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publicado em 30/07/2010 às 06h10:

Deus cochicha no ouvido do compositor, diz cantor Jau

Cria do Olodum, músico baiano busca seu caminho solo bem longe do rótulo da axé music

Miguel Arcanjo Prado, enviado do R7 a Salvador

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No mundo da música, ele é neto de Caymmi e filho de Caetano e Gil. Jauperi Lázaro, ou apenas Jau [pronuncia-se Jáu], como resolveu facilitar, é um baiano forjado no Olodum, grupo percussivo com o qual ganhou o mundo no fim da adolescência. 

Praticamente 20 anos depois e com a experiência de já ter vivido os lados da moeda chamada sucesso, ele terminou de gravar seu primeiro álbum solo, Jau, com previsão de lançamento até o fim do ano.

O sucesso foi tanto no último verão baiano que o disco promocional de seu show foi o pirateado mais vendido nos camelôs da Bahia. Uma dessas cópias chegou às mãos do R7. Após ouvir o disco, este repórter foi à Bahia ver o que é que Jau tem.

Aliando ritmo à qualidade musical, o som de Jau já está presente nas melhores festas no eixo Rio-São Paulo. Para ficar num exemplo, na Gambiarra, a festa moderninha de artistas e jornalistas realizada semanalmente em São Paulo e no Rio, Jau toca como ninguém, mesmo que muita gente na pista não saiba qual a cara daquela voz.

Daquele jeito bem baiano, o cantor recebeu a reportagem do R7 em sua casa, em um condomínio no litoral norte da Grande Salvador. Em meio a um clima de paz, em uma varanda repleta de caixas e mesas de som de frente para uma pequena mata particular, a entrevista se fez. Leia o bate-papo:

R7 – Um CD pirata seu chegou às nossas mãos. O que acha disso?
Jau –
Eu sabia que a minha música ia me levar a algum lugar e trazer também pessoas a mim. Sempre apostei nisso [risos]. Fizemos no intuito de distribuir o disco de presente ao fim do show e foi o pirata mais vendido da Bahia no último verão [risos] Mas acho que é um disco que deveria virar um álbum de carreira, sim.

R7 – Sua música não é o que se convencionou de chamar de música baiana...
Jau –
[Interrompendo a pergunta] Minha música é baiana, sim, mas talvez não se enquadre na fôrma da axé music. Ela está além dessa condição. Nem melhor nem pior, apenas diferente.

R7 – Sua música fala muito da Bahia, de seu povo, de seus costumes, de uma forma natural. São propositais essas referências?
Jau -
A minha música é extremamente baiana no jeito de ser, no jeito de falar, no jeito de se comportar, mas tem uma sonoridade mundial. Nasci no Rio Vermelho, bairro de Jorge Amado, num 27 de setembro, Dia de São Cosme e Damião. Sempre achei que a Bahia era muito maior do que enxergam nela. Algumas pessoas da mídia da Bahia me chamam de neotropicalista.

R7 – Quem são suas fontes musicais?
Jau -
A Bahia de Caymmi é imensa. A Bahia de Gil e Caetano é planetária. A de Raul e Castro Alves também. A axé music é um produto criado na Bahia e é genial, pois vende muito. Mas, por conta do sucesso desse sucesso comercial, quase todos os artistas surgidos na Bahia a partir de Luiz Caldas começaram a fazer esse gênero, com o qual era mais fácil ficar rico. Mas sempre me percebi mais pertencente aos baianos que vieram antes da axé music.

R7 – Como você começou?
Jau –
Ganhei o festival do Olodum com 17 anos. Viajei com o grupo pelo mundo inteiro. Fiz o show histórico no Central Park com Paul Simon, que teve mais de 150 mil pessoas. Fiz o aniversário de 80 anos do Congresso Nacional Africano em prol do Nelson Mandela, quando ele estava preso ainda... Eu, menino ainda, enlouquecido com tudo aquilo. Você só absorve e vê a importância daquele momento anos depois.

R7 – Como você entrou para o Olodum?
Jau –
Entrei para o Olodum no fim dos anos 80. Eu era menino e Olodum não tocava em rádio ou aparecia na TV, porque era um bocado de negão. E negão não aparecia na TV... Enfim, você é negão e sabe como é [risos]. O Olodum explodiu em Salvador sem ajuda da mídia. Eu, menino, era apaixonado por aqueles negões bonitos tocando tambor. Pensei: eu também sou um negão bonito! Eu já fazia música desde criança. Resolvi fazer parte do Olodum. Eu compus Olodum Sonho e Profecia e ganhei o festival.

R7 – Por que você saiu do Olodum?
Jau –
Saí do Olodum por volta dos 25 anos. Notei que estava preparado para seguir meu caminho sozinho. Comecei a alquimia para virar Jau em mim mesmo para depois convencer as pessoas. Esse período é um ostracismo desgraçado. Tudo some, você tem só as pessoas que lhe amam mesmo. Eu me agarrei como compositor. Tenho um amigo que fala que a única criatura na face da terra que Deus cochicha no ouvido é o compositor.

R7 – O Olodum em seu começo era muito politizado, com letras em prol do povo negro e pobre da Bahia. Sua música sofreu influência disso?
Jau –
Sim. Mas as outras coisas lhe dão a medida certa de que a busca é em prol dos direitos humanos. Minha música fala de amor: de um homem por uma mulher, de um homem por outro homem, de uma mulher por outra mulher, amor pela vida, amor pela natureza, amor, que é o sentimento básico de outros seres humanos. 

R7 – Quem já gravou músicas suas?
Jau –
O primeiro sucesso de Netinho, e digo isso sem nenhum tom de prepotência, foi Estrela Primeira, uma composição minha: “Tô na varanda, amor, me leva pra cama, me pega nos braços, que eu vou...” [cantarolando, como também nos versos seguintes]. Netinho também gravou “Numa noite de lua, uma estrela na rua...”[Capricho dos Deuses]. Cheiro de Amor gravou “Jogou sua rede, ó pescador...”[Canto ao Pescador]. Olodum gravou Jeito Faceiro, “O mar, o abrigo que lá está, você a felicidade...”. A Daniela gravou “Diz quanto custa o seu sorriso...”[Topo do Mundo]. Claudia Leitte gravou “Como a camisa e o botão, como as estrelas lá no céu, a estrada e o caminhão, como você e eu...” [A Camisa e o Botão].

R7 - Foi difícil convencer as estrelas a lhe gravar?
Jau –
Quando você constrói uma marca as pessoas procuram e solicitam suas canções. Mas, no começo, eu ia para porta de estúdio. Saiba que a Daniela [Mercury] estava gravando no WR [estúdio musical de Salvador] às 9h. Às 8h eu estava lá com um violão ou tamborzinho na mão para apresentar minha música ao produtor.

R7 – Claudia Leitte acaba de gravar Flores da Favela no novo disco dela...
Jau –
Flores da Favela é um hit absoluto em Salvador e Carol [Barradas, assessora de Jau, que acompanhou a entrevista] está aqui e não me deixa mentir. E só eu começar: “Ela revirou minha cabeça, deixou tudo fora do lugar...” e o povo canta.

R7 – A música é bonita mesmo. E a sua versão é mais bonita que a da Claudia.
Jau -
É que eu pari. A mãe sabe tratar melhor o filho [risos].

Jau - cantor - Jauperi Lázaro
Jau faz nova música baiana, filha dos tropicalistas Caetano e Gil e neta de Caymmi - Foto: João Miguel Jr./Globo


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