23 de Maio de 2013
O cinema indiano tem uma produção de mais de mil filmes por ano
EFEA indústria do cinema indiano, tida como a maior do mundo e conhecida como Bollywood, completa 100 anos oferecendo evasão e deuses laicos, além de assumir um papel de conciliação em um país composto por diferentes religiões, línguas e culturas.
A grande paixão popular da Índia foi iniciada em maio de 1913, com a estreia do filme Rei Harishchandra, dirigido por Dadasaheb Phalke, que retrata de forma épica os textos sagrados hindus na cidade de Mumbai, desde então considerada a Meca do cinema indiano.
A chegada do som em 1931, com Alam Ara, uma história de amor entre uma cigana e um príncipe, ajudou a definir as bases do cinema na Índia, que, desde a década de 1940, passou a adotar uma fórmula infalível de canções, danças, romances, dramas e fantasias.
Embora a fórmula se repita com sucesso, a temática evoluiu muito com o tempo, passando de temas sociais ao "cinema de evasão" que hoje predomina em Bollywood.
— Nos anos 50 e 60, o cinema refletia o idealismo dos indianos após a independência do Reino Unido, quando todos buscavam uma sociedade mais justa — explicou Dilip Mehta, autor de filmes como Cozinhando com Stella.
O filme Mother India, de 1957, que relata os sofrimentos cotidianos de qualquer indiano refletidas na pele de uma mulher, é um exemplo bem significativo desse chamado "cinema social".
— Já nos anos 70, o cinema se industrializa e começa a oferecer o que chamamos de cinema de evasão — prosseguiu o cineasta, que acrescentou: — Hoje os espectadores querem fugir da realidade nas salas de cinema.
Amitabh Bachchan, talvez a maior estrela de Bollywood, se tornou um grande astro encarnando heróis de favelas que travavam inúmeras brigas com fazendeiros e políticos corruptos nos anos 50, enquanto, na atualidade, o mesmo costuma aparecer em papéis mais conservadores.
Segundo Mehta, o cinema indiano atualmente se apresenta como um cinema de corte conservador e conformista, ou seja, aquele que reforça os valores mais tradicionais.
No entanto, os cineastas indianos também quebram barreiras do que é socialmente aceitável, como o filme Kismet, que narra a história de uma gravidez fora do casamento.
Mais recentemente, filmes como Três Idiotas também conseguiram combinar o êxito nas bilheterias e reflexões sobre educação. — Foi um sucesso porque era divertido, mas também porque existe uma frustração entre os jovens relacionada ao sistema educacional — afirmou Mehta.
Dunno Y... Na Jaane Kyun é um marco no cinema indiano por ter apresentado o primeiro beijo gay em 2010 e sem que o mesmo causasse incidente, como ocorreu com o filme Fogo, lançado pelo próprio Deepa Mehta em 1996. Na ocasião, por conta do possível conteúdo homossexual do filme, algumas salas de cinema chegaram a ser queimadas no país.
O romance e o casamento por amor também ocupa um grande território cinematográfico no país, onde aproximadamente 90% dos indianos ainda optam pelo casamento arranjado.
— A fantasia do casamento por amor reina em Bollywood e é exposta como um verdadeiro caminho à felicidade conjugal — declarou o psicólogo Sudhir Kakar.
Além de oferecer fugas da realidade e romance, o cinema indiano também desenvolve um importante papel de conciliação em um país que conta com 22 línguas oficiais, várias religiões e culturas.
—O cinema de Bollywood é seguido por indianos de todas as idades, gêneros, castas, religiões e grupos linguísticos — comentou o compositor de trilhas sonoras Javed Akhtar, que completou: — O cinema híndi também pode ser considerado como outro estado do país.
O cinema indiano chega ao seu centenário com uma produção de mais de mil filmes por ano e quase 3 bilhões de ingressos, números que tendem a aumentar com o crescimento previsto para a indústria - de 13,2% até 2015, segundo a empresa de consultoria Pwc.
Uma indústria que resiste aos ataques de Hollywood, que, apesar de ter dobrado sua bilheteria na Índia em 2011, só conseguiu 6,8% da arrecadação local neste ano, apesar de suas grandes produções já terem se adaptado às línguas indianas, como híndi, tâmil e telugu.
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