Games Review: fone Recon 50P é perfeito para gamers que querem o básico

Review: fone Recon 50P é perfeito para gamers que querem o básico

Aparelho de entrada da linha gamer da Turtle Beach não te decepcionará ouvindo música ou na jogatina

  • Games | Filipe Siqueira, do R7

Resumindo a Notícia

  • É fácil resumir a experiência com o fone Recon 50P, indicado para consoles da Sony
  • Ele tem fio, funciona muito bem jogando e ouvindo música, com destaque pros graves
  • Além de ser robusto, ele é confortável na cabeça e não pressiona as orelhas
  • O problema é que ele não é portátil e ainda ocupa muito espaço na mochila
Versão é feita para PS4 e PS5, mas serve em qualquer console

Versão é feita para PS4 e PS5, mas serve em qualquer console

Filipe Siqueira/R7

O que faz um fone gamer? Foi isso que tentei decifrar enquanto usei mais de um mês um Turtle Beach 50P, um modelo de entrada da marca, que anunciou recentemente que trataria sua linha de headsets gamer para o Brasil.

São 14 deles, todos com compatibilidade multiplataforma, microfones removíveis, conforto e qualidade sonora. Esse modelo tem um fio que termina em um conector 3,5 mm padrão, o que é algo importante de se saber logo de cara.

O primeiro requisito para um acessório gamer é parecer um. O Recon 50 se sai muito bem nisso. Ficar na frente de um espelho com um na cabeça, microfone próximo da boca, deixa muito claro suas intenções.  Você parecerá um jogador pronto para uma longa sessão de jogatina. Ou alguém devastado após terminar uma delas.

Apesar de passar essa mensagem, ele consegue ser até um tanto discreto após o choque inicial de ver uma armação azul no topo da cabeça.

Usei o modelo PS5 & PS4, com um azul que remete à Sony e se diferencia do verde metálico que se tornou marca registrada do Xbox. Por isso o "P" no nome, que poderia ser "X" para representar o console da Microsoft. Mas fora esse detalhe, os dois são o mesmo aparelho.

Faz parte do imaginário geral encarar objetos chamativos — teclados iluminados com cores extravagantes, cadeiras com design brutalista, tênis coloridos berrantes — e associar à cultura dos jogos.

É uma troca de duas vias: certos tipos de gamers esperam parecer gamers e por isso adquirem acessórios que fazem parte desse agrupamento estético, criado por empresas em busca de explorar novos mercados.

Tais acessórios são criados por que os gamers querem ou são as empresas que ditam a moda em busca de lucros? A resposta está entre esses dois extremos, com as conexões desses grupos que se alimentam mutuamente com trocas de dinheiro e identidade.

O gamer é cultural e esteticamente ambíguo. Ao mesmo tempo em que jogos são a forma de entretenimento mais lucrativa e uma das mais populares, grupos de jogadores são responsáveis por práticas criminosas online. Da mesma forma, seus acessórios são assumidamente feios, visualmente irritantes e com falsas aspirações futuristas.

Muitos nichos gamers buscam um isolamento que é também reflexo do isolamento social que parte desses grupos vvie, e a piada associada com esse visual é integrante disso, a ironia de uma tribo que quer criar piadas que os diferencia dos demais.

Robusto e confortável

Felizmente, o Recon 50P segue o padrão esperado de fones gamer, mas busca algum tipo de sanidade visual. É robusto, com um fio grosso, colorido e surpreendente confortável.

Explico: os fones mais robustos geralmente apertam a cabeça, o que causa um desconforto que exige alguns dias para ser assimilado. Em todo o tempo de uso, nunca esqueci que estava de fones, mas essa presença não gerou desconforto ou apertos. Isso, sem ele parecer desajustado  ou solto — você poderá tranquilamente chacoalhar a cabeça enquanto ouve heavy metal obscuro sem ter medo do fone voar longe.

Parece simples, mas diversos fones não conseguem tal equilíbrio.

Não aperta livros e nem sua cabeça

Não aperta livros e nem sua cabeça

Filipe Siqueira/R7

Raspo a cabeça e o fone entra em contato direto com a pele. Por causa desse detalhe, um fone pode ser bem desconfortável após longas horas de uso. O Recon também passou tranquilamente no teste. Bastou um ajuste de altura rápido e consegui o tamanho ideal: nunca senti desconfortos ou a necessidade de tirar o periférico para descansar a cabeça.

O mesmo vale para as orelhas. Por causa da borracha que as envolve, a chance de um incômodo ser sentido é muito alta. Mais uma vez, o conforto venceu e o aparelho se mostrou pronto para ser usado por longas sessões de jogatina ou trabalho sem torturar quem o usar.

Entenda: ele não é um fone perfeitamente confortável, mas nunca o incomoda. Talvez faça parte das necessidades gamer ter acessórios leves que nunca sumam totalmente.

Li outros reviews do aparelho e alguns revisores reclamaram de um aperto, coisa que não senti. Duvido, mas talvez tenha a ver com meu costume de usar fones por longuíssimos períodos de tempo. Se incomodar você durante seu uso, provavelmente passará logo, uma vez que as espumas de efeitos de memória fazem um bom trabalho para se adaptar cada vez mais às orelhas.

Os fones também viram 90º, o que permite tranquilidade nos ajustes e ao deixá-los no pescoço. E dissipa um pouco o medo de quebrá-los.

O fone vira 90 graus

O fone vira 90 graus

Filipe Siqueira/R7

Mas ele possui um problema de portabilidade. Se você pretende carregar constantemente seus fones por aí, esse periférico não é a melhor opção, por não se dobrar em formatos compactos. Ele ocupará bastante espaço numa mochila e o formato grandalhão te deixará preocupado se ele aguenta dias e dias numa mochila. Ele é robusto, mas imagino que algumas semanas andando no metrô de uma grande cidade deixarão consequências.

Aqui surge outro problema: o cabo é fixo. Obviamente, tal detalhe não é um problema em si, mas em um fone um pouco mais caro, que dificilmente alguém comprará sem pensar, um cabo fixo significa que um mínimo defeito gera uma grande dor de cabeça. Um cabo removível resolveria o problema. Ao menos o cabo parece bem resistente, então duvido que ele tenha mal contato com facilidade.

Cores e valores

Por outro lado, periféricos gamers devem favorecer a precisão e uma ampla gama de ajustes. Fones precisam registrar vozes em conversas berradas e o som do jogo. Precisam ajudar a criar um ambiente de jogo. Um gamer é também alguém que reage aos mais diversos tipos de estímulos, de preferência raciocinando o mínimo possível.

Além de parecer gamer, o Turtle Beach também oferece uma boa performance do tipo. Ele faz o que se espera de um fone para usar em jogos e conversas acaloradas.

Os sons são bastante acentuados, com uma leve inclinação para os graves pelos testes que fiz — o que também é um padrão de certos  fones do tipo. Alguns não gostam, mas é inegável que jogar com o som estourando é bastante agradável na maioria dos momentos, sem distorções.

Seja ouvindo a narração de FIFA 21 ou os tiros de Bordelands 3, ou mesmo os urros de monstros de Bloodborne, em nenhum momento senti que o fone falhava comigo. Obviamente existem fones melhores — descobri o mercado de fones caríssimos, de alguns milhares de reais, e imagino que eles entreguem um som melhor para pessoas que ouvem FLAC, outro clube tão fetichista quando o gamer — mas você não encontrará defeitos aqui.

A borracha possui memória e se adapta às orelhas

A borracha possui memória e se adapta às orelhas

Filipe Siqueira/R7

Sons de bolas chutadas, portas de castelo rangendo e metralhadoras rápidas: o Recon 50 dá a cada um desses ruídos um tratamento especial. Há leves distorções nos médios e agudos quando o jogo entrega muita intensidade sonora, mas isso apenas incomodará se você focar muito e por tempo demais no áudio do jogo.

Fiz o mesmo com músicas. Ouço música o dia inteiro e o 50P se saiu levemente melhor que o fone que normalmente uso, um Edifier W800BT. Não importa o estilo da música, o Turtle Beach não a esfacelava ou escondia certos aspectos das canções.

Ele não possui cancelamento de ruído, mas a borracha faz um bom trabalho de isolamento. Com volume no máximo — meu estilo de vida envolve ouvir música no máximo sempre que possível — você não ouvirá nem os sons mais incômodos ao seu lado. E quando ouvir, tais ruídos não o deixarão desconfortável.

Por 15 dias o vizinho de cima do meu apartamento fez uma obra que envolveu, claro, quebrar parte do chão. Por vários momentos esqueci da existência da construção, justamente por causa do fone. Também irritei alguns carteiros insistentes ao demorar a atender o interfone.

Então, mesmo que não seja uma função oficial, o fone não se sai mal quando é exigido que ele crie um ambiente sonoro com cancelamento de ruído. Nesse quesito, ele também se sai levemente melhor que o citado aparelho da Edifier.

O microfone preenche os mesmos quesitos. Na verdade se sai até melhor que outros fones da mesma faixa de preços que experimentei por curtos períodos. Ele é destacável, o que o
torna ainda melhor para uso comum. E se sai bem em conversas e na gravação de áudio, com pouquíssimas distorções de voz. Se você é um podcaster sem grana, esse é uma opção aceitável para gravações emergenciais.

Nos releases, a Turtle Beach se gaba do "renomado microfone de alta sensibilidade" e, apesar da linguagem publicitária exagerada, ela está certa: esse fone realmente é muito bom.

Filipe Siqueira/R7

Esse fone é para você?

A essa altura você já começou a entender onde quero chegar. Caso seja o tipo de consumidor preguiçoso que não gosta de procurar reviews e detalhes ínfimos da sua próxima compra, considere esse Recon 50.

Ele não irá te decepcionar e você economizará longas horas de pesquisas e leituras de detalhes técnicos que não irão ajudar muito. Mas tenha em mente que não saber de cor a potência de seu fone, a quantidade de pixels da resolução 4K ou a velocidade de processamento de seu console pode te fazer menos gamer.

O que você precisa saber é que ele tem fio, é confortável de verdade, não irá decepcionar com sons exigentes e tem um preço razoável, mesmo numa época em que o dólar está nas alturas — numa busca simples, é possível encontrá-lo por menos de R$ 300, e ele vale essa faixa de preço.

Esse é um resumo básico de tudo que escrevi acima: esse é um bom fone gamer de entrada, que pode ser usado para outros fins. Vai servir para ouvir bem seus jogos, funciona bem com o controle do PS4, as músicas são ótimas ouvidas nele, mas não é portátil.

Se você procura algo mais que isso, esse fone de fato não é para você. Às vezes as coisas podem ser simples assim.

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