Cinema e Séries Carlos Saldanha lança série sobre folclore do Brasil: 'Para o mundo'

Carlos Saldanha lança série sobre folclore do Brasil: 'Para o mundo'

R7 conversou com o cineasta e os atores de 'Cidade Invisível', Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Jéssica Córes

Resumindo a Notícia

  • Carlos Saldanha é o nome por trás da série 'Cidade Invisível', sobre o folclore brasileiro
  • A ficção conta com nomes como Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Jéssica Córes
  • Equipe da série falou com o R7 sobre contar uma história brasileira para o mundo
  • Saldanha ficou famoso ao criar animações como 'A Era do Gelo', 'Rio' e 'O Touro Ferdinando'
'Cidade Invisível' coloca lendas do folclore em uma história atual no Brasil

'Cidade Invisível' coloca lendas do folclore em uma história atual no Brasil

Divulgação

O que aconteceria se as lendas do folclore brasileiro vivessem normalmente nas cidades do mundo atual? Essa é a premissa do novo projeto do cineasta Carlos Saldanha, a série Cidade Invisível

Famoso por levar para as telonas animações de sucesso como A Era do Gelo, Rio e O Touro Ferdinando, Saldanha faz seu primeiro grande projeto em live action, com atores de carne e osso. 

Pôster em inglês da série

Pôster em inglês da série

Divulgação

Em entrevista ao R7, Saldanha falou sobre a transição entre os dois formatos: "Eu já estou há 30 anos fazendo animação, queria descobrir novos caminhos. Eu acho que o que mais gosto não é necessariamente a animação, mas sim o processo de criar e contar histórias".

Em live action, o cineasta tinha feito o curta-metragem Rio, Eu Te Amo e revela que este foi o ponto de partida para querer ir além das animações, pois ficou com "gostinho de quero mais".

História brasileira, identificação mundial

 Carlos Saldanha conversa com o ator Marco Pigossi nas gravações da série

Carlos Saldanha conversa com o ator Marco Pigossi nas gravações da série

Divulgação/Alisson Louback/Netflix

Com um elenco que tem nomes como Alessandra Negrini, Marco Pigossi, Jéssica Córes e Jimmy London, a série mergulha na cultura brasileira para contar uma história recheada de mistérios.

Com lançamento em diversos países, a série é mais um trabalho de Saldanha a exaltar o Brasil: "Quando tive essa oportunidade de fazer uma série no Brasil, eu quis trazer essa coisa de 'como eu posso fazer uma série mundial, mas ao mesmo tempo atual e que tenha uma brasilidade?' Eu fiz Rio querendo homenagear a minha cidade, falar um pouco do nosso país, mas de uma forma para que todo o mundo possa ver". 

Saldanha revela que pessoas de qualquer lugar podem se identificar com a história: "Todo mundo sente, todo mundo fica nessa dúvida do bem ou do mal, todo mundo sente o preconceito, você ser esquecido ou ter alguém que não te entenda. A gente usa uma roupagem única, filmar no Brasil uma história brasileira, mas dentro de um contexto emocional que funcione em qualquer lugar do mundo. Esse é o diferencial".

Cuidado com a Cuca?

Alessandra Negrini interpreta uma nova adaptação da personagem Cuca

Alessandra Negrini interpreta uma nova adaptação da personagem Cuca

Divulgação/Alisson Louback/Netflix

Vivendo uma versão diferente da bruxa Cuca, chamada Inês, Alessandra Negrini responde com humor se sentiu algum tipo de "friozinho na barriga" ao encarar uma personagem tão conhecida pelo público: "Friozinho na barriga é o que me move, meu amor. É o que me faz ser atriz (risos). É bom lançar uma nova luz, uma nova perspectiva. Nossa série não é para crianças, não faria sentido a gente fazer uma Cuca jacaré, mesmo porque esse jacaré era do Monteiro Lobato, foi ele quem criou".

A atriz fala também ao R7 sobre as formas que a personagem assume com os efeitos especiais da série: "A Cuca, na verdade, é uma feiticeira que vira vários animais. Ela vira borboleta, ela pode virar aranha, jacaré. É uma releitura do Carlos [Saldanha]".

Para ela, Inês não é exatamente uma vilã, trazendo uma reflexão sobre o meio ambiente: "O que fez muito sentido para mim é a Cuca não ser inimiga. Ela faz parte desse mundo que está sumindo, desse mundo da floresta. Ela protege os seres, ela acolhe. Colocar a Cuca no lado inimigo seria um erro, porque o lado inimigo, hoje, são essas pessoas que querem destruir isso, que estão contra a floresta, contra o 'diferente'. Esse capitalismo devorador. São serem ambíguos [os mostrados na série], eles têm os dois lados, mas não faria sentido colocar a Cuca do lado do mal".

Sereia encantadora

Os atores Jéssica Córes e Jimmy London em cena de 'Cidade Invisível'

Os atores Jéssica Córes e Jimmy London em cena de 'Cidade Invisível'

Divulgação/Alisson Louback/Netflix/Reprodução Instagram

Jéssica Córes surpreende com sua atuação na série. Ela vive Camila, uma cantora que, na verdade, é uma sereia. A atriz fala da lenda que inspira a história da personagem, com uma discussão bastante atual: "Foi um feminicídio o que aconteceu com ela. É um tema que infelizmente é muito presente hoje em dia. Agora com a [pandemia de] covid-19 então, aumentou muito a violência contra a mulher, mas não é a ideia da série focar nessa parte".

Para Jéssica, Camila tem muito mais complexidade e uma história que não se resume ao que ela sofreu. A sereia encanta, literalmente. Com seu poder, ela consegue ter grande persuasão: "É um ponto de partida obviamente [a discussão sobre violência], mas a gente segue para o que ela é, essa sereia, essa mulher bela, encantadora, que pega esses homens, que devem ter feito alguma coisa errada na vida (risos). E finaliza tudo embaixo do mar".

Um protagonista enigmático

O ator Marco Pigossi vive um policial ambiental envolto em mistérios na série

O ator Marco Pigossi vive um policial ambiental envolto em mistérios na série

Divulgação/Alisson Louback/Netflix

Marco Pigossi encara o protagonista da série, o policial ambiental Eric, que está rodeado de suspense e se mostra determinado a descobrir o que se passa ao seu redor: "Quando eu li os roteiros eu falava: 'Como assim?'. O que move esse personagem é que ele tem essa necessidade de saber o que aconteceu. Ele beira quase o obsessivo, porque ele precisa de uma resposta, de uma justificativa, aconteça o que acontecer".

Nostalgia pura: veja séries antigas que vão ganhar novas versões em breve

O ator acredita que o lado humano do personagem é o que torna ele tão interessante e relacionável: "Para a gente conseguir ser pessoas melhores, se entender e entender melhor o mundo, a gente precisa olhar para dentro. A gente precisa lidar com nossos medos e traumas. Outra coisa que eu gosto muito é a questão do 'diferente'. A gente tem medo do que é diferente, isso gera raiva, discussão, afastamento. A partir do momento em que a gente tem um olhar mais empático, a gente consegue conviver melhor em sociedade".

Juntando as peças do quebra-cabeça

Cena de 'Cidade Invisível' com Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Áurea Maranhão

Cena de 'Cidade Invisível' com Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Áurea Maranhão

Divulgação/Alisson Louback/Netflix

Carlos Saldanha explica que foi difícil desenvolver uma trama que tem tantos personagens enigmáticos e coisas a serem resolvidas em 7 episódios: "Você tem a oportunidade de contar várias histórias e elas têm que se conectar, mas é um desespero justamente por isso. Então, você tem que pensar lá na frente. É um quebra-cabeça criativo louco, mas isso foi muito legal, um grande desafio".

E para finalizar o papo, Marco Pigossi revela se tinha medo de alguma lenda quando era menor: "Eu não tinha medo, mas são histórias que a gente cresceu ouvindo e que a gente obedecia. Hoje, a gente consegue entender que elas falam sobre a natureza, sobre proteção. Eu nasci e fui criado em São Paulo, então, para mim essas figuras estavam mais distantes, não estavam no urbano, diferente do que o Carlos fez de trazer elas para viver aqui". 

Cidade Invisível estreia nesta sexta-feira (5). Assista ao trailer abaixo.

Últimas