'É um momento de novos olhares', diz Bell Marques sobre quarentena

'Prefiro enxergar que essa parada brusca foi, em algum nível, necessária para mim', revela cantor, que estava em uma agenda frenética de shows

Confinado, Bell Marques reflete: 'Um momento de novos olhares'

Bell Marques é uma das principais atrações do Carnaval em todo o Brasil

Bell Marques é uma das principais atrações do Carnaval em todo o Brasil

RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Bell Marques está passando a quarentena em sua fazenda, Ana Bonita, no interior da Bahia. Longe da agitação de uma estrela popular e ao lado da família, o cantor confessa que a pandemia o fez refletir sobre a vida.

- Eu sinto falta da vida agitada e corrida na estrada. De estar nos palcos, de sentir o carinho ao vivo ali do público e que não tem preço. Mas, ao mesmo tempo, momentos como esse fazem você enxergar as coisas de forma diferente.

Workaholic, Bell acredita que a pausa obrigatória na agenda frenética de shows foi até um aviso para ele que, tudo leva a crer, estava passando dos limites.

- Eu vim de um verão com recorde de shows, batendo meu próprio recorde no Carnaval. Fui o único artista a tocar todos os dias e ainda emendei o pós-Carnaval com mais de um espetáculo por dia. Então, sou muito positivo e prefiro enxergar que essa parada brusca foi, em algum nível, necessária para mim.

Apesar do problema mundial da pandemia de covid-19, Bell aproveita a pausa no trabalho para curtir a vida "comum". E, assim como outros artistas, o cantor também transmitiu lives para arrecadar doações e divertir os fãs. Além disso, ele até gravou o clipe De Quebradinha (assista acima) ao lado dos filhos, Rafa e Pipo Marques, que também são músicos.

Para saber mais, confira o bate-papo completo do R7 com Bell Marques:

R7 - O que você está achando do formato 'live shows'?
Bell Marques -
Já tive meus shows transmitidos pela internet, mas, nesse formato, com um show pensado para a audiência de casa, eu ainda não tinha feito. É bem diferente você não ouvir o coro da plateia e não sentir a energia do público ali na frente, olhar no olho do fã que fica colado no palco, levantando as faixas, pedindo música... Por isso, fiz questão de abrir uma sessão do Zoom (aplicativo para conversas por vídeo) no meio da live, pra olhar no olho de alguém. (risos) Mas é uma alternativa para o artista, que tem a chance de ajudar a quem mais precisa enquanto leva alegria ao público, que merece um pouco de leveza nesses dias difíceis.

R7 - Como foi gravar o clipe De Quebradinha, durante a quarentena?
Bell Marques -
A gente une o útil ao agradável, né? (risos) Aproveitei que estávamos num final de tarde lindo, no cenário da fazenda, que a gente ama, e foi! Tínhamos uma equipe pequena que já ficaria responsável pela transmissão da live e achamos que seria bacana aproveitar o momento para gerar um conteúdo legal que o público gostasse.

R7 - Além do clipe, você e seus filhos já compuseram algo na fazenda?
Bell Marques -
Sim, temos sentado juntos na varanda e bolado algumas coisas! Quem sabe não sai algo dessa quarentena... (risos)

R7 - Fale sobre a próxima live, em junho. O que podemos esperar?
Bell Marques -
Quem me acompanha sabe do meu carinho pelas festas juninas, por forró e por mestres como Luiz Gonzaga. Tenho quatro álbuns gravados só com músicas de forró, um deles ainda no Chiclete com Banana, no começo da carreira. E, aproveitando que, este ano, não teremos São João, uma festa muito forte no Nordeste como um todo, decidi que a próxima live vai ter esse clima junino. Estou formatando ainda repertório, devo misturar clássicos do ritmo e sucessos meus adaptados também. Vai ser bacana matar um pouco a saudade dessa energia que não sentiremos em sua totalidade esse ano, mas não podemos deixar de homenagear.

Bell e o filhos gravaram um clipe durante a quarentena

Bell e o filhos gravaram um clipe durante a quarentena

Divulgação/Fábio Cunha

R7 - Como está sendo seu cotidiano no confinamento?
Bell Marques -
É um momento de adaptação, novos pensamentos, novos olhares... Tenho mais de 40 anos de carreira, passei por muitos momentos bons e críticos da indústria e o ser humano sempre se mostrou capaz de se adaptar. Não será diferente agora, mesmo que difícil. Então, tenho aproveitado para ficar mais próximo da minha esposa e dos meus filhos, que apesar de terem sempre morado comigo, tinham uma rotina de shows que nos mantinha mais distantes fisicamente. Tudo tem o lado positivo, basta a gente querer enxergar. Temos ficado mais na fazenda, que é um lugar que sempre amamos e que acabávamos não curtindo como queríamos. Fazemos de tudo aqui: cuidamos dos animais, plantamos e cozinhamos. Esse contato com a natureza faz muito bem, é uma terapia boa pra caramba!

Bell durante show nos trios

Bell durante show nos trios

Reprodução/Instagram

R7 - O que você mais sente falta...
Bell Marques -
Eu sinto falta da vida agitada e corrida na estrada. De estar nos palcos, de sentir o carinho ao vivo ali do público, que não tem preço, é diferente. Mas, ao mesmo tempo, momentos como esse fazem você enxergar as coisas de forma diferente. Eu vim de um verão com recorde de shows, batendo meu próprio recorde no Carnaval. Fui o único artista a tocar todos os dias e ainda emendei o pós-Carnaval com mais de um espetáculo por dia. Então, sou muito positivo e prefiro enxergar que essa parada brusca foi, em algum nível, necessária para mim.

R7 - E o que os fãs podem esperar para depois da quarentena?
Bell Marques -
O plano é continuar fazendo o que amo, que é estar nos palcos e trios. Esse futuro próximo é incerto, mas vamos seguindo. Um dos projetos que mais me motivam é o Vumbora Pro Mar, um cruzeiro muito bacana agendado para março de 2021, do qual serei anfitrião. Devo fazer três shows no fim de semana de 12 a 15 de março. E vou ter comigo lá Durval Lelys, Harmonia do Samba, Saulo, É O Tchan e Rafa e Pipo Marques. Estamos muito animados e confiantes.

R7 - E, nesse momento, qual é a mensagem para o público?
Bell Marques -
Nesse momento, é bom reforçar que vocês se cuidem, se isolem, fiquem em casa se puderem. Esse processo é importante. É cansativo e pode ser frustrante, mas é necessário para que possamos pensar num retorno ao cotidiano o mais breve possível.