Cinema e Séries 'Coisa Mais Linda' reforça sororidade em segunda temporada

'Coisa Mais Linda' reforça sororidade em segunda temporada

Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Mel Lisboa e Larissa Nunes veem desconstrução de estereótipos como um dos centros do segundo ano da série

  • Cinema e Séries | Caio Sandin, do R7

Adélia, Malu, Thereza e Ivone no Rio dos anos 1960

Adélia, Malu, Thereza e Ivone no Rio dos anos 1960

Divulgação

O retrato dos anos 1960 através do olhar de um quarteto de mulheres que enfrenta uma sociedade carioca machista em busca de suas liberdades e vontades fez tamanho sucesso que Coisa Mais Linda retorna para sua segunda temporada em busca de novos olhares e da quebra de novos estereótipos.

É o que garantem, em entrevista exclusiva ao R7, Maria Casadevall, Pathy DeJesus, Mel Lisboa e Larissa Nunes, protagonistas da série, que retorna à Netflix no próximo dia 19 de junho.

Segundo Casadevall, que vive Malu, a segunda temporada chega para desmistificar um pouco a questão do empoderamento.

"Às vezes, é uma palavra que fica muito usada e acaba caindo em um clichê. E a segunda temporada vem, justamente, humanizando ainda mais estas personagens, mostrando além das forças delas, quais são as fragilidades e as suas sensibilidades.”

Pathy reflete sobre como, na primeira primeira temporada, sua personagem Adélia acabou reforçando um estereótipo criado pela sociedade.

"Ficou muito a questão da força dessa mulher guerreira, forte, que não se abala por nada. E, a gente cai em uma figura, que foi criada estruturalmente para a mulher negra, que é essa da força infinita. Uma mulher que não sente dor, que não chora, mas que na verdade é um lugar de sobrevivência. Não foi nos dado espaço para chorar, para lamentar. Você tinha outras questões para resolver. E isso não é saudável."

Larissa Nunes cantando como Ivone

Larissa Nunes cantando como Ivone

Divulgação

Já Larissa Nunes, que interpreta Ivone, comenta sobre um algo especial que vê neste novo ano do seriado:

"Um momento muito bonito nesta segunda temporada é a gente pensar sobre a sororidade, mesmo cada uma criando os seus processos de autonomia, correndo atrás de seus desejos, de suas paixões. Essas mulheres podem divergir umas das outras, podem ser diferentes, mas seguem unidas. Acho que a segunda temporada traz muito disso, uma diversidade de olhares".

Para Mel Lisboa, até mesmo para a desconstruída Tereza, o contato com as suas fragilidades e suas vulnerabilidades é significativo.

"Eu acho muito importante que a gente humanize estas personagens, tirando um peso que você cria com os estereótipos, já que muitas vezes, como todo mundo passa por momentos difíceis, você se cobra em não ser frágil. Mas eu acho que a série trazendo também este lado, que é humano, que todo mundo passa, cria mais profundidade para as personagens, nas questões pessoais."

Este é um pensamento compartilhado por Pathy, que vê Adélia crescendo e evoluindo na trama:

"Acho muito importante também ter este outro lado da Adélia. De ter suas questões, de chorar, de desabar, de não saber o que fazer, porque este lugar de 'ela sempre toma a decisão certa, ela sempre sabe o que faz' também afasta um pouco o público. Porque somos todos humanos, todos temos fragilidades, então acho que o público cria essa empatia quando se depara com situações e pensa: 'Poxa, eu também sofro neste lugar'".

Novos personagens aprofundam trama da família

Novos personagens aprofundam trama da família

Divulgação

O núcleo familiar composto por Adélia, Ivone, Conceição e Capitão também ganha importância, segundo Larissa, ao demonstrar um novo olhar para novas narrativas, ampliando o debate.

"Eu acho muito importante este desdobramento. Você está vendo uma família negra entendendo suas subjetividades, suas sensibilidades. Isso gera uma outra visão, tem um lugar que sai do estereótipo de uma personagem negra que não tem uma raiz, que não tem uma referência, que não tem uma história. Então, a gente vê a Adélia com a irmã, Conceição, e vários personagens que se somam. Eu acho que isso é muito importante para o nosso momento, colocar mais pessoas pretas e mais visões de personagens pretos nas séries, criar essas narrativas soma muito com o debate e dá mais peso para as diferenças."

Casadevall engrossa o coro sobre o tema. "A gente não pode aceitar que a realidade negra seja uma narrativa única, isso é muito limitante", conclui.

Últimas