Diretor de 'Dois Irmãos': busca por estilização é o que mantém arte viva

Dan Scanlon ainda falou sobre competição interna na Pixar por 'nível de choro' e cooperação entre os colegas em busca do melhor filme possível

Dan Scanlon durante o lançamento de 'Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica'

Dan Scanlon durante o lançamento de 'Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica'

Mario Anzuoni/Reuters

Se para muitos o avanço da animação se dá com a maior proximidade dos visuais reais, como no caso do remake de O Rei Leão, para Dan Scanlon, que comandou o recém-lançado Dois Irmãos: Uma Aventura Fantástica, o mais importante para manter esta forma de arte viva é "tornar a animação mais estilizada".

Em entrevista exclusiva ao R7, o diretor comentou, também, sobre a evolução dos animadores da Pixar.

"Porque você não quer que apenas se pareça com um live-action, senão, por que já não filmar a história em live-action? Eu fico realmente impressionado com a forma que os artistas da Pixar estão encontrando maneiras de tornar as coisas mais 'animadas', mais estilizadas e divertidas. E este foi um dos desafios, e uma das coisas legais deste filme".

Além deste desafio visual, Scanlon cometa que toda a equipe se animou com a possibilidade de levar o mundo moderno para dentro do cenário clássico das fantasias medievais que o filme trazia.

Guinevere é o xodó do personagem Barley, o irmão mais velho

Guinevere é o xodó do personagem Barley, o irmão mais velho

Divulgação

"Nós pensamos, 'poxa, este é o único filme deste gênero que pode ter um carro nele'. Sabe, normalmente os protagonistas estão à pé ou à cavalo… Neste eles podem estar em uma van! E a nossa van tem um quê de cavalo, ela é quase uma personagem por si só. Guinevere é o nome da van que é o xodó do Barley. E eu acredito que nós estávamos sempre procurando maneiras de atualizar o filme de 'missão medieval' ou, pelo menos, ter algum tipo de “twist” moderno".

Os três protagonistas da jornada do longa: Dois irmãos e um 'meio-pai'

Os três protagonistas da jornada do longa: Dois irmãos e um 'meio-pai'

Divulgação

Sobre seu longa ser o primeiro filme original do estúdio desde Viva: A Vida é uma Festa, o diretor brinca que, "Não é uma competição, mas… Totalmente é, sim".

Mas ele comenta que esta "pressão" veio muito mais do lado de fora, pois no estúdio, o ambiente de cooperatividade reina.

"Eu amo o Viva, é um dos meus favoritos. Ele é tão afetivo e bonito, além de ser sobre família também. Teve um amigo meu que, depois de assistir o Viva, veio e me disse: 'Boa sorte. Porque o nível de choro, a partir de agora, é o final deste filme'. Eu já trabalhei com o Lee Unkrich e a Darla Anderson no Toy Story 3 e eles fizeram o Viva. É uma coisa tão incrível que a gente continue elevando a barra uns para os outros e, ainda assim, eles ajudaram muito a gente enquanto produzimos este filme. Sabe, na Pixar todos ajudam uns aos outros e dão sugestões nos filmes dos outros e foi ótimo contar com a ajuda deles".