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publicado em 27/09/2009 às 13h22:

Após tratamento, Gloria Perez fala ao R7 como enfrentou o câncer

Autora da Globo contou que o diagnóstico precoce ajudou no combate à doença

Miguel Arcanjo Prado, do R7

Há exatos 16 dias, a novelista Gloria Perez respirou fundo com o último capítulo de mais uma novela que escreveu sob batalha. 

Se em De Corpo e Alma (1992-1993), ela teve de lidar com o assassinato da filha, a atriz Daniella Perez, pelo colega de elenco Guilherme de Pádua e sua então mulher e comparsa, Paula Thomaz (atualmente Paula Nogueira Peixoto), em Caminho das Índias (Globo) a luta de Gloria foi outra: enfrentar de cabeça erguida um câncer na tireóide descoberto enquanto a trama estava no ar.

Na última quinta-feira (24), dia em que fez a sessão de quimioterapia que pôs fim ao tratamento, Gloria Perez abriu uma exceção e, mesmo em férias, falou ao R7 com exclusividade. 

A autora revelou como foi enfrentar a doença e ainda disse como recebeu a notícia da morte, na última terça (22), da colega de profissão Andrea Maltarolli, vítima do câncer. A doença não conseguiu abater Gloria nem diminuir seu talento. Caminho das Índias, novela que escreveu sozinha, como é de costume, começou com 37 pontos de média no primeiro capítulo e terminou com 55 pontos de média no capítulo final, cinco a mais do conseguiu A Favorita, a antecessora, em seu fim. Mais uma vitória da guerreira Gloria. Leia a entrevista:


R7 - Qual a sensação quando Caminho das Índias acabou? Foi de vitória? Por quê?
Gloria Perez -
Foi um momento muito feliz da minha carreira. A novela envolveu, encantou o país, recuperamos números que há tempos não eram alcançados e deixou saudade no público. Tudo o que um contador de historias pode desejar!

R7 - Como foi descobrir um câncer e fazer o tratamento durante a feitura da novela? Foi muito difícil? De onde você tirou forças?
Gloria -
Foi complicado, claro! Mas descobri que a quimio não é mais um bicho de sete cabeças. Com os avanços que aconteceram na área, pode-se passar por ela sem abrir mão dos projetos, do trabalho, da rotina de vida. É óbvio que você faz tudo com mais dificuldade, mas faz. Não sou nenhuma raridade. Tomei as aplicações escrevendo capítulos numa sala onde todo mundo trabalhava e resolvia questões do cotidiano. É claro que cada caso é um caso, mas é possível passar por isto continuando a tocar sua vida.

R7 - Como está o tratamento? Já acabou?
Gloria -
Acabou, sim. Fiz as seis aplicações R-CHOP [quimioterapia] e o exame PET [feito para detectar o câncer]. O diagnóstico precoce foi essencial para esse bom resultado.

R7 - Quais pessoas lhe deram apoio neste momento?
Gloria -
Tive muito suporte, da família e dos amigos. Meu irmão e minha cunhada se mudaram para a minha casa, minha mãe veio de Brasília, meu filho, meus amigos estavam sempre perto. Esse apoio foi essencial para o bom resultado do tratamento. Tenho certeza disso.

R7 - Você é tida no Brasil todo como um exemplo de mulher. Você se acha uma guerreira. Por quê?
Gloria -
Acho que sou uma pessoa que enfrenta a realidade, até porque, é inútil se rebelar contra ela. Desanimar e perguntar porque isto aconteceu com você e só perda de tempo e de energia. Talvez, por isto, costume servir de referencia para muitas pessoas que atravessam situações difíceis e dolorosas.

R7 - Você ficou abalada com a morte da Andrea Maltarolli?
Gloria -
Fiquei muito abalada. Uma garota tão jovem, tão talentosa! Eu nem sabia que ela estava doente.

R7 - Você tem medo de morrer?
Gloria -
Medo de morrer? Talvez eu tenha medo do como. De morrer, propriamente, não. Todos vamos chegar a isso, não é? Taí uma coisa impossível de evitar.

R7 - Você tem algum tipo de fé religiosa?
Gloria -
Diria que tenho um comportamento cristão. Nasci no catolicismo, mas não frequento cultos.

R7 - Muita gente criticou sua novela no começo. Mas ela acabou com bons índices no ibope e com seus personagens na boca do povo. Acha que isso foi um cala a boca para muita gente?
Gloria -
Tem aquela turminha que antes de qualquer novela minha estrear já começa a escrever contra! São pessoas que ridicularizaram a internet, dizendo que a rede era invenção minha, e para quem os transplantes de coração, as barrigas de aluguel, brasileiros imigrando para os EUA, cultura muçulmana, indiana, clonagem humana são coisas que só existem na imaginação de Gloria Perez! Eles são meu 'Casseta e Planeta' particular! Morro de rir com eles. Não me preocupo em dar nenhum cala a boca. Gente medíocre não me interessa nem pra isso!

R7 - O site da novela chegou a ter 2,7 milhões de acessos diários por dia. O que você achou do sucesso da novela na internet também?
Gloria -
Curti muito! Sempre fui muito ligada à internet, tanto que a ideia da rede foi popularizada através de uma novela minha, Explode Coração, que era bem interativa, aliás. Naquela época tínhamos BBS, e as pessoas se apaixonavam ali, rompiam relações da vida real por conta dessas paixões, terminavam o namoro e o caso ainda ficava mal resolvido, sem que nunca se tivessem visto! E olha que naquela época não se podia mandar fotografias, o amado ou amada virtual era mesmo uma construção da imaginação de cada um! Isso me impressionava, por isso escrevi a novela.

R7 - Qual será seu próximo projeto na TV?
Gloria -
Socorro! Nem penso nisso ainda!!!!! Acabo de entrar de ferias!


 
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