Naná Vasconcelos morre aos 71 anos

Percussionista perdeu a batalha para o câncer no pulmão

Morre aos 71 anos Naná Vasconcelos

Naná Vasconcelos lutava contra um câncer no pulmão

Naná Vasconcelos lutava contra um câncer no pulmão

Divulgação

O percussionista Naná Vasconcelos morreu aos 71 anos na manhã desta quarta-feira (9). A informação foi confirmada ao R7 pela assessoria de imprensa do Hospital Unimed III, de Recife, onde ele estava internado há mais de uma semana.

Segundo boletim médico, Naná morreu "em decorrência de complicações advindas da progressão do câncer de pulmão diagnosticado em outubro de 2015".

Ele passou mal após um show no dia 29 de fevereiro, em Salvador. Naná já havia ficado internado durante 20 dias no segundo semestre de 2015, quando descobriu um câncer no pulmão, que progrediu nos últimos meses. Ele já passou por sessões de químio e radioterapia, mas ainda não superou a doença.

No último fim de semana, a mulher e produtora dele, Patrícia Vasconcelos, pediu para que os fãs orassem por ele.

— Ontem [domingo, 7] ele recebeu a visita do Maestro Gil Jardim, da USP, ficou feliz e pediu para o maestro voltar a escrever com ele uma música que foi iniciada chamada Um Budista AfroBudista. A mente dele está perfeita e plena de música, obrigada.

"O melhor percussionista do mundo"

Naná Vasconcelos nasceu Juvenal de Holanda Vasconcelos em Recife, Pernambuco, mas não se limitou à capital pernambucana. Apaixonado por música desde criança, usou a curiosidade a seu favor para aprender quase todos os instrumentos de percussão, especializando-se no berimbau nos anos 60. 

Mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar com Milton Nascimento, quando chamou a atenção do saxofonista argentino Gato Barbieri, que o convidou para participar de seu grupo. Juntos, passaram por Nova York e Europa, com direito até à participação no renomado festival de Montreux, na Suíça. Ao fim da turnê, Naná resolveu morar em Paris, na França, por cinco anos, onde gravou seu primeiro álbum, Africadeus (1971). De volta ao Brasil, Naná lançou seu segundo álbum, Amazonas (1972), e firmou parceria com o pianista e compositor Egberto Gismonti por oito anos. 

Eleito o melhor percussionista do mundo oito vezes por revistas especializadas, Naná Vasconcelos era respeitado dentro e fora do País. Nos anos 80, voltou a Nova York e participou do grupo Codona. Por lá, trabalhou com artistas do alto escalão, como B.B. King e o violonista francês Jean-Luc Ponty.

O trabalho de Naná chegou às telonas de Hollywood. O brasileiro assinou as trilhas sonoras de filmes como Procura-se Susan Desesperadamente, com Madonna, e Down by the Law, do diretor Jim Jarmusch.

Consagrado mundo afora, Naná Vasconcelos voltou ao Brasil nos anos 90 e participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A. O percussionista se envolveu diretamente com o cenário musical nacional, apoiando projetos como o ABC Musical.

Em Recife, trabalhou com crianças carentes no projeto ABC das Artes Flor do Mangue, idealizado por ele.  

Lutando contra um câncer de pulmão, Naná Vasconcelos deixou o palco e a música apenas quando o corpo não aguentava mais. Ao todo, foram 32 álbuns gravados. Seu trabalho segue imortalizado na música brasileira, como um dos principais músicos e orgulhos do País.

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