11 de Fevereiro de 2012
The Killing e The Ditch já foram exibidos nesta segunda (6) no evento italiano

Surpreendentemente selecionado para a competição oficial, The Ditch apresenta uma página cruel da construção do socialismo à chinesa.
Em 1960, no coração do deserto de Gobi, no oeste da China, não há necessidade de arames farpados ou de torres de observação para manter presas as pessoas acusadas de "deriva direitista": o deserto e o vento gelado se encarregam disso. Em meio à poeira, mal abrigados em trincheiras cavadas na pedra, 1.500 sobreviventes do campo de reeducação de Jiabiangu instalam-se em um campo anexo.
Dispensados depois dos trabalhos forçados por falta de alimentos, foram convocados por seu guardião para que eles mesmos encontrassem comida:
- A construção do Socialismo enfrenta atualmente alguns problemas, justifica o prisioneiro responsável pela guarda do grupo.
Alguns grãos e raízes, um rato para os mais sortudos, e logo os mortos passam a ser cobiçados pelos sobreviventes.
Dos 1.500, apenas 300 sobreviverão: é sua memória que o diretor, que assina seu primeiro filme de ficção após anos de documentários, quis retratar com a maior fidelidade possível.
- Encontrei e entrevistei mais de 100 sobreviventes. Queria compreender a mentalidade da época e restituir a veracidade histórica, explicou nesta segunda-feira em Veneza.
Um dos que sobreviveram, um idoso enrugado que é visto esmagando uma planta seca com suas mãos calejadas, interpreta o seu próprio papel, entre jovens atores que estreiam no cinema (Lu Yé, Xu Cenzi) e figurantes recrutados localmente.
Wang Bing, nascido em 1967, explica o porquê de ter rodado um filme de denúncia:
- Foi um trabalho de memória, insistiu. O importante é falar do passado.
Uma memória difícil de revisitar: o filme foi inteiramente filmado no deserto de Gobi, entre a província de Gansu e a Mongólia, em pleno inverno, com temperaturas de até -20°C e, sobretudo, sem autorização oficial, com o temor constante de uma intervenção para suspender o projeto. Sua exibição na China ainda não foi aprovada.
A vontade de ver o dia nascer é também o argumento do filme de Jerzy Skolimowski, Essential Killing: capturado no Afeganistão pelo Exército americano e deportado para uma das bases secretas da CIA na Europa Central, seu herói (Vincent Gallo) aproveita um acidente na estrada para fugir.
Enfrentando o rigor absoluto da natureza, e florestas cobertas de neve a milhares de léguas de sua terra natal, ele se lança em uma fuga em meio a cães, homens e lobos.
- É um animal em fuga, que mata porque é sua única chance de sobreviver, resume o realizador. Não sabemos nada desse homem, se ele é realmente terrorista ou se estava justamente no local errado na hora errada. Ele poderia ter nascido Joshua, John ou Giorgio.
Em 83 minutos, nenhuma palavra é pronunciada. As únicas manifestações são a respiração do fugitivo e seus gemidos na neve frequentemente suja de sangue. A única pessoa com quem ele cruza que não quer matá-lo é uma camponesa muda (Emmanuelle Seigner).
A Mostra terminará no sábado (11), com o anúncio dos vencedores.
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