Gilberto Gil investiu na simplicidade em seu novo DVD,
Bandadois, gravado na noite desta terça-feira (29), no palco do teatro Bradesco, em São Paulo.
Sob seis refletores de luz branca em um palco giratório, o cantor e compositor baiano cantou no formato voz e violão 25 músicas, numa mistura de antigos sucessos a composições novas, como
Pronto pra Preto e
Das Duas Uma. Esta última, feita para o casamento de sua filha Maria, a pedido da própria, há menos de um mês.
Pai orgulhoso, Gil disse à plateia:
- São 67 anos vivendo a vida. Os amores, os casamentos, os filhos. Tive oito, dos quais sete estão vivos. Alguns, se dedicando ao mesmo ofício.
Um dos destaques do show foi a entrada esfuziante de Maria Rita, com vestido dourado de generoso decote, para cantar
Amor Até o Fim, sucesso nos anos 60 na voz da mãe dela, Elis Regina. Antes de anunciá-la, Gil relembrou a relação com Elis.
- São Paulo é a convergência do Brasil. Em 1965, tinha uma amiga aqui que comandava o espetáculo. Ela gravou uma música que eu nunca gravei e resolvi chamar sua filha para gravar comigo.
Gil foi acompanhado em boa parte do show pelo filhos Bem Gil, no violão. José Gil, no baixo, entrou no fim para acompanhá-los em duas músicas. Ambos são frutos da união de 30 anos com Flora Gil. A filha mais famosa, Preta Gil, fruto do casamento com Sandra Gadelha, assistiu ao show da plateia.
- Achei lindo. Foi uma escolha certa ele registrar esse momento só ele, o violão e meus irmãos. Sou eu quem, na realidade, inicio eles todos. O Bem e o José começaram comigo. Meu pai vê que estão ficando prontos, adere e traz ainda mais para perto, para chocar ainda mais a cria. Eu sou louca pelos meus irmãos, fico babando.
Gil homenageou Dorival Caymmi cantando
Saudade da Bahia. Antes de cantar
Chiclete com Banana, enalteceu seu compositor:
- Ao mesmo tempo que Caymmi, Luiz Gonzaga foi uma vertente amiga no meu coração. Logo depois veio outro: Jackson do Pandeiro.
O show ainda teve
Tempo Rei,
Refazenda,
Banda Um,
Andar com Fé,
Refavela,
Babá Alapalá e
Expresso 2222. A pedido da plateia, Gil cantou, no bis,
Se Eu Quiser Falar com Deus e
A Paz.
Durante o show, uma mulher perguntou a Gil se era melhor ser cantor do que ministro. Ele respondeu.
- Quando me tornei ministro era um momento histórico. A chegada do presidente Lula foi uma coisa importante. E, se ele achava que alguém como eu pudesse ajudar nessa transformação, cujo símbolo é o governo dele, eu tive que colaborar.
Ao ser chamado de "iluminado" por uma tiete, devolveu:
- A iluminação é do mundo. Iluminado somos todos nós.