Aos 70 anos, o baiano Caetano Veloso soube como poucos acompanhar as mudanças de seu tempo
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Caetano Veloso completa 70 anos nesta terça (7). Muitos por aí dizem que o tempo fez bem ao baiano, hoje bem mais bonito do que em sua juventude. É claro que a marcação serrada da ex-mulher-e-empresária-toda-poderosa Paula Lavigne foi crucial para reconstruir e renovar o artista, tornando-o este mito agora setentão. Afinal, desde o surgimento da tropicália nos anos 1960 e a contracultura da década de 1970, muita coisa mudou. E Caetano também.
Como poucos, ele soube acompanhar a maré das pequenas revoluções cotidianas. E jamais deixou de estar atrelado à bandeira que ele mesmo representa. Antes de mais nada, Caetano sempre soube ser Caetano.
Desde o surgimento do menino magricela vindo da Bahia para o Sudeste, para acompanhar a irmã que virou estrela da noite para o dia, Maria Bethânia, até a coragem de promover um terremoto na música popular brasileira, ao misturar tudo no liquidificador musical da tropicália, Caetano sempre foi um dos nomes mais atuantes da cultura nacional. E verborrágico.
Jamais se negou a manifestar opinião sobre o que quer que fosse. E a opinião de Caetano sempre foi contundente. Sempre foi polêmica. Ou não. E a imprensa sempre esteve ávida por suas falas, porque rendem boas manchetes. Seja no extinto Pasquim ou em O Globo de domingo, onde escreve sua coluna atualmente, Caetano sempre tem algo a dizer, a provocar.
Desde o começo, a indústria o colocou como opositor a Chico Buarque. Se Chico era o representante oficial da mais pura tradição da MPB, com seu jeito tímido e cheio de testosterona, Caetano representava um contraponto espalhafatoso, sem preconceitos musicais e dono de uma figura excitante na qual cabia o homem e a mulher.
Por falar em mulher, as duas que teve na vida, Dedé Veloso, a primeira, e Paula Lavigne, a segunda, foram cruciais para sua carreira. Se Dedé representava o despojamento aberto às experiências artísticas e de vida de seu tempo, inspirando Caetano em época de paz e amor, Paula, bem mais jovem que ele, representou a chegada do compositor ao mundo dos negócios, com carreira planejada para render o maior lucro possível. Paula transformou Caetano em um produto refinado da estante da música brasileira e mundial.
Caetano Veloso consegue ser MPB, ser rock, ser pop, ser tradicional e, antes de mais nada, ser gente. Com toda a passionalidade que isso implica. Por isso, goste-se dele ou não, ninguém questiona que ele é um grande artista.