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publicado em 23/01/2010 às 05h58:

Chico Diaz conta sobre Praça Saens Peña

Produção traz a história de uma família que passa por uma crise

Ana Luiza Ponciano, do R7

Confira a entrevista com Chico Diaz, sobre o lançamento de seu novo filme, Praça Saens Peña:

 

R7 - E como foi pra você fazer Praça Saens Peña?
Chico Diaz - Eu fiz este filme ao mesmo tempo de Jader de Paraíso Tropical. Os dois personagens têm uma postura humana completamente antagônica. O Jader cafetão, e o Paulo pai de família, carinhoso, atencioso. Para mim, isso foi muito interessante e mostra a capacidade de um ator. Entre um e outro estava lá o Chico se dividindo em dois e dando conta dos dois.

R7 – O que mais te atrai no filme?
Chico Diaz - Quando eu digo que eu tenho um carinho especial por esse filme é pelo pequeno que ele toca. Porque ele fala do pequeno orçamento, do sonho da casa própria, da ambição de ser um escritor, de sonhos e ao mesmo tempo fala de coisas grandiosas. O humano que esse filme propõe, mesmo não tendo perseguições, grandes conflitos aparentes, viradas de trama.

R7 - A virada tem, né?
Chico Diaz - Mas é uma virada silenciosa, que você nem percebe. O roteiro também conta com a inteligência do espectador. Meu carinho por esse filme é porque ele não tem grandes ambições, mas ele é humano, e ele faz um corte nos tempos que estamos vivendo muito importante. Eu espero que a platéia goste.

R7 - Como você acha que o filme será recebido?
Chico Diaz - No Rio ele foi muito bem recebido. A discussão mais cruel é o raciocínio da distribuição do cinema brasileiro, que só está preocupado com números. Os marketeiros - os novos sábios da nossa cultura - pensam tudo em função do mercado. Eles, inclusive, tentaram mudar o nome do filme, porque disseram que Praça Saens Peña era redutor, que não chamaria público. Então o grande problema não é o público, mas é quem tenta achar que conhece o público. E ele é sim um filme que sempre lotou as salas nos espaços que esteve.

R7 - E como você acha que um estrangeiro receberia esse público, já que a identidade dele é tão forte?
Chico Diaz - É um filme silencioso que fala muito. Fala da violência do Rio, de amor, de uma questão econômica, do governo Lula, educação pai e filho, guerra do Iraque. A dramaturgia dele é silenciosa, ali onde não parece que não está acontecendo nada, está acontecendo tudo. Esse plano pequeno potencializa o drama.

R7 - E agora quais são seus próximos projetos?
Chico Diaz - Eu estou um pouco ao sabor das coisas, estou com 50 anos. Dei conta que eu posso ficar um pouco ao sabor das coisas. O que me dá um poder grande, meio contra ao poder da engrenagem que nos obriga a realizar um monte de coisas. Eu estou lançando esse filme, estou lançando o filme da Eliane Café, O Sol do Meio Dia, o Ouro Negro.

Também fiz a peça Moby Dick no Rio de Janeiro, que é um personagem ímpar na vida de um ator e estou tentando trazê-lo para São Paulo. Então é um momento muito fértil e por isso estou me permitindo contemplar. Tenho o contrato com a TV Globo, então talvez eu tenha que fazer algo em televisão. A exemplo do filme eu quero ficar numa fase mais humana, pé no chão firme, cuidar do que eu já fiz.

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