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ze celso bob sousa2 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

O fundador e diretor do Teat(r)o Oficina, José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, à vontade, no banheiro de seu apartamento, em São Paulo, onde deu entrevista ao R7 - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O sol começa a cair quando Bob Sousa e eu chegamos ao Teat(r)o Oficina, no número 520 da rua Jaceguai, no Bixiga, para entrevistar e fotografar José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores diretores teatrais do Brasil e do mundo. Ele ainda não está.

Otto Barros, diretor de cena do grupo, nos convida a entrar. Acomodamo-nos na arquibancada criada por Lina Bo Bardi, para quem a nova peça é dedicada por conta do centenário de nascimento da arquiteta. Uma porta se abre. Ainda não é o Zé, mas a atriz Nash Laila, que logo vai para o fundo do teatro e se deita no chão. Esperamos.

Pouco depois, aparece Beto Mettig, assessor do grupo, com o aviso urgente: Zé não virá mais ao Oficina nos ver. O convite agora é irmos ao seu encontro, em seu apartamento, no Paraíso, onde ele nos aguarda. Corremos para lá.

Zé Celso desce no elevador até o hall para nos receber. Dá abraços e beijos. Conta que o lê o blog e nos diz: "Até que enfim o teatro tem vocês, gente que gosta de teatro". Ficamos lisonjeados. O elevador chega no seu andar, e ele nos convida a entrar no apartamento.

Mineiramente, peço licença. Logo, Zé nos conduz, enquanto diz: "Separei um lugar incrível para fazermos a entrevista". Abre a porta de seu banheiro. E começa a dirigir: "Miguel, você se senta aí, na privada. E eu fico aqui, nesta cadeira. Bob fique à vontade para fazer as fotos".

No bate-papo, repleto de inteligência e visão minuciosa de tudo ao redor, Zé Celso falou, sobretudo, de sua nova peça, Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, ou apenas Cacilda 5, que estreia neste sábado (26) — veja serviço ao fim da entrevista — com mais um capítulo da odisseia do Oficina sobre Cacilda Becker (1921-1969).

A montagem faz do embate entre as atrizes Cacilda Becker e Tônia Carrero no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) uma alegoria do teatro brasileiro, aproveitando para dar sua visão artística a temas atualíssimos, que vão desde a ambição da especulação imobiliária, que coloca abaixo o pouco de poesia que restou em São Paulo, entulhando a Selva de Pedra com mais espigões, até a tão falada temporada paulistana de The Old Woman - A Velha, peça de Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe.

Nada fica distante do olhar atento de Zé Celso, reconhecido no mundo como um dos gênios do teatro. E o melhor: ele é nosso e faz da cultura brasileira seu principal material artístico. Aos 77 anos, está à frente do Oficina desde 1958.

Zé Celso deu também seus pitacos em outros temas. Falou da recente Copa do Mundo, do avião que caiu na Ucrânia e da sangrenta guerra entre Israel e Palestina. Além de revelar em quem pretende votar para presidente na próxima eleição e qual peça deseja montar em breve.

Leia com toda a calma do mundo.

ze celso bob sousa11 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em seu banheiro - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como está Cacilda 5?
José Celso Martinez Corrêa —
Estava tudo um caos, mas aí tive uma inspiração. Esta peça foi uma loucura, porque tivemos só um mês e meio para ensaiar. Então, nesta terça-feira, chegamos ao ensaio geral e estava todo mundo sem o texto, ninguém tinha decorado direito. Aí, percebi que estava com medo, apavorado. E a pior coisa que existe é o medo. Foi aí que entendi que devíamos assumir tudo isso. Então, transformei o espetáculo no show do vexame. Porque entendi que o obstáculo maior para o artista é a paranoia. Resolvi radicalizar mesmo: a peça é um grande ensaio.

Miguel Arcanjo Prado — Como é a peça?
José Celso Martinez Corrêa —
Os artistas estão se preparando para um ensaio de Seis Personagens à Procura de um Autor, de Pirandello, no novo TBC, que eu chamei de Teatro Berrini de Comédia. Sabe esses teatros chiques que estão por aí?.... Então, é como se fosse uma dessas superproduções. Tipo um Bob Wilson... Aí, o teatro é invadido pelos Coros de Pega Fogo das ruas do mundo. Os personagens do TBC têm desejo de atuação, querem exercer poder da presença... Eles estão em busca da  própria encenação da peça. Com a chegada da Tônia Carrero, as coisas mudam; Cacilda vai vê-la ali, linda e também apaixonada pelo teatro, e ainda como o novo amor de Adolfo Celi. É uma barra. É quando Cacilda sai do TBC e vai para os novos caminhos da sua odisseia...

Miguel Arcanjo Prado — Como está o elenco?
José Celso Martinez Corrêa —
O elenco está ótimo, eles têm uma força descomunal! A Camila Mota e a Sylvia Prado vão fazer a Cacilda novamente, são duas atrizes excelentes, estão fazendo cenas incríveis. Eu me emociono sempre quando vejo.

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha do Bob Wilson?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu gosto do Bob Wilson, mas o que ele é na verdade é um artista plástico do teatro, ele faz quadros. Eu sou do te-ato.

ze celso bob sousa3 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

O diretor Zé Celso, logo após a entrevista em seu apartamento, mostra fotos da história do Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que vai acontecer com o "Teatro Berrini de Comédia" da peça?
José Celso Martinez Corrêa —
E esse teatro será invadido pelos Pega Fogo das Ruas, junto do público. O Marcelo Drummond está fantástico como o diretor que fará testes com os atores. Esse teatro comercial que é feito por aí... Eu mesmo fiz uma novela na Globo para ver o que era [Cordel Encantado, em 2011]. Não gostei da experiência! Fiquei pensando que com todo aquele aparato técnico eles poderiam fazer coisas incríveis! Mas, não, fazem aquela coisas... Nesta cena vamos usar o janelão, que fica do lado oeste do Oficina, que dá para a rua da Abolição. Vai ter uma névoa... Os personagens, os artistas do antigo TBC, o coro de Pega Fogo das Ruas vão todos se misturar, numa quebra de classes. Vamos mostrar a Cacilda no momento em que veio a Tônia Carrero para competir com ela. A Tônia será a atriz Joana Medeiros, que também está fantástica. Imagina isso, a Cacilda viu de repente a figura da Tônia ao lado dela e precisou reagir. O Roderick Himeros fará o Adolfo Celli, que vai se apaixonar pela Tônia. Ele está ótimo também, numa construção muito linda.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês dedicam a peça a Lina Bo Bardi?
José Celso Martinez Corrêa —
Sim! Isso é muito importante de ser dito. A peça celebra o centenário da Lina [arquiteta que criou a sede do Tea(r)o Oficina e também criou o prédio do Masp]. A Lina dizia que o Oficina-Terreiro era o "Chão de Terreiro com as Galerias do Teatro Scala de Milano, dando para as catacumbas di Silvio Santos". Vamos iluminar o público por trás, com grandes holofotes, para concretizar a visão dela.

Miguel Arcanjo Prado — Você gosta de estreia?
José Celso Martinez Corrêa —
Estreia é o pior público que existe! Vamos estrear um grande ensaio, que vai ir crescendo, junto ao público, até atingir a beleza, com a multidão. Os meninos falaram de chamar todo mundo. Eu não sei o que vai ser. A peça vai ser um grande ensaio com o público. Ela vai mudando a cada apresentação.

Miguel Arcanjo Prado — O que você achou da Copa do Mundo no Brasil?
José Celso Martinez Corrêa —
A Copa trouxe o humor de volta, tinha uma leveza no ar. Pelo menos até o 7 a 1 na semifinal. Eu achei a Copa ótima. Acho um absurdo quererem dizer que a Copa deu errado, tentarem jogar a culpa na Dilma. É claro que o 7 a 1 é inesquecível, mas faz parte do esporte e foi uma espécie de revelação de Exu. Porque os alemães bateram o tambor lá na Bahia... Eles entraram usando vermelho e preto no campo. Isso foi um sinal. Agora, temos o Dunga de técnico outra vez. O Brasil precisa mesmo é de um técnico estrangeiro, que venha para cá e mergulhe na nossa antropofagia. Que faça o que aconteceu com o TBC, que trouxe diretores estrangeiros para mergulharem na nossa cultura antropofágica oswaldiana. Porque hoje falta aquela malemolência do nosso futebol. E isso foi trazido pelos negros, esse modo de jogar com arte. E é preciso dizer que quem começou a valorizar essa herança africana no nosso futebol foi Nelson Rodrigues e sua família. Antes, era um prazer ver um jogo de futebol. Era lindo. Hoje, é aquela coisa fria, truncada, uma dureza... A gente tem de redescobrir aquele futebol que era um verdadeiro espetáculo. Até porque o futebol é o verdadeiro espetáculo do mundo. O Cristiano Ronaldo no chão, fazendo aquelas caras...

ze celso bob sousa4 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso gostou da Copa, mas detestou a abertura; revelou: votará em Dilma - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que você achou da abertura da Copa?
José Celso Martinez Corrêa —
Aquilo foi um horror! Uma vergonha! O Brasil que tem as escolas de samba, o Boi-Bumbá, aquela festa linda em Parintins, lá na Amazônia, apresentar aquela pobreza, aquela coisa sem graça. No encerramento, até que melhorou um pouquinho, porque trouxeram um pouco do Carnaval e da escola de samba, mas não chegou perto da riqueza gigante da cultura brasileira. A cultura popular brasileira é genial, é única, é exuberante!

Miguel Arcanjo Prado — E a vaia que a Dilma levou?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu acho que a Dilma deveria ter assumido aquela vaia, e não ficar retraída, com medo. Quando ela aparecia na TV dava para ver a bílis no rosto dela. Toda travada. Aquela outra, não, a Angela Merkel, da Alemanha, ela até sorria. Tudo bem que ela estava ganhando, mas ela estava muito mais leve. Agora, a Dilma estava com muito medo. Ela precisa parar com isso! Eu adoraria dirigir a Dilma! Ela deveria ter recebido a vaia de braços abertos, com gozo. Ainda mais por ser uma vaia daquela arquibancada, que é a elite branca, nervosa porque ela governou para a outra classe mais pobre. Então, ela deveria ter recebido aquela vaia como um elogio. É vaia que temos? Então, podem me vaiar! [abre os braços, sorrindo]

Miguel Arcanjo Prado — Em quem você vai votar nas eleições para presidente?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu vou votar na Dilma. Não porque seja do PT, porque não sou de partido nenhum. Mas, porque o PT ainda mantém um diálogo com o social, com a cultura. O PSDB não faz isso. É um horror a relação que os tucanos têm com a cultura e com o teatro. E a água em São Paulo que está acabando? Eu não tomo mais essa água do volume morto. Nós vamos ficar sem água! Isso parecia uma coisa distante, mas é agora!

Miguel Arcanjo Prado — E como anda a questão do terreno no entorno do Oficina que ainda pertence ao Grupo Silvio Santos?
José Celso Martinez Corrêa — O Juca Ferreira [secretário municipal de Cultura de São Paulo] está fazendo um bom trabalho. Para mim, a reabertura do Cine Belas Artes no último fim de semana foi um grande marco, com aquela gente toda em frente, abraçando o cinema. Foi lindo, eu me emocionei muito. O novo Plano Diretor de São Paulo prevê a criação de um corredor cultural no Bixiga, um enorme caminho da cultura que vai passa pelo Oficina, o TBC, a Vai-Vai. Espero que haja a troca do terreno, parece que vão conseguir um para o Grupo Silvio Santos perto do SBT, naquela região da rodovia Anhenguera, que é linda, mas não vai ser preservada, o que é uma pena. O do entorno do Oficina ficaria para a cultura. Mas a gente nunca tem certeza do que vai acontecer... A especulação imobiliária é o Creonte dos dias de hoje, tanto que fiz um Creonte especulador na peça, que está sendo feito brilhantemente pelo Marcelo Drummond. A especulação é o grande mal do mundo de hoje! Está um absurdo. Muitos grupos teatrais estão sofrendo com isso. Mas isso também fez com que os teatros que são vítimas da especulação se juntassem. Somos dez grupos unidos nesta guerra. Estamos caminhando juntos nisso. E isso é lindo, é igual à união que houve na França nos anos 1920 que reergueu o teatro francês. O terreno no entorno do Oficina tem de ser da cultura!

Miguel Arcanjo Prado — Como você vê a Guerra entre Israel e Palestina?
José Celso Martinez Corrêa —
Acho um horror o que está acontecendo agora na Palestina. Aquilo é um verdadeiro massacre dos palestinos. Aquilo parece Guerra de Troia, um massacre de um povo, matando todo mundo, não deixando vivos nem crianças, mulheres e velhos, para não deixar rastro, para não sobrar nenhum. E ainda eu fico horrorizado ao ver declarações absurdas de autoridades israelenses defendendo o massacre da população palestina, dizendo que tem de matar mesmo. O horror! E esse avião agora que foi abatido na Ucrânia cheio de passageiros, daquele jeito? As coisas estão terríveis...

Miguel Arcanjo Prado — Você tem algum novo projeto de espetáculo em mente?
José Celso Martinez Corrêa —
Quero fazer Senhora dos Afogados, do Nelson Rodrigues, que tem a família Drummond, um sobrenome mineiro como você.

ze celso bob sousa5 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

"Quero fazer Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues", diz Zé Celso - Foto: Bob Sousa

Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada (Cacilda 5)
Quando: Sábado e domingo, 19h. De 26/7/2014 a 14/9/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do Bixiga com comprovante de residência)
Classificação etária: 14 anos

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alessandro ubirajara foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Ator, artista plástico e chef: Alessandro Ubirajara cuida da comida do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

As peças do Teat(r)o Oficina exigem muito fisicamente de seus artistas. Nos espetáculos-ritual comandados por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, estar com vigor é fundamental.

No coro do grupo, um ator sempre se destacou, por sua intensidade: Alessandro Ubirajara. Com o tempo, um outro talento do jovem, que também é artista plástico, conquistou o paladar de seus colegas: as comidinhas que ele trazia para o camarim, todas minuciosamente preparadas.

Há um ano, resolveu que teria de ser um artista a comandar o posto de alimentar os artistas do Oficina. E assumiu o posto de chef do grupo.

Gaúcho radicado em São Paulo desde 2007, Ubirajara desenvolve pesquisa potente e pioneira sobre a comida no teatro. De forma antropofágica, diz: “Misturo cheiros e sabores para alimentar artistas”.

Quem quiser provar seu tempero pode ir hoje ao Jantar Orgânico que ele vai promover no restaurante A Leiteria da Canastra, no Butantã, zona oeste de São Paulo [veja serviço ao fim].

Em uma tarde de inverno no Oficina, Ubirajara conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta sobre este seu momento e também contou sua trajetória. Artimanha do destino, revelou que conheceu Zé Celso na Polícia Federal, onde trabalhava no setor de passaportes.

Leia com toda a calma do mundo.

alessandro ubirajara foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Radicado em São Paulo desde 2007, o gaúcho Alessandro Ubirajara é artista de diversas frentes; atualmente, busca aliar a alimentação saudável ao teatro no Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Por que Ubirajara?
Alessandro Ubirajara — Meu pai também é Ubirajara. Meu avô lia muito José de Alencar [risos].

Miguel Arcanjo Prado — De onde você é? Quem é sua família?
Alessandro Ubirajara — De Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, bem perto da fronteira com o Uruguai. Lá faz muito frio. Até neva... Sou o mais velho da Maria do Carmo e do Charlei Ubirajara, meus pais. Tenho avó japonesa, avô negro do Uruguai, e também sangue italiano, alemão e índio.

Miguel Arcanjo Prado — Isso é que é antropofagia. E o que você queria ser quando crescesse?
Alessandro Ubirajara — Artista plástico. Tanto que me formei na área lá em Porto Alegre. Morei muito tempo em Sapucaia, que é perto. Meu avô era agente ferroviário. Cheguei a morar em muitas estações de trem. Sempre mudei muito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você era quando pequenino?
Alessandro Ubirajara — Eu gostava de desenhar, colorir, pintar. Meu apelido na escola era Pintor. Todo mundo em Sapucaia lembra quando eu pintei o túnel da cidade...

Miguel Arcanjo Prado — E como você chegou em São Paulo?
Alessandro Ubirajara — Foi em 2007. Sempre ouvia falar daqui, do Masp, da Pinacoteca, da USP. Queria muito viver em São Paulo. Mas, cheguei tão ingênuo que fui nas galerias com uma pastinha na mão apresentar meus trabalhos, achando que iria expor de cara.

alessandro ubirajara foto bob sousa51 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara mudou-se para São Paulo com uma pasta debaixo do braço - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Levou muitos nãos?
Alessandro Ubirajara — Sim. Só a Casa da Xiclet, na Vila Madalena, aceitou meu trabalho. São Paulo tem uma frieza e um anonimato. Mas também tem uma liberdade absoluta. Quando eu me sinto inseguro, vou a lugares de arte, a museus e bibliotecas. Eu busquei o anticorpo para me possibilitar sobreviver na cidade.

Miguel Arcanjo Prado — E como você sobreviveu?
Alessandro Ubirajara — Foi difícil. Fui morar com uma amiga. Comecei em Guaianases [na zona leste], muito depois fui para Santa Cecília [bairro do centro]. Arrumei um emprego no setor de passaportes da Polícia Federal, na Lapa. Fiquei lá dois anos. E isso foi muito importante, porque um dia atendi a uma pessoa muito especial.

Miguel Arcanjo Prado — Quem?
Alessandro Ubirajara — O Zé Celso. Eu já tinha visto Os Bandidos em Porto Alegre e fiquei impressionado com o Oficina. Vendo aquela peça, parecia que tudo me entendia. Era completo e epifânico. Acho que meu destino era o Oficina. O Zé entrou na PF lendo um livro, como se não estivesse em lugar nenhum. Estava ligado na busca dele, em sua perspectiva artística. Isso mexeu comigo. Fiquei louco.

Miguel Arcanjo Prado — E vocês se aproximaram a partir daí?
Alessandro Ubirajara — Sim. Eu fiz o passaporte dele. E fiquei com aquilo do Oficina na cabeça. Ele me convidou para ver a exposição Ocupação Zé Celso. Quando cheguei lá, falei par ele: “eu quero ser artista”. No dia seguinte, ele me ligou e me chamou para fazer Cacilda !!.

alessandro ubirajara foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

No começo no Oficina, Alessandro Ubirajara conciliou trabalho na Polícia Federal, onde conheceu Zé Celso no setor de passaportes, e teatro: sempre um ator ativo e intenso nas peças - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E você conciliou a Polícia Federal com o Oficina?
Alessandro Ubirajara — No começo, sim. Era muito engraçado. Mas aí eu resolvi sair de lá, porque comecei a viajar com as peças. Fui aprendendo a produzir também, com a Elisete Jeremias, que era a diretora de cena do Oficina. Morei com ela um ano e aprendi muita coisa. Passei a ter de sobreviver de forma antropofágica, trabalhando e aprendendo.

Miguel Arcanjo Prado — E como veio a cozinha na sua vida?
Alessandro Ubirajara — A cozinha entrou nesse meu aprendizado antropofágico. É o lugar onde exploro potencialidades. Em 2012, fizemos um circo no terreno aqui ao lado do Oficina. E criamos um bar, eu, a Danielle Rosa e o Bruno Nogueira. Chamava-se Bambambã Cabaret Bar. Comecei a me interessar em pesquisar a cozinha no teatro. Era uma habilidade que eu já tinha, todo mundo amava minha polenta.

Miguel Arcanjo Prado — E você foi se aprofundando na cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. Percebi que a cozinha era um ponto central, um ponto de encontro. Fizemos uma festa junina no Oficina que foi linda. Eu criei muitas comidas, assumi a cozinha, vieram vários chefes que me ensinaram muita coisa. Gente como a Bia Magalhães, a Elaine Vargas, o Paulo Franco.

alessandro ubirajara foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, o artista da cozinha do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você se divide entre cozinha e palco?
Alessandro Ubirajara — Sim. Até Walmor y Cacilda 64: Robogolpe eu fiz isso. No Cacilda!!!!!, que estreia no fim do mês, eu vou ficar só na cozinha. Vai ser o primeiro que não vou estar em cena. Eu comecei uma pesquisa sobre a comida do ator, pensando na sua saúde e nutrição. Porque para fazer uma peça do oficina tem de estar forte, é comida de atleta, mas não pode ser pesada. Tem de ter comida no camarim. E, para que ela existisse de verdade, alguém precisava assumir isso. Adoro acordar cedo e ir na zona cerealista buscar os ingredientes. E faço de tudo: o Zé é cardíaco e tenho de fazer algo que não prejudique o coração dele. Já a Camila Mota é macrobiótica. Os nordestinos não comem sem carne. Então, alimento os corpos destes artistas diversos.

Miguel Arcanjo Prado — Você é um artista da cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. A comida é ritual, é uma ligação. Ela dialoga. É um personagem. Sinto que estou ligado por este trabalho. O Zé Celso disse que minha força maior está na cozinha de teatro. A minha pesquisa artista neste momento é esta. Estou misturando sabores e cheiros. Eu já fui primeiro artista plástico, depois ator, agora chef. Estou buscando meu lugar, mas, durante a busca, não paro de criar.

alessandro ubirajara foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, no palco do Oficina: ele alimenta artistas com consciência - Foto: Bob Sousa

Jantar Orgânico pelo chef Alessandro Ubirajara
Quando: Quinta (3/7/2014), 18h às 21h
Onde: A Leiteria da Canastra (rua Major Almeida Queiroz, 18, Butantã, São Paulo, tel. 0/xx/11 4563-9525 ou 0/xx/11 9-8120-1471)
Quanto: Couvert (R$ 10); jantar adulto (R$ 35); jantar infantil (R$ 20); taça de vinho (R$ 15); taça de suco de uva ou mexerica (R$ 4); aceita dinheiro e cheque
Classificação etária: livre

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robogolpe5 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Acauã Sol e Giuliano Ferrari em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Felipe Stucchi; veja galeria

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teat(r)o Oficina é atual, mesmo que o título da peça pareça algo do passado. Isso é evidente em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, em cartaz em São Paulo até 29 de junho.

Em um primeiro olhar, a obra coloca no palco como o golpe civil-militar de 1º de abril 1964 atingiu em cheio a classe artística, levando o horror ao teatro. Mas, um segundo olhar, mais atento, desvenda muito além disso.

A obra dialoga com seu presente, com ironia e contestação. E, em tempos de Copa, o Brasil rachado no discurso infantil de bons contra maus precisa de pensadores como os do Oficina, mais comprometidos com a função artística do que com vitória ou derrota no futebol.

robogolpe3 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Sylvia Prado e Juliane Elting em cena - Foto: Felipe Stucchi

A peça é fruto de uma inquietação do diretor José Celso Martinez Corrêa durante as rememorações do cinquentenário do golpe. Para compor a encenação, deglutiu, como sempre, tudo ao redor, expondo no palco este clima de enfrentamentos que vive o País sede da Copa do Mundo. E propondo uma reflexão para além do teatro.

No palco, o recado de Zé Celso é claro e não usa de subterfúgios. Para que tudo fique bem didático, sem ser reducionista, ele brinca com a imagem do Robocop, herói norte-americano recém ressuscitado em Hollywood pelas mãos do cineasta brasileiro e seu xará José Padilha, de Tropa de Elite.

Na peça, Robocop vira o RoboGolpe — ou seria a RoboCopa?.

É o brasileiro escondido atrás da armadura consumista, repressiva e moralista.

robogolpe2 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Zé Celso no Oficina: porrada artística - Foto: Felipe Stucchi

O Carnaval, nossa maior expressão, vira um axé baiano no qual Zé Celso e os atores do Oficina dançam e cantam junto à plateia, entoando o refrão: "Ê... Robocop, RoboGolpe, RoboCopa". Tudo coreografado com cenas de abuso policial ainda presentes no Brasil de hoje.

A partir da provocação feita pela obra, é possível pensar:  o golpe antes vindo pela força bruta autorizada por quem detinha a grana poderia ressurgir travestido de democracia orquestrada? Até porque, no Brasil de hoje, é possível potencializar politicamente vitórias ou derrotas em campo.

Por isso, o discurso do Oficina é contundente, sobretudo por reverberar a quatro meses das eleições. E não sobra nem para a dita esquerda a favor do Mundial, tampouco para a suposta direita torcedora do fracasso do País.

O Oficina é pungente justamente por ser a favor da cultura brasileira e da resistência que ela sempre demonstrou diante de qualquer regime autoritário, seja por armas ou pelo discurso fabricado em agências publicitárias e disseminado em redes sociais. Em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe não há situação nem oposição. Há apenas o que precisa ser dito. E este é o papel de grandes artistas: pensar para além do aprisionamento de estar ligado a qualquer forma de poder.

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Elenco aguerrido

Quem viu o palco do Oficina apinhado de artistas nas últimas montagens, sente a diminuição no número de atores, fruto da falta de verba para o teatro neste ano pré-eleições e com investimentos priorizados para o futebol.

robogolpe nash laila Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

A atriz pernambucana Nash Laila: destaque - Foto: Felipe Stucchi

Mas quem permanece é aguerrido. Não deixa a peteca cair. Jovens atores como Lucas Andrade, Roderick Himeros, Liz Reis, Tony Reis, Carolina Henriques, Alessandro Ubirajara, Otto Barros, Marcello Finimundi, Selma Paiva, Glauber Amaral e Pedro Toscano mantêm o público atento e forte.

As atrizes se destacam. A mineira Camila Mota tem atuação sutil e repleta de força, quando faz Cacilda em diálogo com Walmor Chagas (Marcelo Drummond, que tem sua melhor cena quando vive o presidente suicida Getúlio Vargas).

A exuberância da atriz baiana Danielle Rosa também é destaque. Sempre presente, é a imagem mais impactante do começo da obra — assim como a de Zé Celso em uma cadeira de rodas, desconstruída em sua volta triunfal ao fim.

Ainda merecem ser citadas a forte Letícia Coura, como Cleyde Yáconis, e a pequenina Nash Laila, uma pernambucana sem amarras e intensa.

Na representação do embate das atrizes Cacilda Becker e Maria Della Costa com o delegado do DOPS, Sylvia Prado, como Cacilda, e Juliane Elting, como Maria, também têm grandes momentos de força cênica repletas de elegância.

Acauã Sol, como o delegado e também como o RoboGolpe, representa a  crueldade inteligente por trás de tudo, sempre aliada aos entreguistas perfeitamente representadas pelo músico e ator Giuliano Ferrari. Além de Ferrari no piano, baixo e guitarra, a excelente banda do Oficina tem ainda Carina Iglecias, na percussão, Chicão, no piano, Juliana Perdigão, no saxofone, clarinete, clarone e flauta, e Letícia Coura no cavaquinho, além do DJ Jean Carlos na sonoplastia. Uma das melhores bandas em atividade em São Paulo.

 

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe
Avaliação: Muito bom
Quando:
Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do bairro com comprovante)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Veja o vídeo da peça do Oficina:

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danielle rosa foto eduardo enomoto 2 Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa: sua presença é fundamental no Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

No teatro, o estado de presença é fundamental. José Celso Martinez Corrêa, nosso Zé Celso, do Teat(r)o Oficina, é sabedor disso, com seu teatro ritual.

danielle rosa foto eduardo enomoto 3 Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa: baiana cheia de poesia e vigor - Foto: Eduardo Enomoto

Esta presença indiscutível no palco projetado por Lina Bo Bardi no coração do Bixiga, em São Paulo, é cristalizada hoje pela figura de uma atriz baiana cheia de potência, com poesia até no nome: Danielle Rosa.

Neste sábado (14), dia em que o grupo lembrou os 45 anos da morte de Cacilda Becker no palco e também homenageou a cantora do rádio Marlene, que partiu na última sexta (13), a primeira imagem de impacto na entrada do Oficina, logo no começo da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, era a figura de Danielle Rosa.

Com a potência de seu corpo exuberante, a artista exala uma brasilidade tão próxima a nós, repleta de doçura e vigor desavergonhado.

Danielle, que está até em capa de revista nas bancas de jornal, cheia de liberdade, é uma espécie de síntese destes tantos jovens que chega a São Paulo em busca simplesmente de se encontrar na arte, cheia de percalços no caminho. Porque não é fácil.

Mas ela tem doçura, pega pela mão, embala o canto de tupi or not tupi. Oswald se mistura a Mário de Andrade e Macunaíma somos todos na antropofagia de seu teatro.

Falar de Danielle Rosa é celebrar a reexistência do teatro brasileiro, que, como diz Zé Celso, precisou ressuscitar após o coma com a morte de Cacilda. E o faz na força de jovens artistas como ela. Por isso, celebremos Danielle Rosa, a nossa atriz presente.

Leia também: Danielle Rosa, o furacão sereno do Oficina

danielle rosa foto eduardo enomoto Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo: uma atriz sempre presente - Foto: Eduardo Enomoto

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e, também, um tanto quanto antropofágico. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia mais sobre Danielle Rosa

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cacilda becker 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

A atriz Cacilda Becker: ela nunca morre no palco do Teat(r)o Oficina - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Vai ser com muito vigor teatral no palco do Oficina, em São Paulo, que os 45 anos de morte da atriz Cacilda Becker (1921-1969) serão lembrados, durante a encenação da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, a partir das 21h deste fatídico sábado (14).

No dia 14 de junho de 1969, Cacilda morreu após 38 dias de coma, depois de sofrer um derrame cerebral em pleno palco, encenando Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989).

ze celso foto jennifer glass 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Zé Celso em cena de Walmor e Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, escreveu um texto especial por conta da efeméride: 45 anos da Ethernidade de Cacilda.

Nele, pede que as cartas e entrevistas de Cacilda Becker sejam publicadas, "pois sua importância não se refere somente ao teatro brasileiro; é universal".

Na visão de Zé, Cacilda "antropofagiou" a melhor dramaturgia do hemisfério norte, colocando, por exemplo, o minimalismo de João Gilberto na trilha de suas montagens.

— Cacilda eletrificava suas personagens. Criava, como todo grande artista, a partir da devoração de seu corpo feito de ossos, nervos, artérias à mostra. Era muito magrinha, mas tinha o que é mais precioso e necessário em sua arte: as entranhas transparentes de seu Corpo Elétrico Quântico Aceso!

Zé Celso afirma que os textos que Cacilda escreveu, ainda desconhecidos, "contribuem tanto (ou mais) pra esta arte quanto Stanislavski, como Artaud".

—Pena que parte de sua correspondência amorosa com [Adolfo] Céli esteja proibida pelas duas famílias: a de Céli (na Itália, pelo filho do diretor, onde se encontram as cartas) e aqui no Brasil, por seu filho.

WALMOR Y CACILDA fofo5 Gal Oppido 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Memória misturada com atualidade: Sylvia Prado, como Cacilda, e Juliane Elting, como Maria Della Costa, na peça Walmor e Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Gal Oppido

Cacilda Rainha

O diretor do Oficina ainda revela que haverá mais uma capítulo da série sobre Cacilda Becker. A primeira peça, Cacilda!, teve Bete Coelho, Leona Cavalli e Giulia Gam no papel título. A segunda, Cacilda!! Estrela Brazyleira a Vagar, teve Ana Guilhermina. A terceira, Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora, e a quarta, Cacilda!!!! Fábrica de Cinema & Teatro, tiveram o papel título dividido por Sylvia Prado e Camila Mota, que também assumem a atriz na peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, em cartaz. E vem mais por aí, segundo Zé.

— Estamos agora ensaiando a Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada. Acho que montamos no OficinaUzynaUzona 50% da Odisseia. Se a vida me permitir, quero montar toda, pois sinto que temos de passar pra todas as gerações que aqui estão – e pras que virão – o fenômeno fascinante que essa atriz, aatriz, astro deixou no rastro luminoso de sua passagem pela Terra.

Glamour no DOPS

Zé lembra de um episódio curioso vivido por Cacilda durante o regime militar que entrou na peça Robogolpe.

— Veio os 50 anos de Golpe de 64 e eu me lembrei que havia uma parte que se passava durante o Golpe Militar, onde Cacilda Becker, Maria Della Costa (quase toda Classe Teatral de SamPã) foram depor no DOPS em carros de luxo, vestidas com os grandes figurinistas internacionais da época, numa estratégia política absolutamente inédita, inesperada. Na imundice que era o DOPS de São Paulo, deram um show de elegância pop, hipnotizando o delegado com a arte teatral e conseguindo que os teatros fechados pelo Golpe Militar fossem todos reabertos.

Robogolpe  Fotos  Jennifer Glass 2 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Camila Mota como Cacilda Becker - Foto: Jennifer Glass

Segundo o artista, Walmor y Cacilda 64: Robogolpe "vai enfrentar a Copa", ficando em cartaz até 29 de junho no Oficina. Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada estreia em 26 de julho.

Falta de grana e nova atriz

A nova obra tem elenco reduzido, "devido à grave situação econômica" do Oficina. E Zé revela que há uma vaga importantíssima no elenco que ainda não foi fechada:

— Estamos em busca desesperada da atriz que possa trazer a beleza e o talento da Tônica Carrero, enfrentando a Rainha Cacilda.

Zé conta que cumpre, com a saga, uma promessa feita ao irmão, Luiz Antônio Martinez Corrêa, assassinado no Natal de 1987.

—A Odisseia foi imaginada antes por meu. Quando fui internado com erizipéla na Ala dos Indigentes na Santa Casa – estava apavorado achando que tinha Aids –, fiz então uma promessa pra Luiz Antônio e pra Cacilda, de escrever a peça que ele tinha começado a imaginar e colocar a grande atriz – até transcendendo a Arte Teatral – como num desfile imenso de escola de Samba. Vamos comemorar dia 14 de junho de 2014 ensaiando estes 45 anos que inicialmente produziram um coma no teatro brasileiro; nós, depois que pusemos na pista Cacilda!, ressuscitamos!

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do bairro com comprovante)
Classificação etária: 16 anos

Conheça o blog do Zé Celso!

Robogolpe  Fotos  Jennifer Glass 4 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Marcelo Drummond vive Walmor Chagas e Camila Mota, Cacilda, na peça Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

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Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 4 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Aos 24 anos, o artista carioca Otto Barros é o diretor de cena do Teatro Oficina, um dos mais importantes grupos teatrais do Brasil dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Quando deixou o tradicional bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Otto Barros pensou que fosse parar em Buenos Aires, sonho antigo que ele não sabe direito explicar por quê.

otto barros foto eduardo enomoto 8 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros: ele queria ir para Buenos Aires, mas terminou em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Acabou no meio do caminho, em São Paulo, ou Sampã, como dizem os integrantes do Teat(r)o Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, do qual faz parte.

Otto tem nome que homenageia o tio que deu força para o namoro de seus pais. Nasceu no Rio, em um inverno, no dia 15 de junho de 1989. A vida artística deu sinais ainda na escola, nas peças infantis. Cresceu e o teatro invadiu sua vida.

A estreia profissional foi aos 15 anos, com a diretora Goreth Albuquerque, em Roda Mundo Severino, uma adaptação de Morte e Vida Severina, do poeta João Cabral de Mello Neto.

Depois, foi trabalhar com Nelsinho Rodrigues, filho do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, em uma adaptação para A Vida como Ela É.

O ano de 2010 chegou e com ele veio o desejo de ir embora do Rio. Entrou em uma crise e resolveu sair fora. Justamente nesta época, o Oficina estava em cartaz na cidade. Ele ainda não fazia ideia da existência do grupo.

Estava cansado das oficinas de teatro, “com aquela coisa de ficar andando pelo espaço”, e foi ver Cacilda!!. A então diretora de cena do Oficina, Elisete Jeremias, o confundiu com um dos oficineiros e pediu que o ajudasse a embalar algumas coisas. Obedeceu. Está no Oficina até hoje.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 5 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Em 2010, Otto Barros deixou o bairro de Vila Isabel, no Rio, pelo centro paulistano - Foto: Eduardo Enomoto

O convite inicial foi se mudar para São Paulo, para ser assistente de Elisete, que logo virou mestre. Sua mãe, Denise, ficou preocupada. Mas apoiou o filho. É do tipo “protetora à distância até hoje”, define.

Fez as malas sem pensar muito e chegou em São Paulo em 27 de novembro de 2010, justamente quando o grupo fazia Dionisíacas, logo após Silvio Santos ceder o terreno ao lado para o Oficina utilizar em suas peças, marco histórico na disputa entre Zé Celso e o empresário.

Após mais de três anos na cidade, diz que ainda não conhece a metrópole direito — a primeira vez que pisou no Memorial da América Latina foi para fazer esta reportagem. Também conta que ainda sofre com o frio. Revela que estar no Oficina é uma espécie de mergulho intenso, com uma relação de afeto com os companheiros de cena.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 31 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Após mais de três anos em São Paulo, Otto Barros diz que ainda não conhece a cidade - Foto: Eduardo Enomoto

Dois anos depois que chegou, Elisete Jeremias deixou o Oficina. Otto precisou assumiu as rédeas da função de diretor de cena. Já a tinha substituído certa vez, em Macumba Antropofágica, quando ela precisou ausentar-se para participar da Quadrienal de Praga.

“Sem dúvida foi uma passagem de bastão. Mas não foi uma substituição. Não cheguei porque ela saiu. Ficamos dois anos trabalhando juntos. A saída da Elisete foi algo natural. Sinto que ela vai voltar em algum momento. Ela é de casa. O Oficina sente assim. Ela só está dando um tempo”. Conta que os ensinamentos de Elisete são utilizados em seu cotidiano. “Quando surge um problema, eu penso: ‘como que a Elisete resolveria isso?’. Sempre me ajuda. Ela ainda está presente. Deixou um legado.”

No Oficina, o diretor de cena está evidente o tempo todo. Integra o elenco no teatro projetado por Lina Bo Bardi que aboliu a diferenciação entre palco, plateia e coxia. Não há bastidores. Tudo é cena. Otto considera isso maravilhoso: “Tudo se mistura e passa por mim”.

Como sua função que exige atenção o tempo todo — é responsável pelo bom andamento técnico dos espetáculos, que no Oficina podem ultrapassar as cinco horas —, diz que é um trabalhão atuar e manter-se atento ao mesmo tempo. Mas sempre tudo dá certo. “Tem uma magia, as pessoas estão atentas aos sinais”. Para estar alerta, faz questão de chegar cedo e se aquecer por pelo menos duas horas.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 61 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros precisa estar atento o tempo todo durante as peças do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Revela que a maquiagem pesada e o figurino que usa em Walmor Y Cacilda 64: O Robogolpe, a atual peça do Oficina, o ajuda a entrar no clima: “É uma pintura quântica. Tudo parece um quadro de Picasso”.

Otto conta que Zé Celso virou um “amigo muito querido”. Afirma que o diretor “é um encenador muito esperto, que sabe o que quer e aproveita muito as pessoas no jogo”. “O Zé é um gênio do amor, da sensibilidade e do teatro. Traduz nele mesmo sua direção. Ele faz um movimento e eu já saco o que ele quer. E não tem essa coisa de mito. Eu chego ao teatro e ele está lá, se alongando. Quando pede para eu ir buscar um lanche, o chapeiro da lanchonete já sabe fazer do jeito que ele gosta. O Zé é simples. E genial ao mesmo tempo”, define.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros mora no 19º andar de um edifício na avenida São João - Foto: Eduardo Enomoto

Quando precisa de tempo para si, vai para a varanda de seu apartamento, no alto do 19º andar do edifício na esquina de avenida São João com Duque de Caxias, coração do centro paulistano. “Gosto do centro, da cidade. Essa coisa de ficar no campo andando a cavalo e comendo fruta não é comigo. Não consigo”. É claro que há inconvenientes, mas prefere ver o lado bom. “Outro dia roubaram minha bicicleta, mas agora estou andando a pé e estou achando ótimo”.

Sobre o futuro, diz não fazer planos: “Acho ótimo não saber tudo o que quero. Estou vivendo. Só sei que quero continuar no teatro. Ah, e quero mais dinheiro para o teatro do que para a Copa”.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 2 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros: "Mais dinheiro para teatro do que para Copa do Mundo" - Foto: Eduardo Enomoto

Walmor y Cacilda 64: O Robogolpe
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores da Bela Vista, com comprovante de residência); grátis no dia 17/5/2014 por conta da Virada Cultural, ingressos distribuídos a partir das 20h
Classificação etária: 16 anos

Agradecimento: Memorial da América Latina (Marília Balbi) e Oficina (Beto Mettig).

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ze celso jennifer glass Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Zé Celso em cena de Walmor y Cacilda 64 - Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cerca de seis diretores estrangeiros que participam do fórum sobre os 450 anos de nascimento de William Shakespeare, People’s Palace Projects, no Centro Cultural Banco do Brasil, estiveram no Teat(r)o Oficina no último domingo (11), em São Paulo.

Entre o grupo, havia o artista inglês e diretor artístico do projeto, Paul Heritage, além de um diretor indiano e até uma diretora vinda da Malásia.

Eles foram assistir à peça Walmor y Cacilda 64: o Robogolpe, a nova montagem com autoria e direção de José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso. A peça aborda o período em que a ditadura militar foi imposta ao Brasil, bem como seus efeitos catastróficos na classe artística.

walmor fred steffen danielle rosa Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Os atores Fred Steffen e Danielle Rosa em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

Copa e legendas em inglês

Os gringos foram os primeiros a se beneficiar das legendas em inglês, que foram implementadas na obra neste último fim de semana. Eles ficaram impressionados com o que viram; não só com a encenação, como também com o elenco jovem do Oficina.

O Oficina resolveu incorporar as legendas em inglês à peça para facilitar a vida dos estrangeiros que estão no Brasil por conta da Copa do Mundo. Cosmopolita, o grupo convida a todos a conhecer o trabalho. Uma dica: quem quiser aproveitar as legendas, deve sentar-se do lado direito do teatro para quem está entrando. Assim, consegue ver melhor o letreiro projetado no telão acima da banda.

Oficina na Virada

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe vai participar da Virada Cultural no próximo sábado (17), com entrada gratuita. A sessão começa 21h, mas os ingressos começarão a ser distribuídos às 20h. A dica é chegar cedo, porque, com certeza, haverá fila.

Um detalhe curioso sobre a peça: ela tem "apenas" duas horas de duração, coisa rara no Oficina, que costuma realizar obras com mais de cinco horas.

Temporada prorrogada

Por conta da grande procura pela peça, Zé Celso resolveu prorrogar a temporada até 29 de junho, sempre aos sábados, 21h, e domingo, 19h. A classificação etária é 16 anos.

O endereço Teat(r)o Oficina fica na rua Jaceguai, 520, no Bixiga, região central de São Paulo. O ingresso custa R$ 40.

walmor cacilda jennifer glass Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Zé Celso e a turma do Teat(r)o Oficina: ditadura militar em debate - Foto: Jennifer Glass

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Ze Celso e Juliana Perdigao CACILDA foto Jennifer Glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

O diretor paulista Zé Celso e a cantora mineira Juliana Perdigão em cena no Oficina - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A turma sacudida do Teat(r)o Oficina manda avisar: é agora ou nunca. Expliquemos.

cacilda jennifer glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Elenco potente no Oficina: (a partir do alto, em sentido horário) Tony Reis, Lucas Andrade e Beto Mettig - Foto: Jennifer Glass

Neste fim de semana, acontecem as duas últimas sessões da saga sobre a atriz Cacilda Becker (1921-1969) capitaneada por José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso, e Marcelo Drummond.

Sempre com seu numeroso e fogoso elenco que conta com mais de 60 artistas, é claro.

Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora tem última sessão neste sábado (22), às 18h. Já no domingo é a vez da despedida de Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro, também às 18h.

Ambas acontecem no histórico prédio do Oficina, projetado há 20 anos por Lina Bo Bardi (r. Jaceguai, 520, São Paulo). O ingresso custa R$ 40 a inteira, mas moradores do Bixiga pagam apenas R$ 5, mediante comprovação de endereço.

Para incentivar os indecisos, alguns membros da equipe do Oficina explicam, abaixo, por que todo mundo deve ir.

Veja só que beleza:

camila mota foto bob sousa1 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Camila Mota vive Cacilda Becker na saga comandada por Zé Celso - Foto: Bob Sousa

“O prazer de viver uma experiência extenuante. As peças Cacilda!!! e !!!! tem longa duração, por volta de 5h30 cada uma – são extenuantes e propiciam ao público a possibilidade de uma revolução nos corpos semelhante à provocada pelas baladas. Mas são de outra natureza, são espetáculos de teatro, uzynas geradoras de energia e transformação criadas por um coro, banda, tecnologia, uma pequena multidão da Cia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona que há 55 anos tem como uma das bases de seu trabalho a cultivação de poder humano, das permanentes transformações do corpo. É catarse com roteiro: começo, meio e fim pras infinitas absorções de cada sessão.”
Camila Mota – Atriz

danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Danielle Rosa é uma das estrelas das montagens do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

“Os Cantos. Ouve-se dos camarins, das galerias, da pista, dos arcos. Ah!!!! É o canto da panspermina, canto de uma sereia? É o Canto do Pica-Pau. Entre Ps dos picos e Bs dos beijos. O canto que me canta, que te canta e encanta quem atravessa os arcos da rua Lina Bardi. Cacilda tem dessas coisas. Músicas prenhes de vida, envoltas por acordes macios e cortantes. Textos em forma de poesia que refletem na vida real. Mas qual o verdadeiro realismo do Teatro ou da Vida?”
Danielle Rosa – Atriz

roderick himeros1 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

O ator Roderick Himeros integra o grupo de 60 atuadores do Oficina - Foto: Deivid Leme

“Estamos no líquido amniótico de Cacilda; ouça as múltiplas exclamações. Ah! Ah! Ah! Ah! Abre os ouvidos, interjeiciona junto à atriz matriz. A taquicardia ritma as intensidades das emoções na emissão da matriz – para atingir quem tem suas antenas porosas para o AquiAgora."
Roderick Himeros – Ator

leticia coura Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Letícia Coura também está no elenco da saga sobre Cacilda Becker - Foto: Jennifer Glass

“Estamos de novo tendo a coragem e a cara-de-pau de cantar/recriar Villa Lobos!!! Choro 3, o Pica-Pau, que inspira e excita todo o primeiro ato de Cacilda!!! e volta inteiro em Cacilda!!!!. Só pra ver o coro cantando isso já vale ir viver as duas peças, sábado e domingo. E é bom assim: imersão!!!!”
Letícia Coura – Atriz

Leia mais depoimentos sobre a peça!

Veja tudo o que foi publicado no R7 sobre a saga Cacilda no Oficina!

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oficina livro Teatro Oficina faz 55 anos virar livro labiríntico

Capa do livro do Oficina: projeto gráfico de Mariano Mattos Martins - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Quanta gente já tirou a roupa nos rituais antropofágicos do Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa?

Se a resposta é imprecisa, ainda mais quando contado o público sempre empolgado, há pelo menos um indício.

A turma do Oficina conseguiu fazer outro cálculo ainda mais importantes: quantos atores já estiveram naquele palco. Foram mais de 1.300 desde 1958.

Os nomes, em ordem alfabética, estão no livro Oficina 50+ Labirinto da Criação, que aborda a trajetória de 55 anos de um dos grupos teatrais mais celebrados do País.

O trabalho árduo de pesquisa incluiu buscas minuciosas em estantes universitárias e também em velhas gavetas e baús de artistas que passaram pela companhia.

Nomes importantes da cena paulistana, como Cibele Forjaz, Otavio Ortega, Aury Porto e Pascoal da Conceição escreveram textos inéditos.

Mariano Mattos Martins, que considera o livro “uma mina de ouro”, assumiu o projeto gráfico que quer instigar o leitor com uma proposta labiríntica.

O lançamento será nesta segunda-feira (23), às 20h, dentro do Rito da Ethernidade  de Luiz Antônio. Trata-se de um evento que a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona realiza todos os anos para celebrar a vida de Luiz Antônio Martinez Corrêa, diretor e ator irmão de Zé Celso que foi assassinado em 1987, vítima de crime homofóbico.

Antes, haverá sessão da quarta parte da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro, prevista para começar às 14h30 (ingressos a R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada).

Já a entrada para o lançamento do livro, que ocorrerá no Nick Bar Taksim que fica no terreno aos fundos do Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo), é gratuita.

A obra custará R$ 20 no lançamento.

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danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Criada em Vitória da Conquista, na Bahia, Danielle Rosa é o furacão do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quem vê Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo, fica boquiaberto. A atriz exala confiança em cada cena. Seduz. Um verdadeiro furacão.

Quando a gente se encontra com Danielle fora do contexto cênico percebe que ela é calma, tranquila. Parece um pouco tímida, mas se entrega. É verdadeira.

Nasceu em Campinas, São Paulo, por um mero acaso. Considera-se baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, onde morou de um aos 18 anos, quando abandonou a terra natal para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Caçula dos cinco filhos da dona de casa Dinalva Rosa Oliveira e de João de Oliveira, que já morreu, infelizmente, ela diz ser filha "de família meio nômade".

— Decidi ser atriz com 11 anos. Lembro-me que um dia acordei e falei: vou ser atriz. Foi como se tivesse ouvido um chamado.

danielle rosa 3 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Danielle Rosa é formada em artes cênicas pela UFBA e faz teatro desde os 15 anos - Foto: Eduardo Enomoto

Só começou nos palcos aos 15, primeiro com o grupo teatral do Instituto de Educação Euclides Dantas, onde estudou. Depois, com o grupo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

— Mudei-me para Salvador em 2013. Fui morar na Casa do Estudante da UFBA. Logo, montei com amigos o grupo Finos Trapos.

Mas a Bahia logo ficou pequena para o sonho simples e tão difícil de Danielle: sobreviver de sua profissão de atriz. Foi quando viu Os Sertões, encenação de José Celso Martinez Corrêa para o romance de Euclydes da Cunha com o Oficina em 2007. Conheceu ali o teatro que queria fazer. Decidiu que era hora de mudar-se mais uma vez.

— Vim para São Paulo com a cara e a coragem. Pensei comigo: não posso ficar esperando, preciso correr atrás do que acredito.

Sofreu muito na metrópole, mas decidiu "aguentar até o limite". Quando sente falta do acolhimento baiano, volta à terra natal para fazer "um respiro".

Entrou para o Oficina em 2011. No ano seguinte, embarcou com o grupo para a Europa, onde se apresentou na Bélgica e em Portugal com o espetáculo Bacantes. Depois, integrou Acordes, e, agora, Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, no qual chamou a atenção do R7 e de todo o público como aquela sereia do inconsciente de todos nós.

danielle rosa 2 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Sensual e de forte presença, Danielle Rosa foi um dos destaques de Cacilda!!! do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Agora, viaja com o quarto e último espetáculo da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro, que tem estreia marcada no palco do Oficina para o próximo dia 14 de dezembro.  Em meio a tantas peças, Danielle sonha ainda em fazer cinema, em conquistar estabilidade profissional cada dia mais.

Diz que gosta do jeito de fazer teatro de Zé Celso e sua turma. Conta que em "cada dia de ensaio é preciso estar plena", que vive "uma descoberta diária". Questionada de onde vem a força que demonstra em cena, pensa e responde.

— O aqui e agora é único. Isso dá muita vida a tudo o que acontece. Cada dia em que saio do fosso para fazer a cena é especial.

Sobre o destaque que teve em Cacilda!!!, explica de forma serena.

— Acho que aconteceu em parte porque sou a primeira a aparecer nua [risos]. Eu lido de forma natural com a nudez. Não penso nisso e busco a segurança no olhar das pessoas. Acredito muito em meu trabalho e neste teatro que faço. E também sou segura com meu corpo. Acho, que de alguma forma, o público sente isso também. No Oficina, sempre estou à vontade.

danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

De alma baiana, a atriz Danielle Rosa é um furacão cheio de serenidade - Foto: Eduardo Enomoto

 

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