Cinema e Séries Dois Irmãos joga seguro, mas ainda emociona com mensagem familiar

Dois Irmãos joga seguro, mas ainda emociona com mensagem familiar

Após anos de sequências, Pixar retorna aos originais, mas não se arrisca demais; neste constante morno, estúdio vê a concorrência se aproximar

Os irmãos elfos vivem a aventura de suas vidas no longa

Os irmãos elfos vivem a aventura de suas vidas no longa

Divulgação

Depois de dois anos se arriscando pouquíssimo e arrebatando mais um par de sucessos com as continuações Os Incríveis 2 e Toy Story 4, a Pixar começou 2020 com seu primeiro longa original desde Viva: A vida é uma festa. Não que isso signifique muita ousadia por parte do estúdio.

Tendo no comando o diretor Dan Scanlon, que já havia capitaneado o mediano Universidade Monstros, Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica conta uma típica história de missão em um mundo de fantasia, com a diferença de incluir elementos modernos, como celulares, carros e máquinas de refrigerante.

A van é um personagem por si só

A van é um personagem por si só

Divulgação

Neste mundo onde a mágica foi deixada de lado com o advento da tecnologia, os dois irmãos elfos do título embarcam na jornada — também do título — para encontrar uma joia que trará o pai de ambos de volta à vida por um dia.

O clichê da relação disfuncional entre irmãos serve de base para que os personagens evoluam de maneira muito interessante em tela, deixando que o público acompanhe seus passos e tropeços, conforme os laços vão se estreitando.

Se o elenco original conta com uma dupla de peso dando voz aos protagonistas (Chris Pratt, o Peter Quill de Guardiões da Galáxia, e Tom Holland, o novo Homem-Aranha), a dublagem brasileira, mesmo sem atores famosos, consegue traduzir todo o sentimento da relação entre os dois e com o "meio-pai", que os acompanha durante a viagem em forma da parte inferior de um corpo humano, com as calças e o sapato.

No original, Tom Holland dá voz a Ian, e Chris Pratt, a Barley

No original, Tom Holland dá voz a Ian, e Chris Pratt, a Barley

Divulgação

Com uma boa mensagem e personagens carismáticos, o longa não chega nem perto das obras-primas já produzidas pelo estúdio de animação mais famoso do mundo — mas passa longe das piores já lançadas pela Pixar. 

A animação, no entanto, é um prato cheio para emocionar e levar às lágrimas aqueles que perderam parentes recentemente ou cresceram com um irmão (mais novo ou mais velho) muito próximo.

Se com Viva: A Vida é uma Festa uma nova barra de qualidade foi estabelecida, Dois Irmãos se esforça, preenche as lacunas, se desdobra e até lembra os momentos mágicos que a animação pode proporcionar, mas ainda assim não consegue passar na nota de corte deste vestibular.

Últimas