Entretenimento Leandro Stoliar lança livro em que relata prisão e tortura psicológica

Leandro Stoliar lança livro em que relata prisão e tortura psicológica

'Dossiê Venezuela' narra o sequestro de 30 horas do repórter pela ditadura de Nicolás Maduro: 'Achei que fosse morrer'

Stoliar lança 'Dossiê Venezuela'

Stoliar lança 'Dossiê Venezuela'

Reprodução/Instagram

Verão de 2017. Leandro Stoliar, repórter especial do Jornal da Record, embarcava para a Venezuela para investigar a denúncia de dinheiro desviado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômino e Social) para obras no país que nunca saíram do papel.

No entanto, jamais imaginou que seria preso por agentes do serviço de inteligência de Nicolás Maduro. Passou 30 horas trancado em uma pequena cela sem banheiro e papel higiênico, onde tinha somente água, uma refeição fria e a companhia de um morcego. Com ele, estava também o repórter cinematográfico Gilson Fredy, que vivenciou o mesmo drama. 

Os desafios, os medos e as incertezas durante a investigação são retratados de maneira fiel

Leandro Stoliar

A sensação de ser sequestrado e sofrer uma interminável tortura psicológica estão agora no livro Dossiê Venezuela, onde o jornalista conta com detalhes os batidores das 30 horas mais e angustiantes da vida dele. "É um livro em que o leitor é convidado a uma viagem cheia de percalços, que conta em detalhes como é o trabalho de uma equipe de reportagem em um país controlado por uma ditadura militar. Os desafios, os medos e as incertezas durante a investigação são retratados de maneira fiel", contou Stoliar, ao R7

A pré-venda de Dossiê Venezuela já está disponível para compra na internet

A pré-venda de Dossiê Venezuela já está disponível para compra na internet

Reprodução/Instagram

Colocar a história em detalhes no papel não foi tarefa fácil. Leandro sabia que seria difícil, porque relembrar o fato poderia trazer à tona os traumas vivenciados. "Levei dois anos tomando coragem para escrever e dois anos apurando e acompanhando as transformações na Venezuela para entender melhor o que aconteceu no país depois da nossa prisão", disse. "Minha maior preocupação foi em fazer um livro sobre liberdade de imprensa e não sobre política", acrescentou.

A pedido do R7, Stoliar relembrou o local do cárcere. "A cela era pequena e escura com um banheiro sem água e papel higiênico. Foram 30 horas com apenas água e uma refeição, fria. Mas nem o cansaço nos fazia dormir. Dividimos a cela com um morcego (que saía de um buraco no teto à noite) e um casal de jornalistas venezuelanos que havia nos ajudado na investigação e, posteriormente, na libertação: Jesus e Maria. Parei de acreditar em coincidências", contou. 

Ameaçaram nos jogar do avião que voava com a porta aberta

Leandro Stoliar

A respeito da tortura psicológica, o jornalista contou que ele e o grupo eram interrogados pelos agentes da polícia política o tempo todo. Eram chamados de terroristas, espiões, inimigos da nação. "Diziam que nunca mais voltaríamos para casa porque o governo venezuelano não reconhecia o governo interino do Brasil após o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. Quando fomos transferidos, algemados, de uma cidade para a outra, ameaçaram nos jogar do avião que voava com a porta aberta", recordou. 

Pilhas e mais pilhas sendo autografadas

Pilhas e mais pilhas sendo autografadas

Reprodução/Instagram

O medo da morte era real e constante, contou Leandro. Por muitas vezes, o jonalista achou que fosse morrer. Stoliar afirmou que o momento mais tenso foi durante sua transferência. "O avião sobrevoava uma região de floresta à uma baixa altitude. Havia várias pistas clandestinas de terra e não sabíamos para onde estávamos sendo levados", disse.

A pré-venda de Dossiê Venezuela, com direito a autógrafo do autor, já está disponível para compra na internet. O livro será lançado nas principais livrarias do país no dia 21 de junho.  

Crônicas do Stoliar

Juntamente com o livro, Leandro Stoliar também comemora a estreia do blog Crônicas do Stoliar, no R7, onde o jornalista faz uma análise da principal notícia da semana por meio de um texto simples, leve e atrativo. "Acredito que a crônica pode ser uma maneira de nos aproximar de quem nos acompanha, mas também de ajudar as pessoas a refletirem sobre temas que muitas vezes têm seu significado nas entrelinhas. A ideia é mostrar um olhar diferente sobre os acontecimentos que mexem com a nossa vida", explicou. 

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