ReproduçãoDourado provocou a discussão sobre homofobia no BBB10
11 de Fevereiro de 2012
Todos acusam Dourado de não gostar de gays, mas será que é isso mesmo?
Na décima edição do BBB, entretanto, as pessoas tiveram que se encaixar (às vezes de forma um tanto forçada) em Coloridos, Sarados, Belos, Ligados e Cabeças.
Foi o que bastou para a confusão se instaurar. Os participantes do programa se viram colocados em rótulos forçados e desafiados a defender seus companheiros de "identidade" - mesmo que não se sentissem à vontade com isso. Angélica, a lésbica do BBB, algumas vezes chegou a afirmar que não tinha gostado nadinha dessa história de separação. "Eu sou muito mais que isso", disse ela a Dicesar certa feita. Dicesar, porém, aproveitou a denominação para abraçar calorosamente a causa - e lutar ferrenhamente contra qualquer ameaça a ela. Serginho foi o único dos três a quem o rótulo não pareceu significar nada mais do que isso: um rótulo.
Dicesar encontrou em Dourado tudo aquilo que ele considera não-colorido: machista, resistente ao diferente, lutador de vale-tudo. E começou a ver, em cada ação dele (como um arroto, por exemplo), um gesto de homofobia. Quando Dourado disse, na piscina, que um médico lhe havia dito que "homem hétero não pega Aids", bastou para que Dicesar contasse a Michel, por exemplo, que o lutador disse que "todo gay tem Aids". E de um grão de areia tudo virou uma imensa montanha de palavras soltas ao vento, respeito à opinião x politicamente correto, agressividade passiva x transparência agressiva.
E esse diz-que-me-diz (expressão muito usada nesta edição do BBB) se transformou, aqui fora, em uma grande histeria. Quem torce para o Dourado, por exemplo, é instantaneamente tachado de "homofóbico" pela internet, recebe mensagens agressivas e até ameaças. "Tomara que sua filha tenha seus dedos quebrados por um Dourado da vida" é uma delas, que fazia referência à ocasião em que o lutador, em confronto com Angélica, disse que, se ela fosse homem, ele quebraria seus dedos por ela ter apontado para ele e falado coisas que lhe desagradaram.Este comportamento do público aqui fora é um reflexo da separação inicial que a Globo fez no programa? Sim e não. Sim, porque é normal que as pessoas se identifiquem com suas "tribos". Mas não, não é saudável que isso se transforme em algo antagônico ao reality show, que deveria apenas... entreter. As mesmas pessoas que atacam Dourado por ser "homofóbico" e "machista" são aquelas que, aqui fora, não titubeiam ao ameaçar uma pessoa de outra "tribo", ao julgá-la, ao atormentá-la por sua escolha. É essa a tolerância pregada?
E que se fechem os olhos ao fato de Angélica dizer que só usaria camisinha "se fosse uma p... ordinária". Que se tapem os ouvidos quando Serginho disse que já bateu em uma menina "em uma balada", e Michel concordou: "Fez certo". E Dicesar dizendo: "Tenho nojo de filme hétero"? Melhor fingir que não vimos.
Falar em heterofobia seria burrice, isso não existe: sim, os homossexuais são o lado mais fraco dessa história, anos de agressão física e moral por sua sexualidade, isso é claro. Mas achar que todo o programa BBB10 se centra no embate homossexuais x homofóbicos é de uma pobreza de pensamento que assusta. Ninguém é só isso, como disse Angélica. Nem ela, nem Dicesar, nem Serginho, nem Dourado (se é que ele é mesmo homofóbico, não vou entrar nessa questão). Nem o programa.
Enquanto isso, Serginho, o Colorido-desencanado, corre por fora, alheio a todo o violento embate, clamando sua preferência a Dourado, livre de rótulos limitadores, livre de qualquer pressão psicológica do jogo, livre das ameaças de seus companheiros de "tribo". Enfim, livre.
ReproduçãoDourado provocou a discussão sobre homofobia no BBB10
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7


Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A