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publicado em 13/05/2011 às 13h12:

Maria Gadú chora ao ver Caetano
Veloso cantar sua Shimbalaiê em DVD

Projeto Multishow ao Vivo Caetano e Maria Gadú chega às lojas no dia 23 de maio

Giovani Lettiere, do R7, no Rio


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O clima de intimidade entre Maria Gadú, 24 anos, e Caetano Veloso, 68, começa já na chegada para a entrevista coletiva de lançamento do CD/DVD Multishow ao Vivo Caetano e Maria Gadú, que aconteceu no fim da tarde desta quinta-feira (12) no bar Londra, em Ipanema, na zona sul do Rio.
 
Os cantores entram no salão de mãos dadas. Na hora de posar para o batalhão de fotógrafos, rolam carinhos, abraços apertados e até um selinho na boca. É este o tom do projeto: promover o encontro entre o veterano e a revelação da MPB, que viraram os mais novos amigos de infância.

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No DVD, que traz 26 músicas e chega às lojas no dia 23 de maio - no dia seguinte à exibição no canal pago Multishow -, o foco está neles. A plateia raramente aparece - e sua participação se limita à claque das palmas nos 35 minutos aos quais a imprensa teve acesso na audição. Caetano falou sobre a sintonia fina entre eles.
 
- É agradável para um senhor de 68 anos estar ao lado de uma menina de 24. Mas poderia não haver esta sintonia. A gente se deu bem logo de cara. Nunca houve entrave na comunicação.
 
A parceria, segundo ele, pode ser classificada de uma "vampirização", já que o o veterano bebe da fonte da juventude e ganha novo público com o trabalho.
 
- Vendo artistas mais jovens como a Gadú me vejo quando comecei a trabalhar. Ela tem personalidade própria, canta e toca bem desde que a vi pela primeira vez num show na extinta Cinematheque, no Rio. Gosto de "vampirizar" os jovens [risos].
 
O repertório, apontou o artista, foi escolhido pelo critério de "conhecimento". Estão no disco, Sozinho, Alegria Alegria, O Leãozinho, Odara, Beleza Pura e Rapte-me Camaleoa, entre tantas, além das músicas de Gadú como Dona Cila, Escudos e Shimbalaiê, claro.
 
- Não houve critério cronológico. Calhou de serem as minhas canções mais conhecidas. A Gadú é um fenômeno de popularidade imediata. Outra razão é que o show que originou o DVD foi por acaso [a convite da Globosat, que inaugurava novas instalações no Rio] e logo rolou a turnê. Tivemos apenas um encontro para fazer o repertório. Cantei canções que sei tocar no violão e os desejos dela.
 
Para ela, não poderia faltar O Quereres.
 
- O repertório do Caetano é incrível. Mas O Quereres é minha música preferida de todas as músicas, não só dele.
 
Gadú, esbanjando sinceridade, diz que a ficha ainda não caiu com o apadrinhamento do ídolo de muitos anos.
 
- Não caiu a ficha ainda. É esquisito. Há uma união muito mais abrangente. Há proximidade. E eu, a minha vida inteira, me espelhei no Caetano.
 
No começo da miniturnê, a cantora não tocava Shimbalaiê, seu maior sucesso, composta por ela quando tinha apenas dez anos de idade. Caetano resolveu, de surpresa, inclui-la no show de Belo Horizonte (MG). No DVD, Gadú se debulha em lágrimas ao vê-lo cantar o hit e explica o motivo:
 
- Não dá para descrever o que senti. Não pensei na hora. Foi só emoção. Não dá para dar sentido. Lembrei da infância ali na hora, quando eu fiz a música e estava despretensiosamente feliz.
 
Caetano também dá sua versão.
 
- Quando eu tinha a idade atual da Gadú, estava compondo Alegria Alegria. E Shimbalaiê é uma música emblemática dela. Pesou o fato de serem canções que têm muito apelo popular e temos carinho por ambas.
 
Depois, foi uma rasgação de seda só, com trocas mútuas de elogio. O cantor abriu a temporada:
 
- Ela é uma maravilha. Boa de conviver e de conversar. Nos bastidores, a Gadú é quase melhor do que no palco. Tenho admiração por ela não só pela música e por sua musicalidade.
 
Gadú completou:
 
- Caetano não é superficial. Ele entende e sabe sobre vários assuntos, como política, cinema, literatura e não é superficial em sua sapiência. Acho isso lindo nele. Ele me estimula a aprender mais. Outro dia me interessei, por influência dele, sobre a falência dos Estados Unidos em 1929.
 
A questão da diferença de idade entre eles - bastante cobrada pela imprensa durante a entrevista coletiva - não incomoda a cantora.
 
- Cada segundo é um segundo. Não tenho preocupação com a minha idade. Não me cobro. Tenho 24 anos.
 
E aos 68 anos, como a cantora pensa em estar?
 
- Vai saber? É uma boa pergunta. Não queria saber. É melhor não saber. Não imagino mesmo. Falta um tempo. Vivo o hoje, o amanhã e a semana que vem.
 
Em datas ainda não fechadas, haverá uma série de shows para o lançamento do DVD.
 
Caetano está trabalhando no novo CD da amiga Gal Gosta e já pensa também em um álbum, que teria, por conta do projeto com Gadú, mais violão, adiantou o veterano. E Gadú viajará em julho para buscar inspiração para o segundo CD.
 
- Estou pensando ainda. Não há pressão da gravadora. Estou há dois anos divulgando meu primeiro CD. Em julho vou viajar em busca da criatividade para o novo trabalho. Vamos ver no que vai dar.
 
Mais um sucesso, certamente.

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