'Dark' entrega final excelente, fechando 'pacote' brilhante

Criando dúvidas e as solucionando com maestria, as três temporadas da série alemã conseguem desenvolver uma trama complexa e satisfazer todos os fãs

Jonas e Martha: o romance impossível e paradoxal

Jonas e Martha: o romance impossível e paradoxal

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A série alemã Dark é uma das grandes provas do quão benéfica a estrutura global dos serviços de streaming pode ser para a descoberta e troca de cultura e conteúdo entre os mais diversos países.

A produção, que estreou sua terceira e última temporada neste sábado (27), aproveita de temas e fórmulas bem estruturada na TV americana e as leva a um primor técnico e visual impressionantes.

Sem enrolações, a série faz de seus três anos o espaço perfeito para apresentar seu mundo, fisgando a audiência; expandir as possibilidades a um extremo invejável; e, por fim, concluir de modo extremamente satisfatório tudo o que propôs.

Novas revelações tornam a trama ainda mais complexa

Novas revelações tornam a trama ainda mais complexa

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Não que este caminho não tenha suas recompensas. Muito pelo contrário. Ao colocar grandes revelações no decorrer do caminho, enquanto ainda cria novas dúvidas na cabeça do público, Dark consegue cativar o espectador e instiga-lo a pensar e refletir junto com a trama. Para comprovar isto, basta ver o número de organogramas tentando entender as correlações de personagens e de anos, além das inúmeras piadas que circulam pela a internet.

Ao fim da segunda temporada, com mais um grande elemento sendo acrescentado à trama da série, o grande questionamento que restava era: como irão conseguir desenvolver todo um novo arco e ainda encerrar a série satisfatoriamente?

A resposta chega nos 8 últimos episódios que, com aproximadamente uma hora de duração cada, dão todo o tempo necessário para que tudo isso ocorra de maneira fluida e inteligente.

Viagens no tempo são mais comuns dos que andar de bicicleta

Viagens no tempo são mais comuns dos que andar de bicicleta

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Os diretores e produtores sabem que tem um grande elenco na mão e se aproveitam disto para abusar dos longos planos-sequência e dos closes nos rostos, transparecendo cada emoção vivenciada pelos personagens, deixando que as interações e reações fluam naturalmente.

Apesar de acrescentar mais um fator na já confusa equação de viagens no tempo e espaço, toda a estética e tipografia ajudam a entender exatamente onde e quando se está. E, longe daqueles que a julgam como complexa, a série é bastante compreensiva com o público, explicando todo e cada conceito novo, sem inferiorizar a audiência.

Não que a cabeça não doa ao assistir alguns episódios. Pode ter certeza de que ela vai doer, sim. Principalmente ao se assistir à hora que inicia esta nova jornada e todo o conteúdo ali contido.

Jonas segue como ponto focal, ajudando espectador

Jonas segue como ponto focal, ajudando espectador

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Mas depois de tantas horas investidas apenas para assistir os episódios, sem contar as incansáveis conversas e discussões sobre o tema, nada é melhor do que encontrar um final adequado à tamanha expectativa. E Dark entrega. Delicado e grandioso. Sutil e megalomaníaco. Profundo e comovente.

O desfecho é apenas parte da jornada e, aqui, segue a mesma tônica de toda a trama. Sabendo agradar os fãs, mas sem trata-lo como idiota. Conduzindo cada minuto de seu balé no tempo e espaço com a classe da dançarina que vê o fim da música se aproximando e sabe exatamente os passos que devem ser realizados. E os faz à perfeição.

A cena final da série só demonstra o esmero da produção em aparar todas as arestas e entregar um produto digno das melhores produções já vistas. O melhor "pacote completo" desde Breaking Bad, com certeza.