Oscar 2022

Cinema e Séries Hollywood aborda a invasão da Ucrânia às vésperas do Oscar

Hollywood aborda a invasão da Ucrânia às vésperas do Oscar

Famosos raramente são tímidos na hora de fazer declarações políticas no prêmio da Academia

AFP
Cerimônia do Oscar 2022 será realizada no domingo (27), nos EUA

Cerimônia do Oscar 2022 será realizada no domingo (27), nos EUA

DIVULGAÇÃO/FADEL SENNA/AFP - 23.03.2022

A poucos dias da cerimônia do Oscar, Hollywood analisa se, e como, deve abordar a invasão russa da Ucrânia, se inicia campanhas de arrecadação ou, ainda, se convida o presidente Volodmir Zelenski a falar na cerimônia, via chamada de vídeo. 

Como mostraram as advertências de Leonardo DiCaprio sobre a crise climática e a indignação de Joaquin Phoenix pela inseminação artificial de vacas, os famosos raramente são tímidos na hora de fazer declarações políticas no prêmio da Academia, apesar das acusações de hipocrisia.  

"Tudo depende da forma como abordarão o assunto", disse Scott Feinberg, colunista do Hollywood Reporter, em uma entrevista à AFP. "Se parecer que é apenas bajulação ou sermão, isso não vai acabar bem. Mas, se for algo sincero e significativo, acho que terá um resultado diferente", acrescentou. 

Um exemplo de como as estrelas de Hollywood utilizam sua plataforma para alcançar objetivos reais é a campanha de arrecadação de fundos criada pela atriz Mila Kunis, nascida na Ucrânia, e por seu marido, Ashton Kutcher. O casal arrecadou 35 milhões de dólares para oferecer apoio a refugiados ucranianos em países vizinhos, e ambos elogiam a atuação de Zelenski. 

Kutcher e Mila Kunis "foram os primeiros a responder à nossa dor", escreveu o presidente ucraniano, que foi ator antes de entrar na política. "Agradecido pelo seu apoio. Impressionado por sua determinação. Eles inspiram o mundo", acrescentou. 

Sean Penn, que estava em Kiev para filmar um documentário quando a invasão começou, em 24 de fevereiro, assinou um acordo para que sua fundação ofereça ensino e abrigo aos refugiados na Polônia. 

"A Ucrânia é a ponta de lança para abraçar o sonho democrático. Se permitirmos que ela lute sozinha, nossa alma como Estados Unidos se perderá", afirmou em um comunicado. 

Em um vídeo que viralizou, o astro Arnold Schwarzenegger apelou para que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pare com a guerra "sem sentido" na Ucrânia. 

Muitos cineastas menos conhecidos abordaram o conflito na Ucrânia desde 2014, quando Putin anexou a Crimeia e respaldou os separatistas da região do Donbass. 

O documentário A House Made of Splinters e o drama Klondike, que estrearam em janeiro no Festival de Sundance, examinam o impacto que o longo conflito no leste da Ucrânia causou em famílias e crianças. 

Na temporada de premiações em Hollywood, as referências à situação na Ucrânia foram constantes, de manifestações de solidariedade até críticas a Vladimir Putin.

"Estamos com as centenas de milhares de refugiados que fogem da guerra, tanto ucranianos como de outras nacionalidades, aos quais negam um porto seguro", disse a atriz Kristen Stewart no Independent Spirit.

A apresentadora do Independent Spirit, Megan Mullally, usou linguagem mais forte. "Acredito que falo por todos aqui quando digo que esperamos uma solução rápida e pacífica, especialmente 'vá se foder e volte para casa, Putin'", disse.

Amy Schumer, uma das apresentadoras do Oscar, provavelmente não usará o mesmo tom. Ela declarou recentemente que sugeriu convidar Zelenski a "participar via satélite ou a gravar uma mensagem, porque muitas pessoas assistem ao Oscar".

Embora a Academia não tenha comentado, a ideia parece ter sido rejeitada, e Schumer admitiu que "definitivamente há pressão no sentido de dizer: 'Isto é para relaxar, deixe as pessoas esquecerem – nós só queremos ter esta noite'".

Para Feinberg, "parece que eles perceberam que seria fora de tom". Zelenski "está lidando com assuntos de vida e morte. E, sim, ele era um ator, mas parece que isso poderia ter sido um tiro saindo pela culatra", comentou.

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