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publicado em 02/10/2009 às 16h12:

Glória Maria fala sobre adoção de duas meninas na Bahia

Em entrevista exclusiva ao R7, jornalista fala da adoção de duas meninas na Bahia

Miguel Arcanjo Prado, do R7

A jornalista Glória Maria lutou para chegar onde está. Filha do alfaiate Cosme da Silva e da dona de casa Edna Matta, entrou na Globo como estagiária, no começo dos anos 70. Para pagar a faculdade de jornalismo na PUC-Rio, trabalhou como telefonista da Embratel. 

Ela contou que só pretende voltar a seu apartamento no Leblon, no Rio, atualmente em reforma, em novembro. Mas não volta sozinha e, sim, acompanhada por suas duas filhas, Maria, de um ano e nove meses, e Laura, de nove meses, ambas adotadas na Bahia em julho deste ano. A jornalista conversou com exclusividade com o R7, por telefone, do apartamento que alugou na Barra, bairro nobre soteropolitano. Sua fala foi entremeada por declarações de amor da nova mãe. 

Além de falar da maternidade, Glória também fala sobre a situação do negro no Brasil e elogiou o fato de Taís Araújo protagonizar a novela das oito da Globo. Quando questionada se suas filhas são negras, ela respondeu, bem-humorada: "É lógico. Você acha que eu adotaria duas branquinhas?". Confira.

R7 - Você, morando em Salvador, está mais baiana do que carioca?
Glória Maria -
Olha, eu me aproximei da Bahia quando fiz um Globo Repórter em 1988 sobre os cem anos da abolição da escravatura, no qual eu mostrei a situação do negro no Brasil. Acabei descobrindo por linhas tortas que tenho origem baiana. Meus tataravós vieram da Bahia. Então, tenho uma ligação de alma, de ancestralidade.

R7 - Qual a sua religião?
Glória -
Sou católica apostólica romana. Fiz comunhão e sou batizada. Mas também tenho uma ligação com o candomblé. Tenho a mãe Stella [de Oxóssi, ialorixá do terreiro Axé Opô Afonjá, em Salvador] como minha mentora espiritual. Então minha ligação com a Bahia é muito profunda.

R7 - O que você acha de termos uma atriz negra, Taís Araújo, como protagonista da novela das oito da Globo?
Glória -
Acho a Taís o máximo. Somos amigas e a considero muito talentosa. Está onde merece. Acho que o que ela está fazendo agora na dramaturgia o que eu fiz no jornalismo. Claro que cada uma do seu jeito. Ela está abrindo caminhos como eu abri.

R7 - Você acha que a situação do negro melhorou?
Glória -
Melhorou, mas ainda tem muita coisa a ser feito. A gente sofreu tanto esses anos todos até chegar esse momento, com Barack Obama [presidente dos EUA], em que podemos respirar, né?

R7 - Suas filhas são negras?
Glória -
É lógico! Você acha que adotaria duas branquinhas [risos]?

R7 - Você tem medo de que suas filhas sofram preconceito?
Glória -
Elas vão ter uma vantagem que eu não tive. Vão crescer esclarecidas, com consciência e com orgulho da mãe que elas têm. Vão ter um exemplo de uma mulher batalhadora e vencedora dentro de casa. Elas partem com uma certa vantagem em relação à minha história. 

R7 - Como está sendo viver em Salvador da Bahia?
Glória Maria -
Estou aqui desde janeiro. Vim para trabalhar voluntariamente com crianças pobres e abandonadas em abrigos e instituições. Dei banho, troquei fralda, limpei cocô de bebê. Fiz palestras com adolescentes, levei minhas matérias para eles. Me senti fazendo o que estava a meu alcance. Fiquei fazendo isso até julho, quando adotei minhas filhas. Desde então, meu tempo está todo voltado para elas.

R7 - Você é conhecida por sempre ter sido uma mulher independente. As meninas mudaram isso?
Glória -
Sempre fui e sempre vou ser independente. Sempre tive criança da minha vida, só que dos outros. Agora, essas duas são minhas. Antes, eu dedicava 90% do meu tempo ao meu trabalho. Agora, esse período sabático me possibilitou que eu me dedicasse 100% a elas. Atualmente, não tenho vida exterior [risos]. Estou voltada para o mundo interior. Está tudo tão maravilhoso, estão tão feliz. Minha vida está tão plena e iluminada, sabe?

R7 - O que levou você a escolher essas duas meninas?
Glória -
Eu não escolhi. Aí é que está. Eu não tinha a menor intenção de adotar. Foram elas quem me escolheram. Quando as conheci, uma tinha um mês e a outra tinha nove meses. Elas me elegeram no meio de um monte de crianças do abrigo, todas carentes e querendo atenção. Elas me fisgaram e me pegaram para elas. Eu sou muito religiosa e tenho uma fé enorme. Então eu digo: foi coisa de Deus.

R7 - Quais valores você pretende passar para suas filhas?
Glória -
Eu quero criá-las dentro dos valores da união, da generosidade e da harmonia. Elas são duas irmãzinhas lindas. Quero dar a elas valores de verdade. Não quero dar valores materiais. Quero passar um sentimento de amor.

R7 - Você conta com algum tipo de ajuda?
Glória -
Sim, porque é a mesma coisa de ter filhos gêmeos. A Laura já está começando a engatinhar e a Maria já anda e fala "mamãe". Elas são tão pequenininhas! Tenho duas babás e uma senhora que me ajuda no apartamento. Também tenho uma vizinha, a Luiza, que tem uma filha de três anos. Ela me passa a experiência de mãe, coisa que nunca tive. Quando uma delas tem febre, eu interfono correndo para a Luiza.

R7 - Você acha que esssas crianças vieram na hora certa na sua vida?
Gloria -
Eu tenho certeza disso. Elas vieram na hora em que eu estava inteira para recebê-las. Tudo que eu tinha de fazer na vida eu fiz. Dentro do jornalismo, fiz todas as reportagens que um repórter sonha em fazer. Sou reconhecida profissionalmente, tenho credibilidade. No plano profissional, sou inteira. Como ser humano, acho que sou uma pessoa cada vez menor. Ano passado eu fui para a África, depois fui para a Índia, sempre fazendo trabalhos voluntários, com monges, mendigos, crianças. Isso me fez crescer e chegar nesse momento de plenitude em que estou me sentindo cada vez melhor.

R7 - Você chegou a dizer, quando tirou o período sabático, que pretendia gravar um disco e escrever um livro. Como estão esses projetos?
Glória -
O disco está adiado, porque nao deu tempo para fazer aula de música. Eu viajei direto. Mas o livro eu estou escrevendo. Tenho contrato já assinado com a editora Nova Fronteira. Não sei se vou conseguir terminar até o fim do ano. Meu prazo era o fim deste mês, mas vou ter que adiar mais um pouco, talvez mais uns dois meses. Quando assinei não imaginava que teria duas crianças.

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