O escritor Paulo Coelho apresentou hoje no Festival Internacional de Cinema de Roma o filme que batizou de
A Bruxa Experimental, feito a partir de vídeos em que os próprios leitores recontavam a história do livro
A Bruxa de Portobello (2006).
O filme foi apresentado hoje pelo escritor em coletiva de imprensa no
Auditorium Parco della Musica da capital italiana, onde o festival acontece até a próxima sexta-feira.
A produção surgiu como uma proposta que Paulo Coelho fez aos leitores através de seu site, onde lançava o desafio para que mostrassem, em vídeo, suas diferentes concepções da obra.
O resultado foram seis mil diferentes interpretações das histórias dos personagens do livro. Deles, a italiana Elisabetta Sgarbi, encarregada da edição e produção, teve que selecionar 14, apenas um brasileiro.
A ideia do longa está no fato de Paulo Coelho acreditar "que o leitor forma um filme dentro de sua cabeça a partir dos livros" e de nunca ter vendido os direitos de seus romances para levá-los ao cinema.
- Sempre pensei que meus leitores têm o privilégio de ter este filme dentro de sua cabeça. Além disso, quando sai um filme tirado de um livro, sempre se tende a pensar que o livro é melhor que o filme", explicou o escritor.
O autor de
O Alquimista (1988) e
Onze minutos (2003) confessou que foi incapaz de fazer a seleção e a edição das propostas para a versão final, ao alegar que também não gostaria que cortassem partes de seus livros.
E explicou que na seleção de todos os 14 vídeos, mais do que na unidade de estilos para a formação de um longa, se apostou nas particularidades mostradas por gente de todas as partes do planeta, como África do Sul, Estados Unidos, Austrália e Hong Kong.
- Nesse caso, escolhemos a pluralidade estilística e isso era o interessante do filme. Se quisesse fazer um filme do livro como tal, teria vendido os direitos. Mas queria ver como era interpretado por várias pessoas, com pontos de vista diferentes.
O escritor disse que foi ao Festival de Roma em representação a todos aqueles que participaram de
A Bruxa Experimental, filme que, segundo ele, nasceu de uma ideia singela, mas complicada de ser realizada.
O filme, projetado em estreia mundial em Roma dentro da seção
L'altro cinema - Extra (O outro cinema - Extra), oferece uma interpretação popular de um livro que narra a história de uma menina do Líbano que se muda em 1982 para Londres fugindo da guerra em seu país.
O projeto alternativo pareceu deixar Paulo Coelho se seduzir um pouco mais pelas propostas da indústria cinematográfica para adaptação de seus romances.
- Mudei de ideia porque no fundo não havia nada de mau nisso. Mudei de ideia porque mudo sempre de ideia. Acho que a vida está sempre em evolução. Quando vi o projeto de
A Bruxa de Portobello me entusiasmei e me deixei levar pela emoção. Por isso permiti a adaptação em outros filmes.
Nesse sentido, Paulo Coelho mostrou certa inquietação perante o resultado que possa sair de algumas versões de obras como
Onze Minutos.
O escritor diz que, até agora, só gostou de duas adaptações:
O Poderoso Chefão (1972) e
A Amante do Tenente Francês (1981).
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