Vai ter Carnaval no Rio de Janeiro sim

32445378443 668c57f231 z Vai ter Carnaval no Rio de Janeiro sim

Relutei muito em escrever sobre a decisão da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) de anunciar a suspensão dos desfiles do Carnaval 2018. Há muita coisa em jogo e palavras mal colocadas podem provocar grandes confusões. Mas não tinha como fechar os olhos para uma das “polêmicas mais polêmicas” dos últimos tempos.

Para quem não sabe, a decisão das escolas foi motivada após a prefeitura do Rio de Janeiro anunciar o corte de 50% nos recursos destinados às agremiações. O órgão alega que usará o dinheiro para aumentar o repasse de manutenção de creches conveniadas com o município. As entidades, por sua vez, dizem que a medida inviabiliza a produção do espetáculo.

O fato é que tem milhares de foliões desesperados, achando que não haverá desfiles em 2018. Vamos ser realistas: vai ter Carnaval sim! Vai ter desfile sim! E por vários motivos.

Um deles é que existe o contrato de transmissão.  A Globo, emissora de TV responsável pela transmissão do espetáculo na Sapucaí, paga — e muito — por isso. Muitas escolas também fecham acordos comerciais para o desfile. E isso deve ser cumprido. Ou seja, é preciso botar o Carnaval na rua.

E tem ainda aquele fator Paixão. A gente, que ama isso, não vai abrir mão de desfilar, nem que seja sem carro, sem faisão e rabo de galo.

O que a Liesa está fazendo é pressionar. E está no seu direito como representante das escolas. Mas é fato que precisamos repensar o financiamento dos desfiles.

É preciso ter clareza também que todo dinheiro colocado na produção do Carnaval na Sapucaí é investimento. O retorno disso para a cidade é infinitamente maior do que o financiado. Mas essa conta não precisa ser apenas do município — e já não é assim há muito tempo.

Não se pode esquecer também que o estado e a prefeitura do Rio vivem uma séria crise financeira. Não é de hoje que os recursos estão ficando mais escassos. Além da situação local, o país também vive/viveu momentos conturbados economicamente. Turistas/foliões não tem tanto dinheiro para investir em ingresso ou fantasia, os materiais estão mais caros, os repasses de direito de imagem foi renegociado nos últimos anos.

Sem falar na “competição” com o Carnaval de rua, cada vez maior e muito mais barato, tanto em produção quanto para os foliões.

Ou seja, é preciso uma saída. E ela passa por repensar o modelo e a forma de financiamento. Mas é certo que será cada vez mais necessária a ajuda da iniciativa privada.

Por enquanto, insisto: o Carnaval não vai acabar (felizmente). Eu sempre me lembro da tragédia de 2011, na cidade do samba. Faltando um mês para os desfiles, Grande Rio, Portela e União da Ilha tiveram os barracões destruídos pelo fogo. Nem isso impediu as agremiações de irem para a avenida. Não vai ser agora.