Minas Gerais

16/1/2013 às 15h42 (Atualizado em 16/1/2013 às 15h42)

Escolas de samba desistem de desfilar em BH por demora em repasse de verba

Agremiações reclamam da falta de organização do Carnaval da capital mineira

Juliana Ferreira, do R7

Pelo menos uma escola não entrará na avenida dos Andradas neste ano Dilvugação / Juca Sousa

O sonho de entrar na avenida e repertir os feitos dos últimos anos não vai ser realizar no Carnaval deste ano para algumas escolas de samba de Balo Horizonte. A Chame-Chame já decretou: não desfila em 2013. A decisão foi a atitude mais extrema que o projeto social do bairro Salgado Filho, região oeste da capital mineira, encontrou para chamar atenção para a desorganização e demora no repasse de verba da Belotur (Empresa de Turismo de Belo Horizonte).

A 20 dias do Carnaval, a ajuda de custo da prefeitura ainda não saiu do papel. As inscrições para os desfiles começaram no dia 14 de janeiro e, somente depois, vai haver um prazo para a liberação da verba. Escolas do grupo A recebem R$ 25 mil, e as do grupo B, R$ 12.500. A situação se complica com o anúncio do corte da verba concedida todos os anos pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que repassava R$ 35 mil às agremiações.

Triste em anunciar a desistência do desfile, o presidente da Chame Chame, Patrício Thomé, disse que é preciso pelo menos R$ 80 mil, pelo com três meses de antecedência, para realizar um bonito espetáculo.

— É uma maneira de reivindicar. A Belotur está muito em cima da hora para decidir as coisas. Como vou colocar 600 pessoas na avenida em menos de 15 dias? Fazer roupas, confeccionar carro, contratar reboque, alugar geradores, tudo é um gasto muito grande.

E o problema atinge outras escolas, como a Imperavi, que ainda não confirmou sua participação no evento, previsto para os dias 10 e 11 de fevereiro. O tema e o samba-enredo até foram decididos, mas não há dinheiro suficiente para alegorias e carros, segundo o presidente Luiz Carlos Novaes.

— Estou temendo pelo Carnaval deste ano. Só três escolas estão garantidas nesse ano.

Mesmo reciclando materiais do ano passado e com o tema decidido, a Escola Cidade Jardim se desdobra para entrar na avenida.

— Estamos lutando para colocar a escola na rua com dignidade. A verba, às vezes, chega na semana do carnaval. Às vezes, após o carnaval.

A Belotur informou que o regulamento da inscrição e do repasse de verbas é feito em conjunto com as escolas de samba, cientes de todo o processo. Segundo o presidente, Mauro Werkema, para receber o dinheiro público, é preciso seguir normas que exigem a documentação entregue na inscrição, além da prestação de contas do carnaval passado.

— Nós acabamos fazendo o repasse mais próximo do carnaval porque elas também demoram para prestar contas. Eu até diria que seria possível liberar a verba antes, mas este ano foi atipico por causa da eleição e havia vedação da justiça eleitoral com relação a qualquer prática financeira durante o segundo semestre do ano passado.

Sobre o valor da verba, Werkema alegou que ele é definido pelo nível financeiro da prefeitura. Assim, "as escolas têm que se planejar, buscando patrocínio com antecedência".

A Cemig não se pronunciou sobre o assunto.

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