No Rio desde 1972, o ator paulista Otávio Augusto é conhecido por seu bom humor. Atualmente com a peça Rock’n’Roll, no teatro Paulo Autran, em São Paulo, ele está escalado para a próxima novela das sete da Globo, Bom Dia Frankenstein.
- Vou fazer o Fausto, que será do núcleo dos mafiosos que vão querer comprar a galeria que fica no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Eu procuro levar meus personagens sempre para o humor, porque na malandragem você chega mais no público. Essa é uma caraterística minha.
Na peça, ele vive o sisudo professor comunista Max, que não aceita que suas ideias estão desmoronando com o fim do socialismo. Ele faz par com a atriz Gisele Fróes, sendo ambos os destaques da montagem que tem também Thiago Fragoso.
O personagem na peça faz Augusto se lembrar os tempos em que fez teatro contra a ditadura militar, na São Paulo dos anos 60.
- Naquela época, a gente era engajado, o teatro era de esquerda. Em São Paulo, tinha o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, do qual eu fazia parte. No Rio, tinha o Teatro Opinião.
O ator acha que tais tempos já se foram e disse que hoje acha que “existe na juventude uma realização individualista” e que “muitas vezes tudo é nivelado por baixo”.
Mesmo assim, diz gostar de contracenar com o elenco jovem. E explica o porquê.
- Não quero criticar essa nova geração sem tê-la antes conhecido.
O último papel de destaque de Augusto na TV foi Antonio, em
Duas Caras, novela da Globo em que fez par romântico com a atriz Juliana Knust, bem mais jovem do que ele.
- Naquela novela, fiz a catarse de muitos coroas. Os caras me paravam na rua e falavam que estavam morrendo de inveja. Foi uma experiência ótima.
A peça
Rock’n’Roll, dirigida por Felipe Vidal e Tato Consorti, fica em cartaz em São Paulo até 18 de outubro, no teatro Paulo Autran (sex. e sáb., às 21h; dom. às 18h; r. Paes Leme, 195, Pinheiros, tel. 0/xx/11 3095-9400; R$ 20).