26 de Maio de 2012
Fábio Elias fazia parte do grupo Relespública, mas agora está investindo em outro gênero
Fábio Elias, ex-vocalista e guitarrista do grupo de rock Relespública, se transformou em um astro sertanejo.
No início do ano, Fábio gravou seu primeiro CD dedicado ao gênero caipira, Me dê um Pedaço Teu, e agora diz que “a música sertaneja está mais rock and roll do que o próprio rock”.
Para saber mais sobre esta nova empreitada, o R7 conversou com o cantor.
R7 - quando e como foi a decisão de mudar do rock para o sertanejo?
Fábio - Ano passado mudei para São Paulo a fim de dar uma guinada na carreira. Mudar mesmo o rumo, experimentar algo diferente e inusitado. Como a música sertaneja esteve sempre presente na minha vida, compus algumas músicas e mostrei para o Plauto César Marote, que já trabalhou com vários artistas sertanejos, como Leonardo, Marciano entre outros. Ele gostou do que ouviu e me incentivou a gravar. Vi uma boa oportunidade surgir e aproveitei o momento. No rock eu já havia deixado um bom currículo, com seis discos e um DVD. Era hora de mudar e arriscar algo novo em minha vida.
R7 - Você pretende fazer ainda algo em rock ou nem pensa?
Fábio - Hoje a música sertaneja está tão pop e mais rock and roll do que o próprio rock. Ela se renovou, se arvorou de alguns estilos além do som da viola, enquanto o rock continuou querendo ser bom e velho. Eu acho que bom mesmo é ser novo! Bem que tentei renovar algo no rock, mas ele ficou obsoleto demais. Eu costumo dizer que os Beatles mataram o rock and roll em 1967 com o álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Deixou de ser espontâneo e dançante para tornar-se algo conceitual. E o que é o rock hoje? Melodramático e nada dançante! E eu gosto de ver o povo se divertindo nos shows, saindo do corpo, além de que o público feminino é muito maior no sertanejo, né? (risos)
R7 - quais são as diferenças dos dois mundos?
Fábio - São gritantes! No Brasil os músicos de rock quiseram ficar no (universo) independente, nas panelinhas dos festivais em que você tem 30 minutos para dar o recado sem direito a roadie, técnico de som, nada! Aí sobram os bares de rock, que são a saída para uma banda sobreviver. É viajar 1000 km e tocar com som ruim e nada de luz. Enquanto no sertanejo é muito mais divertido e eu me apaixonei pelas músicas e pelo estilo de vida. Profissionalmente a estrutura é de dar inveja. Eu sempre quis tocar em palcão, com sonzão e povão cantando junto! Não com palquinho de barzinho, num sonzinho pequeninho... No momento estou trabalhando com minha banda e equipe que formei e avaliando propostas de gravadoras, empresas e produtoras interessadas num trabalho sério de divulgação e agendamento de shows.
R7 - qual é a reação dos fãs da Relespública?
Fábio - Alguns ficaram indignados, tristes e me xingando de tudo o que é nome, mas eu entendo o lado deles. Mas muita gente vem me apoiar e dizer que estão admirados com minha coragem. Eu respondo que coragem eu tinha em tentar viver anos a fio tocando rock no Brasil, não ganhando quase nada e investindo tudo o que não tinha. Os verdadeiros fãs de música entenderam meu lado, na hora!
R7 - quanto tempo você ficou com a Relespública?
Fábio - Nós começamos a tocar juntos quando crianças, com cerca de 14 anos de idade. Uns moleques que queriam mudar o mundo à volta e ficar com as garotas. Eu era míope, usava aparelho nos dentes e tinha que dar um jeito de conseguir namoradas. Então uma banda de rock na escola foi a melhor coisa que nos aconteceu. Mas o tempo passa e deixamos o rock para os jovens de 14 anos. O rock é deles.
R7 - Você já compunha nesse estilo na época de rock?
Fábio - Sempre compus músicas de variados estilos. Não tenho preconceito com ritmo e estilo nenhum. Como compositor de todas as músicas dos meus discos, procuro expressar ideias de interesse geral. Não dá pra ficar só em um discurso. A música sertaneja está mais pop do que nunca e o público se adapta a todas as mudanças e atualizações. Hoje tudo acontece rápido demais e tenho que estar ligado nas gírias e frases que a galera solta. Minha parte é prestar atenção em tudo e transformar isso em música. É um exercício bem legal!
R7 - como define seu som hoje?
Fábio - Tem um pouco de tudo. Gosto de músicas alegres, que contagiem e funcionem bem em shows. Vai do som do batidão dançante, passando pela country music e mostro a veia pop/romântica em algumas canções e baladas. Tudo para satisfazer todos os gostos do meu público. Se as pessoas estão felizes, eu também estou!
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