O jornal norte-americano
New York Times publicou na segunda-feira (7) uma reportagem sobre o trabalho dos olheiros em busca da modelo que possa ocupar o lugar de Gisele Bündchen no topo do ranking das modelos que mais faturam.
A matéria acompanha o trabalho do olheiro Alisson Chomak em pequenas cidades do Rio Grande do Sul. De acordo com o jornal, Chomak estuda livros, mapas e sites para entender como cada uma das cidades foi colonizada antes de sair “à caça” das jovens modelos.
O objetivo, segundo ele, é encontrar a mistura perfeita de genes alemães e italianos, ou quem sabe misturados ainda a traços russos e eslavos. O resultado dessa combinação genética ajuda a dar origem às meninas altas, magras, com cabelo liso, pele e olhos claros que o Brasil exporta para as passarelas de Nova York, Milão e Paris.

Profissionais percorrem cidadezinhas do Rio Grande do Sul em busca da sucessora de Gisele Bündchen
A rotina do olheiro inclui visitar escolas – onde os próprios diretores têm álbuns com fotos das meninas mais bonitas – e abordar meninas na rua, perguntando se alguma vez elas já pensaram em trabalhar como modelo.
Em uma das escolas, Chomak encontrou cinco meninas que acabaram viajando para São Paulo para começar a carreira.
Apesar de várias meninas sonharem com uma vida de modelo, nem todas encaram com facilidade a separação da família. A reportagem conta a história de Michele Meurer, de 16 anos, que foi descoberta enquanto andava de bicicleta.
Ela veio para São Paulo morar com outras modelos, mas, poucos dias antes do início do São Paulo Fashion Week, empacotou suas coisas e voltou para a cidade natal. Para o olheiro, a atitude da menina foi inesperada.
- Estou bastante decepcionado por ela ter desistido. Eu investi muito nela.
Brancas e Negras
A reportagem do
New York Times também fala sobre a falta de modelos negras nas passarelas. Apesar do sucesso que mulheres morenas, como Juliana Paes, ou negras, como Taís Araújo, fazem no Brasil, ainda é uma maioria branca que faz sucesso como modelo.
Entrevistada pela reportagem, a consultora de moda Erika Palomino comentou a padronização do mercado.
- Sempre me chamou a atenção que o Brasil nunca conseguiu exportar uma Naomi Campbell e, definitivamente, isso não é por falta de mulheres bonitas. É constrangedor.
O texto cita também o desfile de Walter Rodrigues, que abriu a última edição do Fashion Rio apresentando apenas modelos negras na passarela.