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publicado em 25/12/2012 às 19h50:

Arte para se acomodar

The New York Times News Service / SindicatoThe New York Times News Service / Sindicato

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Miami Beach, Flórida – Diga as palavras "design artístico" para Didier Krzentowski, e ele fará um barulho esquisito com a garganta, como se tivesse um pigarro. Você não precisa falar francês para entender que Krzentowski, um dos fundadores da Galerie Kreo em Paris, está expressando desdém.

Estávamos no Design Miami, a exibição anual de design artístico, ou de móveis e acessórios de edição limitada, que acabou em 9 de dezembro. O evento começou em 2005 como um satélite da Art Basel em Miami Beach, a fim de atrair colecionadores de elite que quisessem um sofá exclusivo para combinar com seus murais de Gerhard Richter.

Este ano, a Galerie Kreo estava apresentando uma estante de François Bauchet. A peça, chamada Cellar 9, tinha a aparência de mármore cinza finamente fatiado, mas era feita de tecido banhado com resina. Foram fabricadas apenas oito, além de duas para demonstração do artista. O preço era por volta de 29 mil dólares. (Assim como muitos dos valores citados nesse artigo, ele pode aumentar conforme o número de peças disponíveis diminuir.)

Krzentowski, que, com a esposa Clemence, fundou a Kreo em 1999, trabalhou por muito tempo com designers para projetar objetos que tivessem uma profundidade conceitual e a raridade da arte mais fina. Mas ele não gosta da ideia de agregar arte e design em uma única categoria. As peças que ele vende são experimentais, mas não podem ser trocadas como muitas obras de arte; elas têm uma função, ou ao menos dão ideia de uma. "Design significa restrições", disse ele com aprovação.

O barulho engraçado com a garganta pode também ter vindo do fato que, para muitos, o termo "design artístico" significa pretensioso e oportunista.

Culpe a expansão da arte. Quando o design de edição limitada foi canonizado como um item de coleção sério há alguns anos (por volta da época em que a chaise longue de alumínio de Marc Newson arrecadou quase 1 milhão de dólares em um leilão), as galerias começaram a prestar atenção. As peças de designers emergentes eram apontadas como investimentos de alto lucro. "Edições de 10 peças" apareciam em 10 cores diferentes, diminuindo a raridade em todos os tons.

Assim como o resto do mercado de artes, o design artístico bateu de frente com a economia, e para a maioria, continuou desconhecido. Uma versão de uma cadeira de balanço Ron Arad chamada Loop Loom, que em 2006 foi vendida em um leilão em Paris por 160 mil dólares, saiu por 75 mil na Phillips de Pury em Nova York recentemente, 5 mil abaixo do menor valor estimado.

Esse é o cenário econômico. O cenário criativo é outra coisa.

A Design Miami mostrou que o design artístico (ou seja lá como você prefira chamá-lo) está prosperando. Os 36 exibidores incluíram não apenas veteranos do design contemporâneo como Kreo, R 20th Century de Nova York e Nilufar de Milão, mas também várias novas galerias recém-inauguradas.

Negociantes de arte relataram vendas satisfatórias, especialmente agora que a feira acontece do outro lado do estacionamento do Miami Beach Convention Center, onde fica a Art Basel. Até três anos atrás, o evento acontecia a oito quilômetros dali, em um setor de varejo que se tornou o bairro conhecido como Miami Design District – uma caminhada não muito fácil para o proprietário de um Richter que pretendesse comprar um sofá. Este ano, os organizadores da feira relataram que mais de 30 mil pessoas a visitaram ao longo de cinco dias.

O mais impressionante é que a Design Miami tinha um vigor que faltava na Art Basel, que era sete vezes maior.

"Por ser menor, eu tenho mais espaço para brincar e mais espaço para dizer alguma coisa", disse Sebastian Errazuriz, cujo trabalho foi exibido pela negociante de design contemporâneo Cristina Grajales, de Nova York, e também foi parte de uma exibição de bancos de jardim que Grajales organizou no Fairchild Tropical Botanic Garden, em Coral Gables, Flórida. Errazuriz criou um banco com um lustre de cristal (24 mil dólares) e outro com um par de bustos de Júlio César (20 mil dólares).

"O design artístico tem tanto potencial para crescer que eu sou grato por ser um impulsionador desse movimento", disse Errazuriz. "Enquanto isso, nas artes, é muito difícil encontrar algo que se destaque e proponha coisas novas."

O evento ofereceu uma combinação estimulante de lendas vivas do design como Wendell Castle e Gaetano Pesce, mestres vintage como os Eames e Jean Prouve, e jovens talentos (como Errazuriz, de 35 anos, nascido no Chile), cujos galeristas dizem ter estabelecido suas intenções sinceras apesar das coleções ou monografias do museu.

Gabrielle Ammann, de Colônia, Alemanha, por exemplo, exibiu uma cadeira e um divã de mármore de Satyendra Pakhale, de 45 anos, designer em Amsterdã, juntamente com produtos dos mais conhecidos Rolf Sachs e Ron Arad. O trabalho de Pakhale foi adquirido pelo Victoria and Albert Museum, pontuou ela.

Maria Wettergren, de Paris, especialista em design escandinavo contemporâneo, ofereceu uma cadeira de Mathias Bengtsson, de 41 anos, um londrino nascido dinamarquês. A peça, que foi impressa em 3-D em resina para lembrar uma estrutura celular de ossos, banhada em prata, foi avaliada em 65.200 dólares. Bengtsson não é um nome familiar, mas tem sido publicado em larga escala na imprensa especializada em design.

Ainda assim, havia um ceticismo na Design Miami quanto à capacidade de os designers sem experiência manterem seu valor. Previsivelmente, essa atitude veio de negociantes de artigos vintage, como Mark McDonald de Hudson, Nova York, respeitado e veterano colecionador de mobílias modernas do meio do século, que estava exibindo peças de Eames do início dos anos 50.

"Minha carreira toda tem sido construída a partir de registros e do que vende no mercado aberto, não o que um galerista promove como a coisa mais badalada", disse ele.

De modo geral, os preços não eram de cair os cabelos. Um achado como a mesa America de Gaetano Pesce, de 73 anos, um mapa dos Estados Unidos com 3,4 metros de largura, em resina epóxi apoiada em pés que soletravam a palavra "independência", saiu por 155 mil. (A mesa, peça exclusiva, foi exibida pela Erastudio Apartment-Gallery de Milão.)

Lá perto, um par surrealista de emaranhados de luminárias de rua com bolhas de vidro iluminado, de Pieke Bergmans, de 34 anos, designer holandês que trabalha no Venice Projects da Itália, estava por 130 mil dólares em uma edição de três.

Isso pode parecer um monte de dinheiro, mas não quando você pensa nos vários meses levados para construir um molde para o trio de luminárias, fundir o metal e esfriar o vidro, descartando todas as tentativas fracassadas de cada estágio. Ou quando você atravessa o estacionamento que separa a Design Miami da Art Basel e encontra no estande da negociante de arte Andrea Rosen, de Chelsea, uma sequência com pequenas lâmpadas brancas acesas em um fio. Essa obra de 1993 do artista Felix Gonzalez-Torres, chamada "'Untitled' (Last Light)", foi avaliada em 550 mil dólares.

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