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Ivo Meirelles sobre a Mangueira: “Ninguém vai fazer Carnaval artisticamente igual a gente fez”

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Ivo Meirelles se mudou para São Paulo e está em turnê com o "Ensaio Carioca"

Fevereiro de 2014 marca dez meses que Ivo Meirelles deixou a presidência da verde e rosa, posto que hoje é ocupado pelo deputado Chiquinho da Mangueira.

Em conversa com o Ziriguidum, realizada durante o lançamento do DVD Samba Pop do Ivo Meirelles, o músico relembrou os quatro anos que esteve à frente da tradicional escola de samba carioca.

O ex-peão da Fazenda assume que teve falhas administrativas na sua gestão, mas diz que entrou para história do samba, fez coisas que valem mais do que o campeonato do Carnaval e garante que vai deixar saudades.

Ziriguidum: Como você avalia sua passagem pela presidência da Mangueira?

Ivo Meirelles: Eu tenho prós e contras. De contra, tenho a parte burocrática. Eu não peguei especialistas para as pastas. Peguei amigos. Fiz uma diretoria com 90% de pessoas da comunidade. A nossa gestão acabou sendo conturbada pela falta de experiência e conhecimento dessas pessoas. Em contrapartida, ninguém vai fazer Carnaval artisticamente igual a gente fez, de valorizar o ser humano, o artista, a passista, o compositor, os puxadores.

Ziriguidum: Para você, foram mais pontos positivos do que negativos?

Ivo: Todo mundo que olha para trás e vê meus desfiles, não se lembra que a gente administrativamente não conseguiu resolver algumas coisas. Só lembra que a gente fez quatro desfiles memoráveis, sem dinheiro e a arquibancada da Sapucaí levantava, se arrepiava, independentemente de ser mangueirense ou não.

Ziriguidum: Você se arriscou muito...

Ivo: Eu arrisquei muito. Eu só me expus. Foi a única coisa que eu fiz ali foi me expor.

Ziriguidum: Você foi bastante criticado nesse período. Como lidou com isso?

Ivo: A crítica, quando vinha de “mangueirenses”, eu sabia que era de grupos de oposição querendo denegrir minha imagem, querendo voltar a assumir o posto. Eu tinha debandado uma pá de sem vergonha. E quando a imprensa lá do Rio vinha me criticar, eu sabia que era uma parte da imprensa pau mandada. Tenho certeza que com a minha saída da Mangueira, vai ter muita gente saudosista dos carnavais que a gente fez e vai lamentar. É sempre assim, a gente valoriza muito o passado.

Ziriguidum: Faltou um campeonato na sua gestão?

Ivo: Eu posso citar vários carnavais campeões, não só da Mangueira, mas que hoje ninguém se lembra, ninguém sabe, ninguém viu.  E carnavais que não foram campeões que as pessoas falam “nossa, que desfile bacana”.

31012014 ivo meirellis 12 1024x682 Ivo Meirelles sobre a Mangueira: “Ninguém vai fazer Carnaval artisticamente igual a gente fez”

Ivo Meirelles: "A gente criar em menos de um ano uma nova bateria da Mangueira, teve de ter muito culhão. Eu me arrepio até hoje de falar nisso."

Ziriguidum:  Quais são os seus desfiles mais marcantes?

Ivo: Foram três  que me marcaram muito. O primeiro foi em 2011. Eu parei a bateria durante um minuto e meio e a gente via a escola inteira cantando em homenagem a Nelson Cavaquinho. Em 2012, foi até mais significativo. A gente colocou o casal mestre-sala e porta-bandeira, que é uma coisa extremamente tradicional e que ninguém mexe, escondido atrás da bateria. Foi uma ousadia que a gente fez, a arquibancada delirou e os julgadores, como sempre, deram as piores notas possíveis. Eles preferiram descer a mão em um casal que dançou divinamente. Foi uma falta de respeito. E o terceiro momento foi o Carnaval de 2013, que teve as duas baterias na avenida. Foi o trabalho mais louvável. A gente criar em menos de um ano uma nova bateria da Mangueira, teve de ter muito culhão. Eu me arrepio até hoje de falar nisso.

Ziriguidum:  Isso tudo valeu mais que o campeonato?

Ivo: Isso vale mais que campeonato. Isso é história.

Ziriguidum:  A permanência ou não da Gracyanne Barbosa como rainha de bateria virou até promessa de campanha na escola. Acha que o posto é tão importante assim?

Ivo: É importante frisar, sem nenhum demérito para as rainhas de bateria, que a rainha é um negócio que só beneficia a ela mesma. Em nenhum momento da escola de samba ela interfere, não tem poder para fazer uma escola ser melhor ou pior.

Ziriguidum: De uma forma geral, como você avalia o espaço do folião dentro do Carnaval?

Ivo: Hoje, as escolas de samba pobres, e a Mangueira é uma escola pobre, destinam um terço das fantasia para a comunidade. Eu acho que tinha que ser o contrário. Tinha que ter condições financeiras para deixar um terço para a venda e o resto com distribuição gratuita para comunidade. Ainda falta muito para ter a participação maciça. A Mangueira desfila com 4 mil componente e no morro, na comunidade, moram 30 mil pessoas.

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