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publicado em 28/10/2010 às 10h59:

"Capitão Nascimento nunca foi herói", diz roteirista

Bráulio Mantovani comenta o sucesso de sua nova parceria com o diretor José Padilha

Ana Elisa Faria, do R7

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Roteirista responsável por obras importantes do cinema nacional, como Cidade de Deus (2002), O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006) e Tropa de Elite (2007), Bráulio Mantovani volta aos holofotes da mídia com o megassucesso do ano Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro.

Em quase três semanas de exibição, o longa-metragem do cineasta José Padilha já soma 6,2 milhões de espectadores, número que elevou Tropa 2 ao status de terceiro filme nacional mais visto da história. Devido ao enorme êxito do título estrelado por Wagner Moura, especulou-se até a possível existência de um Tropa de Elite 3. Durante entrevista por telefone com o R7, Mantovani não negou a possibilidade do terceiro filme; no entanto, adiantou que, no momento, não está pensando em uma nova história para o Capitão Nascimento.

- É muito difícil, para mim, pensar sobre esse assunto com objetividade estando o filme tão recente. O que pode acontecer é um dia eu ter uma ideia para uma história e, de alguma maneira, cruzar o Nascimento no meio dessa ideia e ver que talvez renda uma continuação do Tropa de Elite 2. Isso pode acontecer, mas não estou colocando minha energia nisso.

Abaixo, leia a íntegra do bate-papo com o roteirista, que falou sobre sequências e novos projetos:

R7 - Como a equipe do filme está vendo o sucesso de Tropa de Elite 2 em pouco tempo em cartaz? Era esperado, ou nem tanto?
Bráulio Mantovani - A gente está super feliz, né? Torcíamos para dar certo, mas nenhum de nós podia sonhar que daria tão certo e tão rápido assim. Foi uma avalanche. Estamos ainda em estado de choque. Eu, pelo menos, estou. Quando vi o filme, ainda na montagem, adorei, mas não sabia se iria fazer sucesso, porque ele é muito mais soturno, denso e complexo do que o primeiro. Por isso tomei um susto muito grande quando, em apenas dez dias de exibição, o longa fez 4 milhões de espectadores. O que o público vai achar, realmente, é sempre um mistério.

R7 - Onde você acha que o filme vai chegar com tantos recordes quebrados?
Mantovani - Olha, não sou da área de mercado, não sei fazer projeções matemáticas. Mas esses recordes são bons para todo mundo. E eu espero que no ano que vem saia um outro filme brasileiro que quebre o [recorde] de Tropa de Elite 2. Quanto mais público a gente fizer, melhor para todo mundo. Não estamos em uma corrida de cavalos, mas acho isso bom para o nosso cinema. Acho que todo mundo acha isso. Eu sempre fiquei feliz quando vi os recordes serem quebrados.

R7 - A pressão por um Tropa de Elite 3 é grande?
Mantovani - Eu não fui pressionado ainda.

R7 - Na última quinta-feira (21), foi divulgado que alguns investidores de Tropa de Elite 2 estavam fazendo pressão por uma continuação devido ao sucesso da obra. No entanto, em outras ocasiões, o diretor José Padilha afirmou não querer um Tropa 3. Você acha que, mesmo a contragosto, essa coação pode forçar uma continuação?
Mantovani - Acho que não. Eu não faria uma continuação por pressão. Não tem como ninguém me obrigar a fazer. E os direitos do filme são da Zazen [produtora de José Padilha]. Ninguém pode obrigar uma equipe imensa a fazer um Tropa 3. Isso só vai acontecer se a gente sentir vontade de fazer uma continuação.

R7 - Mas você acha que teria material para o roteiro de um terceiro filme?
Mantovani - Histórias tem, para fazer outros filmes. Sobre o Bope, sobre a polícia... A gente não usou todas e existem muitas. O que eu não sei é se na história do Capitão Nascimento, agora coronel, existe uma continuação. Se alguém tiver uma ideia assim: “e se a gente continuar com uma história com o Nascimento em tais e tais moldes?”. Se me pegar, se for uma coisa bacana e eu estiver disponível para trabalhar no projeto no momento que for necessário, eu faço, sem nenhuma dúvida. Isso pode acontecer, mas não estou colocando minha energia nisso. Eu sempre prefiro partir para personagens novos, histórias novas. Teria que surgir um desejo muito forte para justificar um Tropa 3.

R7 - As discussões (e as críticas) a respeito do filme são melhores ou piores em relação ao antecessor? Ainda existe a questão de enxergarem “fascismo” no filme, ou defesa de uma ideologia direitista ou qualquer coisa assim?
Mantovani - Parece que está sendo mais elogiado do que o primeiro. No primeiro Tropa, o que mais me surpreendeu nisso foi que uma parcela tão grande da população tenha visto o Nascimento como um herói. Para mim, nunca foi. Ele é um anti-herói, um personagem interessantíssimo. Me interessa porque é muito diferente de mim. Ele não pensa como eu, por isso ele me interessa. Fiquei um pouco assustado com isso, de um lado.

Do outro lado, no caso dos intelectuais, jornalistas e críticos que chamaram o filme de fascista, eu fiquei mais assustado ainda porque essas pessoas, teoricamente, deveriam saber diferenciar o que é um autor de um narrador. Esse foi um negócio que aprendi na escola pública do Estado na 6ª série. Eu tinha 12 anos, li Memórias Póstumas de Brás Cubas e aprendi a diferença entre autor e narrador. O Nascimento é o narrador do longa-metragem e precisa dizer as coisas que ele pensa. Ele não diz necessariamente o que os autores do filme pensam.

Na verdade, a gente faz o que todo artista deveria fazer: retratar sem medo. Se quiser contar uma história do ponto de vista de um policial, você tem de expor esse ponto de vista sem limitações. Foi isso que fizemos no primeiro filme e fomos muito mal-compreendidos por pessoas que supostamente deveriam entender essas coisas do universo da ficção. Me dá a sensação de que agora, nesse segundo, não está acontecendo isso.

Tropa de Elite 2
Capitão Nascimento, vivido por Wagner Moura, em cena do filme (Foto por: Divulgação)

R7 - Muitos críticos têm afirmado que o Tropa 2 é muito superior ao Tropa de Elite, de 2007. O que você acha disso?
Mantovani - Eu concordo. Não porque no segundo filme o Nascimento muda. O Tropa de Elite 2 é melhor por uma série de razões. Eu prefiro o Tropa 2 ao Tropa 1 com uma diferença de um abismo. O Tropa 2 é incomparavelmente melhor. O primeiro serviu de ensaio para o segundo. O Tropa de 2007 foi o primeiro filme de ficção dirigido pelo José Padilha. E é impressionante a qualidade da direção dele numa estreia. Ele aprendeu muito fazendo o primeiro. Então, o segundo ele fez muito melhor. O elenco todo já estava aquecido com os personagens do primeiro.

Na minha opinião, na obra de 2007, o Wagner Moura destoava do resto do elenco. Ele estava muito bom. Nesse filme, apesar de o Wagner ter melhorado, todos os outros melhoraram tanto que eu acho as interpretações mais equilibradas. Acho que o filme como um todo é muito superior ao Tropa 1. Do ponto de vista da história também. É uma história mais complexa. 

R7 - Saindo um pouco do assunto Tropa de Elite, quais são seus próximos projetos?
Mantovani - Agora eu estou muito concentrado no meu romance, Perácio - Relato Psicótico, que será publicado em novembro pela editora LeYa. Estou em função do meu livro e posterguei projetos cinematográficos para o ano que vem. Acho que no começo de 2011 deve sair uma peça minha dirigida pela Laís Bodanzki. Outra coisa que deve acontecer é um novo trabalho com o Fernando Meirelles. A gente está com saudade de trabalhar juntos [o roteirista e o cineasta foram os responsáveis pelo sucesso Cidade de Deus, de 2002]  e fizemos uma promessa de que o ano que vem faremos algo. Talvez seja a adaptação do livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Também existe outra possibilidade que ainda é muito cedo para dizer qual é. Ficamos de falar sobre isso no ano que vem.


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