De acordo com o diretor, um dos grandes desafios da minissérie foi respeitar o texto bíblico (Foto: Michel Angelo/Rede Record)

Alexandre Avancini é um diretor experiente e, acima de tudo, talentoso. Após grandes sucessos como a novela Vidas em Jogo, a Rede Record confiou a Avancini um de seus projetos mais ambiciosos: José do Egito. A  minissérie conta a história de um dos personagens bíblicos mais importantes: José, filho de Jacó.

A responsabilidade, portanto, era grande. Contudo, não assustou Avancini. Muito pelo contrário: o diretor agradece a oportunidade e se diz bastante feliz com o aprendizado obtido durante as gravações.

José do Egito: Quais as maiores dificuldades em dirigir uma minissérie bíblica com ares tão grandiosos?

Alexandre Avancini: As maiores dificuldades giram em torno de respeitar a história de José e seguir a risca o que diz a Bíblia. O resultado do grande sucesso da minissérie é de grande mérito dos atores e, principalmente, do trabalho de pré e pós-produção, já que precisamos gravar no deserto, montar os cenários etc.

José do Egito: Quais foram às sequências mais difíceis de gravar?

Alexandre Avancini: Nós tivemos algumas dificuldades nas gravações no meio do deserto porque existia uma preocupação com o estado físico dos atores e das pessoas envolvidas na produção. No entanto, saiu tudo bem, graças a Deus, e o resultado foi maravilhoso.

José do Egito: Gostaria que você falasse um pouco sobre três cenas específicas: o incêndio em Siquém, o tapa de Er em Elisa e a punição de Sati, que perderá o nariz futuramente na trama.

Alexandre Avancini: Para gravar o incêndio, nós montamos um cenário com um produto químico que nos possibilitava tocar fogo na cidade quantas vezes quiséssemos, e ela não seria destruída. E tudo saiu perfeitamente, graças ao trabalho da equipe muito bem preparada de bombeiros que estava acompanhando as gravações.

A cena da tapa foi muito ensaiada pelos atores, porque eles queriam passar o máximo de realidade possível. Então, gravamos algumas cenas em que eles fizeram uma simulação e depois gravamos mais outras, em que o Er dava um tapa de verdade no rosto da Elisa. A cena ficou bem real e impressionante.

A minissérie respeita muito o seu público e procura ao máximo não mostrar cenas de cunho forte ou de sangue. Quando a Sati tem o seu nariz cortado, nós não deixamos mostrar o sangue jorrando e montamos uma cena de uma forma mais elegante, para respeitar a nossa audiência, principalmente, as famílias que estão nos assistindo.

José do Egito: A minissérie contou com vários efeitos especiais de altíssima qualidade. Os efeitos só são colocados na pós-produção. Isso te atrapalha muito na hora de gravar a cena?

Alexandre Avancini: Não chegamos a ter dificuldades com as cenas de efeitos especiais, já que preparávamos todo o cenário para depois fazer o encaixe pelo computador. Nós procuramos gravar sem muita movimentação intensa.

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José do Egito: A gravação de José precisou de longas viagens. Isso atrapalha sua vida pessoal?

Alexandre Avancini: Sim, mas eu só tenho a agradecer a Rede Record pela oportunidade de vivenciar todos os lugares em que gravamos. Como a minha esposa era uma das atrizes da minissérie, eu não tive nenhum problema com a distância. Foi praticamente um trabalho em família.

José do Egito: Que referências você usou para dirigir a minissérie? Você se inspirou em outro trabalho seu ou de outro diretor?

Alexandre Avancini: Eu procurei entender ao máximo a história de José para não desrespeitar os seus admiradores e segui a risca o que o povo egípcio me contava sobre a adoração deles para com José e Jacó. Aliás, eles nos mostraram muito sobre a importância de José e isso nos ajudou a montar o personagem mais próximo do real.

José do Egito: Em relação à tecnologia, à minissérie traz alguma novidade, como câmeras de última geração ou algo do tipo?

Alexandre Avancini: Foi utilizada câmera de cinema para mostrar o máximo de realidade possível aos telespectadores.

José do Egito: Como foi gravar os sonhos de José? São cenas belíssimas!

Alexandre Avancini: Foi um dos momentos mágicos da gravação, porque nós tínhamos uma base e os nossos amigos egípcios trouxeram muitas outras novidades que possibilitaram o resultado maravilhoso que foi ao ar!

José do Egito: Como atrair o público para assistir a uma minissérie bíblica?

Alexandre Avancini: Para chamar o público, nós procuramos mostrar a importância do personagem para aquela época e montamos a minissérie para os amantes de uma boa história, com grandes acontecimentos a todo instante.

José do Egito: Você tem alguma curiosidade ou história engraçada sobre as gravações para compartilhar?

Alexandre Avancini: Quando nós estávamos gravando no Atacama, no Chile, a equipe de produção montou o cenário e, quando chegamos para gravar, não encontramos mais nada. Fora que enfrentamos todo tipo de temperatura do ar, altitude e até mesmo as tempestades de areia.

José do Egito: O que mais te admira na história de José?

Alexandre Avancini: Eu fiquei admirado pela bondade de José. Ele é uma pessoa boa, justa e honesta. Tem uma cena em que ele ajuda o pessoal a sair da cadeia, mas ele não vai fugir, mesmo tendo sido condenado injustamente. Esse amor e crença em Deus mostra que ele acredita que tudo no final será ajustado e os inocentes serão inocentados.

José do Egito: A minissérie mudou de alguma maneira a sua relação com Deus?

Alexandre Avancini: Essa minissérie foi maravilhosa porque mostrou lindas histórias que não conhecíamos de José e serviu para aproximar a minha família e eu ainda mais de Deus.

José do Egito: A minissérie contou com vários novos talentos. O que você tem a dizer sobre eles? Algum ator te chamou a atenção?

Alexandre Avancini: Seria injusto da minha parte ficar citando um nome ou outro. Nós tivemos todo um trabalho de montagem de casting que resultou nesse trabalho sensacional. Todos os atores e atrizes que participaram da minissérie se dedicaram ao máximo e fizeram um trabalho espetacular. Parabéns a todos!

José do Egito: Você costuma assistir à minissérie ou não gosta muito de ver o seu trabalho na TV?

Alexandre Avancini: Olha, tudo que vai ao ar, eu preciso assistir bem antes para aprovar ou indicar alguns ajustes a serem feitos. No entanto, quando eu posso, é claro que eu assisto!

José do Egito: Para terminar, mande um recado aos telespectadores da minissérie.

Alexandre Avancini: Eu gostaria de agradecer a audiência de todos vocês e gostaria de convidá-los para acompanhar a minissérie, que terá momentos de fortes emoções.