Posts com a tag "teatro oficina"

Ze Celso e Juliana Perdigao CACILDA foto Jennifer Glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

O diretor paulista Zé Celso e a cantora mineira Juliana Perdigão em cena no Oficina - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A turma sacudida do Teat(r)o Oficina manda avisar: é agora ou nunca. Expliquemos.

cacilda jennifer glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Elenco potente no Oficina: (a partir do alto, em sentido horário) Tony Reis, Lucas Andrade e Beto Mettig - Foto: Jennifer Glass

Neste fim de semana, acontecem as duas últimas sessões da saga sobre a atriz Cacilda Becker (1921-1969) capitaneada por José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso, e Marcelo Drummond.

Sempre com seu numeroso e fogoso elenco que conta com mais de 60 artistas, é claro.

Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora tem última sessão neste sábado (22), às 18h. Já no domingo é a vez da despedida de Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro, também às 18h.

Ambas acontecem no histórico prédio do Oficina, projetado há 20 anos por Lina Bo Bardi (r. Jaceguai, 520, São Paulo). O ingresso custa R$ 40 a inteira, mas moradores do Bixiga pagam apenas R$ 5, mediante comprovação de endereço.

Para incentivar os indecisos, alguns membros da equipe do Oficina explicam, abaixo, por que todo mundo deve ir.

Veja só que beleza:

camila mota foto bob sousa1 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Camila Mota vive Cacilda Becker na saga comandada por Zé Celso - Foto: Bob Sousa

“O prazer de viver uma experiência extenuante. As peças Cacilda!!! e !!!! tem longa duração, por volta de 5h30 cada uma – são extenuantes e propiciam ao público a possibilidade de uma revolução nos corpos semelhante à provocada pelas baladas. Mas são de outra natureza, são espetáculos de teatro, uzynas geradoras de energia e transformação criadas por um coro, banda, tecnologia, uma pequena multidão da Cia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona que há 55 anos tem como uma das bases de seu trabalho a cultivação de poder humano, das permanentes transformações do corpo. É catarse com roteiro: começo, meio e fim pras infinitas absorções de cada sessão.”
Camila Mota – Atriz

danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Danielle Rosa é uma das estrelas das montagens do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

“Os Cantos. Ouve-se dos camarins, das galerias, da pista, dos arcos. Ah!!!! É o canto da panspermina, canto de uma sereia? É o Canto do Pica-Pau. Entre Ps dos picos e Bs dos beijos. O canto que me canta, que te canta e encanta quem atravessa os arcos da rua Lina Bardi. Cacilda tem dessas coisas. Músicas prenhes de vida, envoltas por acordes macios e cortantes. Textos em forma de poesia que refletem na vida real. Mas qual o verdadeiro realismo do Teatro ou da Vida?”
Danielle Rosa – Atriz

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O ator Roderick Himeros integra o grupo de 60 atuadores do Oficina - Foto: Deivid Leme

“Estamos no líquido amniótico de Cacilda; ouça as múltiplas exclamações. Ah! Ah! Ah! Ah! Abre os ouvidos, interjeiciona junto à atriz matriz. A taquicardia ritma as intensidades das emoções na emissão da matriz – para atingir quem tem suas antenas porosas para o AquiAgora."
Roderick Himeros – Ator

leticia coura Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Letícia Coura também está no elenco da saga sobre Cacilda Becker - Foto: Jennifer Glass

“Estamos de novo tendo a coragem e a cara-de-pau de cantar/recriar Villa Lobos!!! Choro 3, o Pica-Pau, que inspira e excita todo o primeiro ato de Cacilda!!! e volta inteiro em Cacilda!!!!. Só pra ver o coro cantando isso já vale ir viver as duas peças, sábado e domingo. E é bom assim: imersão!!!!”
Letícia Coura – Atriz

Leia mais depoimentos sobre a peça!

Veja tudo o que foi publicado no R7 sobre a saga Cacilda no Oficina!

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oficina livro Teatro Oficina faz 55 anos virar livro labiríntico

Capa do livro do Oficina: projeto gráfico de Mariano Mattos Martins - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Quanta gente já tirou a roupa nos rituais antropofágicos do Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa?

Se a resposta é imprecisa, ainda mais quando contado o público sempre empolgado, há pelo menos um indício.

A turma do Oficina conseguiu fazer outro cálculo ainda mais importantes: quantos atores já estiveram naquele palco. Foram mais de 1.300 desde 1958.

Os nomes, em ordem alfabética, estão no livro Oficina 50+ Labirinto da Criação, que aborda a trajetória de 55 anos de um dos grupos teatrais mais celebrados do País.

O trabalho árduo de pesquisa incluiu buscas minuciosas em estantes universitárias e também em velhas gavetas e baús de artistas que passaram pela companhia.

Nomes importantes da cena paulistana, como Cibele Forjaz, Otavio Ortega, Aury Porto e Pascoal da Conceição escreveram textos inéditos.

Mariano Mattos Martins, que considera o livro “uma mina de ouro”, assumiu o projeto gráfico que quer instigar o leitor com uma proposta labiríntica.

O lançamento será nesta segunda-feira (23), às 20h, dentro do Rito da Ethernidade  de Luiz Antônio. Trata-se de um evento que a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona realiza todos os anos para celebrar a vida de Luiz Antônio Martinez Corrêa, diretor e ator irmão de Zé Celso que foi assassinado em 1987, vítima de crime homofóbico.

Antes, haverá sessão da quarta parte da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro, prevista para começar às 14h30 (ingressos a R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada).

Já a entrada para o lançamento do livro, que ocorrerá no Nick Bar Taksim que fica no terreno aos fundos do Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo), é gratuita.

A obra custará R$ 20 no lançamento.

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danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Criada em Vitória da Conquista, na Bahia, Danielle Rosa é o furacão do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quem vê Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo, fica boquiaberto. A atriz exala confiança em cada cena. Seduz. Um verdadeiro furacão.

Quando a gente se encontra com Danielle fora do contexto cênico percebe que ela é calma, tranquila. Parece um pouco tímida, mas se entrega. É verdadeira.

Nasceu em Campinas, São Paulo, por um mero acaso. Considera-se baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, onde morou de um aos 18 anos, quando abandonou a terra natal para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Caçula dos cinco filhos da dona de casa Dinalva Rosa Oliveira e de João de Oliveira, que já morreu, infelizmente, ela diz ser filha "de família meio nômade".

— Decidi ser atriz com 11 anos. Lembro-me que um dia acordei e falei: vou ser atriz. Foi como se tivesse ouvido um chamado.

danielle rosa 3 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Danielle Rosa é formada em artes cênicas pela UFBA e faz teatro desde os 15 anos - Foto: Eduardo Enomoto

Só começou nos palcos aos 15, primeiro com o grupo teatral do Instituto de Educação Euclides Dantas, onde estudou. Depois, com o grupo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

— Mudei-me para Salvador em 2013. Fui morar na Casa do Estudante da UFBA. Logo, montei com amigos o grupo Finos Trapos.

Mas a Bahia logo ficou pequena para o sonho simples e tão difícil de Danielle: sobreviver de sua profissão de atriz. Foi quando viu Os Sertões, encenação de José Celso Martinez Corrêa para o romance de Euclydes da Cunha com o Oficina em 2007. Conheceu ali o teatro que queria fazer. Decidiu que era hora de mudar-se mais uma vez.

— Vim para São Paulo com a cara e a coragem. Pensei comigo: não posso ficar esperando, preciso correr atrás do que acredito.

Sofreu muito na metrópole, mas decidiu "aguentar até o limite". Quando sente falta do acolhimento baiano, volta à terra natal para fazer "um respiro".

Entrou para o Oficina em 2011. No ano seguinte, embarcou com o grupo para a Europa, onde se apresentou na Bélgica e em Portugal com o espetáculo Bacantes. Depois, integrou Acordes, e, agora, Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, no qual chamou a atenção do R7 e de todo o público como aquela sereia do inconsciente de todos nós.

danielle rosa 2 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Sensual e de forte presença, Danielle Rosa foi um dos destaques de Cacilda!!! do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Agora, viaja com o quarto e último espetáculo da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro, que tem estreia marcada no palco do Oficina para o próximo dia 14 de dezembro.  Em meio a tantas peças, Danielle sonha ainda em fazer cinema, em conquistar estabilidade profissional cada dia mais.

Diz que gosta do jeito de fazer teatro de Zé Celso e sua turma. Conta que em "cada dia de ensaio é preciso estar plena", que vive "uma descoberta diária". Questionada de onde vem a força que demonstra em cena, pensa e responde.

— O aqui e agora é único. Isso dá muita vida a tudo o que acontece. Cada dia em que saio do fosso para fazer a cena é especial.

Sobre o destaque que teve em Cacilda!!!, explica de forma serena.

— Acho que aconteceu em parte porque sou a primeira a aparecer nua [risos]. Eu lido de forma natural com a nudez. Não penso nisso e busco a segurança no olhar das pessoas. Acredito muito em meu trabalho e neste teatro que faço. E também sou segura com meu corpo. Acho, que de alguma forma, o público sente isso também. No Oficina, sempre estou à vontade.

danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

De alma baiana, a atriz Danielle Rosa é um furacão cheio de serenidade - Foto: Eduardo Enomoto

 

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cacilda Sylvia Prado foto3 Jennifer Glass Medo de doença levou Zé Celso a fazer Cacilda!!!

Sylvia Prado interpreta Cacilda Becker no polêmica da devolução do prêmio Saci ao Estadão - Foto: Jennifer Glass

Por Miguel Arcanjo Prado

Foi por medo de ter contraído Aids nos anos 90 que o diretor José Celso Martinez Corrêa resolveu escrever a série teatral Cacilda!!!!, dividida, pelo menos, em quatro peças.

Na época, Zé notou que estava com feridas na perna e sofria com febre alta. Inicialmente, pensou que havia contraído o vírus HIV.

cacilda ze celso claire jean Medo de doença levou Zé Celso a fazer Cacilda!!!

Zé Celso (foto) escreveu e dirigiu Cacilda!!! ao lado de Marcelo Drummond - Foto: Claire Jean

O artista então fez uma promessa: se não houvesse pegado Aids, encenaria nos palcos a história da atriz Cacilda Becker (1921-1969), de quem foi amigo.

Mais tarde, os exames confirmaram que Zé Celso não estava com Aids, mas, sim, sofria de erisipela, uma infecção na pele facilmente tratada com antibiótico. Feliz com o resultado, o diretor cumpre sua promessa até hoje. A história está contada no programa da obra.

Leia a crítica de Cacilda!!!

As quase mil páginas de texto sobre Cacilda Becker escritas por Zé Celso em parceria com Marcelo Drummond já renderam três espetáculos. A temporada paulistana do terceiro, Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1 tem suas últimas apresentações neste sábado (9) e domingo (10), a partir das 18h, no Teat(r)o Oficina.

O grupo já montou em 1998 Cacilda!, com Beth Coelho, Giulia Gam e Leona Cavalli vivendo a protagonista. Em 2009, foi a vez da segunda peça, Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!, com Ana Guilhermina no papel-título.

Desta vez, Camila Mota e Sylvia Prado dividem-se como Cacilda Becker. Ambas integraram os coros das duas primeiras montagens.

Em Cacilda!!!, o Oficina aborda a fase de Cacilda Becker como primeira atriz do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e invade os anos 1960, quando Cacilda liderou a classe teatral e participou da polêmica devolução do Prêmio Saci ao jornal Estado de S. Paulo, acusado pelos artistas de ser conivente com a ditadura militar e a repressão. O jornal, naquela época, escreveu um editorial apoiando a censura da peça Roda Viva, dirigida por Zé Celso com o Oficina, fato retratado no espetáculo.

Sessão extra

Nesta segunda (11), vai ter uma sessão extra gratuita às 19h, no próprio Oficina.

Depois, o grupo vai se concentrar para a quarta peça da saga, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro. Após duas semanas de apresentações no Sesc Santo André e Piracicaba, a obra estreia no Oficina no dia 13 de dezembro de 2013, para duas semanas em cartaz.

cacilda Camila Mota e Liz Reis foto Jennifer Glass Medo de doença levou Zé Celso a fazer Cacilda!!!

Camila Mota (de vermelho) também interpreta Cacilda Becker em Cacilda!!! - Foto: Jennifer Glass

Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1
Avaliação: Muito bom
Quando:
Sábado (9) e domingo (10), às 18h. 5 horas com 30 min de intervalo. Até 10/11/2013. Sessão extra gratuita na segunda (11), às 19h.
Onde: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada); R$ 5 (moradores do Bixiga mediante comprovante de residência)
Classificação etária: 18 anos

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cacilda 10 claire jean 2 Crítica: Atual, Cacilda!!! é o protesto do Oficina

Cena do protesto feito com atrizes em 1968 contra a censura é reproduzida em Cacilda!!! - Foto: Claire Jean

Por Miguel Arcanjo Prado

O Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa sempre teve como público cativo jovens sedentos por mudar o mundo.

O frescor revolucionário, surgido nos anos 1960, sobrevive na farta interação entre artistas e plateia que promove o espaço projetado há 20 anos pela arquiteta de esquerda Lina Bo Boardi no bairro do Bixiga, tradicional zona teatral paulistana.

cacilda 10 claire jean Crítica: Atual, Cacilda!!! é o protesto do Oficina

Zé Celso: teatro com frescor revolucionário - Foto: Claire Jean

Durante muito tempo, porém, o protesto era apenas uma nostalgia, mas, nos dias de hoje, Zé Celso e sua turma estão diante de uma plateia aguerrida que povoou as ruas nos protestos do último mês de junho ou na tomada da reitoria da USP (Universidade de São Paulo).

Assim, o espetáculo Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1, o terceiro da trupe a contar a saga da atriz Cacilda Becker (1921-1969), que praticamente morreu no palco, é invadido pelo discurso político atual, presente na boca e no coração dos jovens atores e do público.

Zé Celso e Marcelo Drummond, autores e diretores em conjunto do espetáculo, provam que sabem dialogar com sua história, sua gente e seu tempo. Cacilda!!! poderia ser uma peça presa ao passado, didática e professoral. Mas não o é.

Eles falam da especulação imobiliária que quer construir torres gigantes ao lado do Oficina, tirando a vista da cidade que o teatro tem. Denunciam a cooptação de artistas pelo mercado, tirando de suas bocas qualquer tipo de discurso político em prol de grana no bolso. Ridicularizam a imagem de Bárbara Paz em sua propaganda de joias em meio a gás lacrimogêneo e black blocs. Enfim, são artistas com a gente pensava que já não se fazem mais.

Cacilda!!! é espetáculo vivo. O público e artistas se misturam com gosto. E, melhor, a obra não deixa de contar a história que propôs revelar às novas gerações. Num país sem memória como o nosso, tal atitude é digna de farto aplauso. Cacilda!!! é, antes de tudo, uma peça brasileira, que valoriza o que é nosso, o que temos de melhor: a nossa arte.

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Gente entregue no palco do Oficina: Lucas Andrade, como Caetano Veloso, e Nash Laila, como Pinga-Fogo, papel emblemático de Cacilda Becker - Foto: Claire Jean

O elenco, dos protagonistas ao coro, passando pelos técnicos, cinegrafistas e até a fotógrafa, estão vivos, presentes e entregues. Diante de tanta verdade, a plateia se esforça para manter o pique durante as cinco horas de peça e os 30 minutos de intervalo – edição de espetáculo não faz parte do mundo de Zé Celso, todo mundo já sabe. Mas vale a pena a vigília antropofágica carnavalesca, mesmo que em alguns momentos o fôlego do público derrape um pouco.

Com toda a sensualidade explícita que emana dos atores do Oficina, em nudez que gera espanto, curiosidade ou vigor, dependendo de quem vê, o espetáculo apresenta nomes fundamentais da história do teatro brasileiro, pouco lembrados ou cultuados, como Ruth Escobar (Camila Mota), produtora do espetáculo Roda Viva, do Oficina, censurado e perseguido pela repressão da ditadura militar. Há também um ainda libertário Caetano Veloso (Lucas Andrade) da década de 1960 – bem diferente do atual em sua cruzada pela censura prévia às biografias –, com sua tropicália que convive em harmonia com a mesa de pingue-pongue para os amigos em seu apartamento paulista, e o apaixonado crítico teatral Decio de Almeida Prado (Beto Mettig), entre outros.

cacilda 10 claire jean danielle rosa Crítica: Atual, Cacilda!!! é o protesto do Oficina

Danielle Rosa surge sensual em uma das cenas do primeiro ato - Foto: Claire Jean

Fatos históricos importantes como a morte do estudante Edson Luis em 1968, morto por militares – e fundido com o atual Amarildo na montagem – e a passeata contra a censura com atrizes de peso à frente também fazem parte da obra.

Zé Celso e Marcelo Drummond ainda rememoram um episódio que marcou a cultura e a imprensa nacional: a devolução dos prêmios Saci, concedido pelo Estadão. Na época, o jornal publicou editorial defendendo a censura da peça Roda Viva, o que levou os artistas a tomarem tal atitude, que contou com o apoio de Cacilda Becker, na época a maior atriz do Brasil.

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Intensa e presente: Camila Mota, a Cacilda Becker do primeiro ato da peça - Foto: Claire Jean

Camila Mota e Sylvia Prado se dividem no papel-título com maestria. Ambas são grandes atrizes com audácia para aceitar viver Cacilda. Nash Laila, que entre outros papeis faz Cleyde Yáconis, irmã de Cacilda, e também o personagem Pega-Fogo, o moloque que trouxe respeito ainda maior à carreira de Cacilda, também se sobressai com forte presença e entrega desmedia. No mesmo tom estão Ana Hartmann e Danielle Rosa, responsável por algumas das cenas mais sensuais da montagem.

A música feita ao vivo por Adriano Salhab, Carina Iglecias, Felipe Botelho – que dirige a banda – , Giuliano Ferrari, Juliana Perdigão, Letícia Coura, Nana Carneiro da Cunha e Pedro Gongom Manesco é outro destaque da montagem. Como sempre, os músicos do Oficina envolvem a plateia com sua música inebriante que dá ritmo preciso à encenação.

Cacilda!!! é um grito de resistência nacional em um mundo artístico repleto de pelegos. É teatro que não olha para seu próprio umbigo. Muito pelo contrário, olha para seu entorno, para a rua, para a cidade, e brada por revolução a plenos pulmões.

cacilda 10 sylvia prado foto claire jean Crítica: Atual, Cacilda!!! é o protesto do Oficina

Sylvia Prado, como Cacilda no segundo ato: entrega do prêmio Saci é lembrada - Foto: Claire Jean

Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1
Avaliação: Muito bom
Quando:
Sábado (9) e domingo (10), às 18h. 5 horas. Até 10/11/2013
Onde: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada); R$ 5 (moradores do Bixiga mediante comprovante de residência)
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Atual, Cacilda!!! é o protesto do Oficina

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ze celso julia chequer r7 Teatro Oficina celebra 20 anos de sede e acusa a especulação imobiliária de tirar o sol do espaço

Zé Celso está com medo que prédios gigantes tirem o sol do Teatro Oficina - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor Zé Celso Martinez Correa prepara festança no Teat(r)o Oficina nesta quinta (3), a partir das 19h, com apresentação especial da peça Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1.

Acaua Sol e Carolina Castantho foto Claire Jean Teatro Oficina celebra 20 anos de sede e acusa a especulação imobiliária de tirar o sol do espaço

Os atores Acauã Sol e Carolina Castanhotho em cena do musical Cacilda!!! - Foto: Claire Jean

A encenação comemora os 20 anos de inauguração da atual sede do grupo, de arquitetura marcante projetada por Lina Bo Bardi e Edson Elito e inaugurada em 1993. Desde então, o espaço já abrigou 27 peças do Oficina.

Além da encenação especial de aniversário, o musical Cacilda!!! faz nova temporada entre 5 de outubro e 10 de novembro, sempre aos sábados e domingos, às 18h.

No chamamento para a festa desta quinta (3), a turma do Oficina aproveita para dizer que sua sede está “ameaçada de ser literalmente encaixotado pelas forças da especulação imobiliária, através da liberação da construção de torres de edifícios no terreno do entorno do Oficina pelos órgãos de proteção do patrimônio histórico”.

Segundo os artistas comandados por Zé Celso, tais torres “bloquearão o imenso janelão de vidro existente no edifício, fechando-o para o sol e para a cidade – uma relação fundamental para a reexistência do Te-Ato desenvolvido pelos atuadores do Oficina”.

Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1
Quando: Sábado e domingo, 18h. Até 10/11/2013. Sessão especial de aniversário em 3/10/2013 e em 1º/11/2013, às 19h
Onde: Teatro Oficina (r. Jaceguai, 520, Bela Vista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia); moradores do Bixiga, com comprovante de residência, pagam R$ 5
Classificação etária: 18 anos

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roberto audio foto bob sousa 2013 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

O grande ator Roberto Audio: oficinas no Teatro da Vertigem - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

Aulas do Audio
Roberto Audio, nosso grande ator retratado aí acima por ninguém menos do que Bob Sousa, vai dar duas oficinas no Teatro da Vertigem, do qual faz parte, entre setembro e novembro. Como a coluna é fã do moço, mais que recomenda as aulas. Saiba mais.

Saiu
A tão aguardada lista do Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo saiu no Diário Oficial desta sexta (16), na página 44. Os grupos que levaram a grana são: Cia da Revista, Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo, II Trupe de Choque, As Meninas do Conto,  Cia Teatro Documentário, Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, Banda Mirim, Engenho Teatral, Os Satyros, Paidéia, Cia do Feijão, Núcleo 184, Grupo XIX e Teatro de Narradores.

Turnê
A mundana companhia, com Aury Porto e Camila Pitanga, estreia neste fim de semana a peça O Duelo, na Serra da Capivara, no Piauí.

Agenda Cultural da Record News

Mineiros em Sampa
O Grupo 3 de Teatro, feito de três mineiros radicados em São Paulo, Débora Falabella, Yara de Novaes e Gabriel Paiva - todos amigos da coluna -, fará temporada popular de suas três montagens no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, de 3 de setembro a 6 de outubro. Terça e quarta, às 21h, será apresentada A Serpente, de Nelson Rodrigues. Quinta e sexta, também às 21h, é a vez de O Continente Negro. Já aos sábados, 21h, e domingo, 18h, terá sessão O Amor e Outros Estranhos Rumores. Os ingressos vão custar R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada. A coluna vai em todos.

cachorra Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cadelinha de Fabrício Castro: capetinha - Foto: Arquivo pessoal

Demolidora
Todos os dias, quando volta à casa, o diretor e ator Fabrício Castro encontra um cenário desolador. Sua cadelinha destruiu tudo o que viu em sua frente. A cachorra tem um verdadeira sanha demolidora, o que faz o artista indagar se ela estaria possuída por alguma força do mal. Ele chegou a declarar que acredita que a bichinha tenha sido cachorra em outra encarnação da menina do filme O Exorcista. Tadinha.

Mulher no Bexiga
O drama Cartografia da Mulher Contemporânea marcou sua estreia para dia 22 de agosto, no Espaço Cultural Pinho de Riga (r. Conselheiro Ramalho, 599, Bela Vista, São Paulo). Fica por lá até 13 de setembro, toda quinta e sexta, 21h, por R$ 30 a inteira. Merda!

Coquetel
Maria de Medeiros, nossa grande atriz portuguesa, manda avisar que a pré-estreia de seu documentário, Repare Bem, é nesta segunda (19), 21h, no Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, em São Paulo. Ela investigou um drama que a ditadura militar causou em uma família brasileira. Moça inteligente.

Miriam Mehler em Oscar e a Senhora Rosa  Foto de Gustavo Bakr2 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Puro talento: Aos 55 anos de carreira, Miriam Mehler encara 8 personagens - Foto: Gustavo Bakr

Oito personagens, uma grande atriz
A grande atriz Miriam Mehler vai interpretar oito papéis no espetáculo solo Oscar e a Sra. Rosa, que estreia nesta sexta (16), às 21h, no Sesc Pinheiros. A direção é de Tadeu Aguiar. A montagem, que tem texto de Eric Emmanuel Schmidt, comemora os 55 anos de carreira da atriz. E quem ganha presente é o público.

antunes Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Antunes Filho: ensaio de nova peça corre solto no CPT - Divulgação

Só se for a dois
Antunes Filho já decretou: sua montagem de Nossa Cidade, de Thorton Wilder, terá apenas dois atos, e não três como no original.

Motivo
Antunes acha que o público brasileiro não voltaria de um segundo intervalo.

Diferentes
O primeiro ato montado por Antunes é uma comédia de costumes. Já o segundo está mais pesado. O diretor ainda trouxe elementos contemporâneos para a obra ambientada no interior dos Estados Unidos pós-Depressão na década de 1930.

A data
Nossa Cidade tem estreia marcada para 4 de outubro, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. A coluna já foi convidada, é claro.

Foto Márcia Ribeiro 4 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Sonia Robatto em cena da peça Espelho para Cegos, que estreia no Teatro Vila Velha, em Salvador - Foto: Márcia Ribeiro

Coisa boa na Bahia
Estreia nesta sexta (16), no Teatro Vila Velha, em Salvador, a peça Espelho para Cegos. A peça faz parte das comemorações dos 49 anos do espaço e também dos 54 anos de carreira da atriz Sonia Robatto, fundadora tanto do Vila Velha quanto da Companhia Teatro dos Novos, responsável pela produção. Parabéns!

oficina Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Zé Celso, em cena de Cacilda!!!: faça frio ou faça calor, a peça será apresentada no Oficina - Foto: Jennifer Glass

Cacilda!!!
Os atores do Teatro Oficina devem estar preocupadíssimos com o frio cortante que está fazendo em São Paulo. É que a peça Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, estreia nesta sexta. E todo mundo sabe que Zé Celso adora ver seu elenco despido. Veja mais fotos da montagem! Em tempo, nesta sexta (16), o Oficina completa 52 anos. A coluna manda o mais fraterno voto de parabéns!

Todos na praça
Outros que devem estar preocupados com o frio é a turma de Os Satyros. Eles também estreiam nesta sexta (16) a peça Édipo na Praça, que inicia as comemorações dos 25 anos da trupe cuja diva é a nossa amada Phedra D. Córdoba, a cubana mais porreta do Brasil. A montagem é apresentada metade dentro do teatro e outra metade na praça Roosevelt. É bom ir agasalhado. Veja o vídeo com a reportagem sobre a estreia! E também as fotos exclusivas de Bob Sousa.

Arretados
Os meninos do Grupo Magiluth, amigos da coluna e também do nosso fotógrafo Bob Sousa, estão causando em Recife com a campanha Pague Quanto Puder. Eles pretendem conscientizar a população a valorizar a arte, sem fixar preço para suas obras. Até o fim do mês, ocupam o Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, com os espetáculos Um Torto e O Canto de Gregório, e o Teatro Arraial, com a peça Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você. Como sempre, as peças publicitárias da trupe são de uma qualidade de deixar qualquer um de queixo caído, como esta aí abaixo, com o ator Erivaldo Oliveira. O autor do cartaz, como sempre, é Guilherme Luigi, designer do Magiluth. Ah, um último aviso: o grupo faz Viúva porém Honesta nesta sexta (16), no Teatro do Sesc, em Petrolina (PE), às 23h, no evento Aldeia do Velho Chico. Esses garotos têm fogo e não param nunca!

magiluth Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Erivaldo Oliveira no cartaz da temporada Pague Quanto Puder do Grupo Magiluth em Recife - Divulgação

Musical
Miguel Falabella estreia o musical A Madrinha Embriagada neste sábado (17), no Teatro do Sesi. A temporada é gratuita e vai até 29 de junho de 2014. Prepare-se para a fila!

Corra pra ver
A peça O Casal Palavraski vai até 28 de setembro no Teatro Studio Heleny Guariba (praça Roosevelt, 184, SP), sempre sábado, 21h, a R$ 30. Reginaldo Nascimento dirige o drama com Amália Pereira, Angelo Coimbra e Lauanda Varone. Estão todos convidados.

Dança, Santos!
O Sesc Santos lança nesta sexta (16) a Bienal Sesc de Dança, que tem estreia marcada para 5 de setembro. O evento vai até 10 de setembro. O grupo belga Última Vez é uma das atrações e enviou com exclusividade para a coluna esta imagem de sua apresentação. Santos vai bailar! Veja o site e saiba tudinho sobre o evento.

O QUE O CORPO NÃO SE LEMBRA FOTO DANNY WILLEMS 1 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

O que o Corpo Não se Lembra: montagem belga é atração internacional na Bienal Sesc de Dança em Santos - Foto: Danny Willems

Veja as fotos de Bob Sousa de Édipo na Praça!

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ze celso martinez correa julia chequer r7 Polícia intima Zé Celso a dar depoimento por conta de cena de peça Acordes, do Teatro Oficina, em SP

O diretor José Celso Martinez Corrêa foi intimado a ir a uma delegacia por conta de ação artística feita pelo Oficina em protesto da PUC-SP; polícia pede que ele reconheça atores - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, foi intimado pela Polícia Civil de São Paulo a comparecer nesta terça (11), às 17h, ao 23º Distrito Policial de Perdizes, bairro da zona oeste paulistana.

O motivo, segundo a intimação assinada pelo delegado Percival de Moura Alcantara Junior, é “elucidar os fatos e reconhecer atores de teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título ‘Decaptação do Papa na PUC’ na ‘Ocupação da Puc’ pela Democracia’".

Leia mais: Depoimento de Zé Celso é adiado

Em novembro de 2012, Zé Celso e integrantes do Teatro Oficina participaram de uma manifestação de estudantes da PUC-SP contra a indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade, já que ela havia ficado em terceiro lugar na eleição — ela tomou posse em fevereiro deste ano. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era decapitado.

Segundo nota divulgada pela companhia teatral localizada na Bela Vista, bairro do centro paulistano, no ano de 2012 “os estuantes da PUC foram procurar os artistas do Oficina quando estávamos fazendo a peça Acordes, baseada em texto de Bertolt Brecht”.

Ainda de acordo com a nota enviada pelo Oficina, “os estudantes tinham ocupado a PUC e convidaram a Uzyna Uzona para participar de uma ação pela liberdade do ensino laico. Em Acordes havia uma cena em que um boneco, representando o Capitalismo, era despedaçado por dois Palhaços. A cena foi adaptada para a situação que a PUC estava passando e apresentada no evento promovido por estudantes e professores”.

Zé Celso comentou a intimação recebida em seu blog. Ele afirmou que “querer incriminar artistas de teatro por esta cena é um atentado à liberade de expressão do ator”. O diretor afirmou que o teatro é “o espaço da liberdade”. E lembrou de sua luta pela democracia e liberdade de expressão durante os anos de chumbo da ditadura militar.

— Nós das artes, que lutamos contribuindo para abolir a censura no Brasil durante a ditadura militar e ganhamos esta conquista não podemos recuar e aceitar a censura à nossa atividade [...] Este instrumento jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para  uma delegacia de polícia, é uma intimação contra a Constituição do Estado Democrático Laico no Brasil, a favor da reinstauração da censura, contra a qual tanto lutamos nos tempos da ditadura militar. É um atentado à arte, considerada como crime. Não desejo ser cúmplice deste crime por isso vou por a boca no trombone do mundo.

O R7 falou com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e também com a assessoria de imprensa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A assessoria da PUC afirmou: "Checamos a informação e a PUC-SP não abriu nenhum processo contra o diretor José Celso Martinez Corrêa".

Abaixo, a resposta da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo:

“Apuramos que, por requisição do Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi Batista.”

No começo do ano, a peça Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão judicial.

intimacao ze celso Polícia intima Zé Celso a dar depoimento por conta de cena de peça Acordes, do Teatro Oficina, em SP

Cópia da intimação policial recebida pelo diretor Zé Celso no Teatro Oficina - Foto: Reprodução/Blog do Zé Celso

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Foto de Bob Sousa
Por Miguel Arcanjo Prado

elisete jeremias foto bob sousa O Retrato do Bob: Elisete Jeremias, a harmônica engrenagem que faz o Teatro Oficina passar
No andamento dos espetáculos alegóricos de José Celso Martinez Corrêa, o trabalho da diretora de cena Elisete Jeremias é fundamental. No Teatro Oficina desde 1996, ela trouxe para o palco a experiência como diretora de harmonia de tradicionais escolas de samba do Carnaval paulistano, como Vai Vai e Nenê de Vila Matilde. Costuma dizer por aí que não gosta de monotonia. Assim, se refestela na inventiva trupe do Bixiga. E até teoriza. Fala que dirigir a cena por lá é como oferecer um bom jantar. Afinal, banquete é o que não costuma faltar por lá. Pelo sorriso gostoso que deu ao nosso Bob Sousa, a gente percebe que ela serve mesa farta. Que Deus conserve assim.

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