Daia Oliver-R7Desde a manhã desta sexta-feira, Harry Maseti, de 18 anos (à esquerda) está pedindo dinheiro aos fãs do AC/DC no Morumbi para ver se consegue comprar seu ingresso e ver a banda que o fez se apaixonar pelo rock and roll
26 de Maio de 2012
Milhares de pessoas estão acampadas para garantir um bom lugar no show
Werner Langner, de 24 anos, e a namorada Fernanda Vieira, de 25, encararam uma longa viagem na madrugada. Eles vieram de Curitiba, e chegaram nesta sexta-feira às 6 da manhã. No início da madrugada de sábado, já estarão voltando à terra natal.
Porque tanto sofrimento? Afinal, são aproximadamente sete horas para ir, sete para voltar. Mas o casal não está nem aí. Aliás, estão desde às sete da manhã em frente ao estádio do Morumbi. O prêmio para eles: ver o show do AC/DC, na noite desta sexta-feira.
O casal faz parte de uma multidão que estava na porta do estádio, aguardando a abertura dos portões, previsto para ocorrer às 18h. Pelo menos cinco mil pessoas já estavam por lá, ansiosos por ouvir Angus Young e sua turma, por volta das 7 da manhã.
O casal vestia uma camiseta verde que, para os paulistanos, pode parecer estranha. Na mesma, está escrito Coxa, com os mesmos caracteres usados no logotipo do AC/DC. Atrás, temos um "eu fui", e a data e local do show.
Mas o que o Coritiba, o clube de futebol, tem a ver com o grupo de rock criado na Austrália em 1973? Werner explica.
-A torcida do Coritiba é muito roqueira, e tem uma ligação muito forte com o AC/DC. Quando o time entra em campo em Curitiba, sempre é tocada a música Back In Black. E a torcida criou essa facção ligada ao AC/DC.
Werner garante que pelo menos quatro mil curitibanos vieram a São Paulo para ver o show, ou em caravanas, ou por conta própria. Nem todos são torcedores do Coxa, no entanto. André Bento é torcedor do Atlético-PR, principal rival do Coritiba.
-Mas eu gosto tanto do AC/DC que até assinei um abaixo-assinado para que eles tocassem em Curitiba na festa do centenário do Coritiba. Para ver esse grupo lá, pagaria esse preço. Mas infelizmente a diretoria do time deles não conseguiu.
Muita gente esperava nas filas dentro de barracas, algumas improvisadas com sacos de lixo, outros, com barracas de verdade.
O público predominante, nessa verdadeira comissão de frente dos fãs do AC/DC no Brasil, é de jovens. Ará Kedikian, por exemplo, tem apenas 17 anos. Ou seja, tinha apenas quatro anos quando a banda fez sua turnê anterior pelo país.
-Antes, o nível do rock era muito maior. Com a simplicidade deles, com poucos acordes, eles fazem um rock and roll de grande qualidade.
Kedirian e o amigo Giuliano Trondoli estão na frente do Morumbi desde a tarde de quinta. Como esqueceram de trazer os ingressos, tiveram de voltar ao bairro do Paraíso para buscá-los, voltando de manhã. Uns amigos guardaram lugar para eles.
Para embalar a turma e tentar faturar um dinheirinho, não faltavam vendedores, todos bastante animados. Reginaldo Menezes de Souza, de 42 anos, por exemplo, já havia vendido 30 camisetas da turnê Black Ice até as 8 da manhã.
-A minha expectativa é de vender um total de trezentas até o final do show, pois vendi essas trinta em menos de três horas. Imagine quando chegar todo o público. Estão dizendo que virão mais de 50 mil pessoas aqui!
Além das camisetas, vendidas ao preço médio de R$ 25,00 , os fãs se divertiam comprando chifrinhos vermelhos para colocar na cabeça, imitando o visual da banda na capa de um de seus discos. Saíam, em média, por R$10,00.
E tem também aqueles fãs que tentam garantir sua presença no show, mesmo sem dinheiro. Harry Maseti, de 18 anos, vestindo camiseta da extinta banda britânica The Darkness, circulavam pelo Morumbi, tentando arrecadar uma graninha.
-Comecei a ouvir rock and roll por causa do AC/DC, sou fã incondicional deles. Estou tentando arrumar grana para comprar um ingresso, vamos ver se eu consigo.
Veja abaixo vídeo mostrando o público na porta do estádio do Morumbi:
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