Hulda Bittencourt, da Cisne Negro Cia de Dança, fala sobre homenagem: "Não sei se meu coração vai aguentar"

Companhia, fundada pela bailarina e coreógrafa, completa 40 anos

Camila Juliotti, do R7

Eduardo Enomoto/R7

Na década de 1990, Hulda Bittencourt mal poderia imaginar que estava prestes a fazer história ao aceitar homens esportistas, que sonhavam em ser bailarinos, em sua escola de dança. Na época, ela formou o primeiro elenco e estourou no Brasil e depois no exterior. De lá pra cá, o sucesso só aumentou e a Cisne Negro Cia de Dança completa 40 anos em 2017. 

Para comemorar a data, o espetáculo H.U.L.D.A. chega ao Teatro Santander, em São Paulo, nesta sexta-feira (21) traduzindo toda a história de amor e os anos dedicados à dança de sua fundadora.

Jorge Takla, diretor do espetáculo, conta ao R7 que a ideia de homenagear Hulda partiu dele, que queria algo mais profundo do que uma simples biografia. 

— Sou muito amigo da Cisne Negro, da Hulda, e no decorrer de uma conversa, a Hulda falou: "Vamos fazer um espetáculo sobre os 40 anos da Cisne Negro, com projeções, uma retrospectiva?". Aí eu fui pensar e falei: "Acho que não me interessa muito, acho quero partir para uma coisa mais emotiva, uma lembrança, algo mais humano, sobre a alma do que é a Cia Cisne Negro". E a alma é a Hulda Bittencourt, é difícil não associar. Então tive ideias, conversei com algumas pessoas, com a família e todo mundo achou maravilhoso. 

Espetáculo vai homenagear a fundadora da Cisne Negro Eduardo Enomoto/R7

Para compor o espetáculo, Jorge reuniu momentos da história da cia, trouxe trechos de coreografias que os bailarions já fizeram e colheu depoimentos da própria Hulda. A tarefa, segundo ele, não foi fácil. 

— Eu estudei toda a história da Cisne Negro, pesquisei, vi material... Tem um diário que a hulda tem desde criança, onde ela escrevia tudo, contava dos namorados, da escola, dos pais, que a mãe tirava dinheiro da feira pra comprar sapatilha... Aí peguei essas coisas. Ela ainda não sabe, vamos ver (risos).

A alma da companhia Cisne Negro

Aos 82 anos, a bailarina e coreógrafa Hulda se emociona ao falar da merecida homenagem que vai receber nos palcos:

— Eu realmente não sei se meu coração vai aguentar. É muita emoção lembrar que tudo isso começou e eu não tinha a menor pretensão de ter uma Cia de Dança. Eu tinha só uma escola e com a invasão desses homens surgiu tudo isso que vocês vão ter a oportunidade de ver. E eu vou me esforçar bastante para poder me controlar emocionalmente, porque é difícil você presenciar no palco sua história. Eu fico pensando: "Será que mereço tanto?". Eu fiz tudo com muito amor, com carinho e sempre foi minha escolha. 

Sobre estar em plena atividade à frente da cia, ela fala que o segredo é simples: amor. 

— Acho que ninguém deve trabalhar naquilo que não tem certeza se gosta e que ama. A arte tem que ser amada, ou você ama aquilo que você faz ou então muda de profissão, porque não dá certo não.

Ana Botafogo tem papel de destaque no espetáculo

A primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que também passou pela cia Cisne Negro, foi convidada para integrar o elenco pela própria Hulda e sua filha, Dany Bittencourt, diretora artística do espetáculo.

— Elas me falaram: "Nós vamos comemorar, você não quer estar com a gente?". Eu falei: "Quero, de alguma maneira". Eu não sabia o que eles iam fazer, então eu falei: "Eu não danço mais os grandes clássicos. O que vocês querem que eu faça?". Eu queria estar presente porque eu tenho um carinho muito grande por eles. Eu digo que a Hulda é minha mãe postiça aqui de São Paulo de tanto que eu vim pra cá.

Ana não imaginava que teria tanto destaque na homenagem, proposta pelo diretor Jorge. Ele explica a ideia que criou para a bailarina. 

— O personagem dela é um pouco a Hulda, um pouco a dança, um pouco a musa inspiradora, a mestra e ao mesmo tempo uma memória de alguma coisa. É um delírio, uma reflexão poética sobre o precesso de criação. 

Serviço

H.U.L.D.A, da Cisne Negro Cia de Dança
Entre 21 e 30 de abril. Quintas e sextas, às 21h. Sábados, às 18h e às 21h. Domingos, às 16h e 19h.
Ingressos: De R$ 50 a R$ 100.
Teatro Santander. Endereço: Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041. Itaim Bibi, São Paulo – SP.
Informações e compras: (11) 4003-1022.

Espetáculo celebra 40 anos da Cisne Negro Cia de Dança

 

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