Monobloco comemora 18 anos com nova marca, tema de Moraes Moreira e desfile em três capitais

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Gravação do single "Amor de Carnaval" com Renato Biguli, Roberta Espinosa, Pedro Luís, Pedro Quental e João Biano (Foto: TocaVídeos)

O Carnaval de 2018 marca os 18 anos do Monobloco, um dos blocos mais conhecidos do Rio de Janeiro. Para comemorar a maioridade, o grupo acaba de gravar Amor de Carnaval, tema composto sob encomenda por Moraes Moreira. O single chega às plataformas digitais em dezembro.

O tema, claro, também vai embalar a escolha do repertório dos desfiles do bloco.

Amor de Carnaval é um tema muito caro para nós: aqueles amores improváveis, às vezes efêmeros, às vezes definitivos, que apareceram no Carnaval. O próprio Monobloco celebra isso: temos casais de amigos que nos contam que se conheceram nas nossas festas”, conta Pedro Luís, um dos fundadores do bloco, por meio da assessoria de imprensa do grupo. “Moraes Moreira é um especialista em Carnaval e na mistura de ritmos e de gêneros musicais”, completa.

Fundado por C.A. Ferrari, Celso Alvim, Mário Moura, Pedro Luís e Sidon Silva, o Monobloco cresceu muito ao longo de 18 anos de história no Carnaval de rua do Rio de Janeiro. Além da Cidade Maravilhosa, o grupo criou raízes também em São Paulo e Belo Horizonte, faz ensaios abertos e shows pelo País durante todo o ano e gravou DVDs ao vivo.

Em 2018, o bloco repete a parceria com os artistas plásticos Raul Mourão e Marcelo Pereira, responsáveis pela criação da identidade visual do Monobloco nos ensaios, shows e desfiles. A nova marca ficou assim:

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Ensaios abertos do Monobloco:

 

Belo Horizonte (MG)
Quando: Dias 30 de novembro e 28 de janeiro
Local: Distrital (Rua Opala, s/n, Cruzeiro)

São Paulo (SP)
Quando: Dias 13 e 27 de janeiro
Local: Audio (Av. Francisco Matarazzo, 694, Barra Funda)

Rio de Janeiro (RJ)
Quando: Dias 2 e 9 de fevereiro
Local: Fundição Progresso (R. dos Arcos, 24, Lapa)

Cinco vezes em que o Carnaval brasileiro sambou na cara de racistas

Samba Cenico 02 Foto Paulo Pinto Cinco vezes em que o Carnaval brasileiro sambou na cara de racistas

A história do Pelourinho foi tema de representação do grupo Samba Cênico na Unidos do Peruche em 2017

A polêmica envolvendo o jornalista William Waack e um comentário racista vazado em um vídeo é só uma pequena amostra da realidade que milhares de negros sofrem diariamente em nossa sociedade.

Mas é na avenida do Carnaval, onde todos se despedem de suas posições sociais — nem que seja pelos poucos minutos de um desfile —, que as raízes africanas são reverenciadas com o devido prestígio. O sofrimento não será esquecido. Nossa história não será apagada.

Veja cinco vezes em que a realidade do negro deu samba!

Festa para um rei negro (1971)
Escola: Acadêmicos do Salgueiro (RJ)
Classificação: Campeã

Samba virou hit de bailes de Carnaval e foi responsável pelo quinto título da escola.

"Nosso rei veio de longe / pra poder nos visitar / que beleza / a nobreza que visita o gongá"

Terra da Vida (Ilu Ayê) (1972)
Escola: Portela (RJ)
Classificação: 3º lugar

Um dos sambas mais tradicionais da escola de Madureira, imortalizado na voz de Clara Nunes. Os versos “negro é terra, negro é vida” traduzem de forma mais adequada o que pode ser a expressão “coisa de preto” repetida por William Waack.

“Hoje, negro é terra, negro é vida / Na mutação do tempo, desfilando na avenida / Negro é sensacional, é toda festa de um povo / É o dono do Carnaval”

Negros Maravilhosos, Mutuo Mundo Kitoko (1982)
Escola: Camisa Verde e Branco (SP)
Classificação: 3º lugar

Samba histórico da escola da Barra Funda, com letra forte sobre e direta sobre a forma como os negros são tratados na sociedade.

“Negro paga imposto / Negro vai à guerra / Negro ajudou a construir a nossa terra / Temos a pergunta / Não nos leve a mal / Por que só no tríduo de Momo / Que o negro é genial? / Ele é capitão / Ele é general / Poderia ser tantas coisas / Dentro da vida real”

Kizomba, Festa da Raça (1988)
Escola: Unidos de Vila Isabel (RJ)
Classificação: Campeã

Um dos principais sambas da história da Vila Isabel, a escola celebrou os cem anos da Lei Áurea, que libertou os escravos.

“Vem a Lua de Luanda / Para iluminar a rua / Nossa sede é nossa sede / De que o Apartheid se destrua”

Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão (1988)
Escola: Estação Primeira de Mangueira (RJ)
Classificação: Vice-campeã

Escrito há quase 30 anos, o samba ainda se faz bem atual, questionando se de fato existe a igualdade racial no Brasil.

“Será... / Que a Lei Áurea tão sonhada / Há tanto tempo assinada / Não foi o fim da escravidão? / Hoje dentro da realidade / Onde está a liberdade? / Onde está que ninguém viu? / Moço... / Não se esqueça que o negro também construiu / As riquezas do nosso Brasil”

Precisamos falar sobre o CD do Carnaval de São Paulo

CD CARNAVAL SP 2018 Quadrado Precisamos falar sobre o CD do Carnaval de São Paulo

Em plena sexta-feira do feriadão de Finados, a Liga SP (Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo) divulgou a prévia do CD do Carnaval 2018. E temos de falar sobre o que vem por aí.

1. A Capa

A arte da capa ficou belíssima. A honra de ilustrar a peça coube a Acadêmicos do Tatuapé, campeã pela primeira vez em 2017 em mais de 60 anos de história. Não bastasse o simbolismo de ter a agremiação ali, todo o conjunto ficou a cara do Carnaval paulistano: luxuoso e grandioso.

2. Faixas ao vivo

A qualidade do CD há tempos não é um problema. Pelo contrário. Mas ter as faixas gravadas ao vivo deu outra cara. Os sambas ficaram mais emocionantes, vibrantes... afinal, é a voz do povo que está ali. Não tem como negar o poder disso.

3. A cara das comunidades

Vamos combinar? A bateria que embalaram as gravações foram as das escolas, o coro é o das comunidades, além das alas musicais... enfim, são as agremiações em alma e raiz que estão ali. E isso fica claro quando se escuta atentamente cada faixa. Algumas são mais aceleradas, em outras o coral é muito mais forte, há as batidas mais marcantes. Cada escola é única, assim como cada faixa.

4. Versões oficiais

Tem samba que a gente escuta na eliminatória e dá aquela torcida de nariz. Mas ouvir a obra finalizada dá um orgulho gigante. E olha que só saiu uma prévia do que vem por aí.

5. Alguém disse prévia?

O que foram essas prévias? Foi assunto em quase todas as rodas de sambistas de São Paulo, pautou a maioria dos grupos dedicados ao Carnaval das redes sociais. E deixou um gosto de quero mais gigante. O lançamento acontece em 2 de dezembro. Até lá, temos de nos contentar com os poucos minutos que ganhamos!

Bom, e por que é importante falar isso tudo? Estamos em um momento onde o papel do Carnaval tem sido muito questionado, o trabalho das escolas de samba frequentemente é confrontado e desrespeitado. E mesmo assim, a folia de São Paulo mostra que continua crescendo evoluindo, fazendo um trabalho sério e digno de enaltecimento. Mais uma vez o samba mostra que é resistência e não pode parar.