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26 de Maio de 2012

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publicado em 09/02/2012 às 18h00:

O Despertar confia na força de clima fantasmagórico

Trama protagonizada por Rebecca Hall estreia nesta sexta-feira (10)

Reuters


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Portas que se fecham sozinhas, objetos que se movem sem pessoas por perto, flashes que disparam sem qualquer motivo.

Esses elementos podem soar como clichês do gênero terror sobrenatural, mas, em O Despertar, o diretor Nick Murphy é capaz de conjugar esses elementos tão surrados para criar um clima genuíno de medo e opressão.

As origens da história - assinada pelo diretor e Stephen Volk (Gothic) - estão no livro A Volta do Parafuso, de Henry James.

Embora O Despertar não seja uma adaptação propriamente dita, trabalha com os mesmos elementos que serviram de base para o assustador Os Inocentes (1961) e Os Outros (2001).

Aqui, a trama se passa na época da 1ª Guerra Mundial, num internato para garotos na Inglaterra. Durante a época de férias, quando a escola está praticamente desabitada, um professor, Robert (Dominic West, de O Retorno de Johnny English), procura a ajuda de Florence (Rebecca Hall, de Vicky Cristina Barcelona). Ela é uma especialista em expor golpes envolvendo médiuns, presença de espíritos e afins.

Crianças da escola dizem ter visto um menino fantasma. A morte de um garoto depois de ver a tal aparição contribui para aumentar o clima fantasmagórico. Mas Florence, que sempre tem uma explicação plausível para tudo, arma suas traquitanas - que incluem fios e máquina fotográfica, entre outras coisas - a fim de provar que fantasmas não existem e mostrar que tudo não passar de uma armação dos garotos, ou mesmo do zelador da escola (Joseph Mawle).

Como em toda boa história de fantasmas, em O Despertar as aparições e seres têm mais um sentido metafórico do que de manifestações sobrenaturais. Repressão sexual, sentimento de culpa e automutilação estão entre as aflições sofridas pelos personagens, que acabam se externando na forma de fantasmas.

Florence se culpa pela perda do namorado na guerra; Robert provoca cortes em si mesmo para punir-se por ter participado do conflito. A única pessoa supostamente normal seria a governanta (Imelda Staunton), fã dos livros de Florence.

Numa época em que o gênero se contenta em dar sustos baratos e provocar gritinhos irritantes, dispensando qualquer sutileza, Murphy acredita na força de criar uma atmosfera verdadeiramente assustadora pelo poder da sugestão.

O Despertar, porém, perde energia na reta final, quando uma grande explicação entra em cena. Uma resolução, aliás, um tanto frustrante para o que foi desenvolvido até então. Não que destrua o filme - longe disso. Mas a sofisticação da narrativa e a atmosfera mereciam uma conclusão à altura.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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