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publicado em 25/09/2012 às 18h03:

Basta apenas uma uva para reimaginar os vinhos da Califórnia

The New York Times News Service / SindicatoThe New York Times News Service / Sindicato

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Kelseyville, Califórnia – Com as temperaturas por aqui muitas vezes alcançando os quarenta graus no verão, a área de Clear Lake, a cerca de uma hora de carro a nordeste da cidade de Healdsburg, na Califórnia, parece quente demais para cultivar uvas. As montanhas Mayacamas bloqueiam as frescas brisas do oceano a oeste; o monte Konocti, um vulcão extinto, assoma a leste; e à noite você consegue ver até um vapor emergindo dos campos geotérmicos em volta de Clear Lake, a segunda maior área geotérmica dos Estados Unidos, depois de Yellowstone.

Ainda assim, Bernie Luchsinger, que vem cultivando uvas aqui desde que chegou do Chile em 1968, vai muito bem. Ele e sua filha, Pilar Luchsinger White, gerenciam a Luchsinger Vineyards, que cultiva a sauvignon blanc para grandes empresas de vinho, junto a outras uvas tintas, incluindo um pouco da trousseau. E, surpreendentemente, é a trousseau, uma obscura uva tinta da região do Jura, na França, que deu aos Luchsinger alguma atenção e cativou um segmento pequeno, porém influente, do comércio de vinhos da Califórnia.

A história da trousseau da Luchsinger Vineyard é um acontecimento na repetida narrativa do sucesso da Califórnia com as grandes uvas de Bordeaux e da Borgonha. Quinze anos atrás, poucas pessoas fora do Jura tinham sequer ouvido falar da trousseau; e, mesmo hoje, ninguém em sã consciência vê a trousseau como uma grande oportunidade comercial para a indústria.

Ainda assim, a faísca de interesse pela trousseau californiana é sinal de que a indústria de vinho desse estado pode evoluir em direções inesperadas, e de que seu passado foi mais complexo do que em geral pensamos.

A primeira indicação de que a Luchsinger Vineyard podia ser digna de atenção veio quando Duncan Arnot Meyers e Nathan Lee Roberts, proprietários da Arnot-Roberts, decidiram que precisavam fazer um vinho trousseau. Eles já produziam vinhos soberbos em equilíbrio e controle e, como muitos na vanguarda da vinicultura, haviam desenvolvido um carinho pelos vinhos do Jura na década passada. O problema era que não conseguiam encontrar uvas trousseau na Califórnia.

"Havíamos ligado a viticultores e viveiros em todo o estado", diz Meyers. "Finalmente, simplesmente digitamos 'trousseau' no Google, e trabalhamos de trás para frente."

A trilha os levou aos Luchsinger que, embora cultivem a uva, jamais haviam provado um vinho feito dela. Em 2001, Luchsinger havia tido uma iluminação: imaginando que os produtores da Califórnia poderiam querer experimentar fazer vinhos mais fortes, ele plantaria dois hectares com cinco das uvas usadas para fazer Vinho do Porto. Por que não? O Vale do Douro, em Portugal, onde são cultivadas as uvas do Porto, também é extremamente quente.

Entre as uvas que escolheu estava a bastardo, uma casta menor para o Porto, que historicamente era usada também no Madeira, e que por acaso era idêntica à trousseau do Jura. Como vieram a saber Meyers e Roberts, o hectare que ele plantou parecia ser o único parreiral na Califórnia dedicado à uva.

Infelizmente, os Luchsinger descobriram que nenhum produtor estava interessado em fazer um fac-símile do Porto. Embora eles conseguissem vender algumas uvas aqui e ali, o primeiro interesse real veio quando a equipe da Arnot-Roberts chegou buscando a trousseau, em 2009.

A primeira safra do trousseau da Arnot-Roberts, embora de quantidade diminuta, imediatamente causou boa impressão entre produtores de vinho que pensavam como eles, buscando alternativas ao recente paradigma californiano de vinhos substanciosos e poderosamente frutados. Como os melhores trousseaus do Jura, o da Arnot-Roberts é um paradoxo. É claro (quase tão claro como um rosé escuro) e de corpo leve, e no entanto é intenso, com uma forte pegada de tanino. É também energético, floral e estimulante, dotado de um amargor amável e refrescante.

"Estou realmente surpreso que o vinho que fazemos aqui seja tão bom", disse Meyers em agosto, de pé no vinhedo, sob um calor escaldante.

O trousseau da Arnot-Roberts estimulou de tal forma a imaginação de seus colegas que outros produtores quiseram fazer os seus próprios. Usando uma muda da Luchsinger Vineyard, Wells Guthrie, da Copain Wines, dedicou mais de um hectare de seu vinhedo no Russian River Valley e planeja acrescentar mais um hectare, e talvez ainda mais, em outro vinhedo no Anderson Valley.

O trousseau do Russian River feito pela Copain em 2011 é um belíssimo vinho, um pouco mais suave e escuro que o da Arnot-Roberts, mas terroso, com uma cama de sabores minerais. Guthrie levou algumas garrafas a um evento de comidas e vinhos em Nashville, e disse que foi um grande sucesso.

"As pessoas querem algo fora do conhecido", disse ele. "Não vamos dominar o mundo com os trousseau."

Tegan Passalaqua, vinicultor da Turley Cellars e destacado estudioso dos antigos vinhedos da Califórnia, usou mudas de Luchsinger no ano passado para enxertar em mais de meio hectare de merlot em terreno de cascalho no Bohan Vineyard, na costa de Sonoma.

"Eu já recebi ligações de cerca de quarenta pessoas perguntando se vendo as uvas", disse ele. "Assim que a notícia correu, as pessoas começaram a ligar."

Rod Smith, há muito tempo crítico de vinhos na Califórnia, e sua esposa, Catherine Bartolomei, sócia do Farmhouse Inn and Restaurant no Russian River Valley, plantaram um pequeno parreiral de trousseau em seu Lost & Found Vineyard. No alto do vale do Willamette, no estado do Oregon, Jason Lett, do Eyrie Vineyards, também plantou trousseau. Deve levar alguns anos até que esses vinhedos produzam uma safra passível de comercialização.

Mesmo assim, se reuníssemos toda a uva trousseau da Costa Oeste, ainda seriam alguns poucos hectares, produzindo muito pouco vinho. Nem por isso deixa de representar bem mais que um punhado de garrafas. Durante séculos, a cultura vinícola da Europa se desenvolveu localmente, uma vez que cada vila e cada vale faziam experimentos com uvas, determinando o que crescia melhor em suas regiões. A indústria do vinho dos Estados Unidos, contudo, se desenvolveu numa economia global, com um pequeno número de uvas repetido em todas as regiões, em geral por razões comerciais. É empolgante imaginar como seria a paisagem vinícola caso as seleções de uvas tivessem evoluído mais organicamente.

"Me decepciono sempre em ver todo mundo sempre trabalhando com as mesmas uvas", disse Smith, que vem observando a indústria de vinhos da Califórnia há trinta anos. "Esse tipo de exploração não é simplesmente divertido, ele está levando de fato a um futuro diferente, e vai dar outro aspecto à indústria vinícola da Califórnia."

Sendo ou não parte do futuro da Califórnia, a trousseau certamente foi parte de seu passado. Agora que teve alguma experiência com a uva, Passalaqua conta perceber ter visto a uva repetidamente entre os parreirais mistos de uva zinfandel que caracterizam os antigos vinhedos do vale Napa como o quais trabalha para a Turley Wines.

"O Hayne Vineyard tem bastante e, hoje, isso realmente me impressiona", diz ele. "O Moore Earthquake Vineyard tinha um parreiral que tinha um quarto de trousseau. Passalaqua menciona também o Library Vineyard no Napa, e o Fredericks Vineyard, em Sonoma, entre aqueles que têm vinhas que podem ser identificadas como trousseau.

Segundo Passalaqua, a uva surgiu nos anos 1860, na Jackson Research Station, um dos muitos centros de pesquisa em agricultura do estado. Agora, com as uvas que está cultivando, ele e sua esposa, Olivia, farão um pouco de vinho, e ele venderá algumas das uvas à Arnot-Roberts.

"Eu os admiro por terem a coragem de fazer isso", disse. "O vinho deles foi o primeiro que considero de nível mundial. Eles abriram a porta para quem quiser fazer."

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