23 de Abril de 2014

Natal 2012

Notícias

publicado em 24/12/2012 às 18h01 :: atualizado em: 24/12/2012 às 18h19

Projeto transforma até homens com passagens
pela polícia em Papais Noéis

Cinco homens com passado complicado se transformaram no Bom Velhinho

Da BBC Brasil em São Paulo


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Os perfis dos cinco homens pouco evocavam o espírito natalino: um havia abandonado a família e se deprimia nas festas de fim de ano, outro vivia de seguro-desemprego e os demais têm várias passagens pela polícia.

Apesar disso, três deles se transformaram no principal símbolo do Natal: arrumaram empregos como Papai Noel.

A história de Frank, Steve, Brian, Tim e Johnny foi contada pelo programa britânico Bad Santas (ou "Papais Noéis Maus", em tradução livre para o português), exibido pelo Channel 4, que mostra como eles foram selecionados para um treinamento natalino com o objetivo de "dar-lhes a chance de mudar de vida".
 
O treinamento foi comandado por James Lovell, gerente da empresa londrina de relações públicas Ministry of Fun, que anualmente treina Papais Noéis para centenas de eventos e lojas de Londres na época do Natal.
 
O motivo, diz James, é que ele próprio foi salvo por um emprego temporário de Natal, que lhe abriu as portas para que ele criasse sua própria empresa. Seu objetivo era dar a mesma oportunidade a pessoas em maus lençóis.
 
 
Passado complicado

Em um processo seletivo, James escolheu para o Bad Santas cinco homens de cerca de 50 anos e "um passado complicado".
 
Frank foi preso diversas vezes nas duas últimas décadas - inclusive por roubo a mão armada. Além disso, ele é o primeiro negro a passar pelo treinamento do Ministry of Fun. Mas, apesar do perfil improvável para um papai noel, ele diz que espera servir de exemplo ao filho de seis anos.
 
Steve, 49, abandonou suas duas filhas quando tinha 23 anos e sequer conhece seus netos. Enfrentando a culpa, a depressão e problemas de saúde, costuma passar o Natal diante da TV, "como se fosse qualquer outra droga de dia do ano". Seu anseio é se reconectar com sua família.
 
Brian também desdenha do Natal, principalmente depois da morte de seu pai, 30 anos atrás. Suas finanças são uma bagunça: ele não trabalha há mais de um ano e tinha apenas 19 libras (cerca de R$ 60) em sua conta bancária quando embarcou no projeto Bad Santas.
 
Johnny mora em um trailer e sobrevive de bicos, mas a bebida e o cigarro atrapalham sua vida. Ele chegou bêbado à entrevista no Ministry of Fun, mas acabou selecionado para o projeto por causa de seu entusiasmo.
 
Tim também tem um histórico de problemas com a polícia, inclusive uma acusação pendente. Por conta disso, ele acabou sendo forçado a deixar o programa prematuramente.
 
 Treinamento e "ho ho ho"
 
O treinamento dos quatro candidatos remanescentes incluiu conhecer os presentes mais desejados da temporada, decorar os nomes das renas, aprender a falar "Feliz Natal" em diversas línguas, interpretar o Papai Noel de forma realista e, é claro, praticar o "ho ho ho".
 
Nas simulações, eles encarnam o "bom velhinho" diante de crianças para aprender a ter paciência com elas, a ouvi-las e a ter jogo de cintura diante de perguntas difíceis como "você é de verdade?" e "como você vai entrar na minha casa se eu não tenho chaminé?".
 
Dificuldades superadas, todos receberam seu certificado na "Escola de Papai Noel" do Ministry of Fun - exceto Johnny, que se entregou à bebida nas últimas sessões, apareceu no treinamento cheirando a cigarro e não passou no teste por seu "comportamento errático".
 
"Eu sempre saboto a mim mesmo", resignou-se.
 
Os demais partiram para o desafio final, que era conseguir empregos como Papai Noel em lojas e festas de Londres.
 
Brian foi o primeiro a se dar bem: foi escolhido para representar o "bom velhinho" em um evento de caridade no sofisticado oeste londrino. Lá, recebeu uma nova proposta de um pastor. "Ele foi gentil e sensível", afirmou o novo admirador.
 
Steve foi convocado para uma entrevista em um shopping e conseguiu o emprego ao superar sua principal dificuldade: memorizar o nome das renas. Um pai elogiou sua performance: "É a primeira vez que a minha filha acha que um Papai Noel é de verdade".
 
Momento Obama
 
Frank foi quem mais sofreu para deslanchar na nova "carreira", não só porque Papais Noéis negros são menos comuns, mas por conta de sua extensa lista de antecedentes criminais, que assusta os contratantes.
 
"Eu estava sempre entrando e saindo da prisão. Isso cria um estigma", diz Frank. Agora, porém, ele afirma que está tendo seu "momento Obama" de redenção.
 
Depois de muito esforço, James Lovell conseguiu finalmente arrumar uma ponta para Frank em um comercial de TV e um trabalho em uma feira de Natal no sul de Londres.
 
Em entrevista à BBC Brasil, após a conclusão do programa, Frank diz que ele e seus colegas de programa estão recebendo diversas ofertas de trabalho como Papai Noel.
 
"Fiz isso sobretudo pelo meu filho, porque quando disse que eu seria um Papai Noel, ele respondeu: 'você tem a cor de pele errada'", recorda. "Fiquei surpreso e decidi mostrar que o Papai Noel pode ter qualquer cor."
 
"Aliás, nenhuma criança comentou o meu tom de pele, elas não viram além da minha fantasia", completa Frank.
 
Quando acabar a temporada natalina, o novo Papai Noel diz que pretende retomar seu trabalho como ator e palestrante de uma ONG que visa prevenir a delinquência. "Estou recuperado há sete anos", diz. "Isso (a transformação em Papai Noel) foi a cereja do bolo."

 
Espalhe por aí:
 
 
 
 

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