30 anos axe
Pop Olodum: quando o axé ganhou o mundo em parcerias com Michael Jackson, Jimmy Cliff e Paul Simon

Olodum: quando o axé ganhou o mundo em parcerias com Michael Jackson, Jimmy Cliff e Paul Simon

Banda aproveita a aproximação com astros internacionais para realizar shows no exterior

Olodum: quando o axé ganhou o mundo em parcerias com Michael Jackson, Jimmy Cliff e Paul Simon

Michael Jackson e Olodum no Pelouruinho

Michael Jackson e Olodum no Pelouruinho

Reprodução

O Olodum exerce um fascínio entre artistas estrangeiros. O suingue dos tambores do samba reggae, aliado à atuação sincronizada dos percussionistas e aos trabalhos sociais do coletivo em Salvador, é uma fórmula que serve como referencial para os gringos.

Não é à toa que a banda coleciona gravações ao lado de importantes nomes da música mundial, além de turnês anuais pelo exterior. Bloco afro fundado em 1979 nas ruas do Pelourinho, é reconhecido por ser um dos criadores do samba reggae. Com letras que abordam temas relacionados à política, sociedade e cultura africana, a banda estourou em 1987 com a música Faraó, do disco Egito Madagascar

Segundo o diretor da entidade, João Jorge, a fusão sonora logo despertou o interesse de artistas estrangeiros e o grupo foi um dos primeiros integrantes do movimento axé a receber convites para tocar no exterior.

— O Olodum é diferenciado. O axé conhecido pelo Brasil é pop e não tem muita ligação com o africanismo. Nós contamos a história mundial nas letras e temos ligações com o rastafarismo. Bem diferente daquilo que a mídia conhece como música baiana.

O primeiro músico internacional a gravar com a banda foi Paul Simon, conhecido pelo seu trabalho ao lado de Art Garfunkel, com quem consagrou hits como Bridge Over Troubled Water e The Sound of Silence. Em 1990, o cantor americano veio ao Brasil para gravar uma faixa do disco The Rhythm of the Saints. O Olodum participou de The Obvious Child, música que fez enorme sucesso mundial e teve clipe exibido em mais de cem país.

— Nessa época, os gringos viram que o Brasil era muito mais que bossa nova, aquela música pacata feita por uma tribo do Leblon. O axé era maior que isso e tinha toda aquela carga de influência africana, que mostrou um outro lado do nosso país.

O auge desse reconhecimento, porém, veio em 1996, quando Michael Jackson convidou a banda para gravar a música e o clipe de They Don't Care About Us. Com uma camiseta do coletivo, o cantor divulgou a marca do Olodum no mundo todo. Dirigido por Spike Lee, o vídeo reúne o teor contestador típico do samba reggae e teve imagens captadas do Pelourinho e no Morro Dona Marta.

Banda lamenta pouco espaço nas rádios para o samba reggae

Banda lamenta pouco espaço nas rádios para o samba reggae

Divulgação

— Com esse tipo de parceria, sempre dizemos que estamos mais próximos da world music do que do axé. Primeiro de tudo, discordamos até do termo que batiza a música. Há vários gêneros baianos bem diferentes sendo feitos e todos são vendidos como se fosse axé. 

Além dos artistas citados, o Olodum ainda gravou com Wayne Shorter, Jimmy Cliff e Alpha Blond. Só em Copas do Mundo, a banda tocou em quatro (Estados Unidos, Coréia-Japão, Alemanha e Brasil). Mas João Jorge lamenta que, no Brasil, o reconhecimento é muito menor que do que deveria ser.

— Já tivemos muitas músicas tocadas na rádio e emplacamos seis sucessos no Carnaval de Salvador. Mas hoje é o sucesso garantido que toca nas rádios. Se continuar assim, a música vai ficar segregada e elitista, correndo risco de sair das ruas e parar em clubes fechados e exclusivos. 

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