Cinema e Séries Morre diretor de cinema franco-suíço Jean-Luc Godard, aos 91 anos

Morre diretor de cinema franco-suíço Jean-Luc Godard, aos 91 anos

Padrinho da Nouvelle Vague, movimento artístico contestador de 1960, o cineasta inspirou Quentin Tarantino e Martin Scorsese

  • Cinema e Séries | Do R7, com Reuters

Resumindo a Notícia

  • Jean-Luc Godard morreu na madrugada desta terça-feira (13)
  • Ele era conhecido como o pai da Nouvelle Vague, ou Nova Onda do cinema
Godard morreu nesta terça-feira (13), aos 91 anos

Godard morreu nesta terça-feira (13), aos 91 anos

Vincent Kessler/Reuters - 18.05.2004

O diretor de cinema franco-suíço Jean-Luc Godard morreu, aos 91 anos, nesta terça-feira (13), de acordo com informações do jornal Libération, da França. Godard é conhecido como o pai da Nouvelle Vague, ou Nova Onda, do cinema, movimento artístico de perfil contestador iniciado na década de 60. 

A Nouvelle Vague fazia incursões em assuntos considerados tabus e, com novas técnicas, desafiou a cena cinematográfica tradicional, além de inspirar diretores iconoclastas décadas depois de seu apogeu. Entre as características da Nouvelle Vague, a câmera estava em constante movimento, a edição era rápida e ousada e o roteiro, semi-improvisado.

Godard, que inspirou cineastas contemporâneos como Martin Scorsese e Quentin Tarantino, estava entre os diretores mais aclamados do mundo. Era conhecido por clássicos como Acossado (Breathless, 1960) e O Desprezo (Contempt, 1963), que ultrapassaram os limites cinematográficos da época.

Sobre Acossado, o cineasta disse certa vez: "Foi um filme que levou tudo o que o cinema havia feito — garotas, gângsteres, carros —, explodiu tudo isso e acabou, de uma vez por todas, com o velho estilo".

Os filmes de Godard romperam com as convenções estabelecidas do cinema francês em 1960 e ajudaram a dar início a uma nova maneira de fazer cinema, complementada com trabalho de câmera portátil, cortes de salto e diálogo existencial.

Godard divide os créditos pela criação da Nouvelle Vague com cerca de 15 colegas, como François Truffaut e Eric Rohmer, a maioria deles amigos da moderna e boêmia Margem Esquerda de Paris no fim dos anos 1950.

Jean-Luc Godard sorri ao lado da atriz Cecile Camp, na 54ª edição do Festival de Cannes, em 2001

Jean-Luc Godard sorri ao lado da atriz Cecile Camp, na 54ª edição do Festival de Cannes, em 2001

Arquivo/Reuters - 15.05.2001

Para muitos cinéfilos, nenhuma palavra é suficiente: Godard, com seus cabelos pretos desgrenhados e óculos de aros grossos, foi um verdadeiro revolucionário, que fez artistas de cineastas, colocando-os no mesmo nível de mestres pintores e ícones da literatura. "Não é de onde você tira as coisas. É para onde você as leva", Godard disse uma vez.

Quentin Tarantino, diretor de Pulp Fiction e Cães de Aluguel na década de 1990, é frequentemente citado como membro de uma geração mais recente da tradição que cruza as fronteiras, iniciada por Godard e seus companheiros. 

Mais cedo, veio Martin Scorsese, em 1976, com Taxi Driver, o perturbador thriller psicológico iluminado por neon sobre um veterano do Vietnã que virou taxista.

O presidente da França, Emmanuel Macron, pronunciou-se nas redes sociais sobre a morte de Godard, a quem chamou de "gênio" e "tesouro nacional".

Foi como uma aparição no cinema francês. Então ele se tornou um mestre. Jean-Luc Godard, o mais iconoclasta dos cineastas da Nouvelle Vague, havia inventado uma arte decididamente moderna e intensamente livre. Perdemos um tesouro nacional, um olhar de gênio.

Emmanuel Macron, presidente da França

De acordo com a imprensa francesa, Godard morreu por suicídio assistido, em sua casa, na Suíça.

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