11 de Fevereiro de 2012
O longa mostra o corpo do socialista Allende estendido sobre uma maca
AFPO cineasta chileno Pablo Larraín exibiu neste domingo (5) o filme Post Mortem, uma autópsia dos chilenos após o golpe militar de 1973, com imagens impactantes do corpo do presidente derrubado Salvador Allende.
O longa-metragem, que arrancou aplausos e elogios de vários críticos, está entre os 24 candidatos ao Leão de Ouro em Veneza, por sua linguagem inovadora e experimental.
O corpo do socialista Allende estendido sobre uma maca do necrotério de Santiago, enquanto o médico se prepara para dissecar seu cadáver diante de uma fila de militares, leva o espectador a um dos momentos mais dramáticos da história da América Latina e obriga os protagonistas a tomarem uma posição frente ao regime de terror que está sendo imposto.
Em Veneza, o diretor chileno afirmou à AFP que Allende é um personagem essencial da história do mundo.
- Seu nome, condição e categoria humana são universais. Não me pareceu necessário pedir autorização para usar sua imagem, embora tenhamos muito respeito por sua figura e por sua família. Sua autópsia é a autópsia do Chile.
Alfredo Castro, o ator que vive o obscuro funcionário do necrotério que redige o relatório militar, acredita que o filme deve gerar algum tipo de polêmica.
- É a primeira vez que o corpo de Allende é visto nessa dimensão, com o crâneo arrebentado. É provável que isso gere polêmicas no Chile, mesmo tendo sido feito com muito respeito.
Larraín, nascido em 1976, anos depois do golpe, aborda o tema da ditadura militar com um olhar muito pessoal e íntimo, ao tentar captar esse espaço ambíguo dos vivos e dos mortos.
A transformação - de obscuro funcionário a colaborador dos militares - de Mario Cornejo (Alfredo Casto), um homem só que está apaixonado secretamente por sua vizinha (Antonia Zegers), dançarina de cabaré com um pai comunista, é narrada com imagens desoladoras, em lugares pobres e sombrios.
Ambientado nos primeiros dias do sangrento golpe de Estado do general Augusto Pinochet, o longa-metragem, que é o único filme latino-americano em competição no festival, também lembra a morte de centenas de opositores, cujos corpos ficavam amontoados no necrotério da capital.
Para um dos críticos do jornal italiano Il Manifesto, Roberto Silvestri, o filme tem bastante força.
- O filme fala com o espectador de forma humana e não de cima para baixo.
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