R7 - Entretenimento

Buscar no site
Eu quero um e-mail @R7
Esqueci minha senha

25 de Maio de 2012

Você está aqui: Página Inicial/Entretenimento/Cinema/Notícias

Icone de Cinema Cinema

publicado em 14/01/2011 às 09h30:

"Gulliver é um dos pioneiros da ficção científica",
na opinião do tradutor

Paulo Henriques Britto assumiu a nova tradução do clássico de Jonathan Swift

Thiago Blumenthal, do R7

Publicidade

Um dos grandes assuntos desta semana é, sem dúvida, o lançamento do filme As Viagens de Gulliver. Se no filme, Jack Black vai parar em um terra cheia de pequeninos habitantes e, por causa disso, acaba virando um gigante, no livro, um clássico da literatura, a história vai mais além e leva o seu protagonista a outras experiências.

Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, ganhou novas edição e tradução. A Companhia das Letras chamou o tradutor e professor Paulo Henriques Britto para assumir o desafio de uma abordagem diferente. Como o livro já foi muito traduzido, Britto buscou um caminho original que é justamente o de reforçar a ilusão de que se está lendo um livro de época.

Conheça a história original de Gulliver

Veja imagens do longa-metragem

Para o tradutor, a riqueza da história de Lemuel Gulliver está na ironia como ele mesmo relata todas as suas andanças, quem ele conheceu, quais foram as suas impressões. Além disso, Britto afirma que o livro de Swift é um dos precursores da ficção científica.

Em entrevista ao R7, ele conta quais são as suas partes do livro preferidas, por que as adaptações costumam focar apenas na primeira viagem, a de Lilipute, e fala sobre a importância de ler um clássico nos dias de hoje.

R7 - Como você explica o fato de as adaptações de Gulliver sempre focarem apenas em Lilipute? Por que Brobdingnag, Laputa e o país dos Yahoos e Houyhnhnms sempre ficam de fora, sendo que são tão ricos (inclusive para crianças)?

Paulo Henriques Britto - A ideia de uma terra de homens em miniatura foi a que mais fascinou os leitores. Talvez haja alguma espécie de programação genética que nos faz ficar fascinados com miniaturas, quem sabe uma maneira de nos levar a sentir paixão pelos bebês, e desse modo garantir a reprodução da espécie.

Desse ponto de vista, o livro de Brobningnag acaba sendo uma repetição do primeiro, só que o homem em miniatura passa a ser o próprio Gulliver. As outras duas viagens não têm o apelo visual da miniaturização, sendo que a terceira é prejudicada pelo excesso de referências políticas da época, que a tornam datada.

R7 - Gulliver, antes de tudo, é um médico cirurgião. No filme, ele é uma espécie de repórter especial. Você acha que, no livro, a sua carreira pode ter algum tipo de desdobramento dentro da narrativa e da simbologia que a medicina possa representar?

Britto - Swift detestava os médicos (o que não quer dizer muita coisa, pois ele odiava os políticos, os cientistas etc.), e Gulliver é, a maior parte do tempo, um personagem ridículo -- o nome sugere gullible, que, em inglês, é uma "pessoa fácil de enganar, crédula, ingênua".

R7 - Na terceira parte, há uma discussão sobre a imortalidade e sobre os espíritos dos grandes homens da História que voltam como fantasmas. O que ela pode nos dizer em relação ao modo como encaramos os fatos históricos? A literatura e a imaginação vencem a História, com H maiúsculo?

Britto - Você está falando de dois episódios diferentes da terceira viagem. O dos imortais eu leio como uma diatribe (crítica) de Gulliver contra a existência humana - morrer cedo é terrível, mas a velhice também é terrível; assim, não há saída.

O outro episódio, o das figuras históricas trazidas de volta à vida, tem o objetivo de nos dizer que não se fazem mais políticos e sábios como antigamente. Swift, que depois que deixou a política se tornou um poço de ressentimentos, queria atacar os homens de seu tempo, e para isso comparou-os com grandes figuras do passado. A comparação tem o efeito de diminuir seus contemporâneos.

R7 - Swift influenciou muitos artistas, escritores e de outras artes. Muito por sua maneira de contar algo aparentemente tão irreal de uma maneira verossímil. Kafka se valeu muito disto, creio eu. Quais artistas você pode dizer que se influenciou muito de Swift?

Britto - O tom deadpan (forma de humor que é contada sem transparecer nenhuma emoção, de maneira casual) com que Gulliver narra os maiores absurdos sem dúvida fez escola. Além disso, Swift é também um dos pioneiros da ficção científica - como no episódio de Laputa.

Mas é preciso levar em conta também o quanto ele foi influenciado por autores mais antigos. Eu destacaria em particular Rabelais, que trabalha com a desproporção entre os gigantescos Gargântua e Pantagruel e os homens comuns. A cena em que Gulliver apaga um incêndio urinando nele é praticamente copiada de Rabelais.

R7 - Um dos motes do livro é mostrar como uma opinião diferente pode terminar tão mal. E isso é narrado de uma maneira cômica. Como tratar de um assunto tão pesado e sério desta maneira? De que maneira Swift tornou a narrativa tão leve? O fato de ser um relato em primeira pessoa ajuda?

Britto - A ironia é a grande arma de Swift. O tom absurdo e o humor escatológico dos acontecimentos fazem com que o leitor não leve de todo a sério as desgraças relatadas. Mas isso só se aplica às três primeiras viagens. O que faz com que a leitura da quarta parte tenha tanto impacto é justamente o fato de que na viagem ao país dos Houyhnhnms o tom pesa bem mais do que nas anteriores.

R7 - Qual a sua parte preferida no livro? Por quê? E, dentre todos os povos que Gulliver descreve, qual o seu preferido e por que razão?

Britto - A viagem ao país dos Houyhnhnms me parece uma obra-prima absoluta. O que a torna desconcertante, como bem observa Orwell em seu ensaio, é que a admiração entusiasmada que Gulliver sente pelos Houyhnhnms não passa para o leitor; instintivamente nos repugna a frieza emocional daqueles seres superiores, totalmente racionais, e as fraquezas dos Yahoos que tanto horrorizam Gulliver nos parecem humanas, demasiadamente humanas.

O povo mais atraente do livro é, sem dúvida, a população de Brobningnag, os gigantes que, contrariando as expectativas, revelam-se delicados e sensatos. Mais uma vez, Swift descreve esse reino traçando comparações explícitas com a Europa de seu tempo, e é claro que a Europa sempre sai perdendo.

R7 - Na terceira parte da viagem, em Lagado, Swift faz uma descrição engraçada de como aquele povo encara a linguagem. Por exemplo, eles reduzem tudo a substantivos. Como isso pode ser aplicado à realidade e ao jovem leitor de hoje, que freqüentemente transforma também polissílabos em uma sílaba apenas, na internet e outros meios? Existe algum tipo de visão crítica do autor aqui?

Britto - Na verdade, não vejo nenhuma relação entre as duas coisas. Swift está criticando o falar pelo falar, só que a solução proposta - as pessoas falarem mostrando objetos - é ridiculamente pouco prática e ineficiente. Mas uma vez, como no caso dos imortais, o autor nos diz, em última análise, que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

R7 - Qual foi a política nessa nova tradução do clássico?

Britto - Não se trata de focalizar termos específicos, e sim de adotar uma política geral: na medida do possível, só empregar palavras que já existiam no português no século 18, a fim de reforçar a ilusão de verossimilhança de que se está lendo um texto de época. Como já existem várias traduções do livro, resolvi partir para uma abordagem diferente. Espero que os leitores aprovem.

R7 - Dentre as versões para TV, cinema e desenhos animados do Gulliver, qual a sua preferida? Por quê? E qual a pior?

Britto - Só vi uma adaptação em desenho animado da viagem a Lilipute, quanto eu tinha sete ou oito anos. Não me lembro de nada.

Veja Relacionados:  Gulliver
Gulliver 
 
Espalhe por aí:
  • RSS
  • Flickr
  • Delicious
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google
 
 
 
 

Fechar
Comunicar Erro

Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.

Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7
Mensagem enviada com Sucesso!Erro ao enviar mensagem, tente novamente!

 

 


Shopping
MP3 Player MP3 Pla City Lar R$ 549,00
Máquina de Lavar Roupa Máquina Novo Mun R$ 899,00
DVD Player Automotivo DVD Pla Wal-Mart R$ 298,00
Monitor Monitor Balão da R$ 276,39
Fogão Fogão Wal-Mart R$ 629,53
Corpo e Pele Corpo e Sack´s R$ 34,90