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publicado em 20/04/2011 às 06h00:

DVDs sobre a Era Vargas questionam período

Série de Eduardo Escorel conta a trajetória do político que mudou os rumos do Brasil

Thiago Blumenthal, do R7

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Foi no Governo Provisório e no início do Governo Constitucionalista que Getúlio Vargas de fato se aproveitou do poder para dar início à modernização, aguardada há muito tempo pelos brasileiros depois da República Velha. Mas, na verdade, Vargas já percorria os corredores do poder muito antes de sua ascenção à presidência.

Procurando analisar e investigar de forma documental o período compreendido entre 1930 e 45, chega às lojas a trilogia (até aqui) Era Vargas, de Eduardo Escorel. Cobrindo a primeira parte da ascenção de Vargas ao poder, os filmes registram e analisam um ponto decisivo na história do Brasil. O tom é de investigação e os comentários pontuados por toda a sequência, de autoridades como o historiador Boris Fausto e o crítico Antônio Cândido, ajudam a submeter o registro a um documento de reflexão.

Em entrevista ao R7, Escorel comentou sobre o lançamento da caixa, de sua importância e ainda deu mais detalhes sobre as continuações (a próxima deve sair já em 2012). Para o cineasta, trata-se de um período que ainda repercute em nossa memória e que, por isso, merece um olhar investigativo. Leia a entrevista abaixo.

R7 - Como você classifica esse estilo de documentário aplicado ao retrato de um período histórico? Como lidar com o distanciamento histórico (do comentário contemporâneo) dos possíveis depoimentos divergentes ao cruzar registros que parecem ser questionados a todo o momento? Como unir o estilo convencional a um posicionamento crítico das imagens?
Eduardo Escorel - É preciso lembrar que todas aquelas cenas foram filmadas em outras circunstâncias, com outros propósitos. Neste caso, procuro um registro documental que reutilize todo este material com uma outra finalidade. É a chamada “apropriação de imagens”, em que segue-se o norte de uma narrativa histórica para interrogá-las e fazer uma aproximação diferente.

Na série de três documentários, há mais o uso de uma linguagem convencional, até porque, como é o caso do primeiro (Tempo de Revolução), foram feitos sob encomenda, havia um prazo e tudo era mais fechado. Não dava para experimentar. Mesmo assim, há cenas em que as imagens são questionadas. Já no novo documentário, que vai abordar o período entre 37 e 45, intitulado Imagens do Estado Novo, esse estilo se faz mais presente.

R7 - Como, aliás, está o trabalho na sequência da série que irá mostrar o que acontece após 35? E como se deu a ideia deste trabalho, que começou a ser cristalizado em 90?
Escorel - Tempo de Revolução, de 90, como disse anteriormente, foi feito sob encomenda para [a hoje extinta] TV Manchete, e, por isso, tem esse caráter temático também mais amplo, pois não pensávamos, ainda, em uma série oficial. Quando ele foi lançado, só então que nos veio a ideia de uma série.

Foi tudo passo a passo, pois nem sempre os recursos para se fazer a série toda estavam disponíveis. Tanto que há ainda mais documentários a serem produzidos, chegando até o fim da ditadura na década de 80. Talvez, quem sabe, um dia meu neto possa conseguir concluir este trabalho [risos].

Fato é que já em 2012 este quinto documentário, que cobre de 37 a 45, será lançado. Estamos em fase de finalização.

Vargas

Registro histórico é investigado e questionado no estilo documental de Escorel

R7 - Ficções, como em Um Sonho sem Fim, explicam, mistificam ou atrapalham a leitura do período? De que maneira você usa essas ilustrações em seu documentário?
Escorel - As ficções são sempre pontos de vista diferentes que unem memória, história e imaginário em uma mesma esfera. Isto, claro, é diferente do ponto de vista do meu narrador que documenta, registra, questiona, com o distanciamento crítico e histórico.
Pontuar um documentário desse calibre histórico com ficções que tratam do assunto é muito importante, creio, pois acaba incorporando outros tipos de perspectivas e revela o que ficou no imaginário.

R7 - O filme traça por vezes a trajetória das novas “mídias” acompanhando as revoluções, como o rádio e o cinema. Como a transmissão e o registo de som e vídeo facilitaram todos esses movimentos?
Escorel - Em São Paulo, o rádio teve um papel decisivo na Revolução de 32. Foi o rádio que mobilizou as pessoas. Mas é só um exemplo entre muitos. Em 1935, com o início das transmissões do famoso noticiário radiofônico público Voz do Brasil, fez-se presente esse caráter mais propagandístico e educacional do governo e das revoluções.

R7 - A matraca, que fazia um som que mal conseguia atingir 50 m, pode ser o símbolo da deficiência paulista frente ao Governo Provisório? Isso é desenvolvido ou desdobrado no documentário de que modo?
Escorel - Nunca tinha pensado nesses termos, mas faz sentido. A matraca marca bem o símbolo popular maior unido à questão do total isolamento que aqueles soldados passavam, sem apoio dos outros estados.

O próprio nome, “matraca”, já revela um dado significativo: parece um brinquedo, mas que está sendo aplicado a uma situação muito séria. Que, aliás, dependia também de seu funcionamento (ou da ilusão deste). Dá para perceber bem esse lado nas imagens dos soldados para as câmeras fazendo cena diante da geringonça. É o espaço, não desprezado em uma situação séria, para a ironia, para o gracejo, que são próprios do brasileiro.

R7 - Qual a importância de Vargas hoje para o Brasil? Sem a sua presença, o que teria mudado? E como (e se) hoje os efeitos daquele período ainda se fazem sentir?
Escorel - Sempre afirmo que o documentarista não pode se passar de historiador, pois há um risco enorme nessa passagem. Mas acho que o simples fato de o período continuar a ser referência e a ser lembrado é algo que espelha essa importância. Por exemplo, muito do que vivemos hoje, ou até bem recentemente, política e socialmente começou naquele período: a presença do Estado na economia, as empresas estatais, a repressão violenta e a tortura patrocinada pelo Estado.

Ou seja, ao mesmo tempo que continuamos nos referindo a esse período também espelhamos o que na época era apenas um projeto.

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