Carnavalesco campeão, Paulo Barros vai ser enredo de escola em 2018

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Paulo Barros é, sem dúvidas, um dos nomes do Carnaval contemporâneo. Aos 54 anos, o carnavalesco é o salário mais alto da folia do Rio de Janeiro, é um “especialista” em quebrar jejuns de títulos — como fez em 2017 com a Portela, atual campeã carioca — e consagrou seu nome e sua estética na história da Marquês de Sapucaí.

É justamente esse currículo que o levou a virar enredo da Vizinha Faladeira, escola que desfila pela Série B do Rio de Janeiro, em 2018. Mas não é só isso. Foi na agremiação que Barros começou, em 1993, como figurinista, com Um Ser Criança. No ano seguinte, defendeu o enredo Sou Rei — Sou Rainha — Na Corte da Vizinha, que garantiu o segundo lugar. Em 1995, pela Séria A, foi sexto lugar com O Relicário do Samba.

A notícia, a princípio, me surpreendeu um pouco e causou grande barulho nas redes sociais. Mas, pensando bem, Barros é show, é Carnaval. Ou seja, tem tudo para render um desfile memorável. Só nos resta esperar para ver.

Martinho Carnavalesco campeão, Paulo Barros vai ser enredo de escola em 2018

Enquanto isso...

Se Paulo Barros, apesar de todos os feitos, não é uma unanimidade no Carnaval, o mesmo não se pode dizer de Martinho da Vila. O sambista foi anunciado nesta quinta-feira (23) como enredo da Unidos do Peruche para 2018, quando completará 80 anos. Com isso, a escola segue defendendo temas com a cara do Carnaval e de relevância cultural inquestionável: em 2016, foi o centenário do samba; neste ano foi a cidade de Salvador; e, em 2018 a escola vai apresentar “Peruche é o Negro Rei. 80 Anos de Martinho Lá da Vila”.

 

Diogo Nogueira fala sobre Portela, Rosa Magalhães e Arlindo Cruz: “Estamos todos em oração por ele”

Diogo Nogueira Foto MilaMaluhy 2301 Diogo Nogueira fala sobre Portela, Rosa Magalhães e Arlindo Cruz: Estamos todos em oração por eleNesta sexta-feira (24), o cantor Diogo Nogueira apresenta o show Alma Brasileira no palco do Tom Brasil, em São Paulo. No repertório, estão sucessos na voz do sambista, como Pé na Areia e Deixa eu te amar [faz de conta que sou o primeeeeeiro... foi mal, me empolguei!] e regravações de clássicos de Milton Nascimento, Djavan, Gonzaguinha, Cazuza, Tim Maia, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Roberto Ribeiro e Beth Carvalho.

Então a gente aproveitou a oportunidade de falar com o músico para falar sobre Portela — escola do coração de Diogo Nogueira —, Rosa Magalhães, Arlindo Cruz e, como sempre, samba.

#4Perguntas para Diogo Nogueira

Diogo Nogueira - Alma Brasileira em São Paulo 
Quando: Sexta-feira, 24 de março, às 22h
Onde: Tom Brasil (Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio)
Ingressos: De R$ 140 a R$ 220

Viva, Arlindo Cruz

Arlindo Cruz Viva, Arlindo Cruz

Conheci Arlindo Cruz em algum momento lá de 2011. Ele lançava o álbum Batuques & Romances, que marcava a volta para o estúdio do músico após o sucesso do MTV ao Vivo (2009). Nos encontramos em um bar, desses arrumadinhos, do Itaim, zona oeste de São Paulo.

Quando cheguei, ele comia uma salada de bacalhau. Afastou o prato e pediu para que o garçom o guardasse, pois ele terminaria a refeição logo mais. Disse que não me importava, caso ele quisesse continuar a comer enquanto conversávamos. Afinal, sei bem como funciona a agenda dos artistas em dia de lançamento de trabalho para a imprensa. É uma correria só, sem tempo para intervalos. Mesmo assim, ele preferiu deixar a continuação do almoço para mais tarde.

Falei tudo o que tinha para falar sobre o álbum e ele, profissional, respondeu a tudo conforme manda o roteiro, o que também é praxe em “dia de lançamento”. Tanto as perguntas e quanto as respostas já estão ensaiadas. Até que eu soltei a pergunta. “Arlindo, e o Império? Sobe em 2012 ou não”?

O músico parou, olhou para minha cara surpreso e meio que checando se eu falava sério ou não. Ao perceber que sim, sorriu. E desembestou a falar, livre e feliz, sobre seu Império Serrano, que desde 2010 tentava o retorno ao Grupo Especial carioca — o que só conseguiu agora, em 2017.

Eu me lembro que ele disse que apostava muito naquele Carnaval, que homenagearia Dona Ivone Lara, um dos ícones da escola. Além disso, falamos muito sobre as agremiações do Rio de Janeiro, os desfiles de São Paulo, dos quais sempre fui defensor, e muitas outras coisas relacionadas a isso. Nesse final, a salada de bacalhau já estava de volta e ele, inclusive, se prontificou a dividi-la comigo.

Mencionei em algum momento que tinha um blog sobre samba — na época, no jornal Diário de S.Paulo, onde era colunista de Carnaval. Naquele mesmo dia, pouco antes da entrevista, tinha feito um post sobre Nelson Cavaquinho.

No início da noite apareceu para aprovação o comentário de um leitor que assinava Ado Cruz. Ele dizia “Viva, Nelson Cavaquinho”. Vale destacar que eram raras as manifestações de internautas no blog.

Li, reli, parei, olhei, pensei... “Porra, Arlindo. É você?”. Nunca tive essa resposta, claro. Mas preferi acreditar que sim. E nunca me esqueço dessa história e de como conversamos sobre Carnaval.

Agora é a minha vez de retribuir a generosidade. Ao saber no fim de semana que o sambista estava internado em estado grave por conta de um AVC, me lembrei do comentário. E só o que me resta dizer agora é dizer [e torcer]: “Viva, Arlindo Cruz”. Teu Império está de volta e você precisa estar bem para vê-lo brilhar no Grupo Especial.