Avatar, de James Cameron, filmado em 3D, é a produção mais cara da história e já está entre as maiores bilheterias do cinema
10 de Fevereiro de 2012
Produções invadem as telas e mudam a forma de se fazer cinema
Up – Altas Aventuras, Os Fantasmas de Scrooge e Avatar. Esses são alguns dos títulos que chegaram ao Brasil em 3D nos últimos meses e que representam a tendência do cinema atual. Essa tecnologia de projeção tem revolucionado a indústria cinematográfica e veio para transformar a experiência dos espectadores.
Apesar dessa explosão, o 3D não é tão novo assim. As primeiras experiências na área ocorreram ainda no fim século 19, realizadas pelo britânico William Friese-Greene. Alguns anos depois, porém, longe dos grandes centros norte-americanos e europeus, veio um inovador processo que chamaria a atenção. Em 1934, o italiano Sebastião Comparato, que se mudou para o Brasil aos seis anos de idade, desenvolveu um engenhoso esquema que trazia a sensação de três dimensões para o cinema.
Formado na primeira turma da Faculdade de Medicina de São Paulo em 1919, Comparato criou um sistema no qual a imagem projetada em uma tela era refletida por um espelho. O processo criava a ilusão de que a imagem passava em um espaço vazio, como um palco de teatro. Apesar dos convites para trabalhar nos Estados Unidos, o inventor continuou no Brasil e seu trabalho acabou esquecido.
Um dos primeiros sistemas a ser utilizado nos cinemas era o de imagens com duas camadas de cores diferentes. Com a ajuda de óculos especiais, que tinham uma lente de cada cor, o espectador tinha a impressão de que o filme saltava da tela.
No entanto, com o passar dos anos, a tecnologia passou por um grande desenvolvimento. Atualmente, ao invés de se utilizarem duas camadas coloridas, a imagem passa por uma polarização, fazendo com que a luz mude de direção milhares de vezes por segundo. Para criar a sensação de profundidade, utilizam-se óculos com lentes também polarizadas, que fazem com que cada olho enxergue uma direção diferente de luz. Assim, quando o cérebro junta as imagens, parece que cada região da tela está em um patamar diferente.
Essa tecnologia tem exercido grande influência no mercado cinematográfico. Cada vez mais filmes vêm sendo produzidos nesse formato, como Shrek Para Sempre, Alice no País das Maravilhas (de Tim Burton) e Astro Boy, que devem chegar as telonas nos próximos meses. Além disso, obras mais antigas ganharão versões em 3D, como A Bela e a Fera e os dois primeiros episódios da série Toy Story (o terceiro já foi feito neste molde e também deve chegar aos cinemas em breve).
O Brasil, no entanto, ainda está engatinhando nesse ramo. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem mais de 1700 salas com tecnologia 3D. Por aqui, ainda estamos próximos da casa das 100.
Outra grande diferença está na produção de material em três dimensões. Enquanto na América do Norte os grandes estúdios estão investindo pesado nesse campo, no Brasil poucas peças publicitárias para o cinema foram feitas.
Segundo Rodrigo Olaio, sócio-diretor da primeira empresa a criar um filme de propaganda em 3D no país,o impacto desse tipo de campanha sobre o espectador é muito maior, apesar de haver um gasto mais alto para a produção.
Além do pequeno número de salas e das filas geradas por essa escassez, os preços também acabam dificultando o acesso à experiência 3D. Em São Paulo, por exemplo, o ingresso para uma sessão que conte com essa tecnologia pode chegar a R$ 30.
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