo.

O evento integra uma série de atividades culturais pela cidade que lembram os 50 anos do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil em 1964. O objetivo é fazer uma "descomemoração" da data.

A realização é do Núcleo do 184, da Cooperativa Paulista de Teatro e da Cia. do Feijão.

As apresentações acontecem no Teatro Studio Heleny Guariba e também na sede da Cia. do Feijão, no centro paulistano [veja endereços ao fim].

 

alem do ponto os crespos Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Os Crespos se apresentam na mostra com Além do Ponto - Foto: Divulgação

Integram a programação no Guariba os espetáculos Iracema – a Paulistada: um Solo Manifesto, da Cia. de Solistas (25/03, às  20h); Milagre na Cela, de Jorge Andrade, com leitura do Grupo Kaus (26/03, às 20h); Além do Ponto, da Cia. Os Crespos (27/03, às 20h); Utopia, de Thomas Moore, encenada pela Cia. Esquizocênica (30/03, às 17h). O Núcleo do 184 também faz as peças A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer (28/03, às 20h); O Rato Pensador, de Agenor Bevilacqua (29/03, às 16h); Caixa de Retratos (29/03, às 20h); e Jonas/Bacuri/ Bacuri/Jonas (30/03, às 19h30).

Já na Cia. do Feijão serão encenadas Clarisse, Virgínia, Catarina, do grupo Mal Amadas Poética do Desmonte (26/03, às 20h); O Interrogatório Brasileiro, com leitura do Núcleo do 184 (28/03, às 16h); Reis de Fumaça, da Cia. do Feijão (28/03, às 18h); e O Mundo das Águas, da Cia. A Jaca Est (29/03, às 15h).

A mostra será encerrada com a leitura de Poesia de Resistência, pelo ator Roberto Ascar e pelo músico Beto Kapeta, no dia 30 de março, às 20h, no Teatro Studio Heleny Guariba.

2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos
Quando: 24 a 30 de março de 2014
Quanto: grátis
Onde: Teatro Studio Heleny Guariba (praça Roosevelt, 184, São Paulo, metrô República)
Espaço da Cia. do Feijão (rua Doutor Teodoro Baima, 68, São Paulo, metrô República)
Informações: 0/xx/11 3259-6940

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fernanda azevedo shell paduardo agnews Atriz ganha Prêmio Shell de Teatro e diz que empresa apoiou ditadura; conheça os vencedores

A atriz da Kiwi Cia. de Teatro, Fernanda Azevedo, eleita melhor atriz do 26º Prêmio Shell de Teatro, falou em seu discurso que Shell apoiou ditadura - Foto: Paduardo/AgNews; veja a galeria de fotos da festa do teatro!

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Se na entrega carioca há uma semana houve protesto, a entrega do 26º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, na Estação São Paulo, nesta terça (18), também ficou marcada por um discurso politizado e corajoso. Fernanda Azevedo, que ganhou o prêmio de melhor atriz por sua atuação na peça Morro como um País - Cenas sobre a Violência de Estado, da Kiwi Cia. de Teatro, aproveitou a deixa para discursar contra a própria Shell.

Ao subir no palco, ela fez um discurso contra a empresa que patrocina a premiação dando R$ 8.000 a cada vencedor. Fernanda lembrou que sua peça fala das agruras que o golpe militar de 1964 instaurou no Brasil sob forma de ditadura. E reiterou que, no ano do cinquentenário do golpe civil-militar, precisava dizer algumas palavras. Eis o discurso que ela proferiu:

— Como este prêmio tem o patrocínio da Shell, eu gostaria de ler quatro linhas sobre esta empresa. O texto é de Eduardo Galeano [escritor uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina]. "No início de 1995, o gerente geral da Shell na Nigéria explicou assim o apoio de sua empresa à ditadura militar desse país: Para uma empresa comercial que se propõe a realizar investimentos é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso."

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo!

A plateia, formada majoritariamente por artistas de teatro, ouviu em silêncio.

Ao fim, ela afirmou que foi "uma questão de coerência com nosso trabalho" ter proferido tal discurso, pensado pelo grupo Kiwi. E reiterou que as ditaduras são "civis e militares".

Veja a galeria de fotos da festa do teatro!

shell eva wilma paduardo Atriz ganha Prêmio Shell de Teatro e diz que empresa apoiou ditadura; conheça os vencedores

Eva Wilma ofereceu seu Prêmio Shell especial à memória do diretor José Renato - Foto: Paduardo/AgNews; Veja a galeria de fotos da festa do teatro!

Eva Wilma foi a grande homenageada por seus 80 anos de vida e 60 de carreira. Dedicou a todos que trabalharam com ela e ao diretor José Renato, "que me desencaminhou para o teatro", em suas palavras.

Assim como na entrega carioca, Renata Sorrah foi a apresentadora da noite. O ator Paulo Goulart, que morreu na última quinta aos 81 anos, foi lembrado e aplaudido de pé.

MG 2074 Atriz ganha Prêmio Shell de Teatro e diz que empresa apoiou ditadura; conheça os vencedores

A atriz cubana Phedra D. Córdoba, do premiado grupo Os Satyros, foi um dos destaques da festa do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo - Foto: Paduardo/AgNews; Veja a galeria de fotos da festa do teatro!

A turma do grupo Os Satyros subiu em peso no palco para receber na categoria Inovação, por conta do projeto Satyrianas. Gustavo Ferreira leu discurso e agradeceu até a cantora Vanusa, que inspirou as Satyrianas.

Antunes Filho ganhou melhor direção, mas não apareceu. Foi representado pelo ator Leonardo Ventura.

Cantata para um Bastidor de Utopias, da Cia. do Tijolo, foi a peça mais premiada, com dois troféus, melhor cenário e melhor música.

Veja, abaixo, os vencedores de todas as categorias:

Autor:
Kiko Marques por Cais ou da Indiferença das Embarcações

Direção:
Antunes Filho por Nossa Cidade

Ator:
Chico Carvalho por Ricardo III

Atriz:
Fernanda Azevedo, Morro como um País

Cenário:
Rogério Tarifa por Cantata para um Bastidor de Utopias

Figurino:
Miko Hashimoto por Operação Trem-Bala

Iluminação:
Fran Barros por Vestido de Noiva

Música:
Jonathan Silva e William Guedes por Cantata para um Bastidor de Utopias

Inovação:
Os Satyros pela projeção, permanência e abrangência do evento “Satyrianas” na condição de fenômeno histórico-artístico e social.

Homenagem Especial
Eva Wilma, pelos 60 anos dedicados ao teatro

shell ganhadores paduardo Atriz ganha Prêmio Shell de Teatro e diz que empresa apoiou ditadura; conheça os vencedores

Vencedores do 26º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo - Foto: Paduardo/AgNews; veja a galeria de fotos da festa do teatro!

Veja a galeria de fotos da festa do teatro!

shell renata sorrah Atriz ganha Prêmio Shell de Teatro e diz que empresa apoiou ditadura; conheça os vencedores

Renata Sorrah foi a apresentadora do Prêmio Shell de São Paulo - Foto: Paduardo/AgNews; Veja a galeria de fotos da festa do teatro!

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ruy filho fomento ao teatro Artista acusa comissão do Fomento ao Teatro de não ler projeto enviado; Prefeitura de São Paulo nega

Diretor Ruy Filho acusou, nesta semana, comissão julgadora do Programa de Fomento ao Teatro da Prefeitura de São Paulo de não ler projeto enviado por ele — e recusado — em 2012 - Fotos: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma polêmica em torno da Lei de Fomento ao Teatro de São Paulo movimenta a classe teatral. O detonador do estopim foi o diretor paulistano Ruy Filho, da Cia. Antro Exposto, que também edita a revista teatral Antro Positivo - leia entrevista exclusiva com ele ao fim desta reportagem.

Filho acusou a comissão julgadora da Lei de Fomento ao Teatro de São Paulo – que concede ajuda financeira para projetos na área teatral – de não ler o projeto enviado por ele. A declaração, feita no Facebook, é contestada pela Prefeitura de São Paulo, que reitera que todos os projetos enviados foram analisados. Diz Ruy Filho:

— Fiz uma pequena provocação. Mandei as vias todas lacradas [...]. O curioso é que quando fui retirá-los, nenhum havia sido aberto, pois não teriam como ver os projetos sem rasgar os envelopes. Tenho todos intactos aqui comigo. Ainda lacrados. Guardo-os como uma espécie de alerta sobre algumas pessoas que participaram daquela comissão.

Apesar de não mencionar em sua acusação, feita no último dia 15, o R7 apurou que o projeto ao qual Filho se refere foi inscrito no ano de 2012. O artista não explicou por que só agora trouxe a questão ao conhecimento público.

Acusações despertam polêmica

As declarações de Filho já geram repercussão na classe teatral. Carlos Canhameiro, diretor da Cia. Les Commediens Tropicales, resolveu entrar no assunto, também na mesma rede social, e questionou a acusação do colega, incluindo as fotos dos envelopes fechados postadas pelo editor da Antro Positivo.

— Qualquer investigação séria descartaria as fotos como prova da acusação feita. Fotos como as portadas por Ruy Filho podem ser forjadas facilmente.

Os membros da comissão julgadora da 20ª edição da Lei do Fomento, implicitamente acusados por Ruy Filho, são Berenice Raulino, que assumiu a função de presidenta da comissão na 20ª edição, Valmir Santos, Expedito Araújo, Silvia Fernandes, Beth Néspoli, Mirian Rinaldi, Tin Urbinatti.

Após as declarações de Canhameiro, Ruy Filho manteve sua fala de que os envelopes nunca foram lidos.

— Peguei fechado, vou fazer o quê? Eu só tenho dúvidas, e espero que Carlos encontre as respostas [...] Se tivermos respostas para tudo será realmente incrível. E falo isso de peito aberto.

"Cretinice"

Kil Abreu, crítico teatral e curador de teatro do Centro Cultural São Paulo e que já participou de comissões julgadoras da Lei de Fomento ao Teatro, saiu em defesa dos acusados por Filho.

— Só a cretinice pode justificar que alguém fantasie que há má fé no trabalho de uma comissão que tem Berenice Raulino, Valmir Santos, Silvia Fernandes, Beth Néspoli, Mirian Rinaldi e Tim Urbinati - artistas, pesquisadores, críticos e mestres conhecidos de todos os que trabalham com o teatro em São Paulo. [...] Já havia decidido parar de dar gás a essa estupidez, mas quando a coisa começa a fazer escola a melhor ação, sempre, é tentar esclarecer.

Beth Néspoli, jornalista especializada em teatro que integrou a comissão acusada, pediu calma aos integrantes da classe artística e lembrou da importância da Lei de Fomento ao Teatro, criada em São Paulo há 12 anos e referência em todo o Brasil.

—O Programa de Fomento ao Teatro é importante, é uma conquista da cidade e do teatro. Quem sabe disso não será nunca leviano ou negligente no trato com os projetos. Tenho certeza disso. Eu conheço um professor que quando a turma está agitada diz em tom grave e manso: serenai, serenai. É o meu apelo.

Procurada pelo R7, a assessoria da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo, responsável pelo Fomento ao Teatro, se manifestou por meio da seguinte nota.

— A Divisão de Fomentos da Secretaria Municipal de Cultura esclarece que o processo de seleção dos projetos inscritos nos editais do Programa Municipal de Fomento ao Teatro respeitou integralmente a Lei nº 13.279/2005, que institui esta modalidade de fomento no âmbito municipal. Uma comissão formada por sete membros com notório saber em teatro analisou todos os projetos inscritos.

Atualizado às 16H45:

"Não é uma denúncia", diz Ruy Filho ao R7

Em entrevista exclusiva ao Atores & Bastidores na tarde desta quinta (20), Ruy Filho comentou a polêmica.

— Quando peguei os envelopes, sim, estavam fechados. Uma pessoa foi agora à secretaria e pesquisou que eles mantêm o registro da inscrição com o valor do projeto, o que significa dizer que sim, ao menos um foi aberto. O que me dá um certo alívio. Não tenho todos mais, venho usando os materiais que lá estavam para outras coisas. Não tenho como dizer se foram ou não avaliados, pois o Fomento não tem obrigação de dar esse retorno. Por isso, dizer algo sobre a comissão significaria dizer sobre nada.

Ruy Filho ainda explicou por que não procurou os órgãos competentes para fazer a denúncia.

— Não tem sentido, quando não se pode provar. E nem eu posso provar que me entregaram fechados, nem o edital pode provar que me entregou abertos. Então pra quê? Não me interessou procurar ninguém, assim como não me interessa agora qualquer satisfação. Todos os meus trabalhos foram feitos sem o Fomento e continuarei a realizá-los da mesma maneira, por um motivo simples. Esse projeto envolvia uma série de desdobramentos públicos para a cidade. A imensa maioria dos meus trabalhos não faz isso. Não vou enviar aos editais, algo que seja unicamente do meu interesse produzir. Particularmente, não acho isso ético. Por isso, só enviei este, duas vezes. E só depois de tê-lo experimentado e realizado uma vez, ouvido o público e enxergado na prática sua proposição.

Filho ainda afirmou que sua primeira fala no Facebook questionando a não abertura do projeto “não é uma denúncia”.

— O que eu escrevi não é uma denúncia, é um relato. Assim como outras pessoas escreveram contando que também tiveram envelopes fechados de volta, ou que souberam dos resultados antes da divulgação. Todos são relatos. Mas parece que só o meu incomodou. Curioso isso. Denúncia se faz aos órgãos competentes, relato se faz entre amigos e onde bem se quiser.

O diretor também falou sobre ter reclamado só agora do projeto rejeitado em 2012.

— Eu disse que achava ter sido a última inscrição, mas me equivoquei. Já expliquei [no Facebook] que, na última, conversei com os jurados que me explicaram a questão dos projetos mínimos exigidos pelo edital e o alto custo do meu, o que tornava incompatível. Foi com o primeiro, então. Sinceramente, não faz a menor diferença tudo isso pra mim.

Para concluir, o artista afirmou que não quer acabar com a Lei do Fomento de São Paulo.

— Não sou contra o Fomento. Em nenhuma hipótese. Mas o formato precisa ser revisto. Não há pluralidade nos resultados, e isso é triste que aconteça. Tenho muitas questões de ordem estrutural e prática sobre o Fomento. Sobre isso escrevi a matéria para a Antro Positivo, está na edição 3. E sim, a matéria foi enviada à Secretaria de Cultura, assim como enviei ao Juca Ferreira, quando este assumiu a cadeira, e está disponível para qualquer que a queira ler.

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teatro 2013 Coluna do Mate   Quantidade e qualidade fez de São Paulo a capital do teatro brasileiro em 2013

Destaques do teatro em 2013: Folias Galileu, Eu não Dava Praqulo e Relampião - Fotos: Divulgação

Variedade, quantidade e qualidade estiveram presentes na cena vibrante da capital paulista durante o ano que passou

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate   Quantidade e qualidade fez de São Paulo a capital do teatro brasileiro em 2013

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o Atores & Bastidores

O pesquisador paulistano de teatro José Cetra filho apresenta uma análise surpreendente. Segundo o pesquisador, foram apresentados 578 espetáculos cujos textos foram criados por dramaturgos brasileiros.

Sem sombra de dúvida, trata-se de número importantíssimo, sobretudo se se levar em consideração o fato de os autores brasileiros, com raríssimas exceções, terem permanentemente brigado para que seus textos pudessem ser montados. Essa luta vem de muito longe. Também na área teatral, foi preciso vencer a tese perversa segundo a qual “o melhor sempre vem de fora!”

Os pesquisadores da área teatral encontram documentos e informações desse tipo de luta desde o período colonial. Em um encontro sobre dramaturgia, ocorrido na década de 1980, Jorge Andrade, um de nossos mais importantes dramaturgos, em um encontro sobre dramaturgia, denunciava a luta permanente contra os autores estrangeiros. Segundo o autor, que também escrevia telenovelas, ele estava cansado de escrever textos de teatro para ficarem engavetados.

Segundo o dramaturgo, um capítulo de telenovela conseguia um número maior de público à melhor e mais bem sucedida peça em cartaz. Evidentemente, o autor sabia que o teatro, naquele momento histórico, não era tão importante quanto, culturalmente, eram as telenovelas. Do mesmo modo, ainda que as telenovelas continuem a ter alguma importância em todo o Brasil, o número de espetáculos apresentados, pelo menos na cidade de São Paulo, é bastante relevante e significativo. Apesar de vivermos em uma megalópole, serem mais de 700 estreias por ano é um dado fundamental de certa mudança de perfil do público.

Diversas são as causas para a mudança: término da ditadura civil-militar, o teatro aproxima-se mais das necessidades das pessoas, novas leis de incentivo ao teatro foram criadas... Enfim, a linguagem teatral na cidade é surpreendente. Há espetáculos sendo apresentados em espaços tradicionais, em novos e mais diversos espaços alternativos: nas ruas e praças, em salas de visitas, em janelas de apartamentos... Se, como apresentam os documentos oficiais, a cidade foi fundada por um padre dramaturgo (José de Anchieta), o desejo pela linguagem continua vivo e muito intenso.

barafonda bob sousa3 Coluna do Mate   Quantidade e qualidade fez de São Paulo a capital do teatro brasileiro em 2013

Barafonda percorreu ruas de tradicional bairro paulistano com a Cia. São Jorge de Variedades - Foto: Bob Sousa

A temporada teatral em 2013, como costuma acontecer, apresentou obras antológicas... O mais importante representante na montagem de bons espetáculos é o que atualmente se denomina por teatro de grupo. Em tese, e de modo bastante sucinto, o conceito teatro de grupo se refere aos coletivos teatrais, fundados e gestados por conjunto de pessoas, cuja sociedade é cooperativada e o processo de criação é chamado colaborativo. Trata-se, portanto, de um tipo de sociedade cuja forma de produção é rigorosamente coletiva e fora do modo de produção empresarial.

Atualmente, são perto de 300 grupos de teatro que podem ser inseridos nessa categoria de agrupamento. Um ou outro espetáculo na cidade tem destaque fora dessa proposta, mas as obras que tem destaque e que surpreendem pela inventividade, forma relacional, modo singular de usar as técnicas e características teatrais são aquelas criadas pelos teatros de grupo. É extremamente difícil destacar, desse imenso número, mas quem gosta de bom teatro, pelo tema/ assunto, interpretação, inventividade, modo de acolhimento e recebimento do público, tenderá ao encantamento com alguns dos espetáculos destacados abaixo. Muitos descritos, nem sempre ligados ao teatro de grupo, já cumpriram carreira, mas a maioria deverá retornar à cena:

Antígona Recortada - apresentada pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, na sede do grupo (bairro Pompeia, na zona oeste paulistana) e apresenta o antigo mito grego vivendo na periferia da cidade; A Morte de Ivan Ilitch, tem interpretação impecável de Cácia Goulart; A Mandrágora, apresentada pelo grupo Tapa, surpreende por estetização objetiva e poética; A Ópera do Trabalho, o grupo de teatro de rua, depois do excepcional Ser tão ser: Narrativas de Outra Margem, apresenta seu último trabalho pelas ruas da cidade, expondo, por intermédio da música, o constante processo de exploração da classe trabalhadora; Avental Todo Sujo de Ovo, melodrama cuja inspiração veio da música Mamãe, mamãe, de Herivelto Martins; Barafonda – apresentada pela Companhia São Jorge de Variedades. Esta última sai da Praça Marechal Deodoro e percorre dois quilômetros pelo bairro da Barra Funda, em São Paulo. Com quatro horas de duração, o espetáculo, em determinado momento, para na sede da companhia: serve café, água e guloseimas.

Após a pausa, volta para as ruas e segue até o coração do bairro, depois do leito da estrada de ferro; em projeto surpreendente, denominado Baú de Arethuzza, Fernando Neves, da Companhia Fofos Encenam, adapta e dirigi cinco espetáculos ligados à tradição do circo-teatro. São eles: “Antes do Enterro do Anão, Vancê Não Viu Minha Fia?, A Canção de Bernardete, A Ré Misteriosa e Se o Anacleto Soubesse.

Cais ou da Indiferença das Embarcações, apresentada pela Velha Companhia, é ambientada em cais da Ilha Grande (RJ); Cantata, para um Bastidor de Utopias, ao tomar texto clássico de Federico García Lorca, a Companhia do Feijão apresenta obra magistral, revolucionando o espaço onde a encenação ocorre; Eu Não Dava Praquilo, apresentado pelo ator Cassio Scapin, que apresenta de modo espetacular a saudosa atriz e diretora Myriam Muniz; Ficção obra constituída por monólogos apresentados excepcionalmente por ator e atrizes da Companhia Hiato, mescla vida pessoal e cultural, de modo articulado demonstrando, de certo modo, que tudo é, rigorosamente, ficção; Folias Galileu, apresentada pelo Galpão do Folias, tem intérpretes excelentes, que apresentam seus pontos de vista sobre Galileu Galilei (que não aparece em cena) e uma cenografia heliocêntrica, que gira em torno de uma “maestrina” aristocrata, que estabelece os deslocamentos das cenas apresentadas em diversos espaços do teatro (e fora dele).

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Nossa Cidade, espetáculo de Antunes Filho, também foi destaque em 2013 - Foto: Emidio Luisi

Nossa Cidade, de modo absolutamente pousado na interpretação, Antunes Filho, classiciza o importante texto de Thorton Wilder, no Teatro Anchieta; O Patrão Cordial, último espetáculo da Companhia do Latão, articula o texto O sr. Puntila e seu Criado Matti, de Bertolt Brecht e o texto O Homem Cordial, de Sérgio Buarque de Holanda; Os Adultos Estão na Sala espetáculo escrito e dirigido pela promissora e (já potente) Michelle Ferreira; a Companhia do Miolo e a Companhia Paulicea, juntas, apresentam nas ruas da cidade, o surpreendente Relampião; Ricardo III, um dos textos de Shakespeare mais montados no Brasil, insere-se em projeto ousadíssimo, que tem produção de Alexandre Brasil e Erike Busoni, cuja pretensão vislumbra a montagem de todas as obras do texto. Chico Simões é o ator protagonista e apresenta trabalho surpreendente; em releitura repleta de bons achados, Vestido de Noiva deverá continuar em cartaz no Núcleo Experimental.

Evidentemente, o que fica patente com esse breve texto, além da riqueza da linguagem teatral, é que se deixou, simplesmente de fora, mais de outros tantos e excelentes trabalhos bem realizados, naquela que se pode chamar (sem pretensão de estarmos sendo imperialistas): capital do teatro brasileiro.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), pesquisador de teatro e integra o júri do Prêmio Shell de Teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º.

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origem destino Peça aceita pagamento em bilhete único e coloca público para viajar por SP dentro de um ônibus

Personagens de Origem Destino levam público a uma viagem por SP - Foto: Tetembua Dandara

Por Miguel Arcanjo Prado

A praça da Sé é o coração do centro de São Paulo. É de lá que parte o ônibus que leva público e personagens da nova peça da Cia. Auto-Retrato, Origem Destino, que estreia neste domingo (1º). O preço para ver a montagem é o valor de uma passagem de ônibus, R$ 3; é aceito o pagamento em bilhete único.

O ponto final é no bairro de Santo Amaro, na zona sul. Oito atores e quatro músicos do quarteto instrumental À Deriva acompanham a viagem, que passa por rios concretados para virarem importantes vias da capital paulista, como o Anhangabaú, o Saracura e o Pinheiros.

O grupo de dez anos de vida quer descortinar a cidade aos olhos do espectador. Geografia se funde com arte para colocar o que está do lado de fora da janela em evidência.

Para tanto, eles ouviram depoimentos dos moradores pelas ruas da cidade, para que Marcos Gomes construísse a dramaturgia. Andrea Tedesco e Mauricio Veloso assinam a direção.

No elenco estão Beto Sporleder, Camilo Schaden, Carla Kinzo, Daniel Muller, Guilherme Marques, Marcio Castro, Marina Corazza, Marina Tranjan, Natacha Dias, Rui Barossi e Thais Almeida Prado, Julio Lorosh, Marcos Gomes, Mariana Miranda, Sergio Spina e Suelen Ribeiro.

Origem Destino
Quando: Terças, ao meio-dia, e domingos, às 11h. 150 min. Temporada de 1º a 17/12/2013.
Onde: Saída da Praça da Sé, em frente à Catedral, no centro de São Paulo, metrô Sé
Quanto: R$ 3,00 (preço da passagem de um ônibus; pode ser pago com bilhete único)
Classificação etária: livre

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teatro minhocao Esparrama faz peça de janela frente ao Minhocão

Cenas da peça Esparrama pela Janela, que tem como cenário um prédio frente ao Minhocão - Foto: Sissy Eiko

Por Miguel Arcanjo Prado

Os transeuntes que caminharem pelo Minhocão no centro de São Paulo aos domingos, entre os dias 17 de novembro e 15 de dezembro, terão uma surpresa.

Ao avistarem a janela do terceiro andar do Edifício São Benedito, localizado na rua Amaral Gurgel, 158, à margem do viaduto, verão cenas do espetáculo Esparrama pela Janela. Trata-se de uma inusitada intervenção cênica que será apresentada às 10h30 e às 14h30, cada sessão com 30 minutos de duração.

Diretor da trupe, Iarlei Rangel, conta ao Atores & Bastidores do R7 que metade do grupo mora no apartamento frente ao Minhocão. Daí veio a inspiração para a obra.

— A gente convive com essa loucura de trânsito e barulho infernal. E, ao mesmo tempo, trabalhamos com teatro. Sempre tivemos curiosidade com esse outro uso que a população faz do Minhocão à noite e aos domingos, quando ele é fechado e os pedestres aproveitam para fazer exercícios e outros usos do espaço. Quisemos intervir sobre isso e também mostrar a potencialidade do Minhocão como lugar público e de arte.

O grupo foi fundado em 2012, reunindo interesses em comum dos integrantes em dialogar com a cidade. Além de Rengel, também fazem parte Kleber Brianez, Ligia Campos e Rani Guerra, que integram o elenco.

— Eu sempre fiz teatro de rua, mas teve gente do grupo que trabalhou com teatro em hospitais por exemplo. Lidar a relação do teatro com a cidade faz parte de nossa ideologia.

O enredo construído pelo Grupo Esparrama apresenta um morador que não suporta mais viver de frente ao Minhocão. Afinal, o caos da cidade – barulho e poluição – entra cotidianamente em seu lar diariamente pela janela.

Cansado desta dureza, ele resolve dar poesia e humor à metrópole da janela de seu lar.

A cidade agradece.

teatro minhocao 2 Esparrama faz peça de janela frente ao Minhocão

Grupo Esparrama resolveu transformar experiência do cotidiano urbano em poesia teatral - Foto: Sissy Eiko

Esparrama pela Janela
Quando: domingo, às 10h30 e 14h30. 30 min. De 17/11/2013 a 15/12/2013
Onde: Minhocão (Elevado Costa e Silva), trecho entre metrô Santa Cecília e rua da Consolação, centro, São Paulo
Quanto: grátis
Classificação etária: livre

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Foto 5 Pedro Isaias Lucas Polêmica: Grupo de Porto Alegre Ói Nóis Aqui Traveiz dispensa público em SP e gera revolta

Cena do espetáculo Medeia - Vozes, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - Foto: Pedro Isaías Lucas/Divulgação

Por Rodolfo Lima, em São Paulo
Especial para o Atores & Bastidores*

Não é fácil assistir às montagens da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Grupo mítico de Porto Alegre, tem uma dinâmica de vivência e encenação que torna complexa qualquer deslocamento do grupo.

Eis que a trupe aportou na sede do Teatro Vento Forte, para 12 apresentações de Medeia Vozes em São Paulo.

Um espetáculo de três horas e meia, em  cartaz de terça a domingo, durante duas semanas, praticamente apresentando sem pausas.

Semana de cancelamentos

A segunda semana foi tumultuada para um grupo que deu sinais de cansaço e adoeceu e, sendo assim, resolveu ignorar o público que se dispôs a ir vê-los. Explico.

Estive presente na quarta (16), na sexta (18) e no domingo (20). Não, não sou um neurótico aficionado pelo grupo e nem compartilho das diretrizes internas de vivência do grupo. Mas reconheço o trabalho singular que o grupo executa e não podia deixar de apreciar mais um dos seus inúmeros trabalhos.

Quarta chovia torrencialmente, e eles cancelaram. Há cenas externas - segundo amigos que assistiram em sessões sem a lotação máxima, 35 pessoas - que ficam inviabilizadas por causa da chuva. No lugar da apresentação, o grupo resolver falar sobre o processo, já que havia uma turma de escola, e o professor tinha transferido sua aula para o terreiro da trupe.

Sexta, dez minutos antes do inicio da peça, começa uma chuva que faz o grupo cancelar a apresentação às 20h20. Casa lotada, público do lado de fora. Os atuadores vêm a público se desculpar e cumprimentar os presentes. Há vozes pedindo que o grupo espere mais um pouco, "vai que a chuva pare", mas não são ouvidos.

"Estamos cansados"

Antes da decisão final, um dos integrantes informa: "cancelamos o espetáculo na quarta, na quinta - em função de um mal estar de Tânia Farias - e não gostaríamos de cancelar hoje. Estamos todos cansados e prontos".

Nunca vi um artista usar a desculpa de "estar cansado", penso alto.

Não desisto de apreciar o trabalho, retorno no domingo, chego às 18h - a entrega de senhas seria às 19h30 - e eis que o "grupo" informa que: "muitas pessoas  que não conseguiram ver nos dias em que as apresentações foram canceladas, ligaram e o "grupo" gentilmente reservou os  lugares para tais pessoas, e que as poucas senhas que havia eles já tinha distribuído".

Oi?

Desde quando se podia ligar para reservar lugar? Em qual número?  Em nenhum dos dois dias - cancelados por  causa da chuva - o grupo informou ao público em geral, tal opção. Ao serem questionados: cadê essas pessoas que pegaram a senha hoje? A resposta: nós a dispensamos para comer algo, voltam mais tarde. Será?

"Cozido gostoso"

Quando questiono: ah, vocês acham isso correto? O representante do grupo disse que não podia fazer nada.

Inconformado cutuco: Se vocês querem fazer "teatro pra panela" fizesse uma apresentação extra antes.O hostess da trupe debocha: Não sei o que é isso, mas aqui dentro nos fazemos um cozido bem gostoso.

Sou dado a piadas e ironias, mas era impossível rir e compartilhar daquele resposta chinfrim.

O que se via ali, era um desrespeito com o público que se disponibilizou a chegar duas horas antes. Seria mais honesto que o grupo assumisse uma apresentação fechada para os amigos. Mas não... resolveram ignorar a inteligência do público. Atitude totalmente contrária aos ditos ideais do grupo.

Descaso com o público

Nunca vi tanto descaso nas filas paulistas. Sou ator e jornalista, frequentador assíduo de teatro, possuo livros do grupo, e foi decepcionante ver que os famigerados atuadores não estavam interessados em atender a população em geral, e sim, a "própria turma teatral".

Bom... eu como não gosto de cozido, me retirei. Fiquei sabendo naquele momento que o grupo nada tem a me oferecer.

*Rodolfo Lima é jornalista, ator e mestrando na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Nota do Editor: O R7 fez contato com A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, mas não houve resposta até o momento.

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operarios tarsila do amaral Coluna do Mate: Teatro paulistano transforma sujeitos marginais em protagonistas da vida

Operários, de Tarsila do Amaral: São Paulo tem duas estreias teatrais por dia - Foto: Reprodução

A cena teatral paulistana, que estreia dois espetáculos por dia em média, traz para o protagonismo da cena os sujeitos à margem da história oficial

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Teatro paulistano transforma sujeitos marginais em protagonistas da vida

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por Alexandre Mate*
Especial para o Atores & Bastidores

É quase inacreditável o número de espetáculos sendo apresentados em São Paulo. Em análise recente, José Cetra Filho, cujo mestrado sobre recepção foi defendido no Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), pesquisou os espetáculos em cartaz e, dentre outras afirmações, e chegou à conclusão que mais de dois espetáculos estreiam por dia na cidade.

Nessa informação, o pesquisador apresenta tal informação ao pesquisar materiais documentais mais tradicionais, como roteiros de jornais, programas de espetáculos e guias de teatro. Desse modo, é seguro que o número se amplia, na medida em que os espetáculos apresentados em bairros, normalmente, não aparecem nas fontes documentais citadas.

Em razão do exposto, sabem todos os pesquisadores e interessados em teatro que o número de obras ligadas à linguagem a que se tem acesso é sempre inferior àquele, de fato, existente.

Atualmente, e decorrente de um conjunto de ações de luta e de militância dos artistas, a cidade de São Paulo concentra o maior número de produções na área teatral do país. Em pesquisa recente por mim realizada, a pedido de professora da Universidade do Texas, apresento o nome de quase 300 grupos de teatro em atividade na cidade. Tais grupos atuam nas cinco zonas da cidade, muitos deles com ações conjuntas e com resultados bastante singulares.

Do número total de grupos em atividades na imensa cidade paulistana, pode-se afirmar que a maioria apresenta seus espetáculos com temas retirados de assuntos interessantes à cidade. Isto é, poucos são os espetáculos cujos assuntos dizem respeito exclusivamente às questões individuais. Tal manifestação ocorre porque interessa aos coletivos que compõe os grupos as experiências sociais que abrigam conjunto de sujeitos e, também, pelo fato de os textos decorrerem de processos improvisacionais e coletivos. A partir de tal realidade, o texto final resulta de um conjunto de visões e pontos de vista diversos.

Assim, não interessa à maioria dos grupos em atuação efetiva, o protagonismo de uma de uma personagem individual. Assim como na vida social, o viver não se restringe aos sujeitos isolados. Mesmo aquele que se isola carece e depende de um conjunto de outros. Portanto, todas as ações humanas têm naturezas de abrangências sociais amplas, algumas vezes singulares, mas dependentes do todo.

Compreendem os grupos de teatro com espetáculos significativos que o viver significativo e digno compreende processos de luta para a conquista de tantos direitos e promessa apartadas da maioria absoluta das pessoas.

Desse modo, não há e nem interessa organizar um espetáculo para apresentar o protagonismo de um indivíduo, que luta exclusivamente por e para si. Interessa apresentar o indivíduo e as causas sociais que o impedem da conquista de seus sonhos, direitos, desejos... Interessa apresentar o sujeito que sonha e aqueles que impedem de realização do sonho.

Nessa medida, a totalidade dos grupos teatrais da cidade de São Paulo, preocupa-se com problemas de natureza social: as múltiplas formas de exploração de amplos setores da população; a espetacuralização da vida pelos meios de comunicação; a crônica e permanente falta de justiça social; a tendenciosidade da justiça que atende àqueles que dispõem de recursos econômicos; a falta de moradia; os capengas sistemas sociais, compreendendo os escolares, de saúde pública etc.

Em razão desse amplo espectro que envolve a maioria, o chamado drama absoluto, que trata das mazelas individuais não interessa. Interessa ao chamado teatro de grupo da cidade, os assuntos sociais amplos e seus embates. Desse modo, os espetáculos são épicos porque lidam com assuntos de natureza histórico-social, em narrativas divididas em episódios distintos e articulados, nos quais pontos de vista diferenciados são contrapostos e investigados.

Assim, como na vida, às vezes somos protagonistas, mas, outras tantas, apenas “figurantes”. Nas narrativas episódicas, em cada episódio pode-se apresentar protagonismos diversos. Portanto, nas obras coletivas, que compreendem a criação do texto e a construção da cena, há funções protagônica distintas.

Mário de Andrade, no final da década de 1920, tomando tantas outras experiências anteriores, criou Macunaíma, na condição de o preguiçoso herói sem caráter, correspondendo às contradições do homem comum.

O teatro de grupo, atendo-se às experiências anteriores na literatura e nas artes, tem trazido à cena, dividindo o protagonismo histórico-social, a gente que sempre esteve à margem na história. Vinícius de Moraes escreveu o poema Os Inconsoláveis”, no qual no último verso aparecia: “aves acorrentadas pelos pés”, a maioria do teatro de grupo tem trazido para a cena e libertado esse tipo de águia.

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Barafonda interage com o bairro da Barra Funda (SP) para contar sua história - Foto: Bob Sousa

O grupo de teatro de rua Buraco d’Oráculo (com sede na zona leste da cidade) apresenta atualmente, em vários espaços públicos da cidade, o espetáculo A Ópera do Trabalho, trazendo o trabalhador e a trabalhadora para a cena; a Companhia São Jorge de Variedades (com sede na zona oeste, próxima ao centro) apresenta o surpreendente espetáculo Barafonda, apresentando em mais de 4 quilômetros de deslocamento, a gente da Barra Funda e todos aqueles que andam pelas ruas do bairro; a Brava Companhia (com sede na zona sul) apresenta em diversos pontos da cidade o seu espetáculo Este Lado para Cima, apresentando o que fazer com relação aos privilegiados que vivem em uma bolha sustentada pela classe trabalhadora; também sendo apresentada em vários pontos da cidade, o Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo (com sede na zona norte) apresenta o espetáculo Aqui Não Senhor Patrão, dividindo a cena e os protestos com relação ao patronato com a população que assiste ao espetáculo; o Grupo Parlendas (que ensaia em espaço ocupado na zona leste), decorrente de viagem por quatro regiões do país, apresenta, em chave de alegoria ao humano, o espetáculo Marruá, palavra cujo significado diz respeito ao boi que se desgarra da boiada e que passa a lutar e a se defender dos instrumentos de tortura e de aprisionamento; a Companhia Antropofágica (com sede na zona oeste) tem apresentado intervenções com máquinas (carroças e bicicletas) e cenas de teatro de revista e músicas em longas jornadas pelas ruas da cidade, misturando de modo crítico o pior e o melhor da música.

Teatro de graça, apresentado nas ruas e espaços públicos; teatro que permite que os espectadores, que passam ou que ficam para assistir a toda a obra possam apresentar seus pontos de vista com relação à obra.

Nessa perspectiva, se a obra épica é construída a partir de pontos de vista diversos, sua função, na condição de uma experiência estética e social, se completa durante a apresentação. Desse modo, a gente que passa pela rua, que, de fato, construiu a cidade e que motivou a construção da obra, pode, também, falar na obra que é sua e que lhe espelha.

Como se dizia antigamente, o teatro de grupo da cidade - principalmente aquele que tem buscado a rua para facilitar o acesso de amplas camadas da população à linguagem teatral -, tem feito sua lição de casa. Em nossos trajetos pela cidade podemos nos surpreender com um espetáculo teatral, podemos nos repensar, nos entender, nos reaproximarmos.

Por último, não é à toa que tanta gente recentemente saiu de casa para apresentar e registrar publicamente, e em coro, seus protestos contra a vida que nos tem sido imposta em séculos: o teatro de grupo da cidade também se fez presente nesses protestos.

berni Coluna do Mate: Teatro paulistano transforma sujeitos marginais em protagonistas da vida

Manifestación, de Antonio Berni: grupos teatrais participam dos recentes protestos - Foto: Reprodução

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), pesquisador de teatro e integra o júri do Prêmio Shell de Teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º.

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sao paulo eduardo enomoto Coluna do Mate: Teatro faz comunicação direta e cúmplice com a gente da Sampa Desvairada

SP: "Tudo nela é grande, potencializado, contrastante; a cidade parece nunca dormir" - Foto: Eduardo Enomoto

Na “Sampa Desvairada”, uma “sinfonia paulistana” de gente, fazedora da teatro, ocupa todos os espaços, buscando formas de comunicação direta e cúmplice

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Teatro faz comunicação direta e cúmplice com a gente da Sampa Desvairada

Alexandre Mate, pesquisador de teatro: Foto: Bob Sousa

Por Alexandre Mate
Especial par ao Atores & Bastidores*
Fotos de Eduardo Enomoto
e Bob Sousa


A cidade de São Paulo é uma grande megalópole: tudo nela é grande, potencializado, contrastante. Problemas de todas as naturezas, decorrentes, sobretudo, do excesso de gente. Gente de todos os cantos do Brasil e do mundo, que se desloca sem parada.

A cidade parece nunca dormir. Em quase todas as horas e lugares, há sempre muita gente, filas, concentrações instantâneas de gente. Os transportes públicos estão sempre lotados, as ruas – na condição de um organismo vivo – pulsam inquietas, nervosas, coloridas... Gente sozinha, em dupla, em coro, em bando.

Gente que anda; que contempla; que trabalha; que corre de polícia e de bandido; gente que interfere e protesta nas ruas da cidade; gente, lembrando o grande poeta russo Vladimir Maiakóvski, que nasceu para brilhar...

Nas histórias oficiais, aparece a informação segundo a qual a cidade foi fundada pelo jesuíta-dramaturgo José de Anchieta; o grande autor e pesquisador Mário de Andrade chamou-a de “Pauliceia Desvairada”; Caetano Veloso (inspirado na música Ronda, de Paulo Vanzolini), difundiu o nome “Sampa”; Billy Blanco, em momento inspiradíssimo, compôs a belíssima Sinfonia Paulistana; Tom Zé revelou em música a cidade ser seu amor...

sao paulo eduardo enomoto 5 Coluna do Mate: Teatro faz comunicação direta e cúmplice com a gente da Sampa Desvairada

"A cidade não é só caótica, inflacionada de problemas, SP abriga sua valorosa gente" - Foto: Eduardo Enomoto

A cidade não é só caótica, super inflacionada de problemas, São Paulo abriga sua valorosa gente. Sua beleza natural foi quase toda suplantada, perdida, transformada... Entretanto, a cidade tem como maior riqueza sua gente e sua permanente capacidade de transformação.

A produção teatral dos artistas da cidade (e não importa de onde esses fazedores de teatro tenham vindo), decorrente de uma questão de motivos, encontra-se atualmente entre as mais prestigiadas do mundo. Grupos de teatro paulistano participam de mostras e festivais em todo o Brasil e em muitos pontos do planeta.

Evidentemente, em todo o Brasil, existem muitos grupos de teatro, mas, na cidade de São Paulo, são mais de 250 grupos em atividade permanente e constante. Trata-se de um verdadeiro fenômeno. Talvez em número e em qualidade, na América Latina, apenas Bogotá (Colombia), que vem de uma significativa produção teatral, tenha uma produção semelhante à da cidade de São Paulo.

Desse modo, ao lado de hospitais de ponta, de centros de pesquisa avançados, de escolas prestidigiadíssimas – em todas as áreas -, de museus imponentes, de festas populares resistentes e tradicionalíssimas, a produção teatral paulistana encontra-se entre os grandes patrimônios da cidade. 

sao paulo eduardo enomoto 2 Coluna do Mate: Teatro faz comunicação direta e cúmplice com a gente da Sampa Desvairada

"São mais de 250 grupos de teatro em atividade permanente e constante em São Paulo" - Foto: Eduardo Enomoto

Desde a década de 1980, inúmeros artistas e grupos de teatro participaram dos processos de democratização do País. Muitos artistas deixaram os palcos para, como tantos outros trabalhadores, ocupar as ruas em prol da democratização que, basicamente, compreendeu o processo de Anistia (1979); as Diretas Já! (1983 e 1984); a criação e promulgação da Carta Magna (1988); as eleições para presidente do Brasil (1892); o processo de deposição, em 1992, do presidente eleito em 1989 (Fernando Collor de Mello), conhecido pelo nome de impeachment...

Muitas lutas políticas e sociais, ao levarem os artistas para as ruas, acabaram por trazer novas necessidades de o teatro assumir um papel mais social, e levar novos temas para os espetáculos. De certo modo, decorrente desse processo, o sujeito histórico-social passou a ser muito mais importante do que o indivíduo isolado. Uma parte da produção teatral passou a trabalhar com as personagens coletivas, em coro.

Ainda decorrente desse processo de luta, durante a década de 1990, na cidade de São Paulo, muitos artistas passaram a se reunir, em um evento batizado Arte Contra a Barbárie. Nesses encontros, artistas individuais ou ligados a grupos de teatro, passaram a defender a ideia de que o teatro não era uma mercadoria, de que o teatro era uma obra artística e coletiva.

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Um lugar repleto de grupos: "O teatro na cidade de São Paulo é febrilmente intenso" - Foto: Eduardo Enomoto

Desses encontros, e fruto de muita luta, surgiu uma lei para o chamado teatro de grupo da cidade de São Paulo, promulgada no governo da prefeita Marta Suplicy (que entra em vigor em 2002). Nessa lei, conhecida popularmente como Lei de Fomento, a Prefeitura de São Paulo distribui um significativo montante econômico para o teatro de grupo da cidade, em duas edições por ano.

Fazem parte dessa categoria os criadores e trabalhadores que pensam o teatro não como uma mercadoria. Assim, até trinta grupos da cidade, apresentam projetos de ação teatral (com duração variada) e contrapartida social. Para analisar os projetos, é montada uma comissão, constituída por três integrantes eleitos pelos seus pares, três integrantes indicados pela Secretaria de Cultura do Município e um presidente, que apenas vota em casos de empate.

Muitos grupos já foram contemplados com a referida lei. No momento de escolher o que assistir, os fãs de teatro podem ficar feito uma biruta, cujos ventos ventam para todos os lados e sentidos. De acordos com algumas pesquisas, são mais de dois espetáculos que estreiam por dia na cidade de São Paulo...

O que assistir? Que escolhas fazer?  Se se somar o número de espetáculos aos 350 dias do ano (descontando uns 15: dias de 25 de dezembro a 5 de janeiro) são aproximadamente 700 espetáculos por ano.

O número de escolas de formação de intérpretes e também o de licenciatura (formação de professores e professoras) é bastante significativo na cidade. Desse modo, costuma-se dizer que grande parte do número de espectadores e espectadoras da produção teatral paulistana corresponde àqueles que já passaram por alguma produção teatral.

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O palco não para nunca na cidade: São Paulo soma 700 espetáculos de teatro por ano - Foto: Eduardo Enomoto

O fato é que o teatro na cidade é “febrilmente intenso”. Não se pode dizer, ainda, que a atividade faça parte da cesta básica da população, entretanto, atualmente, há grupos de teatro sediados nas cinco zonas da cidade. Muitos são os grupos sediados e em exercício pela cidade cujos nomes ainda não aparecem nos documentos oficiais, mas que já são conhecidos por parte significativa da população.

Impossível apresentar aqui os nomes de tantos grupos espalhados pela cidade (o texto precisa ser curto), mas, prezadíssimo leitor e leitora, faça um esforço: que grupos de teatro você conhece? Que grupo(s) ou grupo(s) de teatro estão ambientados e têm sede no bairro ou cidade em que você mora? Você se lembra de algum nome de grupo formado, eventualmente, nas escolas em que estudou?

O grande dramaturgo brasileiro (e morador em Ribeirão Pires, na grande São Paulo), Luís Alberto de Abreu, afirma em um de seus belos textos chamado Um Dia Ouvi a Lua, que nós todos somos 50% razão e 50% mistério.

Então, que mistérios são esses que fazem com que nós, tantas vezes, nos emocionemos tanto com o teatro, seus temas e suas personagens? Que mistérios levam tantos homens e mulheres, de todas as idades, a quererem fazer teatro? Tudo dando certo, no próximo mês, pretendo apresentar os nomes de alguns  grupos de teatro e seus espetáculos maravilhosos.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), pesquisador de teatro e integra o júri do Prêmio Shell de Teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º. 

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"Que mistérios levam tantos homens e mulheres, de todas as idades, a quererem fazer teatro em São Paulo?", pergunta o pesquisador teatral e professor da Unesp Alexandre Mate - Foto: Eduardo Enomoto

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