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aline1 Aline Negra Silva conta experiência na Polônia

A diretora e atriz Aline Negra Silva: ela representa o teatro brasileiro na Polônia - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Aline Negra Silva curte os últimos dias na Polônia. A diretora e atriz paulista faz intercâmbio no país desde 21 de outubro. A experiência internacional termina em 22 de dezembro e é uma promoção da SP Escola de Teatro, onde Aline estudou direção. Ela e Felipe de Oliveira, cenógrafo e figurinista, foram os selecionados. A partir do dia 19 deste mês, Aline apresenta a peça A Confissão de um Masoquista, de Roman Sikora, com sua direção. Cartazes da obra já estão espalhados pela cidade polonesa de Gniezno. O Atores & Bastidores do R7 pediu para a artista contar como está sendo sua experiência por lá. Veja só:

“A oportunidade de estar na Polônia como residência artística foi lançada pela SP Escola de Teatro no edital de chamamento para diretores teatrais e cenógrafos-figurinistas aprendizes desta instituição. Seriam escolhidos duas duplas, na qual uma dupla composta por um diretor e cenógrafo-figurinista ficaria no Brasil e outra seguiria para a Polônia.

A proposta desta residência é montar um espetáculo teatral chamado A Confissão de um Masoquista ou Labirinto do Mundo e Paraíso do Chicote, do dramaturgo checo Roman Sikora, no teatro polonês Teatr im. Aleksandra Fredy w Gnieznie, localizado na cidade de Gniezno, com atores e técnicos profissionais locais e outra no estúdio da SP Escola, em São Paulo, com outra equipe local. Ambas com estréia marcada para o dia 19 de dezembro deste ano.

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Felipe de Oliveira e Aline Negra Silva: selecionados para intercâmbio na Polônia pela SP Escola de Teatro - Foto: Divulgação

O cenógrafo-figurinista Felipe de Oliveira e eu fomos selecionados para compormos o programa inaugural de artistas residentes do Teatr im. Aleksandra Fredy w Gnieznie com equipe formada por atores, técnicos e administrativo. Estes fazem parte do quadro de funcionários agenciados pelo Estado que, como em alguns países europeus, tem suas montagens teatrais subsidiadas pelo Estado que contribui com os recursos: físico, humano e financeiro.  Com o sucesso destas montagens, tornam-se repertório do teatro que, consequentemente, tem possibilidade duradoura em apresentar-se a um maior número possível de pessoas.

Diferentemente, no Brasil artistas e técnicos são profissionais autônomos munidos geralmente de CNPJ, na qual vivem em busca dos mesmos recursos, através do patrocínio, incentivos fiscais, apoio, contratações por instituições privadas ou públicas, prêmio edital entre outros. Aqui, na Polônia, os artistas e demais trabalhadores, não necessariamente precisam criar empresas para poder exercer seu ofício.

E minha experiência inicia-se a partir deste fator: a relação que estes profissionais têm com o teatro. Um emprego com duração de 08 horas ou mais de jornada de trabalho é algo para se pensar em relação ao ofício do artista: sua integridade criativa e respeito por sua profissão, bem como a dignidade em viver de seu ofício. Pergunto-me se isto funcionaria em nosso país e como poderíamos pensar em novas estruturas para isso. Mas isso já é outra conversa que devemos deixar para outro momento.

A próxima experiência é o contato com os artistas locais e sua forma de trabalho, o cristianismo e o sistema capitalista no país que fez parte da extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Aproximo-me dos atores poloneses ao passo que compreendo o conhecido método de um dos maiores teóricos e sistematizadores do trabalho de ator, Constantin Stanislavski.

Muito utilizado pelas escolas de teatro, é por conseqüência base técnica de atuação para alguns atores não só no Brasil, mas também na Polônia. A partir deste momento entendo que o que tenho a propor e compartilhar aos atores como método de criação vai ser diferente da habitual na qual eles estão acostumados a trabalhar. Então me empenho para que as ações sejam e propositivas e férteis para ambos os lados.

Semelhanças

Essa novidade vem também com questões culturais e singularidades do povo polonês, bem como as pluralidades que tangem este país. Um povo que se assemelha ao brasileiro no quesito religioso cristão, sendo que a maior religião do país é a igreja católica tal qual no Brasil. O comportamento oriundo desta religião, bem como a introdução do capitalismo financeiro, pós-guerra fria, também são materiais interessantes para reflexão e análise no desenvolvimento do processo criativo.

A partir deste dado tento unir o estudo dos processos de atuação dos atores poloneses, sua cultura em constante transformação e mixar o que venho investigando sobre o trabalho do ator e sua autonomia na cena. Porque cada ator é um indivíduo criativo que pode manifestar suas inquietudes com o mundo; suas próprias fantasias, e seguir adiante com suas interpretações perante ao texto sugerido.

A partir desta conotação inicio o trabalho com os atores explorando elementos do Teatro Físico, através de duas abordagens: a primeira, tendo como ponto de partida a pesquisa sobre o movimento que destaque a expressão física do ator; e a segunda usando elementos da dança combinada com diferentes suportes de material tais como a projeção de vídeo, música e luzes.

 

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A diretora Aline Negra Silva, durante ensaio com atores na Polônia - Foto: Divulgação

Masoquista e Mister M.

E a próxima experiência que evidencio é a montagem do espetáculo “A Confissão de um Masoquista” que explora as camadas da perversão humana, na qual, procura o prazer na dor física e nas humilhações através da dominação. Quando se fala em masoquismo relacionamos diretamente ao contexto sexual de um grupo de padrões de comportamento determinados, mas o dramaturgo desta peça, Roman Sikora, nos apresenta algo mais profundo e interessante, que com bom humor, ironia e sarcasmo podemos ‘sacar’ que isto é uma metáfora sobre nós mesmos.

Ao refletir sobre atitudes de quando nós parecemos gostar de sofrimento ou de humilhação, nesta peça, percebemos que as questões levantadas vão além do universo privado de um homem comum e cruzam a fronteira do mundo real, narrados pelo protagonista Mr. M.

Mr. M. é nosso herói. E como todo herói, tem sua jornada, como bem escreveu Joseph Campbell em seu famoso livro “O herói de mil faces”. Nesta jornada é mostrada passo a passo a trajetória de um homem, na qual observa-se a transformação deste sujeito ‘comum’ em um herói. Mesmo com todas as “provações” que surgem no meio do caminho ele tem uma revelação. E é nesta revelação que começamos a trabalhar o conceito deste projeto.

Em sua mente, um Cavalo Antropomórfico revela, numa metáfora delirante, que o caminho para o prazer máximo enquanto masoquista, não será mais frequentando a grupos que destinam o mesmo interesse sexual e sim ao universo do trabalho. O Cavalo Antropomórfico torna-se seu mentor, ensinando-o como se tornar um bom equino e recriar um mundo para cavalos. Logo, o mundo se torna um grande estábulo para o nosso herói e para nós: o público.

Eis a grande metáfora que colocamos em cena: o mundo como um estábulo, na qual desejamos e sentimos prazer em trabalhar duro, como cavalos. Quem nunca trabalhou em condições precárias, ou ganhou muito pouco por muitas horas de trabalho? Ou sofreu algum tipo de abuso ou humilhação dentro do ambiente de trabalho? Se nunca trabalhou nestas condições, pelo menos conhece alguém nesta situação. E muitas vezes se permitiu trabalhar nestas condições criando desculpas, ou mostrando que não há soluções para mudanças. Realmente não há? Realmente devemos continuar a aceitar e nos permitir sermos escravizados por um sistema precário e desumano? Vivemos nossas pequenas tragédias, dando a elas o máximo de importância e nos esquecemos do entorno.

polonia Aline Negra Silva conta experiência na Polônia

Gniezno, com a catedral da cidade, na Polônia: intercâmbio entre teatros polonês e brasileiro - Foto: Divulgação

Grandioso país

Pensando sobre estas questões, tentamos evidenciar as personagens e a situação de acordo com o que estamos passando contemporaneamente com a invasão da privacidade com os programas de TV tais como os reality shows. Assim a cenografia explora o campo do sensacionalismo televisivo tendo como “cenário” de TV um  estábulo. Neste programa é revelado as estruturas e camadas desta sociedade bem como as camadas da mente de Mr. M por meio de câmera ao vivo e vídeos que estão sendo projetadas em uma tela grande.

Enfim, estes são os contornos criados e vistos sob o ponto de vista de Mr. M, que oriunda sua crise em seu íntimo e transborda globalmente. Em outras palavras, seus sentimentos e experiências agora pertencem, não só a ele, mas também a toda a sociedade mundial.

E nesta possibilidade de intercâmbio vivencio e compartilho minhas experiências com demais pessoas na qual acredito ter a oportunidade de crescimento artístico-pessoal. Penso que este seja o melhor momento para descobrir novas linguagens e aprofundar minha pesquisa pessoal no encontro com novos costumes, tradições e linguagens artístico-culturais neste grandioso país que é a Polônia.

Aline Negra Silva

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Ensaio de A Confissão de um Masoquista, dirigida por Aline Negra Silva na Polônia - Foto: Dawid Stube

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ivam cabral bob sousa6 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ator e dramaturgo do grupo Os Satyros e diretor da SP Escola de Teatro, o paranaense Ivam Cabral é uma das forças que movem o teatro brasileiro contemporâneo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

A chuva se anuncia, enquanto funcionários da Prefeitura colocam luzes de Natal nas árvores da praça Roosevelt. A mesma praça que num passado recente era um lugar perigoso e violento, antes da chegada do grupo Os Satyros e seu teatro em diálogo constante com a cidade. É meio da tarde, faz um pouco de calor. No prédio ao lado do Espaço dos Satyros 1, ocupado pela SP Escola de Teatro, no terceiro andar uma porta se abre. Ivam Cabral surge com um sorriso no rosto. Dá boas vindas, pede que fiquemos à vontade. Tenta desanuviar o peso de uma notícia que precisa contar.

Paranaense de Ribeirão Claro, Ivam Cabral, 51 anos, é um dos mais bem sucedidos artistas do teatro brasileiro. Atuando apenas nos palcos, viu o Satyros conquistar o respeito do público, da crítica e da sociedade, além de atualmente comandar uma das mais importantes escolas artísticas do Brasil, onde nos recebeu para esta exclusiva Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7.

Na quarta-feira passada, 19 de novembro de 2014, enquanto se preparava para realizar a maior edição do festival Satyrianas da história de São Paulo, ele recebeu o diagnóstico de que estava com um tumor maligno na tireoide. A ordem médica foi cirurgia imediata, marcada para a próxima quarta (3), no Hospital Sírio-Libanês. Ele ainda aprende a lidar com esta realidade.

Com fala marcada pela emoção misturada à coragem, Ivam comemorou o ano intenso e falou sobre o delicado momento que vive.

Leia com toda a calma do mundo.

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Ivam Cabral, em sua sala na SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt, aquela que foi transformada por seu grupo Os Satyros de um lugar perigoso e violento em polo cultural do teatro brasileiro - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como que você recebeu a indicação de Pessoas Perfeitas para o APCA de melhor espetáculo?
IVAM CABRAL — Foi surpreendente. A gente não esperava... É uma peça que a gente fez de forma despretensiosa, sem expectativa. Então, tudo o que acabou acontecendo com a peça foi surpreendente. A gente fez uma peça e, de repente, fez um sucesso. Estamos convidados, e isso te dou em primeira mão, para os festivais de Havana, Cabo Verde, Curitiba, Rio, Brasília e Porto Alegre. É maravilhoso que isso se deu de uma forma tão digna e espontânea.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês fizeram um ano vibrante para o Satyros, cheio de projetos. Como deu conta ?
IVAM CABRAL — Foi um ano surpreendente. Mas muitos projetos começaram antes. A gente viu o Satyros Cinema estrear com o filme Hipóteses para o Amor e a Verdade na Mostra Internacional de Cinema, mas o filme começou muito antes. O projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias também foi gestado ano passado. 2014 foi um ano em que fizemos de tudo: livro, cinema e muito teatro, foram 12 peças inéditas! É uma equipe muito apaixonada. Mas também foi um ano que tivemos condições mínimas para trabalhar, pois tínhamos o incentivo do Fomento ao Teatro. Não é sempre assim. Agora vamos começar uma fase mais complicada, porque não temos subsídios. Mas isso também a gente já conhece, faz parte da nossa rotina ter momentos mais bacanas e momentos de maior aperto.

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O ator Ivam Cabral; no detalhe, capa do livro da peça Pessoas Perfeitas - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — A Satyrianas 2014 foi um grande sucesso, que sei que não aconteceu da noite para dia, afinal Os Satyros tem 25 anos e o festival, 15 edições. Mas é fato que hoje vocês chegaram a um lugar de muita importância na cidade. Como o  underground lida com agora ser mainstream?
IVAM CABRAL — Teve uma coisa que eu considero divisor de águas neste ano: a apropriação da Satyrianas pela classe teatral. Muitas companhias incríveis, que não participariam em edições passadas, agora procuraram a gente, quiseram estar juntas. E estar juntos não é só levar este selo da Satyrianas, mas estar junto na apropriação de um espaço público. Então, conquistar isso para nós foi surpreendente. Foi o ano que tivemos a relação mais legal com vizinhos. Por isso, foi surpreendente quando anunciei: 60 mil pessoas e zero de ocorrência policial. Não que a gente esperasse alguma coisa, mas estamos falando de um evento que acontece na rua, então, é involuntário que algum problema pudesse acontecer. Por isso, não ter nenhum registro policial é para se vibrar muito. É o teatro chegando num lugar onde ele tem saúde, tem maturidade. A gente recebe isso com uma alegria que você não tem ideia. Todo mundo que estava na Satyrianas, como você mesmo com sua cobertura no seu blog, estava se sentindo responsável por aquilo dar certo. Acho que o melhor não foi ter crescido em números, mas crescido em projetos, ideias, em maturidade do público e da classe teatral.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que vocês do Satyros vão encerrar mais cedo a temporada de Pessoas Perfeitas [prevista para ir até 14 de dezembro, a temporada termina no domingo, dia 30 de novembro; veja serviço ao fim]?
IVAM CABRAL — Então..., eu já algum tempo estava investigando... E eu descobri um tumor na tireoide. E daí a gente tem de parar para ver o que é que é, né? E eu comecei a ir atrás... E é maligno, e ele tem de ser retirado imediatamente. Não posso esperar mais nem uma semana. Então, eu vou fazer uma cirurgia na semana que vem, morrendo de medo... Mas vamos embora,  vamos ver o que é que é. Dos cânceres é o mais tranquilo, estou falando pelo que meus médicos me falaram. Pode parar aí e não ter nenhum problema, mas pode ter o problema da metástase, então, é isso que eu tenho de cuidar agora, para que não vá para outro lugar do meu corpo e essa história se encerre aí.

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O ator Ivam Cabral conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em sua sala de trabalho - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você recebeu a notícia?
IVAM CABRAL — Eu parei de fumar e quis ver como estava meu pulmão e quando você faz o exame, mostra daqui pra baixo [apontando o pescoço]. Daí meu pulmão estava ótimo, mas apareceu esse nódulo. Num primeiro momento, quando falava para as pessoas, elas diziam: "fulano tem, não é nada". Desde abril estou investigando, sempre achando que não era nada. Aí, fiz umas punções e as primeira não davam nada. E a última foi na véspera da Satyrianas. Passei a Satyrianas medindo pressão e coração, fugindo da muvuca... O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas... Voltando a falar deste ano incrível, parar a peça no dia 14 de dezembro já era muito cedo, a gente sempre pensou até próximo do dia 20 de dezembro. Ter de parar agora, então, é brochante. Dá uma dor, até porque tem uma equipe. São muitas pessoas trabalhando com você e de repente você ser responsável porque esse trem pare é chato, você ser o responsável por parar.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Nao tem de ter culpa nenhuma, Ivam. A saúde é o mais importante... Como você viu isso logo no fim de um ano que foi tão produtivo?
IVAM CABRAL — Será que são sinais para dar uma freada e parar? É muito trabalho, eu não fico menos do que oito, nove, dez, 11 horas aqui na SP Escola de Teatro. É todo dia. E daí tem os Satyros, e daí tem os meus projetos pessoais... Eu passei este ano dormindo quatro, cinco horas por noite e achando que isso era normal. Eu nunca achei que dormir menos do que cinco horas por noite não era normal. Pensava: "estou no meu pique, que legal". Talvez isso tudo venha para... Eu tive um problema de saúde muito grande, há três anos, que eu perdi a visão do meu olho direito. Aconteceu durante a peça Cabaret Stravaganza. Na época, poderia ser um tumor, mas não era, o doutor Drauzio Varella me ajudou muito. Mas eu cheguei perto desse horror da vida. Perder uma visão é muito cruel. Então, cara, na época do Cabaret isso já tinha sido um pouco um recado, mas agora vem de verdade. Porque agora é um câncer. E foda-se que ele ele é pequenininho, foda-se que eu vou sair dessa... Mas é para dormir mais, é para ter uma alimentação mais saudável, porque na onda de tudo isso, você não tem tempo para se cuidar, come em qualquer lugar...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem de sair de São Paulo, parar de respirar esse ar, parar com tanta coisa...
IVAM CABRAL — Eu tenho uma casinha em Parelheiros [extremo sul de São Paulo], no meio do mato, que é uma delícia, mas eu não tenho tempo de ir para lá. Termina a peça aqui, eu vou para lá, só durmo, para acordar ouvindo o passarinho cantando, mas já volto para cá, porque tenho muitas coisas para resolver.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem fé?
IVAM CABRAL — Daí vem o lado caipira do Ivam... Eu sou do interior do Paraná [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — E eu sou de Minas...
IVAM CABRAL — A minha colonização é toda mineira. A minha região foi ocupada pelos mineiros e a gente é muito mineiro nesse sentido. Eu sou muito cristão. Eu acredito em muitas coisas, não acredito só em uma. Então, eu tenho uma força muito grande. Puta que pariu, eu quero viver muito! Tem muita coisa que eu quero fazer! A SP Escola de Teatro está só engatinhando... Aqui na SP foi um ano de muitos projetos, a gente tem aprendizes dirigindo na Polônia, temos gente na África, na Europa, enfim, a gente quer abrir aqui a Coordenação de Cinema, a de Circo já começa a existir.. No Satyros temos planos de produzir e, sobretudo, levar adiante o Satyros Cinema que está começando. Então, eu tenho muita coisa para fazer, eu não posso ficar mal. Para eu continuar acreditando, o melhor é me apagar aos meu projetos e pensar que a vida segue, entende?

ivam cabral bob sousa3 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ivam Cabral: "O que todo mundo pode fazer é torcer para mim pra caramba" - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como as pessoas do seu entorno reagiram?
IVAM CABRAL — Na verdade, nem todo mundo ainda sabe. Você tem uma coisa entre a vítima e o herói nessa hora. Eu posso falar, ai, Miguel, ninguém carrega um peso maior do que suporta. Você conhece a Andrea Zanelato [funcionária da SP Escola de Teatro que enfrenta um câncer]? Então, ela tem vivido essa história com um heroísmo absurdo. E você tem o extremo disso, que é aquela pessoa que começa a reclamar, "ai, vou morrer". Eu não queria ser protagonista nessa hora, eu não sei o que fazer. Aqui na escola pouca gente sabe. Então, é difícil você encontrar um equilíbrio... Eu fico pensando em tantas histórias. Imagina o que a Drica Moraes passou [atriz que enfrentou a leucemia]? O meu diagnóstico é uma fagulhazinha perto do que ela viveu. Se essa mulher chegou nesse ponto de superação, a gente vai encontrando bons exemplos pela vida para ir se inspirando neles para poder também pensar que a gente vai continuar aqui. Mas ainda eu não sei o que fazer com essa história.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Muita gente vai ler esta entrevista e ficar mexido com essa história, porque muita gente gosta de você. O que você diz a essas pessoas?
IVAM CABRAL — O que elas podem fazer é torcer por mim pra caramba, que seja só um susto e um aviso para eu ir mais devagar. Porque eu tenho muita coisa para fazer ainda. Eu estou muito tranquilo, não quero entrar nesse lugar, "ai, meu Deus", e nem de herói. Aí, cara, é só uma virada de história. Espero ainda rir disso, desse nosso encontro, de falar: "meu Deus eu pensava assim naquela época"...

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que você quer agora?
IVAM CABRAL — Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa. E o que eu quero para o futuro é saúde. Porque capacidade de trabalho eu tenho. Eu costumo dizer que cheguei muito mais longe do que eu imaginaria, pela minha origem, da pobreza, do lugar de onde eu venho. Essa disposição é tudo na vida. E ela só vem se você pode respirar, levantar, ir à luta. Ter saúde. Porque aí eu posso sonhar. E sonho eu consigo transformar em algo real e vital. Agora, sem saúde é terrível. Torçam por mim.

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O ator Ivam Cabral brinca com sua cachorra Cacilda, mascote da SP Escola de Teatro: "Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa", diz o artista - Foto: Bob Sousa

Pessoas Perfeitas
Avaliação: Muito Bom
Quando: Sexta, sábado e domingo, 21h. 80 min. Até 30/11/2014
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214, República, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores da praça Roosevelt)
Classificação etária: 16 anos
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karamazov osirmãos nafoto MarcosdeAndradefrenteAntonioSalvadorfundo bob sousa2 Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Antonio Salvador (à esq.) e Marcos de Andrade (à dir.), no projeto Karamázov - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Muita gente já ouviu falar da obra Os Irmãos Karamázov, clássico escrito pelo russo Fiódor Dostoiévski em 1879 e publicado em novembro de 1880, ou seja, há exatos 134 anos.

Contudo, no País em que a média de leitura é de quatro livros por ano, incluindo aí a Bíblia, os religiosos e os de autoajuda, é raro encontrar quem realmente leu a obra de cabo a rabo.

Portanto, a primeira montagem do texto no teatro brasileiro é muito bem-vinda e serve para aproximar o público brasileiro dessa joia da literatura mundial.

A Companhia da Memória encampou a missão, sob direção de Ruy Cortez. Não foi tarefa fácil adaptar tão complexa obra. Tanto que o resultado é o projeto Karamázov, com três diferentes peças: Uma Anedota Suja, Os Irmãos e Os Meninos.

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Eduardo Osório (de amarelo) e Ricardo Gelli em cena: três peças podem ser vistas juntas ou também separadamente na SP Escola de Teatro até 15/12/14 Foto: Bob Sousa

Assinam a dramaturgia Luís Alberto de Abreu e Calixto de Inhamuns, a partir de não só Os Irmãos Karamázov como também Uma História Lamentável, do mesmo autor. O projeto estreia neste sábado (1º) e fica em cartaz na SP Escola de Teatro da praça Roosevelt até 15 de dezembro [veja serviço ao fim].

Estão no elenco Rafael Steinhauser, Jean Pierre Kaletrianos,Antonio Salvador, Eduardo Osório, Marcos de Andrade e Ricardo Gelli. André Cortez fez a cenografia. Já os figurinos foram criados por Anne Cerutti, enquanto que Fábio Retti fez a iluminação. O projeto ainda contou com a consultoria em cultura russa de Jênia Kolesnikhova.

A programação ainda engloba encontros na série Irmãos Karamázov: um Romance Múltiplo, nos dias 7, 14 e 18 de novembro, sempre às 21h (nestes dias não haverá peça). Já estão confirmados nos bate-papos nomes como das doutoras Elena Vássina e Fátima Biancchi, professoras da USP.

Afinal, o livro que influenciou gente como Nietzsche e Freud precisa ser conhecido, encenado, debatido e, sobretudo, lido.

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Ricardo Gelli na montagem do clássico russo por Ruy Cortez - Foto: Bob Sousa

Karamázov
Quando: Sexta, sábado, domingo e segunda. De 1/11/2014 a 15/12/2014
Karamázov: Uma anedota suja
Sex e sab 20h, dom 17h, seg 19h - Peça em 1 ato. 60 minutos.
Karamázov: Os irmãos
Sex e sab 21h30, dom 18h30, seg 20h30 - Peça em 2 atos. 110 minutos, incluindo intervalo de dez minutos.
Karamázov: Os meninos
Sex e sab 23h30, dom 20h30, seg 22h30 - Peça em 1 ato. 50 minutos.
Observação: A obra pode ser vista em 3h45 em um  único dia ou separadamente.
Onde:
SP Escola de Teatro - Sede Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Consolação, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3775-8600)
Quanto: R$ 20 reais (inteira) e R$ 10 reais (meia-entrada); promoção na compra do segundo e terceiro ingresso, a inteira sai R$ 10 e a meia-entrada sai R$ 5
Classificação etária: 14 anos

karamazov osirmãos nafoto AntonioSalvadorbob sousa Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Antônio Salvador em cena de Karamázov, primeira montagem no teatro do Brasil - Foto: Bob Sousa

Você já leu Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski?

  • Sim, de cabo a rabo. E gostei muito.
  • Não, mas pretendo ler um dia.
  • Karamázov... Dostoiévski... O que é isso?

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maria alice vergueiro tres velhas bob sousa Consagrada, As Três Velhas volta a São Paulo com Maria Alice Vergueiro em três sessões imperdíveis

50 anos de carreira: Maria Alice Vergueiro, em cena da peça As Três Velhas - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Quem não viu a montagem de As Três Velhas, com Maria Alice Vergueiro e seu Grupo Pândega de Teatro, tem chance única de conferir a aclamada obra se estiver em São Paulo. Sobretudo porque a montagem é do tipo obrigatória.

A peça volta para apenas três apresentações na SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt, centro paulistano. As datas já estão fechadas: serão nos dias 2, 9 e 16 de junho, sempre às 21h. Os ingressos prometem ser disputados a tapa.

Na peça, Vergueiro atua ao lado de Luciano Chirolli e Danilo Grangheia. Todos em grande performance.

Escrito pelo chileno Alejandro Jodorowsky e traduzido por Fábio Furtado, o espetáculo teve concorridas temporadas na cidade e arrebatou público e crítica. Tanto que Maria Alice Vergueiro recebeu o Prêmio Shell Especial em 2011 justamente por conta da obra.

A montagem já passou pelo Rio, Florianópolis, Belo Horizonte, Londrina, Brasília, Fortaleza e Recife, entre outras cidades. E também foi apresentada em Cuba.

A peça mistura tragédia e comédia e é definida pelo autor como "melodrama grotesco"; o enredo mostra duas nobres decadentes, vividas por Chirolli e Grangheia, que são acompanhadas por uma criada centenária, papel de Vergueiro, que também dirige a obra. O talento e a química dos três atores em cena consegue chamar ainda mais atenção do que o texto.

Além de Vergueiro, integram o Grupo Pândega de Teatro, que existe há cinco anos, os artistas Fábio Furtado e Luciano Chirolli, Danilo Grangheia, Carolina Splendore e Elisete Jeremias.

Maria Alice Vergueiro é um dos maiores nomes do teatro brasileiro. Ao lado de Cacá Rosset e Luiz Roberto Galízia, fundou o Teatro do Ornitorrinco, que marcou época na década de 1970.

Em mais de 50 anos de carreira, coleciona sucessos como O Rei da Vela, no qual foi dirigida por José Celso Martinez Corrêa, Mahagony Songspiel, dirigida por Cacá Rosset; Electra com Creta, sob comando de Gerald Thomas e Mãe Coragem, dirigida por Sérgio Ferrara.

Poder vê-la em cena é um privilégio que não se pode perder.

as tres velhas bob sousa Consagrada, As Três Velhas volta a São Paulo com Maria Alice Vergueiro em três sessões imperdíveis

Os atores Danilo Grangheia e Luciano Chirolli: dois parceiros à altura do talento de Maria Alice Vergueiro no espetáculo As Três Velhas; três sessões apenas - Foto: Bob Sousa

As Três Velhas
Avaliação: Muito bom
Quando: 2, 9 e 16/6/2014, às 21h. 70 min.
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt (praça Roosevelt, 210, metrô República, 0/xx/11 3775-8600)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Consagrada, As Três Velhas volta a São Paulo com Maria Alice Vergueiro em três sessões imperdíveis

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mario espinosa enrique singer Paulistas têm chance de conhecer teatro mexicano

Os mexicanos Mario Espinosa (à esq.) e Enrique Singer estarão no Brasil - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A dramaturgia mexicana poderá ser conhecida entre 6 e 9 de maio em São Paulo.

O Ciclo Tusp de Leituras Públicas apresenta nestes dias o tema Teatro Mexicano Contemporâneo.

O projeto gratuito é feito em parceria com a Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) e a SP Escola de Teatro, onde acontecerão as leituras, que serão mediadas por Otacílio Alacran, agente cultural do Tusp. O endereço é praça Roosevelt, 210, no centro paulistano, sempre às 19h30.

Os diretores Mario Espinosa e Enrique Singer, da Unan, estarão presentes no Brasil. Ferdinando Martins, diretor do Tusp, e Ivam Cabral, da SP Escola de Teatro, também participarão.

O projeto é uma contrapartida ao que aconteceu em 2013, quando o Tusp levou a dramaturgia recente brasileira para o México. Conheça a programação completa.

Circuito Tusp de Teatro

Além do intercâmbio com o México, acontece entre 21 de maio e 1º de junho o Circuito Tusp de Teatro. A 11ª edição do projeto acontecerá em Bauru, Piracicaba, Ribeirão Preto e São Carlos, cidades do interior paulista.

Participam as peças Outro Lado e Get Out, do grupo mineiro Quatroloscinco, BadenBaden, do Coletivo Baal, e Arqueologias do Presente - A Batalha da Maria Antônia, do coletivo OPOVOEMPÉ. Todos participaram da I Bienal Internacional de Teatro da USP, realizada em 2013. Todas as apresentações serão gratuitas. Saiba mais.

Fachada TUSP Foto Elcio Silva Paulistas têm chance de conhecer teatro mexicano

Histórico prédio do Tusp na rua Maria Antônia: centro de pensamento do teatro - Foto: Elcio Silva

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03 63270003 Domingou   Pela valorização dos nossos mestres

O teatro também está de olho na educação do País - Fotomontagem

Por BRUNA FERREIRA*

Admito que me sinto em casa quando encontro entrevistados que gostam de discutir a educação. Literalmente. Cresci em uma família de professores em que a questão da valorização do ensino sempre foi central. Talvez por isso mesmo tenho uma tendência a alinhar minhas ideias com pessoas que pensam da mesma forma.

Na primeira reportagem que escrevi para o Atores & Bastidores, durante as férias do Miguel Arcanjo, conversei com o Ivam Cabral, diretor-executivo da SP Escola de Teatro. Ele falava sobre a importância de promover o acesso à cultura e educação.

— Temos encarado que a pedagogia não está na sala de aula. Pedagogia nós fazemos ao atender ao telefone. Ela está no dia a dia. A gente está no terreno da educação, que é uma troca de saberes.

Em uma entrevista para a coluna Dois ou Um com o jovem ator Bruno Fracchia, que também é professor, ele falou até com certa poesia sobre o que é ensinar.

— Um verdadeiro professor está sempre a compartilhar tudo o que aprende e aprendendo também com seus alunos. Conheço muitos que sonegam conhecimento a seus aprendizes pelo medo de "secarem" o seu saber. Estes são apenas medíocres preguiçosos exercendo uma função docente. Ser professor é outra coisa. É como ser artista!

Nas Entrevistas de Quinta, tive a oportunidade de falar de educação em três oportunidades. A jovem atriz Ediana Souza, que está em cartaz com o espetáculo Nossa Cidade, exaltou a oportunidade de ser dirigida por Antunes Filho, que em suas palavras, “é um mestre”.

— Aprendi que é essencial estudar muito, sempre, ter técnica, domínio do que você está fazendo no palco. É preciso evoluir como artista e ser humano, alimentar o espírito, ver bons filmes, ouvir música, ler muitos livros. Ele sempre manda a gente visitar as exposições de arte que estão na cidade [risos].

Blota Filho, que está em cartaz com a peça Chá das 5, lembrou da importância daquela educação que, como a gente diz, “vem de casa”.

— Tenho muita coisa da personalidade de minha mãe. Dona Haydée e meu pai, o radialista Geraldo Blota, me ensinaram a ser o homem que sou hoje. De caráter, de simplicidade. Ver o outro como um igual, sem arrogância. Ser humilde, sem ser humilhante. Ela sempre me dizia: “Nunca esqueça de onde você saiu, chegando aonde você chegar”. E meu pai completava: “Mesmo porque você pode ter que voltar um dia”.

Para encerrar, pude perguntar ao diretor Alexandre Reinecke, que completa 30 anos de carreira este ano, o que poderia ser feito no Brasil para permitir que as pessoas tivessem acesso ao teatro. A resposta dele veio ao encontro de tudo o que acredito.

— Tem que começar com a educação para o povo. Em um País que trata as pessoas como um lixo, a educação vai ser um lixo. É preciso que as pessoas se interessem pela cultura, a gente está formando um País sem educação. Isso é gravíssimo.

Este post é uma despedida do blog, pois o colunista volta esta semana, mas é também um agradecimento pelos ensinamentos que pude adquirir durante o período. Pelas entrevistas generosas e pela luta diária que os profissionais do teatro travam diariamente por cultura e educação no País.

É também uma forma de deixar aqui registrado a imensa gratidão que tenho pelo Miguel Arcanjo, jornalista comprometido e que me transmitiu todas as suas verdades sobre a nossa profissão. Um dos meus mestres no jornalismo e na vida. Como todo aprendizado deve ser.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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1521353 588269131247285 1531641574 n Prêmio Acessibilidade 2013 quer superar o preconceito da inclusão social

Prêmio Acessibilidade 2013 abre votação até o dia 31 de janeiro no site da SP Escola de Teatro

Por BRUNA FERREIRA*

A SP Escola de Teatro — Centro de Formação das Artes do Palco vai realizar pela primeira vez em sua história o Prêmio Acessibilidade 2013, uma proposta que pretende homenagear e tornar visível a ação dos profissionais e projetos voltados ao acesso à cultura.

O prêmio é dividido em cinco categorias: artes do palco, políticas públicas, cidadania, equipamentos culturais e personalidade do ano. Os indicados foram escolhidos por um júri composto por Antenor José de Oliveira Neto, Cid Blanco Junior, Cássio Rodrigo, Ivam Cabral, Leandro Knopfholz, Leonidas Oliveira e Luiz Carlos Lopes.

A votação é aberta ao público no site da SP Escola de Teatro (www.spescoladeteatro.org.br/premio-acessibilidade/) até o dia 31 de janeiro. A entrega do prêmio será no dia 18 de março na sede da instituição, na Praça Roosevelt, em São Paulo.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, o diretor executivo da escola, Ivam Cabral, falou sobre a necessidade de incentivar esse tipo de trabalho e explicou a escolha pelo termo acessibilidade em vez de inclusão.

— É a primeira edição do prêmio. Ele acabou de ser criado, mas se consolidou após muitas discussões sobre como deveria ser feito. Aqui na SP Escola de Teatro temos evitado falar em inclusão social, pois acreditamos que ninguém precisa ser incluído. O termo já é carregado de preconceito. O que acreditamos é que as pessoas precisam de acesso.

ivam cabral bob sousa Prêmio Acessibilidade 2013 quer superar o preconceito da inclusão social

Ivam Cabral: Personalidade Teatro R7 2013 - Foto: Bob Sousa

Ivam entende ainda o papel da  instituição nos debates sobre acesso à arte. Uma das ações da escola, por exemplo, será promover um curso sobre as palavras, estudando os termos que são pejorativos.

— Precisamos discutir se falamos preto ou negro, travesti ou transexual. Falar em deficiência física hoje é quase nojento. O nosso vocabulário está carregado com nossas próprias dificuldades em lidar com as questões. É preciso dialogar com as pessoas, não apenas querer inclui-las.

O diretor da instituição ainda acredita que a premiação coloca em evidência a capacidade de mobilização da classe artística.

— Nós temos encarado que a pedagogia não está na sala de aula. Pedagogia nós fazemos ao atender ao telefone. Ela está no dia a dia. A gente está no terreno da educação, que é uma troca de saberes. Eu não sei mais do que ninguém. De certa forma é uma função nossa discutir a sociedade. A gente precisa rediscutir o nosso lugar no mundo. A gente precisa falar de cidadania, pois é só partindo deste princípio que seremos capazes de entender as nossas diferenças.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado.  Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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carol rodrigues eduardo enomoto 1 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues: logo na primeira peça ela foi eleita Musa do Teatro R7 - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Carol Rodrigues é boa atriz. E é linda. É também articulada. Fala bem, com um charmoso sotaque goiano.

Rodrigues é o sobrenome do avô paterno que acabou não saindo em seu nome oficial. Resolveu então adotá-lo e reinventar seu nome artístico, antes Carol Carolina. Quer coisas novas em 2014.

Termina agora o curso de atuação da SP Escola de Teatro e foi eleita Musa do Teatro R7 por sua atuação em seu primeiro espetáculo profissional: Entre Ruínas Quase Nada, do Teatro do Abandono, encenado na Casa do Povo, em São Paulo.

E isso ocorreu mesmo com sua beleza escondida atrás da feiura do fantasma de um homem com voz gutural que interpretava. Mas seu charme e vigor cênico estavam mais do que presentes.

carol rodrigues eduardo enomoto 2 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues é de Goiânia, mas vive em São Paulo desde 2008 - Foto: Eduardo Enomoto

Morou até os 24 anos em Goiânia, caçula dos quatro filhos do empresário Wilton Divino da Silva e da pedagoga Vânia Silva. Com os irmãos encaminhados, entrou para o curso de relações públicas da Universidade Federal de Goiás. Durante a graduação, chegou a morar um ano em Segóvia, onde cursou a Universidade de Valladolid.

Entretanto, o teatro era uma vontade desde criança. Aos 13, entrou para um curso de teatro da Escola Musyca, onde teve aulas com Mazé Alves. Mas a urgência do vestibular a fez deixar o palco para outro momento.

carol rodrigues eduardo enomoto 5 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Morena de beleza que hipnotiza quem está à sua volta, a goiana Carol Rodrigues quer viver da profissão de atriz; ela já conquistou os internautas do R7 e acaba de se formar em atuação - Foto: Eduardo Enomoto

Chegou a São Paulo em 2008, para fazer uma pós-graduação em comunicação empresarial. Foi morar com amigos. “São Paulo é assim: você chega e jogam um chumbo na sua cabeça”, lembra.

Aprendeu a andar de ônibus e de metrô, sofreu saudade da família, demorou a encontrar sua turma. Resolveu ser atriz. “O choque da cidade me fez olhar o que eu realmente queria”.

carol rodrigues eduardo enomoto 3 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues é relações públicas pela Universidade Federal de Goiás - Foto: Eduardo Enomoto

Aí o teatro apareceu. Após cursar uma escola para atores com a qual não se identificou, ficou sabendo pela amiga atriz Inara Vechina das inscrições para a SP Escola de Teatro, gratuita, o que fazia grande diferença. Passou. “Foi uma luz no fim do meu túnel”, conta.

Logo, foi conhecendo caras diversas do teatro brasileiro. E foi se compreendendo também. “Foi um crescimento que achei que nunca fosse alcançar. Entendi o que eu era e o que queria”, lembra.

carol rodrigues eduardo enomoto 4 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues acaba de concluir o curso de atuação da SP Escola de Teatro - Foto: Eduardo Enomoto

Aprendeu muitas coisas na marra. Conta que encontrou gente disposta a ajudá-la, como o coordenador de seu curso, Francisco Medeiros, o Chiquinho, e o diretor de sua peça, Filipe Brancalião.

Sobre qual é o lugar da beleza estonteante que tem, pensa, e responde: “A beleza sempre foi algo com que eu me preocupava. Sempre busquei trabalhos que pudessem me colocar em outro lugar que não fosse o da garota bonita. Fiz trabalhos assim durante todo o curso. O engraçado foi que no meu último experimento no curso, fiquei bonita em cena. Mas veio no momento certo. Já estava tranquila em relação a isso”, diz.

carol rodrigues eduardo enomoto 7 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Dona de beleza estonteante, Carol Rodrigues sempre buscou personagens complexos para interpretar, pois não quer ser apenas a garota bonita - Foto: Eduardo Enomoto

Com o diploma na mão, quer uma coisa só: “trabalhar muito”. Não tem preconceitos com seu ofício. “Quero fazer teatro, cinema e televisão. Ser atriz é algo que me faz ser quem sou, que me revelou como pessoa. Existe uma realidade sensível no artista que o coloca e o chama. Como atriz, faço uma expressão de vida. Se puder viver disso, vou ser muito feliz”.

Que assim seja.

carol rodrigues eduardo enomoto 6 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues apenas começa a subir escada de sua trajetória como atriz; ela vai longe - Foto: Eduardo Enomoto

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minidrama Atores voltam a ler peças de novos autores em SP

Priscila Gomes e Lauanda Varone no SP Dramaturgias em 2012 - Foto: Helio Dusk/SP Escola de Teatro

Por Miguel Arcanjo Prado

O projeto SP Dramaturgias, da SP Escola de Teatro, está de volta a partir desta terça (16).

A ação propõe a leitura de textos inéditos por aprendizes de atuação da instituição. Criado em junho de 2012, o projeto já apresentou ao público paulistano mais de uma dezena de textos teatrais.

O desta terça (16) é Nome, Vergos e Objetos, de Jairo Alves. A peça fala de uma gravata perdida que une um homem e uma mulher.

Maria Shu coordenou o processo. Vão se apresentar Fernanda Otaviano e José Motta, de atuação; André Mendes, Douglas Lima e Robson Salvador, de direção; Alexandre Gnniper, Lucas Iglesias, de dramaturgia; Marcelo Oriani, de humor, e Carlos Alves, de sonoplastia.

A supervisão do SP Dramaturgias é de Marici Salomão.

— Acredito que os aprendizes alcançaram uma autonomia maior, se comparado ao ano passado. É importante que o texto esteja completo, no entanto, não acabado, para que seja construído de maneira participativa e receba tratamento.

A temporada 2013 traz mudança: o projeto passa a ser mensal — antes era quinzenal. Segundo Salomão, com o novo tempo, os atores podem "se aprofundar no texto, ensair e discutir a dramaturgia com fôlego".

Para o próximo mês, quem tiver interesse em enviar seu texto teatral para análise pode mandá-lo para o e-mail: spdramaturgias@spescoladeteatro.org.br. Os textos selecionados são lidos apenas por aprendizes e formadores da SP Escola de Teatro.

SP Dramaturgias: “Nomes, verbos e objetos”
Quando: Terça-feira (16), às 19h30
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt (praça Roosevelt, 210, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3775-8600)
Quanto: Grátis e aberto ao público
Classificação etária: Livre

spdramaturgias antesquemorra Atores voltam a ler peças de novos autores em SP

Cenas da leitura dramática do texto Antes que Morra, no projeto SP Dramaturgias, em 2012 - Fotos: Helio Dusk/SP Escola de Teatro

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praca roosevelt eduardo enomoto Livro reúne peças de teatro criadas no Twitter

Pça. Roosevelt, no centro de SP, vai sediar lançamento de livro com minipeças - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

A noite desta terça (27) vai ser dia de festa na SP Escola de Teatro na praça Roosevelt, 210, no centro de São Paulo.

O motivo é o lançamento do livro com os vencedores do concurso cultural Minidrama, o #Mdrama, promovido pela instituição. O evento está programado para começar às 19h, com entrada gratuita e aberta ao público.

mdrama capa livro Livro reúne peças de teatro criadas no Twitter

Capa do livro #Mdramas - Divulgação

Lançada em julho de 2010, a proposta instigava os participantes a criar uma peça de teatro no Twitter, com os diminutos 140 caracteres da rede social, utilizando sempre a hashtag #mdrama.

Um bando de gente se aventurou. A comissão julgadora, que foi presidida por Marici Salomão, que coordena o curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro, teve gente tarimbada, como o jornalista Sérgio Roveri, a atriz Noemi Marinho e o ator Otávio Martins.

Dos 2.000 inscritos, cem foram escolhidos e estão no livro #Mdrama (Ed. Associação Amigos da Praça, 64 págs., R$ 15), com organização de Ivam Cabral e Marici Salomão.

Como não poderia deixar de ser, aprendizes de atuação da escola encenarão as cenas do livro, com direção de Gilberto Gawronski e trilha também feita por aprendizes de sonoplastia da SP.

Veja, abaixo, alguns textos vencedores:

everson bertucci Livro reúne peças de teatro criadas no Twitter

Everson Bertucci foi um dos cem escolhidos

- Mãe, pq ele tá dormino nessa caixa? (Silêncio) Mãe, pq ele tá dormino nessa caixa toda enfeitada de flor? (silêncio) acorda ele, mãe #mdrama
@eversonbertucci

- Eu sou filho biológico. O meu pai é o meu pai, mas a minha mãe...é uma lhama. Ensinou-me a cuspir para não ter medo das pessoas. #MDRAMA
@ferraciolifelip

- Pela manhã no café dividiam os sonhos. A imagem que eles esqueceriam anos depois, no enterro da mãe. Disputando seu espólio. #MDRAMA
@heiheitor

- I:Você já desejou um homem,Antenor? A:Que pergunta idiota, Idalina. I:Nem um assim de corpo bonito? A: Claro que não. I: Nem eu.#MDRAMA
@MarioGarrone

- Maria nasce, cresce, casa, 5 filhos, apanha, separa, passa fome, se prostitui, dança, contrai hiv, é avó e morre aos 36. #mdrama
@RafaelJoao

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