'Aves de Rapina' constrói bom filme em volta da loucura de Arlequina

Personagem busca superar separação do Coringa, reunindo grupo para combater, mais do que um vilão, os abusos que todas já sofreram

Aves de Rapina chegam para representar a força das mulheres

Aves de Rapina chegam para representar a força das mulheres

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A DC teve anos conturbados e controversos com suas produções no cinema. Ao tentar correr atrás da cauda criada pela Marvel e criar, às pressas, um universo cinematográfico para chamar de seu, a Warner acabou por lançar os divisivos Homem de Aço, Batman v Superman, Esquadrão Suicida e Liga da Justiça

'Aves de Rapina': quem são as novas colegas de Arlequina no cinema

Mas parece que houve mudança nesta mentalidade e, ao relembrar a potência de seus personagens, a casa resolveu dar espaço para que, em obras individuais, as criações demontrassem seu valor.

Então, contando com Mulher Maravilha, foram quatro acertos. E Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa não destoa desta nova toada e chega para desempatar o placar a favor da qualidade.

Margot Robbie encarna Arlequina em toda a sua loucura

Margot Robbie encarna Arlequina em toda a sua loucura

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O longa é um deleite visual. Repleto de cores, brilho, cenários interessantes e letreiros que acrescentam à estética escolhida pela diretora Cathy Yan e ao roteiro de Christina Hodson.

Mas o grande destaque é para a personagem que está no subtítulo: Arlequina. Margot Robbie se mostra ainda mais dona de si em seu retrato da emancipação do abusador Coringa. Tantos os altos quanto os baixos da vilã são expostos pela interpretação da atriz, que mostra todo lado quebrado de uma personagem complexa.

O elenco de apoio surge bem quando é chamado e as cenas de ação são bem coreografadas e ganham ainda mais destaque pelas boas escolhas na hora de retratá-las no longa.

O novo apartamento de Arlequina: doces e carboidrato para todos os lados

O novo apartamento de Arlequina: doces e carboidrato para todos os lados

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A trama, apesar de simples, serve bem à função de apresentar este novo grupo e, talvez pelo fato de ser conduzida pela mente conturbada de Arlequina, pode soar um tanto quanto confusa em meio a muitos flashbacks, mas uma vez que se embarca no estilo, a jornada se torna mais e mais interessante.

As constantes quebras da quarta parede também ajudam a destacar o tom cômico que a projeção toma, desviando-se ao máximo da seriedade e dos tons escuros dos supracitados longas que aderiam à estética do diretor Zack Snyder.

Impacto do longa deve ser diferente para mulheres

Impacto do longa deve ser diferente para mulheres

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Infelizmente não posso relatar o total impacto que o longa terá, pois acredito que ele se dará no público feminino. Seja por todo o grupo e protagonistas ser formado por mulheres ou pela mensagem de emancipação e de empoderamento que a projeção carrega consigo.

Em diversos pontos do filme é possível perceber escolhas que apenas uma grupo de mulheres — tanto atrás quanto na frente das câmeras — poderia ter, como o fato de uma personagem oferecer um elástico de cabelo durante uma luta ou a escolha de figurinos das heroínas, que já vestiram muito menos pano em outras encarnações. Ao compararmos uma cena de assédio neste e em outro filme recente (O Escândalo) é notável a diferença na abordagem dada às vitimas.

Divertido, cheio de ação e com personagens cativantes, Aves de Rapina não tenta reinventar a roda, mas contrói um bom arco para cada uma de suas personagens, dando espaço para desenvolver todas, sem tirar o brilho que Margot Robbie emana cada vez que está em cena como Arlequina.