No livro
Honra ou Vendetta, de Silvio Lancellotti, no qual se baseou Lauro César Muniz para escrever a novela
Poder Paralelo, só dois personagens terminam a obra vivos: Khalid e Bruno. Intérprete do paquistanês Khalid, o ator paulista Fernando Pavão, de 38 anos, torce para que o novelista siga à risca o livro e ele chegue ao fim da trama vivinho da silva. Ele fez o pedido à reportagem do
R7, que o encontrou no estúdio D do complexo
RecNov, em Vargem Grande, zona oeste do Rio.
- Ficaria muito feliz se fosse um dos sobreviventes. Adoraria terminar a novela vivo. Está acontecendo uma guerra entre os dois grupos da máfia na trama. Estou lendo o livro na mesma sequência das gravações. Não cheguei ao final ainda. Mas o Lauro César pediu para que a gente não ficasse preso ao livro.
O paquistanês é um dos personagens de destaque da novela da
Record. Pavão contou que por pouco não pôde fazê-lo.
- Estava no ar em
Mutantes – Caminhos do Coração quando fui chamado para o personagem. E queria muito fazer. Sorte que ele só entrou no ar com um mês de novela. Aí deu tempo. Estou muito feliz.
E olha que o personagem exige muito do ator. Ele grava em sua maioria cenas de ação e violência, em externa, e até dispensa dublês!
- Prefiro sempre fazer eu mesmo. Acho que passa mais veracidade ao personagem. Os dublês são acionados apenas para a gravação de pequenos movimentos. Mas cansa. Não é fácil fazer, não.
Aliado a isso, Pavão é obrigado a gravar com lentes pretas, já que árabes não têm olhos claros como o castanho quase verde do ator.
- No começo, as lentes me incomodaram muito. Mas agora já estou habituado.
Nos próximos capítulos, Khalid continua como comparsa de Tony (Gabriel Braga Nunes), com quem acaba de se aliar em troca de US$ 3 milhões em dinheiro vivo e US$ 80 milhões em negócios futuros com a guerrilha colombiana.
- Esse é o universo do Khalid. Ele usou a tortura do Tony para se valorizar, para ele pagar mais. Todos os movimentos do Khalid são calculados. Não dá ponto sem nó. Com a dúvida, ele joga com o adversário.
Apesar das atrocidades que comete, o personagem não se desgruda da religião muçulmana. Ele aparece em algumas cenas rezando para Meca e utiliza sempre elementos da cultura árabe. O ator contou ao
R7 que sente nas ruas o retorno da comunidade muçulmana.
- Outro dia, um rapaz me parou na rua e disse que gostou de ver no ar um símbolo da cultura árabe. Apesar de ser um matador, Khalid é ético. Ele traz sempre os dois lados.