Posts com a tag "teatro"

Potestad. Fotos Joao Caldas 3 1024x763 Crítica: Potestad cumpre papel de lembrar horror da ditadura

Os atores Laura Brauer e Celso Frateschi em cena de Potestad - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É mais que bem-vindo neste momento político em que o Brasil vê parte de sua sociedade conservadora sair às ruas para pedir a volta dos militares um espetáculo que descortine a maldade de um regime de exceção.

No caso, a ditadura sob enfoque é a que vigorou na Argentina entre 1976 e 1983, não diferente em sua crueldade da praticada no Brasil entre 1964-1985.

O período sombrio é pano de fundo da peça Potestad, escrita pelo argentino Eduardo Pavlovsky em 1985 para contar um dos mais horrendos crimes cometidos pelos militares naquele País e que até hoje é notícia em todo o mundo: o roubo de bebês de presos políticos nos porões de tortura, adotados por famílias de raptadores.

Celso Frateschi, aguerrido ator da cena teatral e política, aceitou a escolha do texto, feita pelo diretor Pedro Mantovani, como forma de celebrar seus 45 anos de carreira, iniciada no Teatro de Arena em tempos de atores e diretores presos pelo Estado, inclusive ele.

A direção opta por uma encenação crua, na qual na primeira parte do espetáculo o personagem de Frateschi se abre diante de um público iluminado com uma luz de serviço, tal qual um holofote de tortura — o signo do recurso é compreensível, mas em certos momentos prejudica a visão do ator no centor da arena.

Ao lado de um berço coberto por um lençol branco, o senhor revela, aos poucos, que a filha tão amada por ele e sua mulher, na verdade foi retirada de dois torturados mortos, a quem ele, médico, constatou o óbito a serviço dos militares.

Diante da impossibilidade de ter filhos, o médico raptou o bebê. O personagem primeiro se apresenta como vítima de alguém a quem o filho foi retirado, quando, na realidade, é ele o algoz de outra família: de fato, a filha retirada dele foi devolvida à sua família de fato, revelando o crime cometido e do qual não demonstra ter arrependimento.

A encenação prioriza Frateschi no palco. À sua colega de cena, Laura Brauer, resta ser o contraponto silencioso (mas, potente) para a verborragia excessiva do personagem vivido pelo ator.

Frateschi tem talento reconhecido, mas em alguns momentos a direção o deixa escorregar no grito de fácil impacto, quando uma construção mais intimista teriua elevado a potência de seu personagem e seria mais condizente com o tipo portenho por ele interpretado.

De todo modo, Potestad cumpre o papel de reavivar a barbárie dos regimes militares que assolaram a América Latina de três décadas atrás. É importante não parar de falar sobre o que aconteceu neste lado do mundo, onde homens donos do poder converteram-se na face cruel de um Estado assassino. É importante lembrar. Para que estes não voltem jamais.

Potestad
Avaliação: Bom
Quando: Quinta, sexta e sábado, 21h; domingo e feriado, 19h. 60 min. Até 17/5/2015
Onde: Espaço Cênico do Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 25 (inteira); R$ 12,50 (meia) e R$ 7,50 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Potestad cumpre papel de lembrar horror da ditadura

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renan tenca foto bob sousa O Retrato do Bob: Renan Tenca, sempre alertaFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator paulistano Renan Tenca integra o Teatro de Narradores desde 2011. No momento, pesquisa os imigrantes haitianos para o projeto Cena Insurgente. O espetáculo fruto da investigação deverá estrear em 2016. Também no próximo ano, estará nas telonas no filme Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert. Enquanto desenvolve os projetos, vive a reta final de sua formação: faz a Escola de Arte Dramática e o bacharelado em direção teatral, ambos na USP. O artista também dirige um grupo, com orientação de Anônio Araújo, que promete mesclar cabaré e dadaísmo. No meio disso tudo, vai se apresentar na 2ª Mostra da Escola de Arte Dramática, que será realizada entre 27 de abril e 3 de maio no Tusp. Estará em duas peças: Ensaio sob(re) Angústia, a partir da obra Angústia, de Graciliano Ramos, sob direção e dramaturgia de Lucienne Guedes, e EXIT, a partir da pesquisa com a máscara do palhaço, sob orientação de Bete Dorgam. O rapaz está sempre alerta.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. 

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recusa ernesto vasconcelos No Dia do Índio, lembre se da peça Recusa

Recusa deu aos atores Eduardo Okamoto e Antônio Salvador o APCA de melhor ator - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Este domingo (19) é Dia do Índio. Infelizmente, o tema indígena ainda é pouco representado nos palcos brasileiros.

O espetáculo Recusa, sucesso em 2012, remou contra essa maré.

Dirigido por Maria Thaís, a obra trouxe os atores Antônio Salvador e Eduardo Okamoto, da Cia. Balagan, em entrega desmedida à cultura indígena.

O desempenho rendeu aos dois o Prêmio APCA de melhor ator.

Com o sucesso, a obra excursionou pelo País para contar a história de dois índios que se recusavam a ter contato com o mundo "civilizado", na dramaturgia de Luiz Alberto Abreu, feia a partir de uma notícia de jornal. Leia a crítica.

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helo cintra foto bob sousa Dois ou Um com Helô Cintra

Helô Cintra está no elenco da peça Florilégio II, em SP - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

Helô Cintra acaba de entrar para o elenco da peça Florilégio II, em cartaz no Teatro Eva Wilma (r. Antônio de Lucena, 146, Tatuapé), em São Paulo. As sessões são às 18h30 de sábado e domingo até 3 de maio de 2015, com entrada a R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia. Ela divide o palco com Carlos Moreno, Mira Haar e Adriana Fonseca, todos sob direção de Elias Andreato. A atriz, que também é jornalista, topou o convite de participar da nossa coluna Dois ou Um aqui no Atores & Bastidores do R7. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Capital ou interior?
Capital.

Doce ou salgado?
Salgado, depois um docinho, e depois um salgado...

Antunes ou Zé Celso?
Antunes.

Europa ou Estados Unidos?
Europa.

Rio ou Salvador?
Rio.

Palco ou redação?
Os dois, mas para ambos é imprescindível o bom uso da palavra.

Preto e branco ou colorido?
Colorido.

Terceirização ou direitos trabalhistas?
Direitos trabalhistas.

Voltem militares ou ditadura nunca mais?
Ditadura nunca mais e em nenhuma circunstância.

Faz parte do meu show ou o nosso amor a gente inventa?
Nosso amor é protagonista do meu show e faz parte da gente inventar isso tudo.

Leia outras edições da coluna Dois ou Um

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a traidos Ex Rebelde, Arthur Aguiar abandona elenco e prejudica peça

Arthur Aguiar brigou nos bastidores e deixou a peça A-traídos, dirigida por Danielle Winits - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ex-Rebelde Arthur Aguiar deu trabalho nos bastidores da peça A-traídos, dirigida por Danielle Winits, e deixou a montagem de uma hora para a outra, prejudicando a todos os profissionais envolvidos na peça.

Por conta da confusão, a apresentação da montagem em Belo Horizonte, que seria realizada neste fim de semana, foi cancelada.

A Roda Produções, responsável pelo espetáculo na capital mineira, divulgou o seguinte comunicado:

"Comunicamos a todos o cancelamento da apresentação da peça A-traídos, que aconteceria no dia 19 de abril, às 20h30, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Por questões de incompatibilidades profissionais do ator Arthur Aguiar com a produção nacional, responsável pela turnê do espetáculo, o ator deixa de integrar o elenco do espetáculo.

Aos que já garantiram os ingressos sentimos muito pelo transtorno [...]. Emitiremos um comunicado com todas as informações sobre como obter a devolução do dinheiro.

Nós, da Roda Produções, produtora local responsável exclusivamente pela apresentação que seria feita em Belo Horizonte, contamos com a compreensão de todos e pedimos desculpas a todos os envolvidos, em especial ao nosso público.

Atenciosamente,

Roda Produções"

Substituto

A produção do espetáculo no Rio já encontrou um substituto para Arthur Aguiar: o ator Fábio Beltrão, que já fez até fotos de divulgação com o elenco.

O novo cartaz da peça, após a saída de Arthur Aguiar, traz a seguinte frase: "Toda escolha implica perdas".

atraidos Ex Rebelde, Arthur Aguiar abandona elenco e prejudica peça

Após saída de Arthur Aguiar, novo cartaz da peça A-traídos traz a frase: "Toda escolha implica perdas" - Foto: Reprodução

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FOTO 4 Entrevista de Quinta   Teatro é encontro de seres que se escutam, diz Rodrigo Spina

Rodrigo Spina dirige peça de autor romeno com grupo Os Barulhentos em SP- Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O nome do espetáculo é longo. Mas, as referências são muitas.

Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar é a nova peça da Cia. Os Barulhentos, com direção de Rodrigo Spina, em cartaz no Espaço Elevador, em São Paulo [veja serviço ao fim].

O espetáculo saiu do livro Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias, do autor romeno contemporâneo Matéi Visniec, radicado na França desde 1987.

A trupe, que fez sucesso nos palcos em 2013 com Muito Barulho por Nada, agora investiga solidão humana no mundo contemporâneo, num mundo cada vez mais tecnológico e vazio de sentidos, onde o privado e o público se misturam com facilidade, gerando angústia constante.

A encenação é um compilado de 15 peças curtas, que se entrecruzam. Para fazer a colcha de retalhos cênica dar certo, o diretor utilizou os conhecimentos que tem em teatro e em cinema.

No elenco estão Cadu Cardoso, Clara Rocha, Domitila Gonzalez, Gustavo Pompiani, Lia Maria, Lucas Horita, Lucas Paranhos, Marina Campanatti, Murilo Zibetti e Pedro Camilo.
Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Rodrigo Spina descortina um pouco da obra e de sua carreira. Formado em cinema pela ECA-USP e mestre em artes pela Unicamp, onde é doutorando em artes da cena, ele conta, entre outras coisas, que seu diretor preferido é o italiano Fellini: "Pois sua arte sonha".

Leia com toda a calma do mundo.

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Roupas espalhadas: peça tem instigante cenário criado por Moshe Motta - Foto: Valérie Mesquita

MIGUEL ARCANJO PRADO — Rodrigo, fiquei sabendo que sua peça está toda em tons de cinza; por quê?
RODRIGO SPINA — Ao começarmos a ensaiar a peça, senti que as cenas deveriam ser realistas, críveis, porém com algum tipo de estranhamento, algo que deixasse o espectador com uma sensação esquisita. Assim, ao ver uma realidade fidedigna à sua frente, porém sem cor, o espectador, como alguns já relataram inclusive, tem a sensação de que algo de sua percepção visual foi modificada ou está falha, alguma coisa está fora da ordem comum – conteúdo de todas as cenas do espetáculo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Interessante esta provocação estética.
RODRIGO SPINA — Diferentemente do cinema em preto e branco, que resulta nessa qualidade visual pela captação ou por filtros colocados a posteriori, o teatro completamente em tons de cinza, gera uma sensação de deslocamento da realidade, pois vemos um ator vivo em cena, na nossa frente e sem cor alguma – de acordo com o que Visniec tem no cerne de sua dramaturgia: o estado de coma do mundo contemporâneo, onde estamos cada vez mais acostumados a ver uma vida (?) tornando-se pasteurizada, com menos nuances de cores e sentimentos.

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Falta de cores foi opção estética do diretor - Foto: Valérie Mesquita

MIGUEL ARCANJO PRADO — Que poético isso que falou. É por aí mesmo... Mudando de assunto: você se formou em cinema e artes cênicas. Misturou as duas artes na peça?
RODRIGO SPINA — Como diretor, eu conduzo a obra teatral como algo audiovisual, uma combinação de imagens cênicas e sons. Obviamente, essas imagens cênicas são construídas pelos atores, que são ocentro nervoso do teatro, e o sons são combinações de suas vozes, ruídos, as trilhas musicais e seus silêncios. Como sou preparador vocal em teatro e professor de voz para atores, priorizei a aproximação dos atores às palavras de Visniec, a construção de suas imagens internas em seus próprios corpos. Assim, esses atores, jovens brasileiros, poderiam – pela palavra – instaurar questões da guerra do Leste Europeu, por exemplo.

MIGUEL ARCANJO PRADO —Você fez doutorado na Unicamp sobre voz do ator?
RODRIGO SPINA — Meu doutorado foca em estudar a qualidade da escuta do ator e como ela desemboca em sua expressão vocal, ou seja, quero tirar das mãos do ator a exigência de uma impecabilidade fono-articulatória e colocar toda sua atenção no que ele escuta do outro, pelo jogo cênico. Assim, sua voz será resultado de trocas sensíveis entre os interpretes e não de um treinamento isolado e tecnicista.  Sinto que é momento de voltarmos a ter no jogo dos atores a maior fonte fomentadora da cena teatral e não partir das aptidões trabalhadas apartadas de um todo, em busca de um perfeccionismo esvaziado de histórias e cicatrizes.

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Peça é compilado de 15 cenas curtas que se entrecruzam - Foto: Valérie Mesquita

MIGUEL ARCANJO PRADO — Voltando à peça, em que mais ter feito cinema lhe ajudou na direção?
RODRIGO SPINA — Outra vantagem em ter estudado cinema, foi poder “montar” as cenas soltas num fio narrativo – o conhecimento de edição cinematográfico foi muito usado neste espetáculo – quadros de imagens que se resignificam por seu contexto. Por exemplo: um casal discutindo sua relação depois do sexo é totalmente redimensionado, pois é uma ação simultânea a um menino aprendendo a matar pessoas numa fronteira. Como a peça é composta de 14 cenas curtas encadeadas e simultâneas, o espetáculo torna-se um “filme multiplot”, desses que contem várias narrativas entrecortadas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você escolheu o texto?
RODRIGO SPINA — Esse texto surgiu depois de um passeio por uma livraria em São Paulo, onde vi a coleção do Visniec publicada. Vendo os títulos, um deles chamou minha atenção: Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias. Ao pegar o livro e começar a ler, não consegui parar, levei ao grupo e todos se apaixonaram pelas cenas e começamos a montar a peça.

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"Teatro é encontro de seres que se escutam", diz Rodrigo Spina - Foto: Valérie Mesquita

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como se aproximou do autor, Matéi Visniec?
RODRIGO SPINA — Procurei Visniec virtualmente e encontrei-o pelo Facebook. Ele sempre foi muito solícito conosco e ajuda a divulgar sempre que possível. Enviei fotos do espetáculo para ele explicando como tinha feito o encaixe das cenas e as opções estéticas e ele respondeu: “Esse é o tipo de teatro que eu realmente gosto.” Obviamente, fiquei extremamente feliz, pois sinto que existe um encontro muito profícuo entre nós — os Barulhentos e suas palavras.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você também é ator da Cia. Elevador Panorâmico. Como é agora estar no papel de diretor com o grupo Barulhentos?
RODRIGO SPINA — Aprendi a fazer teatro no Elevador. É impossível dizer o contrário. E fazer teatro de grupo – passando por todos setores – montei cenário, operei som e luz, fiz faxina e reformas na sede do grupo e também atuei... [risos]. Meu diretor, o Marcelo Lazzaratto, é meu grande orientador na vida artística. Ele sempre acompanha os processos que dirijo e problematiza algumas escolhas, sugere soluções. Enfim, sinto que o Lazzaratto é um avô artístico dos Barulhentos.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Dirigir mudou algo em você?
RODRIGO SPINA — Poder dirigir um grupo de atores tem transformado minha própria vida no palco, pois a maneira com que você esclarece alguma cena a um ator ou conduz o mesmo a fazer certa coisa faz com que você tenha que esclarecer procedimentos de criação de imaginário para si mesmo para que possa esclarecer ao outro. Assim, muito do que venho falado aos meus atores, tento colocar em prática nos espetáculos do Elevador, como ator.

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Peça discute a solidão dos seres humanos nos tempos atuais - Foto: Valérie Mesquita

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que o teatro ainda tem importância política no Brasil de hoje?
RODRIGO SPINA — Sim, eu não faria teatro se não acreditasse nisso. A cultura (e no meu caso, meu ofício o teatro) é de fundamental importância para enxergarmos a realidade como ela é. Sinto que as mídias estão cada vez mais controladoras de opiniões e por consequência, as ações dos indivíduos, às vezes, as mais absurdas. Estamos cada vez mais copiando e colando opiniões em nossos “murais” eletrônicos, distanciados cada vez mais de uma relação verdadeira com os outros.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem razão.
RODRIGO SPINA — Há uma certa banalização no uso da palavra hoje em dia, e quero que meu teatro fuja disso. Peço sempre aos atores terem cuidado com a palavra dita e vivida por eles em cena, cuidado em criar as imagens potentes que elas possuem a priori, sentidos profundos e vitais. E o teatro ainda é o lugar de encontro humano, nada além disso – o encontro entre seres que se escutam, onde há lugar para troca real. Isso, de início, já pode ser uma transformação política radical, hoje em dia.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quais são seus diretores preferidos em cinema e teatro?
RODRIGO SPINA — Meu diretor predileto é o Fellini, pois sua arte sonha. Existe algo na obra dele que cala e faz rir. Algo que é gracioso, ao mesmo tempo, totalmente silenciador. Sinto que é quase impossível colocá-lo num único gênero. E esse tipo de arte me atrai. Diretores de cinema e teatro que conseguem ser plurais – abarcando mais sensibilidades humanas do que possíveis rótulos, tornando sua arte polissêmica e abrangente. Gosto muito de cinema mudo de Chaplin e Buster Keaton, o silêncio de Bergman, as cores de Almodóvar e no teatro é inevitável dizer, mas gosto muito do trabalho do Lazzaratto, por motivos óbvios, e do Felipe Hirsch, Márcio Meirelles e o trabalho dos Clowns de Shakespeare.

Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar
Quando: Sábado, 20h, domingo, 19h. 110 min. Até 31/5/2015
Onde: Espaço Elevador (r. Treze de Maio, 222, Bela Vista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3477-7732)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 14 anos

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A FEIRA DO ADULTERIO 1976 MAURO MENDONÇA E FULVIO STEFANINI foto Vânia Toledo 1024x675 Teatro Itália faz 50 anos e inaugura reforma

Mauro Mendonça e Fúlvio Stefanini na peça A Feira do Adultério, no Teatro Itália, em 1976: imagens de Vânia Toledo estão expostas no saguão - Foto: Vânia Toledo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teatro Itália, no subsolo do Edifício Itália, no centro de São Paulo, é um dos espaços mais charmosos e tradicionais das artes cênicas na cidade.

Com localização privilegiada, bem no coração do centro paulistano, na praça da República, ele completa 50 anos de história, já que foi aberto em 1965.

De presente, ganhou uma reforma, que englobou sala, camarins, novo sistema de ar-condicionado e até novo projeto de luz no foyer, assinado por Guilherme Bonfanti, reconhecido iluminador teatral. O local ainda tem expostas fotos de Vânia Toledo, com peças históricas que passaram pelo palco.

O coquetel de reinauguração será nesta quinta (16), com show da cantora carioca Suzana Belo.

Atualmente, o espaço é comandado pelos produtores Erlon Bispo e Cleiton Domingos, que deram nova vida ao local.

A cidade e o teatro agradecem.

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reciclaveis1 1024x685 Veja 7 fotos de Os Recicláveis, o musical pop

Musical Os Recicláveis está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo - Foto: Lenise Pinheiro

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os Recicláveis é um musical pop que anda fazendo sucesso com os adolescentes de São Paulo.

Flávia Garrafa dirige a montagem, baseada nos livros de Toni Brandão, autor consagrado no mercado infanto-juvenil.

Estão no elenco Lucas Padovan, Luiza Porto, Pedro Vicente, Rodrigo Pasquali, Guilherme Zanella, Pauline Mingroni, Erica Monteiro e Daphne Bosaski. A direção musical é de Dimi Kireeff.

A montagem fica em cartaz até 28 de junho de 2015, sempre aos sábados, às 17h30, e aos domingos, às 16h, no Teatro Augusta (r. Augusta, 943, tel. 0/xx/11 3151-4141), com inteira a R$ 50, meia a R$ 25 e classificação etária livre.

Veja o espetáculo em sete imagens:

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Montagem mostra o cotidiano de um garoto que se preocupa com a natureza - Foto: Lenise Pinheiro

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A peça tem pegada jovem: os atores canta e dançam ao vivo - Foto: Lenise Pinheiro

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Os atores sem camisa também provocam frenesi nos espectadores jovens - Foto: Lenise Pinheiro

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Em uma cidade como São Paulo, o musical ensina a ter consciência ecológica - Foto: Lenise Pinheiro

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A peça ensina que, para ser ecológico, ninguém precisa ser chato - Foto: Lenise Pinheiro

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A peça é uma aventura divertida que cativa os adolescentes na plateia - Foto: Lenise Pinheiro

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Potestad. Fotos Joao Caldas 8 1024x674 Bebês raptados na ditadura argentina são tema da peça Potestad

Feridas de uma ditadura: Celso Frateschi e Laura Brauer em cena de Postestad - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A Argentina vive até os dias de hoje as consequências de uma dor que jamais se acaba. Durante a ditadura no país vizinho, entre 1976 e 1983, crianças filhas de presos políticos foram raptadas de seus pais e dadas para adoção por outras pessoas.

O crime de Estado motivou o movimento das Mães e Avós da Praça de Maio, entidade que até hoje se empenha em localizar o paradeiro das crianças desaparecidas. Mais de cem crianças já foram encontradas.

Tal contexto sociopolítico é pano de fundo da peça argentina Potestad, que ganha montagem no Sesc Pompeia, em São Paulo, com o Ágora Teatro, até 17 de maio. A obra traz os atores Celso Frateschi e Laura Brauer, sob direção de Pedro Mantovani.

A peça polêmica mostra tanto o trauma da perda de uma menina por uma família quanto a alegria do casal infértil e infeliz que adota a criança raptada.

Diálogo com o Brasil

O diretor afirma que a encenação dialoga com a realidade atual do Brasil, país que também viveu uma ditadura militar entre 1964 e 1985, e cujas memórias destes anos sombrios ainda é turva.

Não custa nada lembrar que, nos dias atuais, há brasileiros que vão às ruas pedir a volta dos militares, coisa impensável na sociedade Argentina.

“Nossa Comissão Nacional da Verdade findou seus trabalhos, e a grita dos militares e a indiferença geral impedem que se avence até mesmo na batalha das memórias, que incide diretamente sobre os destinos da política hoje”, diz Mantovani.

Potestad foi escrita pelo dramaturgo, psicanalista e ator argentino Tato Pavlovsky e tem tradução de Betch Cleinmann. Wagner Freire assina a luz, e Sylvia Moreira o cenário e o figurino. O projeto da peça engloba ainda bate-papos com convidados após as sessões dos dias 30 de abril, 7 e 14 de maio.

Potestad
Quando: Quinta a sábado, 21h, domingo e feriado, 19h. 60 min. Até 17/05/2015
Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700)
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regina duarte2 Regina Duarte usa foto do Grupo XIX de Teatro fora de contexto e se mete em confusão

Fora de contexto: a atriz Regina Duarte tentou associar a imagem de uma peça do Grupo XIX às manifestações deste domingo (12); só que a peça não tem nada a ver com os protestos - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Regina Duarte, de 68 anos, se meteu em uma confusão neste domingo (12) na rede social Instagram.

Ela usou, fora de contexto, uma imagem do espetáculo Hygiene, do Grupo XIX de Teatro, de São Paulo, para externar seus sentimentos em relação às manifestações contra o governo federal. Só que o espetáculo não tem nada a ver com os protestos. A montagem tem como pano de fundo o processo de urbanização do Brasil no fim do século 19.

Regina retirou a foto da Revista da Folha, onde a imagem saiu na reportagem que divulgou a nova temporada do grupo paulistano em sua sede, na Vila Maria Zélia, na zona leste paulistana.

Regina escreveu a seguinte legenda para a foto da atriz Juliana Sanches no espetáculo Hygiene: "A atriz Juliana Sanches do Grupo XIX de Teatro em foto de Regina Acutu, para a Revista de Domingo, hoje n'A Folha de SP. Significativa , pra mim, da Manifestação de Hoje. Atenção, Brasil! estamos escrevendo a nossa HISTÓRIA [sic]".

regina duarte Regina Duarte usa foto do Grupo XIX de Teatro fora de contexto e se mete em confusão

Manipulação de imagem: Regina Duarte tentou associar a foto com a atriz Juliana Sanches, na peça Hygiene, do Grupo XIX de Teatro, às manifestações contra o governo federal neste domingo (12) - Foto: Reprodução

A atriz Juliana Sanches e o Grupo XIX de Teatro, ao verem a foto da peça utilizada para fins políticos de forma indevida, solicitaram à atriz que retirasse a imagem do ar.

Regina primeiro tentou discutir com os artistas. Confessou que não conhecia a peça, mas "achou a foto bonita". Ela tentou se fazer de vítima de uma possível "censura" e disse que tinha o direito de "expor" seus "sentimentos", não admitindo o uso da imagem fora de contexto.

Juliana Sanches, a atriz do Grupo XIX de Teatro que aparece na foto, tentou esclarecer Regina Duarte do que esta havia feito. Escreveu assim na timeline da colega de profissão: "O que aconteceu é que você utilizou uma foto de uma obra artística, de um espetáculo teatral, e a usou num contexto político, no mínimo polêmico. Isso, sem permissão dos envolvidos nesta obra teatral. Não dá para eu pegar uma foto sua, de um personagem de uma peça que eu não assisti, e dizer que ela representa um posicionamento político meu, por exemplo. Por mais bonita que você possa achar a foto, relacioná-la com uma manifestação publicamente não é um direito. Por favor, peço para retirá-la".

Após a discussão, Regina disse que retiraria a foto do ar, mas até o fechamento desta reportagem, a intérprete da personagem Porcina na novela Roque Santeiro não havia cumprido sua promessa. A veterana atriz da televisão preferiu afirmar que a reclamação tratava-se de "muito barulho por nada" e ainda jurou ser "inocente".

A internauta Elaine Belmonte comentou na timeline de Regina: "Só não entendi porque você, Regina Duarte, usou uma foto de um trabalho artístico que não conhece ao invés de usar uma foto do próprio trabalho, já que é para defender algo em que acredita".

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