Pop Diretor divide prêmio de R$ 250 mil com concorrentes no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014

Diretor divide prêmio de R$ 250 mil com concorrentes no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014

Tom politizado marcou noite que deu 11 prêmios a Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós

Diretor divide prêmio de R$ 250 mil com concorrentes no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014

Ao lado de sua equipe, diretor Adirley Queirós (esq.) discursa após Branco Sai. Preto Fica levar o Troféu Candango de melhor filme do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014:11 prêmios para a produção de Ceilândia (DF)

Ao lado de sua equipe, diretor Adirley Queirós (esq.) discursa após Branco Sai. Preto Fica levar o Troféu Candango de melhor filme do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014:11 prêmios para a produção de Ceilândia (DF)

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terminou como começou: com forte postura política no palco do Cine Brasília, na noite desta terça (23). Afinal, os homenageados deste ano, Glauber Rocha e Eduardo Coutinho, são dois dos maiores representantes de um cinema de discurso político potente.

Como bem definiu o presidente do júri, Orlando Sena, ao anunciar Branco Sai. Preto Fica como melhor filme de 2014, “o Festival de Brasília está mais político do que nunca”.

O longa dirigido por Adirley Queriós, do CeiCine, o Coletivo de Cinema de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, é uma espécie de “filme vingança” daqueles que estão excluídos do Plano Piloto. Seu longa ganhou 11 prêmios na noite.

A produção mistura ficção científica com documentário para gritar contra o apartheid social existente no Distrito Federal, separando os pobres nas cidades satélites dos ricos de Brasília.

Prêmio para todos

Em decisão inédita na história do mais tradicional festival de cinema brasileiro, Adirley Queirós dividiu os R$ 250 mil que levou por fazer o melhor filme com os outros cinco diretores de longas que competiam com ele no Festival de Brasília.

A decisão foi tomada por unanimidade por todos os diretores de longas antes do anúncio do ganhador.

“A curadoria do Festival de Brasília foi corajosa nesta seleção de 2014. Este grupo de seis diretores de longas tem muitas afinidades políticas e decidiu-se coletivamente que o prêmio seria dividido. As questões políticas são mais importantes do que tudo, do que a gente, do que o filme e do que os prêmios”, discursou Queirós, vestido com a camisa do Ceilândia Esporte Clube.

Branco Sai. Preto Fica também levou o prêmio de melhor ator para o DJ Marquim do Tropa e de direção de arte para Denise Vieira.

Outros filmes

Apesar do sucesso do filme de Ceilândia, o longa que mais levou exemplares do Troféu Candango foi o pernambucano Brasil S/A, com cinco no total: melhor direção para Marcelo Pedroso, além de montagem, som, trilha e roteiro.

Ventos de Agosto, também de Pernambuco, levou melhor fotografia e melhor atriz para Dandara de Morais. Já o mineiro Ela Volta na Quinta ficou com os prêmios de melhor atriz coadjuvante, para Élida Silpe, e melhor ator coadjuvante para Renato Novais. O melhor filme na votação popular foi o paulista Sem Pena, de Eugenio Puppo.  

Curta-metragem

Na categoria de curta-metragem, Loja de Répteis levou três Candangos: melhor trilha, direção de arte e fotografia. O curta Sem Coração levou melhor montagem e melhor direção, para Nara Normande e Tião, além do prêmio de melhor filme pelo júri oficial. Enquanto que na votação popular o melhor filme foi Crônicas de uma Cidade Inventada. Estátua levou melhor roteiro e melhor atriz, para Maeve Jinkings. Já o melhor ator foi Zé Dias, de Geru.

Troféu Câmara Legislativa

Também foi entregue na noite desta terça (23) o Troféu Câmara Legislativa aos filmes que participaram da Mostra Brasília, somente com produções do Distrito Federal.

Branco Sai. Preto Fica levou melhor longa no júri oficial, ator, montagem, edição de som, captação de som direto. Já Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato Matos levou melhor direção, trilha sonora e longa no voto popular. O melhor curta na escolha do público foi Ácido Acético, que ainda levou melhor roteiro. Já o melhor curta para o júri foi Crônicas de uma Cidade Inventada. A melhor atriz foi Klarah Lobato, por Querido Capricórnio. A melhor fotografia foi do curta Meio Fio e a melhor direção de arte, de À Mão Armada. 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Veja, abaixo, a lista completa de ganhadores do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro:

FILMES DE LONGA-METRAGEM
 Melhor filme (R$ 250.000,00) – Branco sai. Preto Fica, de Adirley Queirós
 Melhor filme pelo júri popular (R$ 50.000,00) – Sem Pena, de Eugenio Puppo
 Melhor direção (R$ 30.000,00) - Marcelo Pedroso, por Brasil S/A
 Melhor ator (R$ 15.000,00) – Marquim do Tropa, por Branco sai. Preto Fica
 Melhor atriz (R$ 15.000,00) – Dandara de Morais, por Ventos de Agosto
 Melhor ator coadjuvante (R$ 10.000,00) – Renato Novais de Oliveira, por Ela Volta na Quinta
 Melhor atriz coadjuvante (R$ 10.000,00) – Élida Silpe, por Ela Volta na Quinta
 Melhor roteiro (R$ 15.000,00) – Marcelo Pedroso, por Brasil S/A
 Melhor fotografia (R$ 15.000,00) – Gabriel Mascaro, por Ventos de Agosto
 Melhor direção de arte (R$ 15.000,00) – Denise Vieira, por Branco sai. Preto Fica
 Melhor trilha sonora (R$ 15.000,00) – Mateus Alves, por Brasil S/A
 Melhor som (R$ 15.000,00) – Pablo Lamar, por Brasil S/A
 Melhor montagem (R$ 15.000,00) – Daniel Bandeira, por Brasil S/A
 
FILMES DE CURTA-METRAGEM
 Melhor filme (R$ 35.000,00) – Sem Coração, de Nara Normande e Tião
 Melhor filme pelo júri popular (R$ 25.000,00) – Crônicas de uma Cidade Inventada, de Luísa Caetano
 Melhor direção (R$ 15.000,00) - Nara Normande e Tião, por Sem Coração
 Melhor ator (R$ 10.000,00) -  Zé Dias, por Geru
 Melhor atriz (R$ 10.000,00) – Maeve Jinkings, por Estátua!
 Melhor roteiro (R$ 10.000,00) – Gabriela Amaral Almeida, por Estátua!
 Melhor fotografia (R$ 10.000,00) – Beto Martins, por Loja de Répteis
 Melhor direção de arte (R$ 10.000,00) – Juliano Dornelles, por Loja de Répteis
 Melhor trilha sonora (R$ 10.000,00) – Piero Bianchi, Vinícius Nunes e Mateus Alves , por Loja de Répteis
 Melhor som (R$ 10.000,00) – Fábio Baldo, por Geru
 Melhor montagem (R$ 10.000,00) - Nara Normande e Tião, por Sem Coração

TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DF - MOSTRA BRASÍLIA
 Melhor longa-metragem – Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós
 Melhor curta-metragem – Crônicas de uma Cidade Inventada, de Luísa Caetano
 Melhor direção – André Luiz Oliveira, por Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato
 Matos

 Melhor ator – Marquim do Tropa, por Branco Sai. Preto Fica
 Melhor atriz – Klarah Lobato, por Querido Capricórnio
 Melhor roteiro – Fáuston da Silva, por Ácido Acético
 Melhor fotografia – Dani Azul, por Meio Fio
 Melhor montagem – Guille Martins, por Branco Sai. Preto Fica
 Melhor direção de arte – Luiz Fernando Skopein, por À Mão Armada
 Melhor edição de som – Guille Martins e Camila Machado, por Branco Sai. Preto Fica
 Melhor captação de som direto – Francisco Craesmeyer, por Branco Sai. Preto Fica
 Melhor trilha sonora – Renato Matos, por Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato
 Matos

 Melhor longa-metragem pelo júri popular – Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato
 Matos
, de André Luiz Oliveira
 Melhor curta-metragem pelo júri popular – Ácido Acético, de Fáuston da Silva
 
PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES: Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato Matos, de André Luiz Oliveira

PRÊMIO CANAL BRASIL: Sem Coração, de Nara Normande e Tião

PRÊMIO EXIBIÇÃO TV BRASIL: Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós

PRÊMIO ABRACCINE
 Melhor filme de curta-metragem: Estátua!, de Gabriela Amaral Almeida
 Melhor filme de longa-metragem: Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós

PRÊMIO SARUÊ: Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós

PRÊMIO VAGALUME
 Melhor filme de curta-metragem: Crônicas de uma Cidade Inventada, de Luísa Caetano
 Melhor filme de longa-metragem: Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro

PRÊMIO CONTERRÂNEOS: Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato Matos, de André Luiz Oliveira

 

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