Elza Soares e protestos antirraciais: 'É preciso fazer algo mais forte'

Cantora participou de uma transmissão ao vivo com o cantor Carlinhos Brown na noite deste quarta-feira (3)

Racismo e violência doméstica foram assuntos da live

Racismo e violência doméstica foram assuntos da live

Reprodução/Instagram

Carlinhos Brown comandou na noite desta quarta-feira (3), no Instagram, uma transmissão ao vivo com um dos maiores nomes da MPB, a cantora Elza Soares. 

Eleita em 1999 pela Rádio BBC de Londres como a cantora brasileira do milênio, Elza é filha de uma lavadeira com um operário. Foi criada em uma favela no Rio de Janeiro e nasceu mulher, negra e pobre. 

Um dos pontos altos da conversa foi sobre os recentes protestos antirraciais que vem acontecendo nos Estados Unidos após a morte de Geoege Floyd. No Brasil, infelizmente, o racismo não é diferente nem novidade para os negros que vivem no país. "Eu protestei mesmo, eu protesto. Todos os dias, nossos negros passam por isso. É preciso fazer algo mais forte", alertou a cantora.

Outra tema pontual foi a violência doméstica contra a mulher. Para quem não sabe, Elza Soares conheceu este assunto ainda muito nova, quando tinhas apenas 11 anos. Nesta idade, a cantora foi obrigada pelo pai a abandonar os estudos e se casar com um amigo de seu pai, que havia se interessado por ela. Nessa relação, a cantora era constatemente submetida a violência doméstica e sexual do então marido.

Sobre o assunto, Carlinhos Brown disse que era preciso do homem ter mais respeito, seja ele com a mulher, com a mãe, com a irmã. Elza interrompeu o cantor e disse: "A mulher precisa ter amor próprio. Quem tem amor próprio não passa por isso." Ela, então, emendou um trecho da música Maria da Vila Matilde, cujo o início já diz: Cadê meu telefone? Eu vou ligar pro 180. Vou entregar teu nome. "Denuncie, por favor. Não se esqueça desse número, é tão fácil", frissou a cantora.